sábado, 18 de julho de 2026

Para além de Pedro Alvares Cabral/ Os ancestrais da Família Ayres/Lima/Lopes de Faria...




Numa conversa com a nossa biblioteca familiar, Celia Ayres de Lima, a tia Célia, ouvi: - Que é isso menina! Parente depois da 3a geração não é mais parente. Para que escarafunchar tanto. Deixa os mortos pra lá. Mas tia... exclamei. Não havia argumentos para convencê-la. 

Mas como o site Familie Search nos ajuda, fui indo fundo na busca da parentada ao longo dos... séculos. E quantos séculos! De fato fomos para além de Cabral, que descobriu o Brasil, em 1500, senão antes. Seguindo vários ramos de ramificações da família, chegamos ao ancestral Antonio Rodrigues de Alvarenga (1550-1614) citado no livro de Pedro de Taques, títulos da nobiliarquia de São Paulo. Tomei como referência  a minha descendência, que separa 11 gerações de Antonio Rodrigues Alvarenga, natural de Lamego, Portugal, e que veio dar com os costados no Brasil, em 1570, sendo um dos primeiros povoadores da vila de São Vicente, hoje cidade de São Paulo. Para deixar claro aqui, a família Ayres, nessa linhagem tem sangue português. Quem ai não tem?

Fonte arquivo público de São Paulo

Dente do padre Anchieta, muita matança, e o berço da democracia



Antonio Rodrigues Alvarenga tinha o título de fidalgo, estava a serviço do rei, e assim recebeu terras do donatário Martin de Sousa, por concessão de D. Joao III para nelas se instalar. Veio para São Vicente,  casando-se, em 1575, com Ana Ribeiro (1559-1647), vinda aos 12 anos para o Brasil, natural de Porto, Portugal. Aqui dá-se início a descendência da família em terras brasileiras. Uma curiosidade. Antonio Rodrigues, que tinha  permissão  para atuar como „ barbeiro“, e podia também exercer praticas ontológicas, aparece como Cirurgião-barbeiro e Juiz do oficio de cirurgia, "responsável pelos exames e licenças de nosso praticantes de cirurgia". Ele teria extraído um dente do Padre Anchieta, que sua esposa guardava com veneração. Ela tinha o padre Anchieta como milagroso, e o fato foi narrado num depoimento de 7 de janeiro de 1628, no processo de canonização de Anchieta, publicado na Revista da ASBRAP n:3. Vero.

Em São Vicente, Antonio Rodrigues vivenciou guerras contínuas com os originários habitantes da terra Brasilis, os índios Carijós, Guaianazes e Tamoios, considerados "bárbaros". Três anos de combates, em que os nativos americanos não tiveram chance, e foram... "dominados", expulsos de suas terras, e praticamente dizimados ao longo dos séculos. Ele foi um dos que, juntamente com João Ramalho, o Bacharel de Cananéia, que se aliou aos indígenas, e fundou pequenos entrepostos para a comercialização de escravos indígenas.  Sim, sim, a desavença entre os indígenas era incentivada para que houvesse entre eles disputas, que acabavam em escravizar seus iguais para o trabalho nas plantações dos portugueses. 

A povoação de São Vicente é considerada o berço da democracia nas Américas, pois em 22 de agosto de 1532, correram as primeiras eleições no continente americano para a escolha dos membros da câmara Municipal. Na economia, a tentativa da cultura canavieira na região não obteve sucesso e, muitos moradores migraram para o planalto Paulista, como Antonio Rodrigues, que foi para São Paulo. Lá conquistou respeito pela distinção de seu caráter, recebendo por provisão a autorização para atuar como tabelião do judicial e notas, em 20 de maio de 1599, do Poder Judiciário e Notas de São Paulo. Faleceu em 1614, e foi sepultado na capela-mor da igreja dos religiosos Carmelitas, São Paulo. Deixou descendência que esta espalhada pelo nosso Brasilzão, particularmente em Minas, São Paulo e Rio de Janeiro. E são muitos. Lemes, Rodrigues, Pedrosas, Meireles, Moreiras... é gente que não acaba mais! É estimado que 10% da população brasileira, ou seja 15 milhões de almas brasileiras são descendentes desses primeiros imigrantes portugueses. Inclusive as misturebas com os índios, negros. E nóis aqui!

Fonte:
Wikipédia/Quatrocentão 
SANTOS, filho, 154, pg 6, Machado, !980, pag 109-110
Foto: 
Benedito Calixto, Biblioteca de São Paulo
Portrait de Alvarenga de autoria (até agora desconhecida)
Agradecimentos: 
a Julio Jeha, na eternidade

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