domingo, 3 de setembro de 2017

Marcha, marcha, Setembro esta aí /Caxambu nas comemorações/ O dia da Independência


E chega o mês de setembro e suas comemorações: o Sete de Setembro e o 16. Na década de 60 eram dois dias de exceção lá em casa. Para poder acompanhar os desfiles, minha mãe deixava o arroz pronto, comprava daqueles frangos que rodavam na vitrine, embrulhava no  jornal e colocava no forno.  O almoço estava pronto muito antes da gente ir desfilar.

No dia 7 de Setembro o Brasil comemora sua Independência de Portugal, declarada em 1822, e desde então a data é marcada por desfiles patrióticos na maioria das cidades brasileiras, e os mais pomposos e famosos os desfiles de Brasília, na Esplanada dos Ministérios, tendo a presença do presidente da República. Nos estados acontecem desfiles similares e as cidades do interior também fazem seus. No início da primavera, quando a cidade se vestia de flores, os alunos das escolas vestiam os seus uniformes de gala e iam para as ruas nas comemorações cívicas. 


Um desejo dentro do balão / Tudo que sobe, desce

Os desfiles como paradas militares são influencia de tradição européia, indicando ordem e organização estatal. Na década de 60/70 eram eventos  públicos perfeitos para as performances dos militares. A minha infância foi assombrada pela ditadura militar e tínhamos que "fazer formação" antes de entramos para a sala de aula. Nos anos 70  o regime ditatorial atingiu o auge de sua popularidade. Muitos anos mais tarde fomos saber dos trágicos efeitos colaterais sobre a sociedade brasileira, censura aos meios de comunicação, prisões, exílio, torturas... mas na época, em Caxambu, tudo era festa no dia da Independência.

Voluntariamente ou não, reuníamos para a formação, em frente à Biblioteca da cidade. Lá as professoras organizavam as turmas e colocavam os alunos em fila e por ordem de tamanho. Eu como era uma das mais altas puxava o pelotão (foto ao alto). O desfile de 16 de setembro era mais descontraído e não tinha o rigor do 7, quando militares subiam no palanque empedernidos naqueles uniformes verdes.

Ser aluna do Colégio Normal Santa Terezinha era muito particular. Em ocasiões de festas, formaturas, ou festividades cívicas vestíamos uniforme de gala, com aquela gravatinha e punhos de marinheiro, nosso orgulho, e saias, longas saias azul marinho abaixo dos joelhos. Quanto mais antigas as fotos, mais longas eram. Neste dia os sapatos eram polidos, calçávamos as meias brancas de 3/4, e o cabelos armados no laquê, impecáveis, sobreviviam impávidos não importasse a velocidade do vento.

No Colégio era permitido estudar somente meninas e como as Irmãs não tinham tradição de formação de banda de música, tomava-se emprestado a do Ginásio, e íamos nós garridas passar em frente ao palanque debaixo dos olhos das autoridades, ao som do ritmo dos bumbos da banda coordenada pelo Padre Castilho.

No setembro do ano de 1969 recebemos balões coloridos e nos foi dito para soltamos exatamente quando passássemos pelo palanque. O meu balão tinha dentro um pequeno papel com um desejo, que agora não me lembro e se hoje fosse escrever no contexto daqueles tempos o texto seria assim: "Nenhuma noite de terror pode apagar o dia" (1). A ditadura ascendeu ao poder, mas as forças  democráticas foram mais fortes. Tudo que sobe desce, diz o ditado popular.

E lá se ia um dia primaveril, quente e ensolarado em que a gente não precisava ir à escola. Oh dia! Os aviões da Esquadrilha da Fumaça cortavam o céu azul-anil da cidade.

Na foto, a professora Neuza, à direita, de cabelos longos, na fila do meio, a segunda atras de mim, Sonia Baracat, a 4a Paula, filha do seu Gerson e irmã  do Gersinho, a 5a Lizia Matuk. Fila da esquerda, a 4a, Patricia Rotela (?), fila à direita, 1a a Eliana.
Fotos:
Fotos Antigas de Caxambu
Arquivo privado de Graça Pereira Silveira
Arquivo privado da Familia Ayres/  Fotografo: Minininho.

(1) De um cartaz da Anistia.

2 comentários:

  1. Nossos tempos de colégio em Caxambu são recordações boas demais...

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  2. Eu adorava os ensaios no campo do CRAC, e os ensaios da banda na rua. Era muito divertido. Meu pai revoltado com a ditadura militra não queria que eu desfilasse.

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