domingo, 5 de agosto de 2018

A primeira missa na capela Nossa Senhora dos Remédios / Um copo d'agua no Casarão Guedes




A primeira missa conventual na nova capela Nossa Senhora dos Remédios foi celebrada por José Silvério Nogueira da Luz, o primeiro pároco oficial. O dia 10 de outubro 1886, um domingo.   Conventual vem de convento e se refere à missa que faz parte do Oficio Cotidiano, ou missa da comunidade celebrada diariamente.

Como não havia ainda casa paroquial, José Silvério Nogueira da Luz ficou hospedado na casa de.... José Maria Costa Guedes por cerca de dois anos, "mantido sob subscripção popular". Isso mesmo, naquele casarão pertencente ainda hoje à família Guedes, que, por consciência de história e memória, o tem preservado por gerações. 

Naquela manhã  dominical, os fiéis acompanharam o padre com banda de música até a capela, segundo noticiou O Baependiano. Havia uma bucólica pracinha arborizada, harmonizando com a silhueta da igreja e o casario ao redor. A pracinha foi patrocinada por Costa Guedes, que mandou mover e remover terra, modelando a colina e plantando árvores. Com um pouco de fantasia refazemos as cenas da comitiva em cortejo, atravessando o largo da igreja. No final, "depois da missa o acompanham até-la (o Casarão Guedes), havendo depois um copo d'agua". No dicionário Houaiss, a expressão "copo d'agua" significa "pequena reunião com doces, bebidas etc., oferecida por amigos, para homenagear alguém". Assim era.
Fonte:
O Baependiano
Agradecimentos: 
Julio Jeha

domingo, 29 de julho de 2018

Crime no Casarão Guedes / Quem matou Manoel Rodrigues Jardim?



E de susto em susto a gente vai descobrindo histórias e mais histórias. Hoje o Blog da Família Ayres auxiliado por Izabela Jamal Guedes, a bisneta de Costa Guedes, reconta um crime.

Numa sexta-feira, 27 de marco de 1891, no Casarão Guedes um morto jazia estendido no chão. Um único tiro acertou e feriu mortalmente Manoel Rodrigues Jardim. Do morto sabemos apenas que tinha trinta anos, era casado e tinha filhos - não sabemos quantos.

Por ser uma pessoa conhecida na cidade e na Corte do Rio de Janeiro, Costa Guedes ficou numa situação difícil, pois o assassinato ocorrera dentro do seu estabelecimento. O crime o abalou tanto, que ele fez publicar uma longa nota no jornal Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, lamentando o ocorrido. 

Na nota publicada, Costa Guedes comunica que iria cumprir o dever como depositário de "importante soma a favor das infelizes vitimas", feita por cidadãos de Caxambu e Baependi.

No assento de óbito está acrescido "desastre". Fica aqui a pergunta: fora mesmo um tiro acidental? Quem matou Manoel Rodrigues Jardim?

Foto:
Família Search
Fonte: 
Gazeta de Notícias, 1891, RJ

Agradecimentos especiais a Julio Jeha

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Trin-trin!! O primeiro telefone de Caxambu


Vou começar pela evolução que se nota no nosso abençoado Caxambu, que como se vê  está tomando o aspecto de uma villa que caminha para o futuro de cidade; é assim que, além das magnificas construções que já possui, e da tendência bem caracterisada que há de aumento o número de cidadãos que desejam edificar, já tem um melhoramento que muitas vilas e cidades não gozara - telefhono! (1)

E o primeiro telefone que tocou na cidade soou onde? Claro, na loja do senhor Costa Guedes, em 30 de setembro de 1888, num domingo. Dez anos antes, o telefone tocara pela primeira vez no Brasil, no Palácio da Quinta da Boa Vista,  no Rio de Janeiro. A inauguração efetiva da telefonia no Brasil se deu em 1877, quando D. Pedro II ordenou que as residências de seus ministros fossem interligadas por telefones.

Na casa dos Guedes houve festa, banda de música em uniforme de gala, regida por Zeferino Mota e muitos foguetes. Toda a gente do povoado veio saudar a inauguração do aparelho, que o redator Amaro Nogueira do jornal O Baependiano considerou um grande melhoramento para a cidade e uma excelente propaganda para a loja. A sua instalação se deu tão rapidamente que ele se deu conta da novidade somente quando arrebentou o foguetório em frente à loja, próximo a redação de seu jornal.

Na época José Maria da Costa Guedes organizou uma companhia própria, tendo como sócio e técnico Venâncio da Rocha Figueiredo, o mesmo que fez a captação das fontes das águas do parque. Assim foi possível instalar outros aparelhos. O telefone foi de grande utilidade para a cidade, funcionando como ponto de envio e recebimento de informações. O procedimento era complicado, se compararmos com as possibilidades de nos comunicarmos nos dias de hoje. Vamos lá.

Como funcionava?

Era assim. Os telegramas eram transmitidos em código Morse, um sistema binário de representação de letras e algarismos transmitidos em som longos e curtos, intermitentes, desenvolvido por Samuel Morse em 1835. As mensagens procediam do Rio de Janeiro e São Paulo para os hotéis, solicitando reservas, por exemplo. Então eram expedidos para a Agência de Telefonia de Soledade e, de lá, os recados eram transmitidos por telefone para o posto em Caxambu que era na... Casa Costa Guedes. Os hoteleiros recebiam os recados e assim as reservas nos hotéis eram feitas. Simples assim. A possibilidade de se comunicar "tão rapidamente" fez com que outras cidades como Baependi, Conceição do Rio Verde e Três Corações copiassem o modelo com sucesso, prestando um grande serviço de comunicação às povoações.
Mais uma vez, a Casa Guedes foi o centro das atenções de nossa cidade. Ela ainda está lá!
Foto:
Arquivo privado da Família Guedes
Fonte:
(1) O Baependiano
100 anos na mesma casa, in Jornal do Brasil
Agradecimentos:
Agradecimentos muito especiais à Izabela Jamal Guedes, que os proporcionou fotos e documentos, bem como seu relato ao nosso Blog.
Agradecimentos também a Julio Jeha.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Na selva/ Lembranças do Parque das Águas de Caxambu


O bosque, passeio muito apreciável, principalmente nas horas mais quentes do dia, está situado na frauda do morro: uma rua, apenas, o separa do parque. Por um caminho largo, sombreado sempre, contorna-se todo o lado leste do Caxambú, gozando-se de uma deliciosa temperatura.

Assim escrevia Henrique Monat em seu livro Caxambu, publicado, em 1894. Na foto a referida  rua fica bem atras das árvores frondosas, onde as meninas posaram para eternidade. Hoje a rua faz parte da área do Parque. Como prêmio de uma gincana, os alunos do 3° ano do 2° grau do Colégio Leopoldo do Rio de Janeiro, ganharam uma viagem a Caxambu e fizeram uma visita ao Parque das Águas em 1980. Adriana Gonçalves Ayres tirou a foto do baú e aí estão: Angela Danielle e Fatima Alvarenga.

