sábado, 18 de julho de 2026

Patronato Agrícola Wenceslau Brás de Caxambu/ História/ Parte 1

Muitas décadas se passaram e a instituição marcou gerações, que até hoje lembram do legado deixado em suas vidas. Fomos escarafunchar a história para contar sobre a fundação do Patronado Agrícola Wenceslau Brás de Caxambu. As minhas pesquisas e o texto ficaram parados por motivo de força maior até agora, e que em razão de nos ficarmos sabendo que a prefeitura tenta dar um destino ao prédio da antiga instituição, resolvi concluir a primeira parte do trabalho. Então senta, senta que lá vem história!

"Fica creado no município de Caxambu, Estado de Minas Gerais, um patronato agrícola destinado, a um tempo, a promover o desenvolvimento da policultura, principalmente quanto as frutas exóticas aclimáveis à região, e o da horticultura e jardinicultura e transformar menores abandonados em especialistas pomicultores, horticultores, jardinicultores, abegões e profissionais práticos nos diversos ofícios agrícolas". 

Otimismo/ O inferno e as boas intenções/ Caxambu, uma terra sarava*

Wenceslau Bras e família em Caxambu, 1917, Palacete Julia;
Raul Noronha de Sá

Perguntamos o porque Caxambu foi escolhida a cidade para abrigar um Patronato? Não tenho dúvidas que a escolha do local foi devido aos esforços do político Raul Noronha de Sá (1879-1953), que era chefe de gabinete, e secretário particular do presidente Wenceslau Bras até 1918. Raul de Sá era bacharel em direito, membro do conselho deliberativo de Caxambu; deputado federal constituinte por Minas Gerais, reeleito para pleitos de 1921 a 1930. Wenceslau Brás esteve de visita à cidade, em 1917, um ano antes de publicar o decreto criando a instituição, ficando hospedado na Vila Julia de propriedade do Comendador Pereira Souza. A bela casa que hoje não existe mais, ficava na Praça 16 de Setembro, a direita do prédio da antiga rádio de Caxambu. Eles estavam otimistas. A idéia que o patronato fosse um centro de irradiador de práticas da moderna lavoura, cultivo de frutas, horticultura, em grande escala, em Caxambu fracassou não só por causa da pobreza do solo, mas pelas mudanças econômicas, políticas do país ao longo dos anos, transformando o Patronato Agricola em escola de "ofícios", sem falar nos métodos educativos e assistência a infância desvalida. Este merecia um tratado à parte.

Senta que lá vem história!

Mas vamos voltar lá no ano de 1897, quando da fundação da Sociedade Nacional de Agricultura, formada por proprietários rurais do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Nordeste. Eles se reuniram tendo como objetivo a articulação de políticas agrárias junto ao governo, resultando a criação do Ministério da Agricultura Indústria e Comercio...

Em 1903 acontece então o primeiro Congresso Agrícola, Industrial e Comercial de Minas Geras, ocorrido em Belo Horizonte. Um dos temas era onde e como obter mão de obra mais qualificada para trabalhar no campo. O problema foi agravado pela abolição da escravatura. Claro, o trabalho escravo alimentava a economia agro exportadora e agora não estava mais disponível, tornando-se preocupação nacional, pois a elite não sabia como se organizar sem o trabalho executado pelas mãos negras. Acrescentando que a imigração estrangeira, que era a esperança de ter braços para as lavouras, não trouxe frutos desejados. 

Assim os patronatos agrícolas foram previstos no decreto n°13.707 de 28 de fevereiro de 1918,  nasceram  com um duplo sentido, oferecer instrução primária, além de noções de práticas de agricultura, veterinária aos menores desvalidos, e o aproveitar como mão de obra agrícola, retirando os menores abandonados dos grandes centros urbanos. Eles eram destinados a "regeneração" das crianças e adolescentes através do trabalho. Seriam admitidos menores de dez a dezoito anos mediante "guia de autoridade judiciária competente".

A grande referência para a política dos patronatos foi a concepção de educação e trabalho foi desenvolvida pelo professor Leon Renaut, em Minas Gerais, quando foi fundado, em 1909, no governo João Pinheiro,  o Instituto João Pinheiro, que funcionou de 1909 a 1942 nos arredores de Belo Horizonte. Os ideais republicanos do educador tinha uma visão de que, o ensino de ofícios e agrícola como instrumentos de integração do trabalhador na sociedade moderna. O professor Leon Renaut, que era mineiro de ascendência francesa, foi convidado a redigir o estatuto para os Patronatos Agrícolas tendo como referencia da escola francesa de assistência a criança desamparada. Foi o primeiro diretor do Patronato Wenceslau Bras.

O Patronato Agrícola Wenceslau Brás

Patronato Agrícola Wenceslau Brás de Caxambu  foi criado pelo decreto de 15 de junho de 1918,   na administração do ministro da Agricultura Pereira Lima, no final da gestão do presidente Wenceslau BrásWenceslau Brás Pereira Gomes (1868-1966) nascido em São Caetano da Vargem Grande, distrito da vizinha Itajubá era empresário, advogado, político e presidiu o Brasil entre 1914 e 1918, sendo sua instalação  definitiva em 12 de novembro de 1918, com lotação  inicial para 50 menores, "que foi elevada para 85".

O patronado de Caxambu foi o único instituído, subordinado diretamente à pasta da Agricultura, Indústria e Comércio. Sua localização ocupou a Chácara Mayrink oriunda da antiga Fazenda do Jacaré no terreno pertencente a Carlos Theodoro Bustamante, filho do Barão e baronesa de Pouso Alto, quem hospedou a  princesa Izabel em seu palacete, em Caxambu, no ano de 1868 (veja no mapa onde há um "L"). O terreno foi adquirido pelo Conselheiro Mayrink, e depois passado para a administração municipal.
A escola dispunha de uma área de pouco mais de 28 hectares, adquirida em 1918, "já com todas as benfeitorias, pelo Governo Federal, de Manoel Theodoro, pela quantia de 40.000.000,00 cruzeiros". Manoel Theodoro de Carvalho era presidente do conselho da câmara de Caxambu na administração de Camilo Soares (1916), e era também um pequeno produtor agrícola.

Chacara Mayrink

Inicialmente sua administração estava sob a direção do Ministério da Agricultura, sendo ano de 1924 concluída a transferencia do imóvel do Governo do Estado de Minas Gerais, para a esfera federal (aviso n° 271 de 2 de abril de 1924), passando depois por decreto, para a jurisdição do Ministério da Justiça, em 1934. Em 1941 veio a ser integrada ao Serviço de Assistência a Menores, o SAM. 

O patronato teria sede própria, sendo que a lei regia sobre a área total de 84 hectares mínimos de terras cultiváveis, mas curiosamente, o de Caxambu possuía somente 19 hectares. Rezava o decreto: "terá por sede o próprio agrícola para esse fim expressamente adquirido pelo Governo Federal  na cidade de Caxambu...". Em outro relatório do governo dizia: "... possuía uma área de 30,8 hectares, e estava situado no município de Caxambu, distante... 15 minutos da estação Rede Sul-Mineira. Aqui não sabemos se eles iam montados em cavalo e a galope, pois 15 minutos até chegar a estação ferroviária era pouco tempo. Ainda, nos vários artigos e decretos, constatei uma discrepância entre o tamanho da área da instituição, oque pode estar associada a área total e a área de cultivo. 

