quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Gael Silveira Hummel, o mais novo membro da família

Nasceu Gael, nasceu em 22 de agosto, de 2016, precisamente às 18:24, horário do  Panama, e 20:24 minutos horário do Brasil bem pesado: 3.750 kg e 55 cm, sob o signo de leão. Mais um membro para Família Ayres/Rodrigues Freitas/Pereiras e agora unida com os Hummels. Seu pais Rodrigo da Silveira e Tatiana Hummel. Gael não esta sozinho de forma alguma neste mundo. Se não fossem seus antepassados... Aqui estão eles resgatados até a 5a geração. Vamos lá.

Seus avós de 5° grau pelo lado paterno são  João José de Lima e Silva (1798-1875) e Joana Thereza Ribeiro (1807-1860), os mais antigos ancestrais da Família Ayres/Rodrigues Freitas/ Pereira Silveira. O documento  abaixo é o mais antigo registro comprovando a existência de seu ancestral, gentilmente cedido pelo Arquivo Publico Mineiro. Eles foram registrados no Quarteirão, 2, fogo 17, no Sensu da cidade de Pouso Alto, do ano de 1839.  Nele se encontram os tios de sua avó de 3° grau, Maria José de Lima, a Mariquinha, Virgolina Balbina de Lima, José de Lima e Silva, Thereza de Lima e Silva e mais 5 escravos: Adão, Vicente, Benedicto e Salustianana e José. É os avós de Gael era possuidores de escravos! Sua  avó de 5° grau, Maria de Souza Lima, ainda não havia nascido até esta data. A família migrou  em direção à Baependi e foram morar no Chapeo, hoje bairro da cidade. Lá  nasceram os seus descendentes e assim as famílias foram crescendo e se espalharam pelo mundo. Um deles é agora é o Gael nascido no... Panamá.



Seus avós de 4° grau foram José Fernandes Ayres de Lima (1835-1897), o Trançador-Pai, ou velho como o chamavam e Maria Ribeiro de Souza Lima (1841-1903), moradores de Caxambu, que lhe emprestou o nome a um bairro da cidade. Orgulhosamente, diga-se de passagem. Vejam o texto: Bairro Trançador é notícia em 1937 .

Seus avos de 3° grau foram Maria José de Lima/Ayres, a Mariquinha (1881-1846) e Ramiro Rodrigues de Freitas (?-?), moradores da rua Quintino Bocaiúva, em Caxambu. Vo Ramiro também fez parte da história da cidade. Ele foi o O Jardineiro do Parque das Águas, juntamente com Chico Cascateiro, o paisagista que desenhou  e executou as obras não somente no Parque, como também no jardim central da cidade de Caxambu.

Seus avós de 2° Grau foram Geralda Rodrigues Pereira  (1908-?)e José Eugenio Pereira (?-?).

Seus avós paternos: Graça Pereira Silveira e Vanderlei Silveria. Pelo lado materno Marcos Hummel e Sonia Maria Liboni Moretti.


O Panamá e seu canal

Já que o Gael vai, por enquanto, morar longe, vamos falar um pouco sobre a sua pátria de nascimento: o Panamá, oficialmente República do Panamá. É um país que faz fronteira com a Costa Rica e a Colombia, sendo sua capital a cidade do Panamá e fica na América Central. A sua população é formada na sua maioria de mestiços de índios e europeus e agora a última mistura: brasileiro com brasileira, resultando o Gael, que vai ter dupla nacionalidade.

A região foi sempre motivo de disputas políticas. Primeiro vieram os espanhóis no século XVI. Em 1821 o Panama rompeu com o império espanhol e juntou-se com  Nova Granada, Equador e Venezuela sob o nome de República da Grã-Colonia. Dissolvida a união em 1831 o Panama permaneceu unido à Colombia. Aí os Estados Unidos meteram a colher de pau no meio da política e o Panama se separou da Colombia em 1903, quando foi permitindo a construção do Canal do Panamá, claro, por engenheiros americanos, encurtando as viagens transoceânicas. 