Para quem não  conhece Adriana Gonçalves Ayres,  lá vai sua árvore genealógica:

Ela filha de Jorge Ayres; que é filho de Geralda Ayres  (sua avó); que é filha de José Ayres  e Alzira Ayres (seus bisavós); filho de Gervásia da Conceição/ Ayres, casada com José Ayres de Lima (seus trisavós), o Trançador-filho, (filho de José Fernandes Ayres, o Trançador-Pai que deu origem ao Bairro Trançador de Caxambu), casado com Maria de Lima (seus tataravós, avós de 4° grau); filha de João José de Lima Silva e Joana Thereza Ribeiro (seus avós de 5° grau).

Gervasia é sua trisavó que era filha de Sabina da Conceição, ex-escrava (sua tataravó); que era filha de Justinianna da Conceição (sua avó de 5° grau); que foi escrava de João José de Lima Silva, (seu avó de 5°grau) um senhor dos escravos; que foi mais tarde escrava de João Ferreira Simões.

Para ler mais cliquem abaixo e conferir as biografias de seus antepassados

Foto:
Arquivo privado de Adriana Goncalves Ayres

domingo, 15 de julho de 2018

A Casa Guedes e sua história /José Maria Costa Guedes, a "mola real" da cidade de Caxambu


Hoje o Blog da Família Ayres tem a honra de poder contar a história de um português, um dos mais caxambuenses que se conheceu: José Maria Costa Guedes. Ele foi um dos cidadãos que mais trabalharam em prol da pequena Caxambu, quando ela ainda não era cidade. Dos seus muitos legados, o Casarão Guedes, no largo da Igreja, não somente abrigou seus descendentes, mas também foi palco da história, além de ser a marca arquitetônica da cidade.

"Com suas 51 janelas externas em madeira de lei maciça, todo construído em alvenaria e pedra em estilo colonial português e de 2 pavimentos contando 12 quartos, três grandes salões, 1 sala a nos falar da história doutros tempos que aquelas sacadas deslumbrantes, foram testemunhas oculares pois viram nascer e crescer a nossa Caxambu". Assim escreveu o jornalista  Maurício Ferreira.

 O filho do Marquês de Vila Nova de Gaia

José Maria Costa Guedes nasceu em 1 de novembro de 1852, foi batizado em 8 de novembro de 1852 e chegou ao Brasil em 1874, provindo de Vila Pouca Aguiar, da antiga província Trás-os- Montes, e Alto DouroPortugal. Nos registros de batismo, Costa Guedes constava como filho de José Guedes Teixeira  e Leonor da Costa. O pai verdadeiro era de origem nobre, o Marques de Vila Nova de Gaia, que não assumiu a paternidade. Leonor, mãe solteira, casou-se com José Guedes Teixeira, que lhe deu o sobrenome.

Jovem, resolveu imigrar para o Brasil, como muitos de seus conterrâneos, até porque a ligação afetiva  com seu pai adotivo não era tão forte. Assim  foi contado na família.  Embora o grande ciclo do ouro e diamantes tivesse passado, o Brasil ainda era a terra prometida, ainda mais para jovens talentosos para o comércio como ele.

A bordo do navio inglês Mennom chegou ao porto do Rio de Janeiro em 1° de abril de 1874. No seu passaporte, emitido em 6 de março do mesmo ano, consta que ele tinha 21 anos e trabalhava como "caixeiro", isto é, comerciante; tinha 1,65 m de altura, cabelos, sobrancelhas e olhos castanhos escuros, nariz e boca "regulares", cor "natural" e alguns "sinais pretos no rosto e pescoço". Ah,  sabia escrever.


Sorte nos negócios 

Costa Guedes residiu por pouco tempo na cidade do Rio de Janeiro, como muitos imigrantes dedicando-se ao comércio. Em seguida, foi para Sant'Ana do Capivari, onde conheceu José Ribeiro de Carvalho, proprietário do maior "empório comercial", como era dito, de todo o Sul de Minas, a Casa Capivari, no município de Pouso Alto. Tal como outras povoações, Sant`Ana do Capivari situava-se ao longo da Estrada Real, por onde tropeiros levavam mercadorias para abastecer o interior das Minas Gerais, abastecendo ainda aos estados do Rio de Janeiro e São Paulo.

José Ribeiro gostou do moço, o caixeiro viajante, e confiou-lhe a casa de negócios que tinha em Caxambu. Costa Guedes se tornou o seu braço direito. Ele iria mais tarde assumir a filial na povoação em substituição Caetano de Lima Mattos que regressou a Portugal. A firma original, que tinha sede em Sant'Anna do Capivari, era composta pelos seus genros e se chamava José Ribeiro & Genros. Eram eles: João de Souza FerreiraCustódio Olívio de Freitas Ferraz e... José Maria Costa Guedes. Em 1880 a firma se desmembrou sendo a de Capivari renomeada José Ribeiro & Cia  e, a de Caxambu, Costa Guedes & Cia. Sorte nos negócios.

O Casarão



A história de como Costa Guedes construiu o Casarão esta relacionada aos primeiros de homens de  negócios de Caxambu.

Uma das primeiras casas comerciais da cidade pertenceu a Caetano de Mattos, na esquina onde ficava o Parque Hotel e hoje se encontram as barraquinhas, ao lado do prédio da antiga Radio Caxambu, em frente à Praça 16 de Setembro (foto ao alto). Caetano expandiu seus negócios e construiu outra casa, no largo da Matriz, a futura Casa Guedes. Era um imóvel com um pequeno jardim na frente, tendo uma cruz pintada na parede, e por isso era camada Casa do Cruzeiro. Tempos depois, o comerciante português, natural de Viseu, José Ribeiro de Carvalho, de Sant'Ana do Capivari,  associou-se a Caetano, fez melhoramentos no prédio e ampliou os negócios.

Mas a Casa do Cruzeiro não foi ponto comercial pioneiro da cidade. O primeiro fora uma casinha situada onde é hoje a Fonte Magnesiana, de "género do país e molhados" de propriedade de José Baptista, que foi vendida mais tarde para Teixeira Leal. O prédio foi demolido e, no lugar, surgiu a fonte.

Por um triz, sorte no amor


José Ribeiro: - É verdade que você quer nos deixar?
José Maria:  - Efetivamente, vou regressar ao Rio de Janeiro.
José Ribeiro: - Posso saber a razão que o leva a tomar esta atitude?
José Maria: - Eu gosto de sua filha Ana e sou correspondido, mas não me vejo à altura de pretendê-la.
José Ribeiro: - José Maria, você fica e casa com minha Ana. Você a merece e ela merece você. É um rapaz digno, honesto, inteligente e muito trabalhador.

O diálogo entre José Ribeiro e Costa Guedes foi recontado pelo filho Reynaldo Guedes ao jornalista Mauricio Ferreira e assim pudemos saber que Costa Guedes quase ia deixando Caxambu. Quase. Então? Sorte no amor.