Quatro alqueires de uma terra sarava

Procurando um referencial que pudesse ajudar na datação do prédio, achei uma foto do Patronato de Viçosa, Minas Gerais, em segundo plano (foto abaixo) hoje tombado pelo Patrimônio Histórico, construído entre 1926 e 27, com arquitetura muito semelhante a do Patronado de Caxambu, na fotografia.  Para a confirmação da data de sua construção,  um relato do deputado Nicanor Nascimento convidado a fazer uma visita à Caxambu, em 3 de abril de 1919, e aborda o tema na câmara dos deputados do Rio de Janeiro.

Acima, pátio interno da Escola Wenceslau
Brás de Caxambu, abaixo, pátio interno do 
Patronato de Viçosa que tem arquitetura semelhante

"O Sr Nicanor Nascimento: ... - Ha mais, Sr. Presidente, em Caxambu os residentes da cidade me convidaram para ir ver o outro patronato lá instalado. São quadro alqueires de terra sarava, improductiva, que foram comprados por 40 contos, pelo Sr. Wenceslau Bras, para nelas instalar um novo patronato.
- O Sr. Fausto Ferraz - Terras magníficas.
- O Sr Nicanor Nascimento - Logo para começar, o casebre existente nesta chácara exigia, para os melhoramentos, permitindo a instalação do patronato, o gasto imediato de setena contos de reis."

Assim ficamos sabendo, não somente que já se sabia, uma "terra sarava, improdutiva", que os custos das reformas das instalações eram quase o dobro do custo do terreno, bem como também tivemos uma data provável da construção do prédio, isto é, na década de 1920.

As estatísticas da década de1920/ Milho, abóbora, inhame e... aspargos

No ano de 1922 o Estado faz um balanço dos internados nos estados do Rio de Janeiro e Minas: Do total de 1654, estavam assim distribuídos: Anápolis, 11; Monção, 108; Pereira Lima 296; Visconde de Mauá, 150; Casa dos Ottoni, 50; Barão de Lucena, 145; José Bonifácio, 91; Manoel Barata, 51; Diogo Feijó, 35; Visconde da Graça, 75; Delphim Moreira, 100; Campos Salles, 65; Lidoldolpho Coimbra, 49; Senador Pinheiro Machado, 220 e Wenceslau Brás de Caxambu, exatos 100. Na data o governo planejava a instalação de  outros patronatos no nordeste do país.

No ano de 1923 ocupavam as instalações do patronato de Caxambu 98 alunos, e em 1925 recebe mais cinco jovens totalizando 103 jovens assistidos. As estatísticas contam que foram executados 145 trabalhos de assistência dentária. Isto para saber o estado das bocas dos jovens! O curso primário era ministrado em dois níveis: elementar e médio em três classes. A produção agrícola da instituição era modesta, mesmo que constatado que aterra da instituição era "sarava" e "improdutiva". Acredito que não era grande o resultado da produção dos horto fruto granjeiros, mas ajudava na confecção do cardápio. Eram cultivados  2.500 metros de alfafa; 22.000 de mandioca; 28.000 de milho; 7.000 de Barros; 1.500 de abóboras; 1.2000 de inhame; 500 de araruta e 5.000 de hortaliças. Ah, inclusive aspargos!

Patronato de Caxambu na década de 1930/ Era Vargas, a crise

No governo Vargas, a administração dos patronatos foram transferidos para o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, por decreto de 30 de novembro de 1930. Em 1934, também por decreto, foram transformados em aprendizados agrícolas, com exceção do Wenceslau Brás de Caxambu e Artur Bernandes, que passaram para a jurisdição do Ministério da Justiça e Negócios Interiores.

Em 1934 uma manchete que quase passa despercebida: "A Fallencia dos Patronatos". Noticiava o Diário Carioca que o Patronato de Caxambu estava com dificuldade de adquirir gêneros alimentícios no comércio da cidade por falta de pagamento do governo federal. Estava se falando da alimentação escolar! Caxambu não era o único na miséria, o patronato de Viçosa também estava na mesma situação, inclusive com vencimentos atrasados. Ninguém sabia a quem apelar. "... este brado vem do estômago duma centena de criaturas, e portando urge atendel-o...".  

Em novembro do mesmo ano, um repórter que estava hospedado num dos hotéis da cidade, recebeu o convite para a fazer uma visita à instituição sendo recebido pelo diretor Saturnino de Pádua. Na ocasião a ocupação era de 114 alunos, e o que lhe saltou aos olhos foi a limpeza e ordem de todo o edifício. Na ocasião, ele ficou sabendo que os funcionários não recebiam seus pagamentos ha... 8 meses.

Mas não somente a penúria financeira era responsável pela falência dos patronatos, mas estava relacionada também pela ênfase na correção e "regeneração" dos meninos. A rigidez disciplinar  passou a ser alvo de críticas ao funcionamento das instituições, oque as levou a serem substituídas pelos "aprendizados agrícolas". Alem do que os fatores sociais não foram analisados. Num país de desigualdades sociais, os últimos a serem atendidos eram as crianças abandonadas, que vinham de famílias desestruturadas, pais desempregados, uma série de mazelas que desaguava naquelas instituições que tentavam dar sentido e educação para as crianças e jovens desvalidos.

Desde a sua criação, em 1918 até 1930, foram construídas 20 unidades, espalhados pelo país, até a sua desarticulação, em 1934. Segundo o Relatório do Ministério da Agricultura, o patronato de Caxambu em 1930, abrigava 110 internos; em 1931, 102; em 1932, 52 alunos; em 1933, 130; 1934, 114, e em 1937 o patronado dava abrigo a 150 jovens.

Quadro funcional través dos anos

Ao longo das pesquisas pudemos colecionar nomes que ocuparam cargos no Patronato, que tinha uma estrutura hierárquica definita e representada pela figura do Diretor da Instituição, e era um cargo de poder e de grande importância, já que em suas mãos concentravam todas as decisões que diziam a respeito não só dos funcionários, mas também fazia a ligação com os jovens egressos a ocuparem postos de trabalho, além de ser aquele que mantinha relações diretas com as autoridades políticas e policiais do Estado. 

Aqui o quadro funcional da instituição que era composto de trabalhadores permanentes, na maioria profissionais qualificados,  trabalhadores da vigilância, e um quadro de contratados, como médicos, trabalhadores agrícolas para auxiliar nas tarefas. 

1920 Agenor Correia, diretor do patronato
1924 José Divino de Oliveira Junior, inspetor de alunos
1924 Jose Cunha da Gama Abreu, dentista
1927 Sidney Américo Pacca, auxiliar agronomo;
1927 Cesar Pannain, cirurgião, dentista;
1930 Joao Mendes da Luz, professor primário; 
1932 Oscar Mattos Pitombo, professor;
1932 Joao Ramos, guarda vigilante;
1932 Ermano Ferreira Veloso, guarda vigilante;

No ano de 1934 o quadro de funcionário estava assim composto:

Diretor: Saturnino de Pádua;1934:
Médico: Dr. Francisco de Magalhaes Viotti;
Auxiliar agronomo: Sidney Americo Pacca;
Escriturário: Domiciando N. de Noronha Sá, (irmão de Raul Noronha de Sá)
Economi-almoxarife: Carlos Cardoso de Oliveira;
Mestres de oficina: Sebastiao Meirelles; José Bueno Martins; Damaio Avidos
Instrutor de alunos: José Silva
Porteiro-contínuo: Francisco Villara Filho
Professores Primários: José Vicente de Souza;Agenor Nogueira de Sá; José Marcos da Motta.

