| Museu do Holocausto, Berlin, 2025 |
Tudo que relatar aqui foi vivenciado por mim no meio da década de 1970; 1973? 1974? Não estou bem ao certo. Um dia meu primo Edson, passando por Caxambu de férias, me levou até a chácara da tia Mercedes para um passeio. Na volta paramos num sítio, a uns 700 metros à frente da chácara, em direção à Caxambu, onde residia um agricultor, pois no momento de nossa chegada, ele dirigia um trator, do qual desceu para uma pequena conversa. Era o senhor Joseph, um sujeito aparentando seus 60/70 anos, alto, magro, mãos grandes de lavrador. Era o senhor Joseph. Ele que tinha boa relação de vizinhança com a minha tia Mercedes, da Chacara das Uvas, por praticarem atividades agrícolas. Não chegamos a adentrar em sua residência. A conversa aconteceu numa construção de madeira do sítio. Não me recordo em que contexto ele foi nos mostrar os seus… „ guardados“. Um longo casaco preto de feltro e… uma insígnia, um broche da cruz gamada nazista, bem como um revolver. Do botton eu não me esqueço. Mostrou com orgulho. Nos despedimos. Sinistro...
Algum tempo mais tarde meu pai comentou que seu Joseph teria ido para São Paulo. Pesquisando, até agora não achei nenhuma notícia em jornais sobre o assunto, mas, no meio da década de 70 houveram varias denuncias de nazistas residentes no Brasil. Se alguém aí da minha geração da terrinha Caxambu se lembra de algum fato, ou conheceu a pessoa de seu Joseph, poderemos continuar a contar a história.
Foto:
Solange Ayres, museu do Holocausto, Berlin, Alemanha, 2025.