O seu casamento com Anna Nonata Ribeiro aconteceu em 25 de julho de 1876, em Sant'Ana do Capivari. O casal  foi morar na promissora Caxambu, que ainda era chamada de Paróquia Nossa Senhora dos Remédios. Nove meses depois do enlace, nasce Adelina Guedes, em 14 julho de 1877, batizada em 6 janeiro de 1878, na Capela Nossa Senhora dos Remédios. Adelina teve como padrinhos o avô José Ribeiro e a tia Adelina Angela de Carvalho, de quem recebeu o nome, costume comum na época. Na histórica foto de 1890, os sete filhos estão em frente ao casarão. Vêem-se ao fundo clientes, passantes e, possivelmente, funcionários. Outros filhos vieram ao mundo:


Maria da Conceição  Guedes, nascida em 22 de dezembro de 1878;  batizada em 21 de setembro de 1879;
José Guedes, nascido em 28 abril 1879; batizado em 8 junho de 1880;
José Reynaldo Guedes nascido em 27 abril 1883; batizado em 15 setembro 1883;
João Guedes nascido em 16 de maio de 1884; batizado em 4 setembro 1884;
Leonor Guedes, nascida em 3 de outubro de 1885; batizada em 28 de outubro 1885;
Alfredo Guedes, nascida em 7 dezembro de 1887; batizado em 6 janeiro de 1888;
Regina Guedes (?-?)
Sofia Guedes (?-?)
Laura Guedes (?-?)

Os filhos foram educados nos melhores colégios da época: Adelina e Maria estudaram no Colégio Campos, no Rio de Janeiro; Leonor, Sofia e Laura, no Nossa Senhora do Sion, em Campanha;   José, Reynaldo, João e Alfredo, no Colégio São Joaquim, em Lorena.

A Mola Real

José Maria Costa Guedes foi um grande empreendedor e tinha uma carinho especial pela capelinha, onde fora batizada sua primeira filha. Não só patrocinou suas obras, como também comprou as imagens dos Santos que estão na atual Igreja Matriz Nossa Senhora dos Remédios. Ele contribuiu ainda com outras obras na cidade. Foi ele quem doou o terreno em volta da Igreja para abertura de rua, a Travessas Nossa Senhora dos Remédios, além de patrocinar uma paixão: o teatro. Em 1879,  aparece fazendo contribuindo para a construção da ponte sobre o Bengo, na administração de Mateus Correia Batista, no valor de 5$000 reis.

Ele era daqueles que tomava muitas iniciativas por conta própria. O jornal O Baependiano, de 1882, noticia a existência de formigueiros no terreno da Capela e, antes que o poder público tomasse providencias, o seu Costa Guedes já tinha dado cabo das saúvas. Noticiava O Baependiano:

Concluindo esta breve notícia, faremos nossas homenagens ao Sr. José Maria da Costa Guedes, que a tempos desta parte tem se tornado a mola real das proveitosas festas que fazem Caxambu, e melhorado muito o estado da capellinha e de suas alfaias.

Um Festival de Teatro, uma indústria têxtil, um asilo para idosos, uma empresa de água mineral, um hipódromo, uma vereança,  os inundados da Itália e... um infalível remédio para calos.

No início do século, ele e outros conhecidos nomes da política nacional constituíram um grupo social, "as pedras angulares do passado social da estancia", escrevia o historiador Floriano Lemos. De fato. Ele não parava. A lista é longa, e Costa Guedes não conhecia avareza quando se tratava de ser solidário. Em 1883, consta da lista de contribuição para os "inundados da Itália". Inundados da Itália? Sim. Naquele ano, a Europa fora atingida por fortes chuvas, e o norte da Italia sofrera graves danos.

Em 1884, participou da comitiva para receber D. Gastão, príncipe de Orleans, consorte do Brasil e  conde D`Eu, na povoação. Uma banda foi contratada para a recepção,  e claro, às expensas de Costa Guedes. O príncipe veio visitar o local que fora escolhido para a construção da Igreja de Santa Isabel da Hungria. Depois do passeio até o Cruzeiro, foram jantar no Hotel João Carlos.

No ano seguinte, como procurador da povoação, promoveu obras de aterros no largo da Igreja, além de providenciar o plantio de arvores, transformando o local uma praça. Ah, a bela pracinha!Tudo isso de uma vez. Costa Guedes não parava.

Toma a iniciativa de construir o Asilo Nossa Senhora dos Remédios em 1886. Este projeto parece que não foi à frente, e demanda maiores pesquisas. No mesmo ano, realiza-se a primeira reunião da Assembléia Geral Ordinária da Companhia das Águas Mineraes de Caxambu e Contendas, tcom sede na povoação. Os acionistas? Antonio Penha de Andrade, Coronel Justo Maciel, Dr. Polycarpio Rodrigues Viotti, Barão de Caldas e... José Maria Costa Guedes, que assumiu a comissão fiscal. Era uma das primeiras tentativas de exploração comercial das águas minerais na terrinha. Podemos dizer que a vida de Costa Guedes era dividida entre os afazeres do comércio, cerimônias religiosas e atividade política.

Em 1890, houve a iniciativa de criar a primeira industria têxtil em Baependi. Em sociedade com Antônio Policarpo de Meirelles Enout, Costa Guedes compra um terreno, situado próximo à cachoeira do Ribeirão. Eles esperavam plantar algodão e criar carneiros para fornecimento de matéria-prima para o empreendimento. Do resultado da empreitada não se tem notícias. Ainda no mesmo ano houve a liquidação da Companhia das Águas Minerais de Caxambu e Contendas. O encarregado da liquidação: José Maria da Costa Guedes. Quem mais? Ele era o homem das finanças, - ninguém mais sério e honesto que Costa Guedes.

Em fevereiro de 1890, com o dr Maciel e o juiz de direito Torquato, formaram uma sociedade  de corrida de cavalos denominada Derby Caxambuense, que durou  6 anos.

Os Calos

Em 1889, Pedro Silveira Nogueira da Luz, gerente do Hotel da Companhia das Águas de Caxambu e Contendendas faz propaganda de um remédio "infalível contra calos", chamado Maynardina, descoberto por Joaquim Furnello Lopes. Cita como referência de sua credibilidade, quase como um avalista, o... "guarda-livros de Costa Guedes", confirmando o que disse David Nasser no seu livro Portugal meu avozinho: " Guedes era certificado de boa qualidade".

Em direção à Europa

Provavelmente já planejando se ausentar, em 26 de janeiro de 1892, anuncia no Jornal do Comercio do Rio de Janeiro que "deu interesse na sua casa comercial ao seu antigo empregado Raul de Castro Mendes", deixando-o à frente dos negócios. Em 16 maio de 1893, embarca no vapor Paquete Thames em direção à Europa, para tratar  da saúde. Após cinco meses de ausência, retorna. Estaria ele com os sintomas da doença que o iria abater?  Pois a vida seguiu, e ele esteve ainda nos próximos 18 anos muito ocupado. Na bagagem, ele trouxe de Portugal algumas imagens dos santos que compõem o acervo da Igreja Matriz de  Nossa Senhora dos Remédios.

Em 1898, é eleito "vereador especial" e, em 1901, torna-se um dos primeiros vereadores da  primeira Camara de Caxambu, que se emancipara de Baependi. Assina com outros comerciantes da região, um protesto contra o aumento dos impostos sobre o tabaco, que, segundo eles "traria o desânimo" para  as lavouras  e, claro, o seu comércio.

Nas próximas duas décadas, Costa Guedes empreenderia várias viagens ao Rio de Janeiro, tornadas mais fáceis pela chegada do trem até Caxambu, ficando hospedado em diversas ocasiões, 1907, julho 1909,  em agosto e novembro de 1910, no Hotel dos Estados. Com os filhos estudando em colégios, era obrigado a levá-los a Campanha, Lorena e Rio de Janeiro, e de lá trazê-los .