1934 Odilardo Silva, auxiliar agrônomo;
1935 Cyro Nogueira de Sá, vigilante;
1935 Antonio de Carvalho Castro, vigilante; 
1935 Rita Limonge Braga professora nomeada;
1936 Antonio Gregorio;
1937 Carlos Cardoso de oliveira, mestre de officina de ferreiro; 
1937 Jose Silva;
1940 Adamastor de Moura Pimenta, diretor;
1943 Carlos Cardoso de Oliveira, almoxarife;
1943 Violeta de Seixas Aguiar, professora;
Francisco Viotti medico;
J G Pereira Lima

Patronatos, banda de música e integração social

Nas decadas de 1930 e 40 a instituição participou ativamente das celebrações da cidade, não somente presenciais, com a banda de música dos alunos, mas também promovendo festividades em seus estabelecimentos. E não havia evento, inauguração, campeonatos futebolísticos onde a orquestra dos meninos do patronato não tocavam. E todos os eventos de políticos que visitavam a cidade, a orquestra estava lá. Em 1938 banda de musica tocou nos jogos de futebol; em 1947 Festival interno; em 1950 sediava jogos de futebol inter clubes. Nao podode faltar nas comemorações do centenário de nascimento de Policarpio Viotti, no cinema da cidade transmitida pelo ZYC2 Radio Caxambu. Minha gente, quanta história!
Toda história do patronato, não da para ser escrita somente num texto, sendo assim... tem parte 2. Aguardem!

Fonte:
Mensagens do Governador de Minas Gerais para Assembléia (MG) 1892 a 1930
Camargo, Angélica Ricci, in Patronatos Agrícolas, Memória da Administração Pública Brasileira, Arquivo Nacional, 2021
Relatórios do Ministério da Agricultura (RJ) 1930 a 1960
A Nação  (RJ) 1933 a 1937
A Batalha (RJ) 1929 a 1941
Gazeta de Notícias (RJ) 1920-1929
Diário Carioca, 1934
Correio da Manhã (RJ) 1960 a 1969
Relatórios do Ministério da Agricultura (RJ) 1890 a 1927
Revista do serviço público, 1946, reportagem de Aldalberto Mario Ribeiro
FILHO, Luciano Mendes de Faria, in Cultura escolar e trajetórias profissional: experiencias dos egressos do Instituo Joao Pinheiro/MG, 1995
Boletim Policial (RJ) 1907 a 1933
Annais da Camara dos Deputados (RJ) 1910 a 1918
Vilas Boas, Antonio Carlos; Sanfelice, José Luis in Patronato Agrícola "Visconde de Mauá": da sua origem ao IFSULDEMINAS - Campos Inconfidentes, 2018. (1)
Siqueira, Patricia Amaral, in Tragédia carioca: sujeitos, polícias e embates sobre o abandono de menores (FUNABEM - décadas de 1960 e 1970), Rio de Janeiro, 2019.
Celestino Sabrina, in Entre a Funabem e o Sinase: A dialética do atendimento socioeducativo no Brasil, 2015.
Fotos:
Revista do serviço Público, 1946
Raul Noronha de Sá, autoria Epídio Lemos de Vasconcellos, 1933 a 1935 Arquivo Público Mineiro
Revista Fon Fon
Agradecimentos:
A Julio Jeha, na eternidade

Para além de Pedro Alvares Cabral/ Os ancestrais da Família Ayres/Lima/Lopes de Faria...




Numa conversa com a nossa biblioteca familiar, Celia Ayres de Lima, a tia Célia, ouvi: - Que é isso menina! Parente depois da 3a geração não é mais parente. Para que escarafunchar tanto. Deixa os mortos pra lá. Mas tia... exclamei. Não havia argumentos para convencê-la. 

Mas como o site Familie Search nos ajuda, fui indo fundo na busca da parentada ao longo dos... séculos. E quantos séculos! De fato fomos para além de Cabral, que descobriu o Brasil, em 1500, senão antes. Seguindo vários ramos de ramificações da família, chegamos ao ancestral Antonio Rodrigues de Alvarenga (1550-1614) citado no livro de Pedro de Taques, títulos da nobiliarquia de São Paulo. Tomei como referência  a minha descendência, que separa 11 gerações de Antonio Rodrigues Alvarenga, natural de Lamego, Portugal, e que veio dar com os costados no Brasil, em 1570, sendo um dos primeiros povoadores da vila de São Vicente, hoje cidade de São Paulo. Para deixar claro aqui, a família Ayres, nessa linhagem tem sangue português. Quem ai não tem?

Fonte arquivo público de São Paulo

Dente do padre Anchieta, muita matança, e o berço da democracia



Antonio Rodrigues Alvarenga tinha o título de fidalgo, estava a serviço do rei, e assim recebeu terras do donatário Martin de Sousa, por concessão de D. Joao III para nelas se instalar. Veio para São Vicente,  casando-se, em 1575, com Ana Ribeiro (1559-1647), vinda aos 12 anos para o Brasil, natural de Porto, Portugal. Aqui dá-se início a descendência da família em terras brasileiras. Uma curiosidade. Antonio Rodrigues, que tinha  permissão  para atuar como „ barbeiro“, e podia também exercer praticas ontológicas, aparece como Cirurgião-barbeiro e Juiz do oficio de cirurgia, "responsável pelos exames e licenças de nosso praticantes de cirurgia". Ele teria extraído um dente do Padre Anchieta, que sua esposa guardava com veneração. Ela tinha o padre Anchieta como milagroso, e o fato foi narrado num depoimento de 7 de janeiro de 1628, no processo de canonização de Anchieta, publicado na Revista da ASBRAP n:3. Vero.

Em São Vicente, Antonio Rodrigues vivenciou guerras contínuas com os originários habitantes da terra Brasilis, os índios Carijós, Guaianazes e Tamoios, considerados "bárbaros". Três anos de combates, em que os nativos americanos não tiveram chance, e foram... "dominados", expulsos de suas terras, e praticamente dizimados ao longo dos séculos. Ele foi um dos que, juntamente com João Ramalho, o Bacharel de Cananéia, que se aliou aos indígenas, e fundou pequenos entrepostos para a comercialização de escravos indígenas.  Sim, sim, a desavença entre os indígenas era incentivada para que houvesse entre eles disputas, que acabavam em escravizar seus iguais para o trabalho nas plantações dos portugueses. 

A povoação de São Vicente é considerada o berço da democracia nas Américas, pois em 22 de agosto de 1532, correram as primeiras eleições no continente americano para a escolha dos membros da câmara Municipal. Na economia, a tentativa da cultura canavieira na região não obteve sucesso e, muitos moradores migraram para o planalto Paulista, como Antonio Rodrigues, que foi para São Paulo. Lá conquistou respeito pela distinção de seu caráter, recebendo por provisão a autorização para atuar como tabelião do judicial e notas, em 20 de maio de 1599, do Poder Judiciário e Notas de São Paulo. Faleceu em 1614, e foi sepultado na capela-mor da igreja dos religiosos Carmelitas, São Paulo. Deixou descendência que esta espalhada pelo nosso Brasilzão, particularmente em Minas, São Paulo e Rio de Janeiro. E são muitos. Lemes, Rodrigues, Pedrosas, Meireles, Moreiras... é gente que não acaba mais! É estimado que 10% da população brasileira, ou seja 15 milhões de almas brasileiras são descendentes desses primeiros imigrantes portugueses. Inclusive as misturebas com os índios, negros. E nóis aqui!

Fonte:
Wikipédia/Quatrocentão 
SANTOS, filho, 154, pg 6, Machado, !980, pag 109-110
Foto: 
Benedito Calixto, Biblioteca de São Paulo
Portrait de Alvarenga de autoria (até agora desconhecida)
Agradecimentos: 
a Julio Jeha, na eternidade

segunda-feira, 8 de junho de 2026

O trens da história/Izidra Nogueira Mendes da Luz/ Tudo começou em Caxambu...