A primeira tentativa de construir o Canal foram dos franceses, em 1802, mas os problemas de engenharia, a alta taxa de mortalidade dos trabalhares devido as doenças tropicais, malária, febre amarela, foram os grandes impecílios para continuar a obra, além das chuvas torrenciais, enchentes, desmoronamentos. 

Em 1904 os Estados Unidos assumiram o projeto. E quem mais teria interesse em construir um canal e administrá-lo se não fosse em seus próprios interesses? O presidente Roosevelt estava convencido de que  eles seriam capazes de terminar a obra, já pensando na importância militar estratégica da região.  Dito e feito. Eles usaram o canal durante a Segunda Guerra Mundial para revitalizar sua frota no oceano Pacífico e expandir sua política hegemonista.

Em 1977, o Canal e sua administração foram transferidos para o governo do Panamá. A receita hoje do Canal representa uma parcela significativa do Produto Interno Bruto do país. Panamá é a segunda maior economia da América Central e segunda economia mais competitiva da América Latina, graças ao seu Canal. Sua principal fonte de renda, claro os serviços associados ao Canal, além do setor bancário e a zona de livre comércio.

A zona do Canal e em torno ficou sob a administração dos Estados Unidos até o ano de 1977 e em 1999 o controle foi passado para os panamenhos, como estava previsto no Tratado de Torrijos-Carter. O tratado previa a passagem gradual do controle político-administrativo para o Panama.

Ponto estratégico para os Estados Unidos eles não poderiam ficar de fora das decisões políticas e em 1989 chegaram a invadir o país, quando o país passava por uma série crise econômica, desestabilizando os governos. Ah, uma notícia boa: depois da deposição do ditador Noriega, em 1989, o Panama não tem mais foças armadas.

O canal

Construção do Canal do Panama, 1907
O Canal do Panama é um canal construído artificialmente com a extensão de 77, 1 quilómetros, ligando o oceano Atlantico ao oceano  Pacífico.

Foram necessários 10 anos para finalizar a obra e em 15 de agosto de 1914, foi oficialmente inaugurado. Com a construção do Canal as viagens marítimas foram reduzidas. Os navios não precisavam mais usar a longa e perigosa rota do Cabo Horn, lá embaixo, na América do Sul. O tempo aproximado para cruzar o canal varia entre 20 a 30 horas. Agora vocês sabem um pouco sobre o lugar onde Gael nasceu. Ele tem um pé no Panamá e outro no Brasil. Ah, ele terá os pés em muitos outros lugares...




A ponte das Américas, vai Gael, vai!

Ponte das Américas, Panamá

Gael agora vai cruzar outras pontes, outras fronteiras, assim como fizeram os seus antepassados que cruzaram o oceano Atlantico em direção ao Brasil, em direção à velha Pouso Alto, nas Minas Gerais. Eles vieram, agora vai o Gael. Vai Gael, vai!


Os pais

Tatiana Hummel e Rodrigo Silveira
Vamos listar aqui os descendentes de Gael a partir de sua avó de 3° Grau, Maria de Souza Lima, a Mariquinha e seus respectivos tios e primos:

Gael nasceu assim com uma renca de parentes. Aqui estão os antepassados listados de vó Mariquinha e portanto a lista de parentes de 4°, 3°, 2° graus. Esta lista porém tem outra função. Muitos dos nossos antepassados tem biografia própria e é um espelho da sociedade baependiana/caxambuense do século passado. As biografias estão em contexto com o seu tempo e ao ler as histórias, vocês estarão não só  conhecendo um pouco da história dos nossos antepassados, mas também a história das Minas Gerais e do Brasil. Para saber mais, cliquem nos links em azul. Estamos encarregadas, a Graça e eu de nomear os parentes do passado longínquo, a continuidade  do trabalho porém ficará a cargo das novas gerações.