Como presidente da Comissão Portuguesa de Caxambu, a chamada "Pró-Pátria", organizou um Festival de Teatro em Caxambu, que, acreditem, arrecadou  l.050$000 - um conto e cinquenta mil réis - , acrescido das contribuições de proeminentes figuras da vida política da cidade, como Polycarpo ViottiDomingos Gonçalves de Mello.  Em 9 de abril de 1916, foi pessoalmente entregar o dinheiro arrecadado à Cruz Vermelha Internacional, fundos estes destinados ao atendimento dos filhos portugueses envolvidos na Primeira Guerra Mundial. Soledade além mares.

Sua querida cidade, seu descanso final

José Maria Costa Guedes chegou a presenciar o florescimento de Caxambu, com o início das obras no governo de Camilo Soares (1916-1920). Faleceu durante uma cirurgia  29 dias após completar o seu 68° aniversário, no hospital da Beneficência Portuguesa, no Rio de Janeiro, do qual ele também era  benemérito, em 29 de novembro de 1920, sendo sepultado no cemitério de são João Batista. Segundo relatos na família, ele teria sido vítima de câncer intestinal. Anos depois, a família providenciou a transferência dos seus restos mortais para seu último lugar de descanso, o Cemitério Nossa Senhora dos Remédios na sua tão querida cidade Caxambu.

Termino com a frase de minha colega do Colégio Normal Santa Terezinha, bisneta de Costa Guedes, Izabela Jamal Guedes, que muito contribuiu com informações para recuperar a memória do seu bisavô: "Sei do que me contavam.. quem podia contar melhor, já morreu."

Fontes:
O Baependiano (1)
Family Search
Anais da Camara dos deputados- sessão em 16 de dezembro de 1898.
Correio da Manhã, 1920
O Fluminense, 1889
O País, 1920
O Jornal, 1920
O imparcial, 1910/1916
Gazeta de notícias, 1910/1919
O Tempo, 1893
A Notícia, 1898.
Lemos, Floriano - Crônicas publicado no Correio de Manha, 1941.
Arquivo privado da família Guedes
FERREIRA, Maurício, recorte de jornal enviado por Izabela Guedes.
LEMOS, Maria de Lourdes - Caxambu: de Água Santa a Patrimonio Estadual, rio de Janeiro, 2007.
Cem anos na mesma casa, in Revista Cruzeiro.
MASIUS Patrick, Risiko und Chance - Das Jahrhunderthochwasser am Rhein 1882/1883 - Eine umweltgeschichtliche Betrachtung - Universität Göttingen, 2013.
Agradecimentos:
Agradecimentos muito especiais a Julio Jeha.

domingo, 10 de junho de 2018

O engenho e a roda do engenho no Chapeo/ Muita água e história passou por esse moínho



E contudo, entre o passado, mesmo longínquo, e o presente nunca há ruptura total, descontinuidade absoluta ou, se se preferir, uma não contaminação. As experiências do passado prolongam-se incessantemente na vida presente, alargam-na (...). Enfim, esta dialética - passado, presente; presente, passado é, com certeza, pura e simplesmente, o coração, a razão de ser da própria história (Braudel, 1986:53). (1)

E se não fossem as surpresas dos registros... uma roda de engenho? Absolutamente uma relíquia dos tempos, que liga o presente ao nosso passado, uma prova concreta de que os nossos antepassados a construíram, com ela trabalharam, ganharam a vida e criaram os seus filhos. Graças a ela a família Lima pode comer, ir à escola.

"Onde quer que se localizassem, os moinhos cumpriam um importante papel nas suas paragens, fornecendo o fubá, para a confecção de bolos, broas, sopas e o angu - cujo papel sempre foi destacado na alimentação de escravos negros. Da moagem realizada nesse rústico maquinismo, provinha também a quirera (ou canjiquinha, como é chamada em Minas Grais), fundamental na criação de porcos, cavalos e aves domésticas." (1)

O doce-amargo sabor da escravidão

A origem do moinho hidráulico remonta à antiga Grécia. Ele foi um dos elementos marcantes nas paisagens rurais das Minas Gerais. Estava presente nas grandes e pequenas propriedades e foi parte importante da estrutura agrária do Sudeste brasileiro.

O primeiro engenho construído no Brasil que se tem notícia foi em Pernambuco no ano de 1516, destinado à fabricação de açúcar. A partir de 1530, os donatários das Capitanias iniciaram a implementação de engenhos para atender a grande demanda do produto, e assim iniciou o povoamento em torno deles. Para o trabalho, tentaram escravizar, sem sucesso, os indígenas. Então optaram por importar escravos da África. O subproduto da fabricação do açúcar, a cachaça, foi moeda de troca no comércio de escravos. O doce-amargo sabor da escravidão...

Os engenhos possuíam diferentes características. Havia unidades de moer cana, de descaroçar algodão, de triturar minério e limpar cerais - engenhos de pilões, de beneficiamento do milho - engenho de fubá ou moinho d`agua e os engenhos de serra. Os engenhos de água eram de construção mais complexa que os movidos por tração animal, e sua manutenção, dispendiosa. Tinham, porém, maior capacidade produtiva que os de tração animal. Para a sua construção era necessária, além da matéria prima, madeira de grande resistência à água, como a cabreúva, a cangerana, a canela-preta, angahi-rajado, com as quais eram confeccionadas a parte central dos moinhos. Era preciso, também, um bom carpinteiro. 

Já os moinhos de pedra eram compostos por pedras de grande resistência com sulcos para melhorar a moagem dos grãos, denominadas mós. O relevo acidentado da região e a água em abundância da região do Chapeo possibilitaram Pedro ter os dois sistemas: a unidade de moenda de cana, com a grande roda de madeira, e a moenda de pedra, na casa atrás. (fotos).

João José de Lima e Silva, a roda da vida

E aqui voltamos a João José de Lima e Silva (1798-1875) o mais antigo ancestral da Família Ayres/Lima/Loesch e suas ramificações, para explicar as coisas.

O nosso tataravô se mudou de Pouso Alto para o Chapeo por volta de 1854. Até o seu falecimento, em 1875, eles tiveram que conviver com a conturbada política da região. Os movimentos abolicionistas chacoalhavam a Província, e a insatisfação com a possível falta de braços para tocar as lavouras levava os produtores agrícolas a temer pelo seu futuro. Eles claro, eram parte da história. Com um plantel superior a 20 escravos, sua propriedade podia ser considerada de médio porte. Nela havia criação de animais, cultivo do milho, feijão, arroz, algodão, café e fumo. Este último que ajudou Baependi a tornar-se famosa, pela qualidade de seu tabaco.

Na história, a Comarca do Rio das Mortes, unidade administrativa no tempo do Brasil-Colonial na qual Baependi estava inserida, foi considerada de alto nível de desenvolvimento econômico. O indicador eram os plantéis de escravos. Numa tabela da presença de escravos e tamanho dos plantéis da primeira metade do século XVIII, baseados nos inventários das comarcas de Ouro Preto e Rio das Velhas, constava que os possuidores de até 20 escravos significavam 27,4% na estrutura econômica. João José  fazia parte dela. O moinho então significava para a Família Lima ferramenta de trabalho, e acredito que a roda desse moinho tenha servido a várias gerações, desde João José de Lima e Silva Pedro e Lina.