Izidra à direita, e sua família

Quem foi Izidra? Oque estaria ela fazendo no Blog da Família Ayres? Porque? Ah sim, vamos contar tudinho! Izidra Nogueira/ Mendes da Luz foi a esposa de Adolpho Alves dos Santos, cujo marido tinha, digamos, mais de uma família, formada 25 anos antes de seu casamento, com Rosalia Angelina de Carvalho, mãe de Alzira de Carvalho/Ayres, que se casou de primeiras núpcias com meu pai José Ayres. Seus filhos com Rosalia Angelina já eram adultos quando, em 1923, Adolpho disse sim, em Caxambu, para Izidra. A surpresa veio depois, conta Helena, ainda viva e lúcida, filha de Adolpho e Izidra. Sua mãe desconhecia a "família paralela" que seu marido tinha formado muito antes de se casar. Foi um grande choque.

Senta que la vem história!



E se a gente vai contar a história da família, vai falar também de história do Brasil, do fim da escravidão, da passagem de uma sociedade escravocrata para a república, da grande migração de trabalhadores do Sul de Minas para as regiões das grandes plantações de café no vale do rio Paraíba. Ao iniciar as minhas pesquisas genealógicas, não conseguia entender como Izidra teria nascido em Barra do Pirahy, indo parar em... Caxambu. Ao achar sua certidão de nascimento estava claro: seu pai trabalhava na Companhia de Estrada de Ferro, oque marcaria sua família para sempre. 

Aqui então vamos apear no trem, no trem da história, pois  Minas é história, e é trem que não acaba mais. Estaremos falando dos caminhos que ligavam Minas ao mar, cujos trilhos, segundo o poeta Milton Nascimento, mandaram arrancar...

A região onde a família de Izidra se estabeleceu era próximo aos trilhos. Sendo seu pai trabalhador da Estrada de Ferro Central do Brasil (não sabemos qual cargo exercia) não poderia ser de outra maneira. A estrada Presidente Pereira que passava pela localidade Macacos, atual Paracambi, onde grande e parte de seus irmãos nasceram, foi inaugurada, em 1861, e fazia parte da malha ferroviária que ligava o Sul de Minas a Barra do Pirahy. A localidade denominada Tarietá, 3° distrito de Itaguaí, eram separados pelo Rio dos Macacos, que também era nome de fazenda, mais tarde denominado Paracambi. A Fazenda dos Macacos era pouso de tropeiros que circulavam entre Minas e São Paulo.

O trecho entre o povoado de Macacos pela estrada "Presidente", como era conhecida, trafegavam todas as cargas de produções agrícolas e passageiros de Vassouras,Valença e Barra do Pirahy. Era o entroncamento ferroviário mais importante do Brasil! A ligação entre Barra do Pirahy e Caxambu foi inaugurada, em 1891, como extensão que vinha da cidade de Soledade. Assim se explica a mobilidade das famílias, e explica como Izidra foi parar em Caxambu.

Seu pai Emílio Mendes da Luz como funcionário da Estrada de Ferro, vivia em constante mudanças, e os registros de seus filhos seguiam os nomes das estações de trem. Todas as localidades citadas acima constam das certidões de nascimento de Izidra e seus irmãos. Elas me facilitaram a pesquisa, e foi só seguir... os trilhos. Seu primogênito, João Mendes, nasceu na localidade de Macacos,  em 1886, (que se chamou também Tairetá, e finalmente, Paracambi, aqui repetindo) A estação de trem da localidade se chamava Rodeio,  (foto acima) que também era nome de uma fazenda, foi inaugurada, em 1863, pela família imperial, e renomeada, em 1946, para Paulo de Frontin.

Estação Sagrada Familia do Tinguá

Nos fins do século XVI as terras da região eram habitadas pelos índios Tamoios, antes de ser uma sesmaria da Sagrada Família do Tinguá, em 1755. Depois vieram os colonizadores. O povoado surgiu assim como surgiram outros lugarejos do Brasil, formado por caravanas de tropeiros que partiram do litoral Brasil adentro em busca de novas terras. Por algum tempo foi nome de estação (foto). 

Rodeio

A localidade Rodeio era ponto convergente entre Minas e São Paulo, e onde eram feitos de fato os rodeios do gado, destinado ao corte.

Estação Rodeio, Marc Ferrez, 1902

Assim notícia Ciro Ciocleciano Ribeiro Pessoa sobre a região, em 1886.

"As estações de Serra, Palmeiras e Rodeio são muito procuradas pelo seu excelente clima e são os germens e lindas e pitorescas povoações para onde afluirá a população da Corte na estação calmosa. Na estação Rodeio acha-se estabelecida a fábrica de formicida Capanema, tão importante para a nossa lavoura". 

Izidra nasceu, em 1890, na localidade Oriente, e foi registrada na povoação Rodeio; Eurico nasceu,  em 1892, na mesma localidade. Em 1892 consta que a família ainda residia na localidade Oriente, onde também nasceu Maria Ana da Luz/ Soller , e onde existia a fazenda do mesmo nome Fazenda Oriente, grande produtora de café, hoje pertencente ao município Vassouras. A fazenda emprestou o nome à estação inaugurada, em 1878, mais tarde denominada Mario Belo. A partir dela iniciam os túneis 1 e 2 em direção a estação Engenheiro Gurgel, onde seria o começo da tragédia que atingiu a família...

O trem azul, muito antes de Lo Borges...

"O Cruzeiro do Sul" era mais do que um trem: era uma instituição, um símbolo de luxo, um emblema de grandeza (...). No silêncio das noites de Rodeio, nunca chegando antes, nunca chegando depois, ouvíamos o "Cruzeiro do Sul" ainda ao longe, saindo do túnel 11 e vindo majestosamente, serpentede aço azulado, precisando cumprir o horário, nunca parando ali. Ninguém ia dormir sem que ele chegasse com seus vagões iluminados, deslizando sobre os trilhos como uma lagarta fosforescente, fazendo a estação rejeitada tremer de orgulho ferido, mas de vaidade também (...) Assim eram os trens daquele tempo, assim era o Cruzeiro do Sul, que não dava bola para Rodeio e o humilhava com o seu desdém, passando lentamente com seus vagões iluminados e se perdendo na noite. Mesmo assim, Rodeio sentia que vivera mais um instante de glória. Podia adormecer, agora, no silêncio deixado pelo trem azul, silêncio magnífico, silêncio que cheirava a carvão e cheiraria a saudade" . (1)

Acredito que os avós de Izidra tinham uma ocupação, em alguma das fazendas, cujos donos pertenciam aos barões do café. Na região era a única forma de estar ocupado e ganhar algum dinheiro. O café estava ainda no auge, e a lavoura precisava de braços livres para seu cultivo, já que a escravidão se aproximava do fim quando foi abolida, em 1888. Em 1882 a fazenda Rodeio apresentava números consideráveis: 59 alqueires, pastos e plantações de café no valor de 8.260$000 contos de reis.  Dentre o inventário de "coisas e objetos de prata" constavam num total de 102 escravos, sendo 60 homens e 42 mulheres e 51 menores. Mas no início do século XX os braços que trabalhavam na lavoura migraram para outras profissões com o declínio do cultivo do café. Possivelmente foi o que aconteceu com Emiglio Mendes da Luz, que ocupou um posto na Ferrovia Dom Pedro II.