Os irmãos e irmas de Maria de Souza Lima, vó Mariquinha

Emiliana de Lima (1861-1910)
Manoel Fernandes da Silva (1866-?)
Sebastiana de Lima (1869-1911)
Josephina Maria de Lima ( 1869-?)
Maria Ayres de Lima /Mariinha  (1876-?)
Maria Ayres da Silva/Mariinha (1879-?)
Roza Ayres de Lima (1882-1895)
Anna Ayres de Lima (1883-?)
Izabel Ayres de Lima (1885-?)

Os tios e tias , os primos e primas de vó Mariquinha.

Para compreendermos quem fora Mariquinha, vamos fazer aqui uma lista de todos os seus tios, tias, primos e primas, alguns com biografia própria nos links dos nomes em azul. Bom lembrar que a grande maioria dos batismos e celebrações de casamento foram feitos na Capela de Santo Antonio do Piracicaba, no bairro Piracicaba da cidade de Baependi.

A tia  de vó Mariquinha: Virgolina Balbina de Lima era a mais velha. Ela foi madrinha de batismo, junto com o seu irmão José Ignacio de Lima  de Sabina Maria da Conceição, mãe da Gervásia Ayres de Lima; casou com Francisco Bernardino de Faria, em 13 de setembro de 1849, com apenas 13 anos. Da união  nasceram 13 filhos. São  eles:

Os primos e primas de vó Mariquinha:

1)- Bernardino Lopes de Faria (1853.?) que se casou com Elvira Maria do Nascimento.
Lembremos que Elvira era filha de João Ferreira Simões  que era proprietário de escravos, inclusive de Justiniana Maria da Conceição e Sabina Maria da Conceição, avó e mãe respectivamente de Gervásia Maria da Conceição/ Ayres de Lima

2)  Lucianna de Faria (1856-?)
3)  Ludgero Lopes de Faria (1858-?)
4) Lucinda de Faria (1861-?)
5) Eleziel Lopes de Faria ( 1862-?)
6) José de Faria (1864-?)
7) Arminda de Faria (1867-?)
8) Sabina Bernardina de Faria (1869-?)
9) Bruno de Faria (1872-?)
10) Maria de Faria (1875-?)
11) De Faria (1875-1875)
12) Juvêncio de Faria (1877-?)
13)  Escolástica Lopes de Faria (?-1879)

O tio  de  vó Mariquinha: José Ignacio de Lima e Silva (1835-?) que se casou com Fraujina Honorina de Jesus em 12 de agosto de 1860, no Chapeo, em Baependi. Da união  nasceram 4 filhos:

Os primos e primas de vó Mariquinha:

1) Anna Frauzina de Jesus (1857-?), que se casou com, pasmem, Camilo Ferreira Junior, filho de Justiniana Maria da Conceicao, avó de Gervásia.
2) Candida de Lima (1860-?)
3)- Francisco Ignacio de Lima (1862-?)
4) Ana Ignacio de Lima (1865-?)

A tia de vó Mariquinha: Thereza Ribeiro de Lima/Jesus (1837-?) que se casou com José Florencio Bernardes  (?-?) em 22 de julho de 1855. Da união nasceram 7 filhos:

Os primos e primas de vó Mariquinha:

1) José Bernardes (1854-?)
2) José Bernardes (1860-?)
3)Prisciliana Izidora do Espírito Santo (1864-?)
4) Maria Florencia (1867-)
5) Bernardes (1875-1875)
6) maria Alexandrina ( ?-?)
7) José Florencio Bernardes Junior (?-?)

O tio de vó Mariquinha: Rufino de Lima (1853-?) que se casou com Rita Carolina de Castro (?-?) em 26 de julho de 1875, na Capela de Santo Antonio do Piracicaba. Da união nasceram 7 filhos:

Os primos e primas de vó Mariquinha:

1) José de Lima (1876-?)
2) Cesar de Lima e Silva (1878-?)
3) Maria de Lima e Silva (1880-?)
4) Antonio de Lima (1882-?)
5) Benjamim de Lima (1884-?)
6) Joao de Lima e Silva (1886-1897)
7) Eudoxia de Lima (1890-?)

A tia de vó Mariquinha: Ignacia Ribeiro de Lima (?-?) que se casou em 1861 com Candido José Ferreira (?-?)