Então vieram novos tempos. O Brasil não era mais colônia, a escravidão chegou ao fim e o Brasil foi, mesmo que lentamente, se transformando. Muitos engenhos foram desativados pela carência de braços cativos, e as grandes demandas de açúcar já não existiam. Mesmo com as mudanças econômicas, os moinhos, suas rodas e pedras tiveram ainda uma vida longa em Minas Gerais. Eles estariam vinculados à produção para o consumo próprio, e o pequeno excedente era comercializado na região até os anos de 1960.

Os engenhos de Minas e as Minas dos engenhos



Na propriedade de Pedro Francisco de Lima e Lina Amélia de Lima era praticada a agricultura familiar, uma comprovação da continuidade das atividades econômicas exercidas por seus antepassados. Pedro Francisco foi descendente de Francisco Ignacio de Lima, neto de José Ignacio de Lima e bisneto de João  José de Lima e Silva.

O moinho ainda era parte integrante dessas atividades. Com a cana moída no engenho era fabricada rapadura, bem como o fubá, moído no pequeno engenho de pedra. Eles tinham uma pequena criação de gado e aves, fabricavam queijo, principalmente para os hotéis de Caxambu, na alta temporada. Os produtos eram transportados como nos tempos do Brasil colonial, no lombo de cavalos, até que chegou a modernidade. Pedro foi o primeiro lá do Chapeo a adquirir um veículo motorizado, um Jeep, e assim as mercadorias chegavam rapidamente ao seu destino.

Nas ancas do burro

Assim lembra Antonio Claret Maciel Santos:

A Venda de meu pai, Joaquim dos Santos que existiu da década de 30 até 1960, na Rua Teixeira Leal, era ponto exclusivo e único na comercialização de fubá moído em moinho de pedra acionado por água, produzido no Chapéo pelo "Seu" Pedro que semanalmente trazia um saco cheio dentro de um jacá de bambu  nas ancas de um burro. O produto era vendido rapidamente. Como clientes fiéis me lembro de Rangel Viotti e José Bráulio Junqueira que pedia o produto do interior de seu "rabo de peixe", quando voltava de sua chácara, nos fundos do Parque da Exposição. Esse "seu" Pedro era presbiteriano.

Para a nossa tristeza o moinho de madeira foi vendido. Ainda bem que Loide Lima/Losch o fotografou, provando que de fato ele existiu, e assim pudemos contar a sua história. O moinho de pedra, ah, esse fará parte de uma outra reportagem. 
Fotos:
Arquivo privado da Familia Lima/Loesch
Na foto, Carolina e Fernando, em 1980, filhos de Loide Lima Loesch.
Fonte:
(1) ANDRADE, Francisco de Carvalho Dias, in - A presença dos moinhos hidráulicos no Brasil - tese de Doutorado, 2015.
(2) GODOY, Marcelo Magalhães, in No país das minas de ouro a paisagem vertia engenhos de casa e casa de negócio - Um estudo das atividades agroaçucareiras tradicionais mineiras, entre o Setecentos e o Novecentos, e do complexo mercantil da província de Minas Gerais.
Agradecimentos:
Agradecimentos muitíssimos especiais ao meu contemporâneo Julio Jeha e a Antonio Claret Maciel Santos que com suas lembranças, complementa a nossa história, comentado no Facebook e transcrito no nosso texto.

sábado, 26 de maio de 2018

Às vezes a gente é notícia... na Alemanha


Revirando os papéis, colocando a casa em ordem, acabei de "me achar". A noticia é morna, até porque é do ano de 2002, quando fui entrevistada, juntamente com outros cidadãos de cinco países: Holanda, França, Iran, Áustria, Tunisia e solicitada para descrever a passagem do ano na minha terra Natal. Contei tudo, até que o povo veste cueca e calcinha branca no dia 31 de janeiro.  A repórter achou muito curioso. Ah, na semana em que foi publicada a reportagem, entrei no trem em Colônia e muitos me olhavam estranhamente, depois lembrei que fui a capa do jornal... 
PS: Ainda era "djovem".
Foto:
Da capa do Kölner Wochenspiegel.

domingo, 20 de maio de 2018

Roubo na Capela Nossa Senhora dos Remédios/ Caxambu/ A justiça dos homens




E foi publicado no jornal O Bohemio de 1883, que no dia 21 foi aberta a sessão, presidida pelo juiz de direito, o Dr. Torquato Fortes Junqueira, sendo o promotor Tenente Antonio Carlos Viriato Catão Junior e  escrivão Manoel A de Mello Mattos, 2° tabelião, e foram  proclamadas as seguintes sentenças:

"... Não havendo sessão por falta de número legal, no dia 22, foi submetido a julgamento o réo Theodoro Francisco, vulgo de Freitas, accusado de crime de homicídio na pessoa de Pedro Rodrigues. Defendido pelo Comendador José Pedro Américo de Mattos, foi absolvido por 9 votos. 

Mas a pena implacável foi para o réu Misael Fernandes Rosa, julgado no dia seguinte. Ele Roubou a capelinha de Caxambu e foi condenado a... quatro anos e meio de prisão, com trabalho, e multa de 20% do valor roubado. Justiça dos homens.
Fonte:
Jornal O Bohemio, 1883.

domingo, 13 de maio de 2018

Bibiano José Ferreira, o elo perdido/ 100 anos da fundação da Igreja Presbiteriana no Sul de Minas

Certidão de batismo e casamento de Bibiano José Ferreira

Em 1862, nasceu Bibiano José Ferreira, filho de Cândido José Ferreira (?-?) e Ignacia Ribeiro de Lima(?-?), batizado, em 23 de dezembro, na Capela de Santo Antonio do Piracicaba, hoje município de Baependi. Ele foi batizado pelo avô João José de Lima e Silva (1798-1875) (meu tataravô) e Anna Francelina de Castilho (1809-1889) (mãe de um tio de Bibiano por parte de casamento com sua tia Thereza Ribeiro de Lima/JesusJosé Florencio Bernardes).

Mas que estaria fazendo Bibiano em nosso blog? Claro, que além do parentesco Bibiano... neto de João José de Lima e Silva, o mais antigo ancestral do ramo da Família Ayres, cujo nome apareceu no sensu da População de Pouso Alto, no ano de 1839. Bibiano foi um dos fundadores da Igreja Presbiteriana na região. Isto quer dizer então que achamos mais elo perdido dos Lima no Chapeo!

Bibiano José Ferreira e seu tempo/ a complicada teia dos apadrinhamentos/ seus avós, bisavós, as relações de parentesco e batizados na sociedade escravista de Baependi do século passado

Para entender os apadrinhamentos, os pais procuravam gente de posses e nome para batizar seus filhos, como foi aqui o caso de Bibiano. Dona Anna Francelina de Castilho era mãe de José Florencio Bernardes (?-?) este detentor de um grande plantel de escravos, proprietário de terras e eleitor da província. Só podia ser eleitor quem tinha "cabedal" isto é, dinheiro e posses comprovados.

E, ei, atenção! Florencio Bernardes foi padrinho também de Camilo Ferreira Junior (1858-?), filho de minha tataravó, a escrava Justiniana Maria da Conceição (1843-1914). Ainda, o avô de Bibiano, João José de Lima e Silva, portanto o avo de 5° geração de Loide Lima Loesch  era, no ano de 1854, proprietário de minha tataravó, Justiniana Maria da Conceição. Não é sensacional? Ah, eu sei que é muita informação para entender, mas garantimos que as nossas famílias e seus ramos estão naquele passado interligadas umas nas outras. Vamos à frente.