O trem, denominado Barrinha, que servia a região, relinchou sobre seus trilhos pela última vez, em 1996, mas continua lá os gritos silenciados nos túneis dos inúmeros acidentados, um deles o pai de Izidra, que ficou órfã aos 4 anos. O primeiro acidente noticiado aconteceu, em 1881. As baldeações eram tumultuadas e perigosas, pois não havia ordem, nem fiscalização, causado perigo aos passageiros, e trabalhadores ferroviários. Ha notícias de descarrilhamentos, colisões, carros que desprendiam das composições disparando sem freios serra abaixo, atrasos provocados por perigosas falhas mecânicas. Fora as intempéries. As chuvas provocavam deslizamentos de terra, principalmente nas áreas de aterro, e pedras soltavam-se das encostas, causando danos nas locomotivas, e pondo em perigo quem trafegava. O trajeto tinha onze túneis e o trecho era de fato perigoso. 

Seguindo os trilhos da história / Sete e meia da noite no Oriente/Onde mora o perigo




E foi por volta das sete e meia da noite que aconteceu o acidente. Era um 28 de abril de 1894, na localidade Oriente, que ainda não era, Mario Belo, próximo onde morava. O acidente foi registrado somente, em 15 de maio, num comunicado ao cartório de Macacos, e teria ocorrido no túnel Dois, da estação Mario Belo, em direção a Engenheiro Gurgel, hoje município de Vassouras. A causa do acidente: "Por baterem com a cabeça na ponte 2". Na foto o relatório dos acidentes do ano de 1894. Túnel 2, sim como consta na certidão civil de óbitos. Literalmente da noite para o dia a família ficou sem o arrimo seu arrimo. Que fazer?

No ano de 1894 ainda não havia previdência social, nem amparo para as viúvas e seus filhos, em caso de acidentes de trabalho; assim viviam de doações. A primeira lei da previdência dedicada aos funcionários da EF Central do Brasil passou a existir somente, em 192l, portanto não sabemos a real situação em que a família se encontrou após o falecimento de Emílio. No mesmo ano, Ana Maria e seus quatro filhos se mudam para Caxambu. O quinto ainda estava em sua barriga, e foi nascer na hidrópolis. Por quais razões a viúva e seus filhos se mudaram para Caxambu? Seria porque a cidade estava em ascensão e viram a facilidade de chegada a ela nos trilhos uma solução? Muitas perguntas, mas poucas respostas. Somente os fatos. A vida seguiu. Em Caxambu foram criados os filhos Izidra, João, Eurico e Emílio que posteriormente migraram em direção ao Rio de Janeiro, e lá faleceram, com exceção de Maria, que viveu e faleceu, em Caxambu, casou-se de primeiras núpcias com Salvador Y Contesti Soller, dando origem ao ramo dos Sollers. Mas esta já e outra história.

Izidra conheceu José Augusto Nogueira, com quem se casou, em 10 de fevereiro de 1912, na Igreja Matriz Nossa Senhora dos Remédios de Caxambu com a presença das testemunhas do coronel Martinho Lício, autoridade local, e Antonio João. Aqui Izidra adquire o sobrenome de "Luz Nogueira". Da união vieram dois filhos ao mundo: Alice Luz Nogueira dos Santos (1912-?); José Geraldo Nogueira (1916-?). Mas o destino mais uma vez mudou sua vida. José Augusto Nogueira faleceu,  em 20 de fevereiro de 1924, aos 42 anos de idade, vítima de... syphilis.

Assim a viúva Izidra conhece Adolpho, e se casaram, em 2 de maio de 1926, em Caxambu, tendo Angelo Morelli e Reynaldo Olavo Maciel como testemunhas. Em 27 março de 1927 eles já tinham se mudado de Caxambu, e estavam morando, em Guaratinguetá, data do nascimento de seu primeiro filho Adolfo Alves dos Santos, o Adolfinho. Maria Aparecida dos Santos nasceu em 2 de outubro de 1928; Aluízio Alves dos Santos, em 4 de fevereiro de 1933, e falecido em 2022, em São Lourenço, Minas Gerais; José Luiz dos Santos (1936-?); Helena dos Santos, ainda viva.

A saga da família continuava. Entre idas e vindas Adolpho adquire terras em Santa Branca, que ficou sob as aguas, após a construção da barragem, mas voltaram para Minas, São Lourenço, onde também tentou ser administrador de um hotel na cidade. Segundo Helena, o pai comprou literalmente gato por lebre. O hotel era velho, as roupas de cama rotas. O negócio não foi para frente. Mais uma vez a família muda para Guaratinguetá, onde também gerenciaram um hotel pensão... nela a família viveu uma grande tragédia, e que será contada no próximo texto.

Fonte:

A Província, de São Paulo, 16.3.1882.
O Estado de São Paulo, 25.07.1897
Jornal do Brasil, 24 1 1992,  Barrinha Estação Mario Belo
O Estado de São Paulo, 3.1. 1917.
Serra: Paracambi - uma junção que deu certo in Jornal do Brasil, 1, marco 2025.
MELLO Carvalho Pedro, Kreter Ana Cecília de Medeiros Nitzche  - in A economia do Café no século XIX.
ALEGRIO Leila Vilela, in Histórias não contadas da Familia Werneck - Século XIX
*Carlos Heitor Cony, 1996 (1)
Pessoa Junior, Cyro Diocleciano Ribeiro, in Estudo descritivo das estradas de ferro do Brasil, RJ, 1886.
Estrada de Ferro Central do Brazil. Relatório do anno de 1894, apresentado ao cidadão Geraldo Bibiano Serigo de Macedo da Fontoura Constalat. Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Indústria, Viação de Obras Públicas, pelo Coronel do Grupo de Estado Maior de 1a Classe Vespiano Gonçalves de Albuquerque e Silva. Diretor da mesma Estrada.

Foto: 
Foto do arquivo privado da familia Alves dos Santos.
Fernando Oliveira fone flickr.
Gravuras Carlos Linde , 1873.
Choque de trens 1892 e veo O Estado de sao paulo 6 2 1892.
Agradecimentos:
Agradecimentos a Marcos Vinicius e a tia Helena pelas preciosas informações publicadas neste blog.
Todas as fotos foram baixadas de vários sites da internet, muitas delas sem informações. Se alguém reivindicar sua autoria, serão removidas.
Nota: 
Tentei aqui contar o que ouvi com a maior fidelidade possível, respeitando a história pessoal de cada indivíduo. Não estamos fazendo qualquer julgamento de valor, pois as histórias teem que serem entendidas nos seus contextos histórico e familiar. 


domingo, 31 de maio de 2026

Eu, Solange Ayres, neta de 34 gerações de Brunilda, rainha do reino Visigoto, Espanha.

 


Eu, Solange Ayres, neta de 34a geração de Brunegilda (543-613), princesa do reino Visigoto, Espanha, casada com Sigiber I, von Austrasien (535-575), nascida em Toledo, Espanha, assassinada por motivos de brigas por sucessão do trono, disputas políticas, e divisão de territórios. 

Sim, batalhas sangrentas foram travadas na disputa de poder entre os reis, rainhas e seus descendentes. Para resumir, a minha avó de 34 grau faleceu de morte matada, torturada três dias, atada ao rabo de um cavado e arrastada até morrer. Fontes controversas contam que ela foi desmembrada por quatro cavalos! Uma morte atroz. Faleceu em 13 de outubro de 613, sendo seus restos incinerados, e depositados no sarcófago do monastério de San Martin, fundado por ela, em 602, em Autum, na França. Hoje repousam suas cinzas no Museu Rolin, em Avigon. Uau, que história! 
Tia Célia Ayres, e a senhora me disse que parente de 3a geração não era mais parente. Mais olha aí, eu tenho sangue azul! (risos), e a senhora também.