Os primos e primas de vó Mariquinha:

1) Bibiano José Ferreira (1862-?)
2) - Ferreira (?-1873)
3) Maria Candida Ribeiro (1864-?)
4) Candida Ferreira (1869-?)
5) Cornélio José Ferreira (1880-?)

 O tio João José de Lima  Filho (?-?) casado com Theodora Constancia de Vasconcelos (?-?)

Os primos e primas de vó Mariquinha:

1) Izabel Francisca de Jesus (?-?)
2) Ludgelo de Lima (?-1865)
3) Galdino Emydio de Lima (1869-?)
4) José Augusto Anselmo (1871-?)
5) Amélia Eugenia do Espirito Santo (1872-?)
6) Samuel Augusto de Lima (1874-?)
7) Rachel Silva (1876-?)
8) de Lima, (?- 1884)
9) Theodora Constancia de Vasconcelos (filha) (1878-?)

O tio João  de Lima (?-?)

O tio Francisco Theodoro de Lima, (?-?), que se casou em 23 de fevereiro de 1870 com Maria Gabriela Alves Ribeiro (1855-?)

Os primos e primas de vó Mariquinha:

1) Antonia de Lima ( 1873-?)
2) Marcos de Lima (1875-?)
3) Francisco de Lima (1875-?)
4) filho de Lima (1876.1876)
5) Maria de Lima (1877-1884)
6) Antonia Petronila de Lima (1879-?)
7) Agueda de Lima (1882-1882)
8) Joana de Lima (?-1883)
9) Gabriel de Lima ( 1885-?)
9) Maria de Lima II (1887/1887)
10) José de Lima (1889-?)
11 Tercilia de Lima (1892-?)
12) Dorcina Natividade (1894-?)
13 Priciliana de Lima (1897-)
14 Ercilia de Lima (1899-?)
15 João  de Lima (?-1888-?)

A tia de vó Mariquinha: Maria Antonia Ribeiro de Lima (1871-1903) (?)

Fonte:
Wikipedia
O texto ainda poderá sofrer alterações e acréscimos.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Gael, a espera, a esperança



Ah... Imaginem... Eu aqui no bem bom e quentinho... Ouço uns barulhos estranhos, mas o bum-bum confortável do coração da minha mãe é sempre uma segurança de que ela esta comigo, ou melhor, em volta de mim, me protegendo.... Meu pai... A ansiedade de todos. É, esta ficando meio que apertado por aqui. Acho que esta na hora de sair e ver o mundo lá fora... O dia esta chegando em que todos poderão me ver... A família esta me aguardando com muita ansiedade. Mais um descendente da Familia Ayres/Rodrigues Freitas/ Pereira Silveira. Tanta gente... Espero corresponder com as expectativas... Vou gritar e chorar muito, quando sair daqui, para todos verem e  ouvirem que eu cheguei, ah vou!




quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Anna Ayres de Lima, Lica, a lavadeira do Palace Hotel

Digitalização / Documenta

E lá vamos nós enfiar a mão nos papéis velhos, escarafunchar certidões, fotos cheirando a mofo... E para tanto enviamos a nossa pesquisadora Graça Pereira Silveira que não estava sozinha.  Contamos com o apoio de quase toda sua família: o marido Vander Silveira de motorista, e que fica atento memorizando as "conversas paralelas", a filha Thaiz Pereira Silveira na cuidadosa restauração do material iconográfico da família através da empresa Documenta - Pesquisa, Conservação & Memória. Faz parte do trabalho não só tomar café com bolo de fubá, mas também fazer entrevistas, ouvir os "causos" contados pelos familiares do ramo dos Ayres de Lima de São José dos Campos... Assim sendo as histórias da Família Ayres/Rodrigues Freitas não acabam, ainda bem. Todo mundo quer contar um ponto que se transforma em um conto... A aventura iniciou com descoberta de Anna Ayres de Lima, através de seu filho Sylvio Ayres de Lima, e assim recomeçamos tudo de novo. Ele nos relatou como viveram e trabalharam seus pais, a dedicação ao trabalho na hidrópolis Caxambu.