Tanto os seus avós, como seus bisavós foram senhores de escravos na região do Chapeo e Piracicaba. Seu avô Candido José Ferreira tinha um considerável numero deles, atras de João José de Lima e Silva, seu bisavô (meu tataravô). Tanto que Bibiano foi padrinho, em 10 de outubro de 1880, de uma delas, Constância, filha de Romana, juntamente com Prisciliana Izidora do Espírito Santo; escravos estes pertencentes ao seu avô Cândido José Ferreira. Não esqueçamos que Prisciliana  era casada com José Florencio Bernardes, que era tio por afinidade, por  ter casado com sua tia, a Tereza Ribeiro de Lima, ele também proprietário de escravos. Então os parentes batizavam os escravos de Cândido José Ferreira.  O batismo funcionava assim como uma "certidão de posse", um certificado  emitido pela igreja, na sociedade escravista do Brasil Colonial. Rufino José de Lima, seu primo, e Fraujina Honorina de Jesus foram também padrinhos de mais uma filha da escrava Romana, em 13 de junho de 1883, a Marcolina. Nos meus arquivos de pesquisa, Cândido José Ferreira, avô o de Bibiano era quem mais possuía escravos depois de João José de Lima e Silva o seu bisavô , e José Florencio Bernardes, seu tio por afinidade.

Bibiano se casou, em 10 de abril de 1888, com Maria Eugenia de Jesus (?-?), na Capela de Nossa Senhora do Pinhal, sendo as testemunhas, Honório Ferreira  Gomes e João Esau dos Santos.
São os seguintes descendentes de primeira geração de Bibiano José ferreira  e Maria Eugenia de Jesus:
Brotero Ferreira (1890-?)
Analia Ferreira (1895-?)
Benvinda Ferrieira (1898-?)
Juventina Ferreira (1900-?)
José Ferreira /Vasconcelos (1903-?)
Prisciliana Ferreira (1906-?)
Pedro Francisco (?-?)
Esméria Ferreira (?-?)

Os presbiterianos no Sul de Minas

E o tempo passou, os escravos foram libertos, causando  grandes mudanças na política e na economia da região. O caro tabaco, vendido na Corte do Rio de Janeiro, já tinha perdido sua pujança e os fazendeiros reclamavam a falta de braços para tocarem suas lavouras. Embora o comércio de produtos através das tropas e tropeiros entre as fazendas do Sul de Minas, Rio e São Paulo ainda florescia, a economia não era mais a mesma, nem as crenças religiosas. Muitas mudanças estariam ainda por vir. Bibiano vivenciou a transição do século, a passagem da sociedade escravista para a de cidadãos livres. Então quais motivos Bibiano teria trocado sua crença religiosa?

A expansão da comunidade presbiteriana no Sul de Minas se deu ao longo da Estrada Real. Fulgêncio Batista descreve a rota daqueles que pretendiam chegar a Caxambu, em 1873. Conhecidos núcleos protestantes no arraial de Pouso Alto, passando pelo Sengó, e chegando a Caxambu. A partir de 1880, o acesso ao Sul de Minas foi facilitado pela ligação das povoações através dos trilhos. O trem chegou a vizinha Soledade de Minas, em 14 de junho de 1884. A viagem seguia partir daí nos cavalos e carroças faziam o percurso até Caxambu, que teve que esperar até 1891, quando o trem chegou à povoação, pelos trilhos da Viação Férrea Sapucai. Os trens então trouxeram os pastores presbiterianos para o Sul de Minas.

E foi no final do século XIX, no início de 1903, que foram iniciados os trabalhos da comunidade evangélica  no Chapeo, hoje bairro de Baependi. Sim, sim na pequena comunidade do Chapeo, situada num dos caminhos alternativos da Estrada Real viu outras crenças ocupar o espaço espiritual de seus habitantes. 

Em 1904, foi celebrada a primeira Santa Ceia, no Piracicaba. Em 1906, o diácono foi recebido, no Recreio, por 15 pessoas, entre as quais diversas residentes no Chapeo. Em 1907, o Reverendo Manoel Antonio de Menezes assumiu os trabalhos na região. Foi agosto de 1908 foi celebrado o culto na casa de Bibiano, pelo Rev. Alvares Reis com a presença da esposa e seus quatro filhos. 

Mas o marco histórico para o Chapeo tinha acontecido poucos meses, quando a comunidade recebeu a visita do Reverendo Erasmo Braga. Quem era Erasmo Braga?


Erasmo Braga (1877-1932) - foto de 1901, iniciou os estudos em teologia aos 16 anos tornando-se pastor e professor. Foi líder presbiteriano e com grande esforço ativou a cooperação entre as igrejas evangélicas do Brasil, na década de 1912, nas área de literatura, educação crista e teológica. Para ele os evangélicos deveriam se unir e vincular sua fé   às mudanças sociais do país. Erasmo se destacou como um dos maiores líderes evangélicos de seu tempo. E foram tempos difíceis, pois dos seus primórdios até o estabelecimento definitivo do trabalho dos eclesiais na região, as reuniões dos presbiterianos se davam em residências particulares para evitarem que fossem... apedrejados.

Já no início do trabalhos, em 1906,  eles contavam com  85 membros, num total de 6.500 membros em todo o Brasil.  Uma vitória para a comunidade presbiteriana do Chapeo, cercada pelos católicos da região da Capela de Santo Antonio do Piracicaba e da Igreja Matriz Nossa Senhora de Mont Serrat de Baependi. Podemos então dizer que uma das primeiras células presbiterianas na região surgiu então no Chapeo, posteriormente, foram se organizando em PiracicabaSengó, município de Pouso Alto.

A comunidade presbítera florescia. Em 1913, noticiava o jornal O Puritano que as obras estavam adiantadas:  "Ja foram levantados os alicerces e quase toda a madeira esta no lugar. Em breve será inaugurado o pequeno Templo". Bibiano foi quem fez doação do terreno de 35m de frente e fundos para a construção do salão de cultos e um cemitério.

Com o pequeno templo de pé, a Igreja Presbiteriana ganhava adeptos e também os seus primeiros diáconos. Foram eles Marciano Martins de CastroAdolfo Martins  e o próprio  Bibiano José Ferreira.
A partir do núcleo presbiteriano do Chapeo, partiram eles para organizar a Igreja Presbiteriana de Caxambu. Ah, mas essa é outra história.
Foto
Arquivo privado da Igreja Presbiteriana.
Fonte:
DIAS, Carlos Alberto - A FÉ NO CAMINHO DAS ÁGUAS: UMA ABORDAGEM HISTÓRICA DO PRIMEIRO CENTENÁRIO DA IPS CAXAMBU - MG, Universidade presbiteriana Mackenzie - Escola Superior de Teologia, 2010.
School of Theology
Site da Igreja Presbiteriana de Caxambu
Igreja Presbiteriana de Pinheiros, SP
PARANHOS, Paulo, Ruim Mais vai / O desenvolvimento da estrada de ferro no sul de Minas Gerais e a chagada do trem a Caxambu.
MATOS, Alderi Sousa, BREVE HISTÓRIA DO PROTESTANTISMO NO BRASIL.
Wikipedia
Familia Search
Agradecimentos:
Ao meu antigo colega de escola, Carlos Alberto Dias da Igreja Presbiteriana de Caxambu, por fornecer à nossa pesquisadora, Graça Pereira Silveira, preciosas informações e rico material fotográfico, em visita à sua residência no mês de abril de 2018, em Caxambu.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

São muitas as lembranças / Café com prosa/ Laços e entrelaços das Famílias Ayres e Lima Loesch




Em dezembro de 2017, Loide Lima Loesch recebeu em sua casa, em Caxambu, para um café com prosa Graça Pereira Silveira, a Graça. Ela é a nossa pesquisadora "in loco" e  quem faz o trabalho de recuperação de nossas memórias junto aos nossos familiares, mas também de gente que fez e faz parte das histórias das famílias caxambuenses.