Fonte:
Toda a minha linha de parentesco encontra-se na árvore genealógica no site Familie Search.

domingo, 7 de dezembro de 2025

Óia o trem/ Primeira estação de trem de Caxambu




Foram tempos que abaixo da estação de trem tinha um milharal e o bairro Santa Tereza não existia. Esta parte abaixo na foto hoje esta dentro da área do Parque das Águas e onde situa o lago. Tempo... tempo... tempo.

A Estação de Caxambu foi inaugurada em 1891, um prolongamento da linha que vinha de Soledade, trecho aberto pela Cia Viação Férrea do Sapucahy que ligava Cristina a Caxambu. O prolongamento até Baependi foi inaugurado em 1895, e em 1910, ligada a Barra do Piraí, constituindo a linha da Barra. Inicialmente estação funcionava em um barracão improvisado de madeira, posteriormente foi construída   em alvenaria. Infelizmente o prédio da foto, foi demolido, em 1939, e reconstruída, como o prédio de hoje.

Prédio antigo da Estação Ferroviária de Caxambu.

Predio atual da antiga Estação Ferroviária de Caxambu, construído em 1939.

Fonte:
Estações Ferroviárias do Brasil

domingo, 6 de abril de 2025

João José de Lima, o mais antigo ancestral da família Ayres/Lima/ Assinatura

 


Escarafunchando e achando.
Aqui a assinatura do mais antigo ancestral da familia Ayres/Lima num documento da cidade de Pouso Alto, do ano de 1800.

Fonte: Familie Search

sábado, 15 de fevereiro de 2025

Prédio do Isolamento/ "Caxambu um dos focos de propagação da lepra no mundo inteiro"/A polêmica crise sobre os casos lepra na cidade de Caxambu/Uma tentativa de resgate da história do prédio do Isolamento


Belizário Pena sendo retratado

Quando, em 1874, o médico e botânico norueguês Gerhard Henrik Armauer Hansen confirma que o causador da lepra era o Mycobacterium leprae, o estigma já havia se consolidado no imaginário popular. Acreditava-se que a doença era castigo divino, ou hereditariedade. Pela impossibilidade de cultivo em laboratório do agente causador, as pesquisadores tinham dificuldade de saber a forma exata de sua transmissão, ou do contágio, que supunham ser por mosquitos, como na febre amarela. A medicação veio somente na década de 1940, com o aparecimento das sulfonas. Na incerteza era recomendado o isolamento compulsório, oque causou traumas irreversíveis nas famílias, entes queridos separados de seus familiares, filhos criados em orfanatos, estigmatização. Não por acaso os prédios/hospitais eram chamados de "Isolamento". Caxambu teve o seu.

Ironias da história

Mas a história da povoação, que tinha o nome de "Águas Virtuosas", ou "milagrosas", está intrinsecamente ligada à doença, sim, sim à lepra. Ironicamente, os doentes acometidos da doença de Lázaro, foram quem melhor contribuíram para difundir o poder curativo das águas. Eles chegaram a acampar na área, hoje Parque das Águas, na busca da cura de suas feridas, sendo banidos, em 1847, por ordem judicial, tendo suas mais de 40 choupanas em volta dos, na época poços de água, queimadas. O futuro Parque da Águas de Caxambu assim ganhou fama muitos anos antes da sua Alteza real, a princesa Izabel fazer o uso de nossas águas. Muitas décadas se passaram e o mal de Lázaro ainda castigava o Brasil.

Embora presente a legislação sanitária de 1920, o isolamento dos doentes não foi posto em prática  por várias razões. A ausência de recursos e a falta ações coordenadas pelos estados, dificultavam o combate a doença. Assim, as providencias necessárias não foram tomadas para a separação social dos doentes, e abrigar os "isolados para sempre", uma política higienista praticada, antes de se ter conhecimento da disseminação da doença, bem como medicamento para combatê-la. 

Belizário Pena e a grande polêmica sobre os casos de lepra em Caxambu, no ano de 1926

O título do artigo citado publicado na revista carioca Brasil Contemporâneo de dezembro de 1926, onde Belisário Pena (1868-1939), médico sanitarista dava uma entrevista e o título estampava: "Caxambu um dos maiores focos de propagação da lepra do mundo inteiro". O entrevero e maus entendimentos foram tão grandes que Belizário foi obrigado a se retratar. 

Belisário cita o trabalho de doutorado do Dr Gumercindo do Couto e Silva sobre a lepra em Minas Gerais. Segundo ele era uma "immensa calamidade", e quem teria viajado o país podia avaliar "o espantoso desenvolvimento da terrível modéstia que assola o território e parece querer tragar a população num terrível sorvedouro". Esta era um a afirmativa sem bases concretas, uma vez que não havia estatísticas. E perguntava: - Por que é o sul de Minas a região mais castigada do Estado? E lá vinha uma explicação, que já tinha sido feito parte da história da hidrópolis Caxambu: - "Por ser ela onde se encontram quase todas as estanâncias de águas minerais, que foram sempre verdadeiros chamarizes de leprosos, esperançosos na cura ou melhora dos seus soffrimentos, não só as thermaes, de águas sulfurosas, para banhos, como as alcalinos-gasozas para uso interno". E continua: "Não há uma só dessas localidades, onde não seja avultado o número de leprosos vivendo, uns miseravelmente de esposas; outros, mais ou menos remediados, alguns quasi abastados, fazendeiros, sitiantes, criadores, fabricantes de queijos de maneira, fornecedores de leite, da carne de porco, toucinho e de produtos da pequena lavouras, exercendo outros ofícios de sapateiros, pintores, ferreiros, carpinteiros careiros, tropeiros, etc".

Em janeiro de 1927, o jornal baependiense O Patriota, bem como a Gazeta de Caxambu esbravejaram contra o médico. Eles saíram em defesa da economia local, já que o artigo dizia que mãos contaminadas estariam manipulando a confecção de queijos, doces e biscoitos "que saem de suas mãos", além de ocuparem os hotéis, casa de banhos, oque estaria facilitando a transmissão da doença. Ele comparava as estatísticas dos contaminados de São Paulo, as porcentagens populacionais, chegando a conclusão que somente a cidade de Caxambu teria 4.000 leprosos! Imaginem que a população da cidade, contada para o início da década de 1920 era de 5.000 habitantes. Isto é, a maioria estaria contaminada!

A notícia caiu como uma bomba no colo dos empreendores locais, dos hoteleiros. Logo quando Caxambu acabava ter recebido as reformas urbanas, e se projetava como uma das cidades mais belas e aprazíveis para os aquáticos. Era a catástrofe!

As afirmações eram baseadas em "provavelmente". "Enfim, as estâncias de águas minerais brasileiras todas sem exceção, tanto as de Minas, como as de S. Paulo e de Goyaz, tem sido provavelmente a origem de numerosos casos de lepra, sem explicação, e o ponto de partida da endemicidade o terrível mal em localidades, onde elle não existia". 

Belizário acusava o governo de Minas não ter interesse em tratar o caso como saúde pública e acusava  de "tolerância criminosa" por parte do poder público, e pedia que o governo fizesse um recenseamento "honesto" nos municípios de Passa Quatro, Pouso Alto, São Lourenço, Soledade, Lambary, Cambuquira, Caxambu, Baependy e Poços de Caldas, e que segundo ele, não seria de se espantar que "só nesses municípios encontrar 2.000 leprosos, senão ultrapassar esse número. (...) Não me surpreenderá que a cifra de leprosos de Minas atinja a mais de 11.000 casos portadores do mal".