Desta vez recuperamos um dos muitos elos perdidos de nossos ancestrais no Chapeo, bairro de Baependi,  o Ramo dos Lima/Lorsch, e intrincada a rede de parentesco. Também fomos presenteados com muitas histórias, fotos, que deixam os nossos corações batendo forte. Ao alto, o casamento de Lídia e a grande família reunida, posando para eternidade.  Ao centro Pedro Francisco de Lima (1921-?) e Lina Amélia de Lima (1936-?), ele filho de Francisco Ignacio de Lima e Emilia Prudenciana de Jesus. Pedro era neto de José Ignacio de Lima e Fraujina Honória de Jesus, bisneto de Joao José de Lina e Silva (1798-1875), um senhor de escravos (leia aqui a história completa) e Joana Thereza Ribeiro, os  mais antigos ancestrais da Família Ayres/Lima/Loesch, registrados no censo de 1830, na cidade de Pouso Alto. Aos nossos antepassados nossas reverências.

Fotos:
Graça Pereira Silveira
Arquivo privado da Família Lima Loesch
Agradecimentos:
CEDEPLAR, UFMG

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Aniversário da Salete


Salete Figueira completava seus dourados 15 anos, quando convidou os amigos e os colegas de classe para o seu aniversário. Na foto, Salete Figueira, Alvinho, eu, Quinzinho Baião e Reynaldo Guedes.
Na minha lembrança  sua mãe, dona Zilma Figueira, sempre alegre, recebia a gente com bolo em sua casa, quando íamos fazer aqueles trabalhos em grupo. Aliás, Salete era daquelas que realmente ca-pri-cha-va nos trabalhos escolares. A menina tinha talento, tanto é que foi trabalhar em museu com restauração e como educadora. Saudades eternas da galerinha. 
Foto:
Arquivo privado de Salete Figueira

terça-feira, 8 de maio de 2018

Culto em comemoração aos 100 anos da Igreja Presbiteriana do Chapeo/ Baependi


No dia 29 de abril de 2018, foi celebrado o Culto em comemoração aos 100 anos da Igreja Presbiteriana do bairro  Chapeo de Baependi, sendo um dos seus fundadores, Bibiano José Ferreira, bisneto João José de Lima Silva (1798-1875) e Joana Theresa Ribeiro de Lima (1807-1860) os mais antigos ancestrais dos ramos da Família Ayres e Lima/Loesch. Ah, lá atras estava já tudo ligado.
Foto:
Arquivo privado de Loide Lima Loesch

domingo, 6 de maio de 2018

Represa do Jacaré / Tinha jacaré na represa de Caxambu?



É tempo de férias, noticiavam os jornais da década de 1960, fazendo chamada para a conhecida estação de águas. As atrações? O Parque, naturalmente, as fontes e outros "passeios" indicados, como a Represa Nova, a Lagoa Santo Antônio, o Morro de Caxambu e "chácaras de uvas e pêssegos", referindo-se à Chácara das Uvas da tia Mercedes Soler,  e... a Represa do Jacaré. Mas Caxambu tinha jacaré nas suas redondezas? Não, não, o nome está relacionado ao... jogo do bicho! Vamos lá contar a história, ou estória.

O jacaré, sorte ou azar

Foi em 1896, que a história ou estória começa, com um bicheiro de nome Jimenes, que passou a Ximenes e se transformou em Don Ximenes, o que nos parece um tratamento... eclesial. Na verdade, Jimenes era o dono da banca de jogo do bicho de Caxambu. Como na época não havia ainda o telégrafo na cidade, ele, não podendo usar os números da loteria federal, escrevia em um pedaço de papel o nome de um dos vinte e cinco bichos e o guardava numa caixinha de madeira no alto da porta do seu estabelecimento. Mas um esperto, juntamente com um pedreiro, achou por bem, ou mal, fazer um orifício no forro do quarto no andar de cima e conseguiu ler qual seria o bicho do dia seguinte. O bicho era "jacaré". Bem, no dia seguinte, já corria à boca pequena o resultado e muitos apostaram, causando estranheza ao Jimenes pelo número de apostadores no réptil. A pergunta era: como haviam descoberto com antecedência o resultado? Ele ia ter prejuízo, muito prejuízo se tivesse que pagar a todos os ganhadores e, refletindo sobre os acontecimentos, olha para cima pensativo e vê o buraquinho feito no piso do andar superior...

Havia uma bandinha que tocava toda tarde, e o final do número musical coincidia com o ritual de Jimenes, baixando a caixinha com o resultado. Mas nesse dia o ritual da caixinha foi retardado e a bandinha tocava e tocava...  Pensavam os apostadores: Jimenes está ocupado contando o dinheiro para pagar nos pagar. Qual! O descer da caixa atrasou uma hora e os que esperavam o resultado, já quase sentiam o gosto da maldade. Silêncio . O bicho é anunciado: -Ja-ca-ré!  Foi uma explosão de júbilo de vários presentes gritando "eu ganhei"!

Aí discursou Jimenes:
" - Fui vítima de um espertalhão. Algum de "ustedes" furou o forro e minha casa para ler o bicho que escrevi. Não faz mal. Pagarei a todos e com grande prazer, mas de maneira diferente. A importância que lhes pertence, oitenta contos de réis, será entregue a uma comissão de médicos e engenheiros deste lugar, para os serviços de abastecimento água para as casas de todos nós." Depois de reações diversas, vieram os "muito bem", apoiado" e "bravos", conta o jornalista Celso Guimarães, que publicou o texto na revista  Carioca, de onde vieram as informações acima. Agora imaginem o constrangimento dos administradores da cidade, recebendo o dinheiro para uma benfeitoria pública de uma banca de jogo de bicho. Segundo Guimarães, o bicheiro até foi nome de rua. Sim, Dom Ximenes. De fato, a rua existe e fica perto da Rodoviária, em direção ao bairro Bosque que leva à... Represa do Jacaré.

Almoçando com o presidente Vargas na Represa do Jacaré

E a Represa do Jacaré não ficaria no anonimato. Getulio Vargas visitou Caxambu em de 1939 e  foi almoçar na... Represa do Jacaré. Foi um almoço denominado "campestre", com pratos da cozinha mineira e um churrasco, servido em quatro mesas, onde se sentavam as figuras proeminentes, como  Benedito Valadares, governador  do Estado e Joaquim Valadares, prefeito interventor, Getúlio e sua esposa, Darci Vargas.

Imaginem que as moçoilas da cidade convidadas para o evento, foram a cavalo, aboletadas em charretes e em um carro de boi, enfeitados para o evento. A caravana levava grupos de violeiros que tocaram durante o trajeto, até a represa. Os violeiros não estavam sós: também tocou uma banda de jazz. A festa terminou lá pelas quatro da tarde na Represa do Jacaré, aquela que foi construída com o dinheiro do jogo do bicho. Assim me contaram.

(Cliquem aqui e passem pela Rua Don Ximenes), que fica perto da antiga estação Ferroviária, hoje Rodoviária de Caxambu.
Fotos:
Carioca, 1944
Fonte:
(1) A Cigarra, 1967
Jornal do Brasil , 1966
Diário Carioca,
A Noite, 1939
Carioca, 1944
Google
Agradecimentos:
Agradecimentos muito especiais a Júlio Jeha

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Serra da Careta/ Um perfil com muitas histórias



Gervásia Maria da Conceição nasceu em 30 do mês de setembro de 1881, filha natural de Sabina Maria da Conceição, esta última escrava de João Ferreira Simões, "bem debaixo da Serra da Careta", literalmente, no bairro que hoje se chama Chapeu. Felizmente Gervásia foi considerada "livre", por ter nascido após a proclamação da Lei do Ventre Livre de 28 de setembro de 1871, que considerava que todo filho de escrava nascido após aquela data seria um livre cidadão.

Sabina engravidou-se muito cedo de Gervásia, aos 17 anos do feitor da fazenda, assim como a própria Sabina. No desespero tentou interromper a gravidez indesejada chegando a tomar chá de casco de burro, ou pata de vaca, uma espécie de orquídea, que na medicina popular, usado em grande quantidade, pode causar aborto. Mas o tal chá não funcionou e teimosamente Gervásia veio ao mundo num dia em que o céu prometia grande tempestade. Sabina, nos últimos dias de gravidez saiu "como louca" pelos campos afora e desapareceu, como fazem os animais selvagens quando vão ter suas crias. Bem longe dos olhos dos brancos Sabina pariu Gervásia, sozinha, sem apoio nem assistência médica, destino de tantas outras mães escravas. Pouco tempo depois ela reaparece na fazenda um tando descabelada e suja com a pequena Gervásia "embrulhadinha nos panos", como relatou minha tia Célia, Celia Ayres de Lima /Araújo lembrando do que a sua mãe lhe contara.
Foto:
Arquivo privado de Esther Bittencourt
Agradecimentos:
A Esther que gentilmente permitiu que a sua bela foto fosse publicada no nosso Blog.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Da série: colo de mãe, colo de vó


Colo de mãe, colo de vó.

Ao alto: Vó Mariquinha, a Maria Ayres de Lima, vô Ramiro Rodrigues de Freitas, filhos e parentes; foto à direita, Graça Pereira Silveira, no colo da mãe Geralda Pereira, foto à esquerda:  Graça  Pereira e a neta Marina.
Fotos:
Arquivo privado da Família Ayres/ Rodrigues/Freitas/Pereira

terça-feira, 1 de maio de 2018

A primeira Missa Campal em Caxambu



No dia 3 de maio de 1903 foi celebrada um Missa Campal em Caxambu, mais exatamente no alto do Morro de Caxambu. Na data unia três comemorações significativas para o calendário Católico: uma, a exaltação da Santa Cruz; outra a descoberta do Brasil, quando foi celebrada num domingo a primeira missa na praia da Coroa Vermelha, em Santa Cruz de Cabrália, no sul da Bahia, por Frei Henrique de Coimbra, em 6 de maio de 1500; por fim, o trigésimo aniversário da primeira missa celebrada, em 1873, pelo vigário  José Silvério Nogueira da Luz na povoação de Caxambu, isto é, na Paroquia Nossa Senhora dos Remédios. Mas a primeira celebração do gênero aconteceu em 3 de maio de 1862, celebrada pelo Reverendo Cónego Joaquim Gomes Carmo, quando da instalação  do Cruzeiro no alto da elevação, onde é hoje a Igreja Santa Izabel.


Para comemorar o triplo evento, o padre teve a brilhante idéia de realizar uma missa campal, no alto do morro, onde também fora erguido o Cruzeiro, comemoração  da passagem século. Para realizar tal evento, fora da Igreja Matriz, o vigário teve que pedir licença especial ao Bispado de Campanha, ao qual a paroquia estava subordinada. O "singelo altar", assim descrito, foi erguido debaixo de um toldo e coberto por ramos de palmeiras. Diante do magnifico panorama que se descortinava, tenho certeza que todos se sentiam um pouquinho mais perto do criador, embalados pela Ave Maria de Carlos Gomes, orquestrada pelo maestro Joaquim Pinto. Ave!

E, para aqueles que talvez queiram ouvir, aqui a Ave Maria de Antonio Carlos Gomes

Foto:
Cartão postal
Victor Meireles, 1 janeiro de 1860, pintura. Primeira missa no Brasil no ano de 1500.
Fonte:
Gazeta de Notícias, 1903
Revisão:
Paulo Barcala

segunda-feira, 30 de abril de 2018

A bela Ayres do Ayres Bella`s



Sucesso tem cores e formas. Janaina Ayres e seu studio no Rio de Janeiro, onde cabelos e unhas são embelezados. Orgulho da Família Ayres.

Em linha direta Janaína Ayres é filha de Jorge Ayres; neta de Geralda Ayres, bisneta de José Ayres, trisneta de Gervásia Maria Ayres e José Ayres de Lima, o Trançador-filho; e continuando aqui na linha de vó Gervásia, neta e 4° Grau de Sabina Maria da Conceição, ex-escrava; neta de 5° Grau de Justinianna Maria da Conceição, a Nana, ex escrava de João José de Lima e Silva, que também esta ligado à família, vejam abaixo.

Na linha de José Ayres, meu pai , - que originou a Família Ayres, ela é neta de 4° grau de José Fernandes Ayres-Trançador-velho; quem deu no nome ao Bairro da cidade de Caxambu, MG e Maria de Souza Lima; neta de 5° Grau de João José de Souza Lima, um senhor de escravos e Joana Thereza Ribeiro de Lima, sendo os mais antigos ancestrais da família até agora conhecidos, moradores na cidade de Pouso Alto, no ano de 1834.
Fotos:
Arquivo privado de Janaina Ayres

domingo, 29 de abril de 2018

Nossas águas, nossa história /Caxambu de Henrique Monat/Foram os tempos




"Divulgando os brilhantes resultados clínicos obtidos com as aguas de Caxambú, imito o exemplo dos primeiros frequentadores daquellas fontes maravilhosas, cumpro um dever de gratidão.

Procurei ser fiel; ouvi os velhos moradores do município, consultei collegas, interroguei muitos doentes, velhos frequentadores das águas; aproveitei todos os trabalhos publicados sobre o assumpto e documentos inéditos; não esqueci do nosso provecto liguista, o Sr. Dr. Castro Lopes, para reconstruir o termo Caxambú; esforcei-me, emfim, por dizer a verdade.

Sou severo algumas vezes na crítica, mas serei perdoado facilmente, porque me anima o desejo de também contribuir para o engrandecimento de Caxambú."
Texto:
MONAT, Henrique,  em "Caxambu",1894.
Foto: Solange Ayres