Qualquer menção de insalubridade era motivo para espantar os aquáticos, e afetar a economia da povoação e assim Costa Guedes, comerciante e benemérito da cidade, já no ano de 1891, declarava que Caxambu estava livre da varíola, uma das mais temidas  doenças. As publicações eram feitas nos jornais da corte, Rio de Janeiro. A palavra de Costa Guedes era pregava com prego. Valia. Agora era vez de Rui Guedes, que o fazia no O Caxambuense.

Colonônia Santa Izabel/Betim

Em 1936 a cidade não tinha local para abrigar os doentes acometidos de lepra, já que a política era de "isolamento" dos pacientes. Então o chefe do sub-posto de Higiene de Caxambu, Dr Lysandro Guimarães escreve um comunicado ao prefeito, assegurando que Caxambu estava completamente livre da doença, e que em cooperação com a prefeitura, os doentes se encontravam internados na Colônia de Santa Isabel, em Betim. Foi a primeira colônia construída em minas gerais com o objetivo de abrigar e isolar pessoas diagnósticadas com hanseníase, que na década de 1930 chegou a abrigar quase 4.000 pessoas, dentre elas caxambuenses que chegavam de trens. Inaugurada em 23 de dezembro de 1931 a Colônia Santa Izabel em Betim, começou a receber os primeiros doentes, em 1932.  A colônia se achava próxima a estação da estrada de ferro. As prefeituras tinham que enviar verbas para a instituição para, praticamente,  ficarem "livres" de seus doentes. Assim também foi feito com os pacientes de Caxambú. Deles nada sabemos.

A construção do prédio do Isolamento da cidade de Caxambu

Trem de doido/Estação final: Barbacena


O local já foi sede de escola para alfabetização de adultos, no início da década de 1960, onde Graça Pereira trabalhou, por pouco tempo como professora denominada Escola Cabo Luiz de Queiroz. Um relato mais antigo, de 1956, vem de Vander Silveira, seu marido. Wander menino costumava ir para para aquela parte da cidade para "escorregar na terra", e lembra que o prédio tinha grades. Ele afirma que ali era, praticamente, o "centro de triagem", uma primeira estação  para enviar doentes com problemas de saúde mental em direção ao Hospital de Barbacena. A expressão "trem de doido" não é uma expressão qualquer da mineirice, mas sim triste realidade. Os trens levavam os pacientes psiquiátricos e paravam em Barbacena para, literalmente, para "descarregar" os pacientes, e assim chamados de trem de doido, expressão que ficou na memória e virou expressão popular.


Escavando as camadas mais profundas da história deste prédio, soubemos que ali, nos seus primórdios, provavelmente logo após sua construção, que aconteceu em 1937, era estação de isolamento de fato, para pessoas portadoras de alguma doença contagiosa.


Sua construção iniciou-se em 1937, na administração do prefeito nomeado pelo interventor Benedito Valadares, no período da Era Vargas, o engenheiro Fabio Vieira Marques que ficou à frente da prefeitura de 1934 a 1939. Juntamente com o prédio do Isolamento, foi erguido o Mercado e concluído o calçamento e arborização da Avenida Camilo Soares.  Estávamos na era Vargas e o Estado Novo, e os projetos estavam no contexto das medidas para manter o controle sanitário, e muito criticado ao longo de sua existência. Entre 1920 e 1950 foram inaugurados quarenta asilos-colônia em todo o Brasil. 80% deles foram criados no governo Getulio Vargas. 


Predio ocupado pela prefeitura municipal

Assim chegamos ao final. O prédio ainda esta lá, agora com outras características urbanas, e hoje abriga uma creche administrada pelo poder municipal. Com as reformas o imponente prédio perdeu seu estilo original. Eu ainda me lembro de quando ia buscar leite no seu Zé Magana, que morava em frente daquele prédio pintado de amarelo, esquecido naquele canto da cidade. Ele ainda esta na minha memória...


Foto:
Google
Fonte:
CUNHA, Vivian da Silva in Isolamento Compulsório em questão. Políticas de combate à lepra no Brasil (1920-1941), RJ, 2005

FILHO, Ronaldo Manzi, in Hospital Colônia de Barbacena: Um passado que insiste em se repetir, Revista Ideação, RJ, 2019.

Correio da Manhã (RJ) 1940 a 1949

O Radical (RJ) 1932 1943

O Imperial (RJ) 1935 a 1939

O Jornal (RJ) 1920 a 1929

Diário da Manhã (ES) 1908 a 1926

A Noite (RJ) 1920 a 1929

Agradecimentos:

A Vander Pereira e Graça Pereira Silveira pelas suas, nossas memórias.

Julio Jeha, na eternidade

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Rufino Alves de Lima-neto/ Um baependiense em direção ao sul do país



Ah, recomeçamos com as nossas lembranças. A parentada vai aumentando e vamos acrescentando gente, fotografias, lembranças...

Rufino, nome dado em homenagem ao seu avô : Rufino José de Lima  casado com Rita Carolina de Castro, nascido no bairro Piracicaba, zona rural de Baependi. O avô era filho de João José de Lima e Silva e Joana Thereza Ribeiro de Lima, que foram avistados no sensu da cidade de Pouso Alto no ano de 1838.  Sim, seu João e dona Joana Thereza eram os mais antigos ancestrais da família Ayres, originada em Caxambu através do casamento de Maria de Lima, sua filha e José Fernandes Ayres conhecido Trançador-velho. Eram. Encontrei os bisavós de Rufino neto, João Jose de Lima e María Joana de Gouveia num testamento, em... Pouso Alto. (Confiram aqui o testamento com os nomes e datas).

Sua avó paterna Carolina de Castro  era neta de 5a geração do Capitão Mor Tomé Rodrigues Nogueira do Ó, (1674-1741), casado com Maria Leme do Prado (1686-1756), considerado o fundador da cidade de Baependi. Por vários casamentos formaram-se ramos e sub ramos das famílias, todos pertencentes aos Leme do Prado, Nogueiras, Bicudos vindos da Ilha da Madeira, Portugal. E coisa antiga que não acaba mais!

Sepultamento do pai de Rufino, José Ferreira Alves, Monte Belo,
Minas Gerais,1951

Voltemos ao nosso Rufino. Rufino era filho de José Ferreira Alves Junior (1873-1951), nascido em Areado e casado com Maria Rita Clementina (1882-1894), conhecida como Cota. Eles se casaram no limiar do século em Nova Resende, em 21 de fevereiro de 1900, e da união nasceram:

João Alves Ferreira (1903-1964);
José Alves Fortunado (1911-1983);
RUFINO ALVES DE LIMA (1920-1980);
Henriqueta Olimpia de Jesus (?-1978);
Juvenal Alves Ferreira (?-2008);
Antonio Ferreira (?-?);
Julia Orestes de Jesus (ß-?);
Maria Angusta da Conceição (?-?);
Rita Egídia de Melo (?-?).

Seu pai viveu e faleceu no bairro da Grama, na localidade denominada Juéria, distrito de Monte Belo, Minas Gerais. Encontramos uma foto de seu sepultamento. E que foto!


Casa da família de Rufino, no bairro Grama, na localidade de Juréia,
distrito de Monte Belo, Minas Gerais

Como podemos explicar a dispersão da família? Um dos argumentos foi migração da família se deu no contexto da expansão das lavouras de cafe pelo sul de minas junto com a expansão da malha ferroviária. Na localidade de Juréia, onde a família tinha casa (foto), antes era conhecida por Tuiuti, e entre 1938 a 1941 viveu uma época de desenvolvimento devido a conhecida Maria Fumaça, locomotiva movida a lenha, que fazia o transporte mercadorias, animais e gente de, e para a região de São Paulo. O município, cuja atividade econômica é ainda baseada agropecuária com a produção de queijos, doces, se situava exatamente do entroncamento de duas ferrovias, a linha Cruzeiro-Juréia, Estrada de Ferro Minas e Rio, e da Rede Mineira de Aviação, e o Ramal de Juréia, da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro, ambas responsáveis pelo escoamento da produção leiteira, cafeeira e agrícola da região, e o transporte de passageiros entre os estados de São Paulo e Minas Gerais. E foi exatamente para lá que a família, que foi originada em Baependi, se mudou buscando novas possibilidades de sobreviver. Prova para os nossos argumentos é a foto da casa da família de Rufino neto, na Juréia, uma típica casa de fazenda, com curral apetrechos para o cultivo do campo. 

Indo mais para o sul...

Rufino e mais dois de seus irmãos foram ainda mais para o sul, em direção ao estado do Paraná, tambem seguindo a expansao do cultivo do cafe, nas conhecidas „terras roxas“, ideal para o cultivo da rubiacia. Ele faleceu aos 60 anos de idade em consequência de um tumor cerebral, seguida da parada cardíaca, no hospital Nossa Senhora das Graças, em Mamburé, distrito de Curitiba, Paraná, em 3 de janeiro de 1980, igualmente com seu irmãos, Jose Goncalves da Costa, falecido em Barbosa Ferraz, Parana;  José Alves Fortunato, falecido em Campo Mourao, no Paraná, assim como seu tio Benjamim José de Lima, profissão lavrador, que faleceu em Congonhinhas, também no estado do Paraná. 
Rufino foi casado Luiza e ainda não sabemos se deixou descendência. Se não fosse o Família Search, não teríamos podido recuperar as histórias

Fotos:

Arquivo privado da família de Rufino Alves de Lima, publicadas no Familie Search
Agradecimentos:
Julio Jeha, sempre, na eternidade.

sábado, 8 de fevereiro de 2025

Quase chegando a Cabral! Descobertas sensacionais dos ancestrais da família Ayres!




Para a minha alegria e surpresa achei mais ancestrais da família Ayres na localidade de Pouso Alto. O sensu da povoação, datado de 1839, nos indicou o caminho. João José de Lima e Silva e sua família constaram como moradores do quarteirão 2, fogo 17.  Assim eram os... endereços da época. 

Bem, depois muitas buscas, o família Search nos ajudou. Percorrendo os arquivos paroquiais de Pouso Alto, achei! Tinha perdido a esperança de encontrar qualquer pista de nossa família, quando constatei com tristeza, na época de minhas pesquisas iniciais, que a igreja Matriz de Pouso havia sofrido um terrível incêndio e os documentos paroquiais viraram cinza.

Mas... num testamento achado no dia 2 de fevereiro de 2025, mudou o curso de nossa história. Maria Antonia de Gouveia deixou seus bens para... João Jose de Lima e Silva, seu único filho. Também ficamos sabendo que ela foi casada com João Jose de Lima, que na data de 1842, já era falecido, isto é, pai de João José de Lima e Silva.

Os antepassados Maria Antonia e Gouveia já moraram em Pouso Alto desde 1799, data de falecimento de seu pai, Luis Soares da Costa, casado com Joana Rodrigues de Gouveia.  E… voltando aos arquivos do censu de Pouso Alto de 1838, a confirmação: Maria Antonia Gouveia, mãe de João Jose de Lima e Silva morava próxima do filho. Ela tinha a companhia de Manoel, 40 anos, e outro Manoel, escravo forro de 58 anos, e mais 16 escravos. Um outro Manoel, seu sobrinho, herdou parte da herança deixada por ela, junto com seu único filho João José de Lima e Silva. Acredito que a escravaria do pai foi passada de herança para o filho e... Justinianna Maria da Conceição, minha avó de 3° grau, escrava poderia estar no seu plantel. Aqui a certidão de nascimento de Camilo, datada de 1858, filho de Justinianna, escrita erroneamente como "Justina", escrava de... João José de Lima. Nota: tia Célia Ayres de Lima/Araujo,  nossa biblioteca familiar, conheceu o ... "tio Camilo". Ah, nossas conversas, nossas lembranças.

Certidão de batismo de Camilo, filho de Justinianna, minha avó de 3° grau,
mãe de Sabina Maria da Conceição, minha bisavó, mãe de minha avó Gervásia Ayres de Lima 
e mãe José Ayres, meu pai.

Tem mais! Depois do achado, as pesquisas continuaram e encontrei o óbito de João José de Lima, o pai de João José de Lima e Silva, que faleceu em 30 de julho de 1838, em Pouso Alto.

Assim sendo, os bisavós de nosso mais antigo ancestral, até agora João José de Lima e Silva, por parte materna, isto é, de dona Maria Antonia de Gouveia , que perdeu o sobrenome "Gouveia" adotou o "Lima" do marido, são originários de São Simão de Litém (São Simão), Leiria, Portugal.

Ah, estamos quase chegando ao Cabral! Sério! Os meus antepassados pelo lado de vó Gervásia datam de... 1550. Quase lá!

Arquivos:
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Agradecimentos:
Em memória a Julio Jeha. Ele diria: Bravo, você chegou de fato ao Cabral!

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Conflito no Ermelino Matarazzo/Francisco Matias Silva Ayres , trineto de José Fernandes Ayres é assassinado em São Paulo


Uma violenta cena de sangue verificou-se sábado cerca de umas 20:30 horas em frente ao prédio 165 da rua Dois, na localidade de Ermelino Matarazzo em São Paulo...

E lá vamos escrevendo a biografia dos parentes antigos. Hoje vamos contar a história de um assassinato no bairro Ermelino Matarazzo, em São Paulo acontecido no ano de 1961 envolvendo Francisco Martins Silva/Ayres . Ele foi morto à facadas, segundo o jornal Diário da Noite, por uma rixa antiga, que ocasionou uma violenta contenda de tapas e pontapés, sendo Matias esfaqueado na barriga. Quando a briga foi apartada pelos policiais, o corpo de Matias estava lá estirado no chão. Cenas de sangue! Gravemente ferido, foi socorrido no posto de saúde do Tatuapé, vindo a óbito, quando deu entrada na sala de curativos. Foi uma curta carreira como motorista falecer aos 23 anos de idade. Os outros participantes também foram parar na unidade de atendimento e liberados, sendo  encaminhados para o plantão policial da Zona Leste. Interrogados Luiz Batista Lima, Davi Menachos, Orbelio Matias Ramos e Manoel Domingos Menachos negaram a participação no homicídio, apontando o autor dos ferimentos fatais um caminhoneiro foragido da cena do crime. Não podemos saber hoje quais os motivos da briga que causou a morte de Francisco, e nem se o culpados foram punidos. 

Quem era Francisco?

Francisco Matias da Silva Ayres era filho de Izolina Matias e Francisco Tomé da Silva filho, e neto  de Maria Ayres de Lima , que era filha de José Fernandes Ayres, o Trancador-pai que hoje é nome de bairro na cidade de Caxambu, portanto trineto do velho Trançador. A minha tia avó Mariinha, como era chamada, a partir da união com o pousoaltense Francisco Thomé Ribeiro da Silva Filho , perdeu o Ayres, e assim como os filhos passou a assinar Silva. De uma procura ocasional acabou virando pesquisa e história. A certidão de óbito de Francisco me surpreendeu, e a curiosidade coçou aqui os meus dedos para procurar mais informações sobre o ocorrido. E não e que achei? Fica aí a quem interessar.

Fonte:
Diário da Noite (SP) 1927 a 1980.
Agradecimentos na eternidade a Julio Jeha.