Os pais, os avós...

Os  avós de Anna Ayres de Lima pelo lado materno são João José de Lima e Silva (1798-1875),  e Joana Thereza de Lima (1807-1860), registrados no Censu  de 1839 da cidade de Pouso Alto no endereço Quarteirão 2, fogo 17  e seus três filhos: Virgolina Balbina de Lima, José de Lima e Silva, Thereza de Ribeiro de Lima e mais quatro escravos: Adão, Vicente, Benedicto, Saturnina e José. Este é o mais antigo registro da Família Ayres/Rodrigues de Freitas cedido gentilmente pelo Arquivo Público Mineiro. A família morou durante um tempo na cidade  de Pouso Alto e depois se mudaram para o Chapeo, hoje bairro da cidade de Baependi e lá criaram os seus filhos. Maria Ribeiro de Souza Lima mãe de Anna não havia nascido até esta data, bem como outros filhos do casal, os  tios:Rufino de Lima (1853-?), Ignacia Ribeiro de Lima (?-?),João José de Lima (?-?), Francisco Theodoro de Lima (?-?) e Maria Antonia (1871-1903).



Anna Ayres de Lima, mais conhecida como Lica nasceu em 24 de outubro de 1883, a penúltima filha do casal  José Fernandes Ayres, o Trançador-pai e Maria Ribeiro de Souza Lima. Seus pais casaram-se por volta dos anos de 1860 (certidão ainda não encontrada). Ela dona de casa e ele tropeiro. Segundo conta na família  José Fernandes Ayres era possuidor de terras que extendiam desde o Bairro Trançador, que leva hoje o seu nome, até a divisa com as terras da comarca de Conceição do Rio Verde, terras estas perdidas em disputas jurídicas com a família Carneiro.

Aquí os 12 filhos: Emiliana de Lima, nascida em 1861 e falecida em 1910, aos 49 anos, solteira; Manoel José de Lima (1866-1908); Sebastiana de Lima (1869-1911); Josephina Ayres de Lima (1869-?); José Ayres de Lima, Trançador-filho (1873-1943); Maria da Conceição, Mariinha (1876-?); Cecílio José de Souza (1876-1914); Maria Ayres da Silva (1879-?); Maria José de Lima/Rodrigues de Freitas, Mariquinha (1881-1946); Roza Ayres (1882-1895); Anna Ayres de Lima, Lica (1883-?); Izabel Ayres de Lima (1885-?).

Certidão de nascimento de Anna Ayres de Lima

Ela foi batizada 25 de novembro  de 1883 por Gabriel Souza Maciel e sua esposa Maria Candida Alcantara, na Igreja Matriz Nossa Senhora de Mont Serrat, em Baependi,  realizado pelo Reverendo Marcos Pereira Gomes Nogueira, que abençoou outros casamentos e batizados dos nossos familiares.

E do outro lado da ponte...

Falando do padrinho Gabriel de Souza Maciel, ele foi nomeando fiscal  para a Freguesia de Caxambu, em 7 de julho de 1887,  e que naquela época ainda pertencia à cidade de Baependi. Em 10 de fevereiro de 1879 foi designado como responsável pela construção da ponte do Rio Bengo, no caminho que ligava a povoação de Caxambu à Conceição do Rio Verde, passando  Bairro Trançador. Com as chuvas torrenciais que caiam no meses  de janeiro e fevereiro eram constantes inundações, desabamentos de casas, destruição de pontes sobre os riachos e rios, arrastadas pela violência das águas. O jornal O Baependiano anunciou que a dita ponte ficou pronta em 2 meses, ainda bem. A ponte era importante ligação entre as povoações, usadas principalmente pelos tropeiros que ali passavam de Conceição em direção à Baependi, Aiuruoca...

Tempos difíceis

No livro de Fulgêncio de Castro, publicado em 1873, foi noticiado que na povoação de Caxambu não residia nenhum médico e no caso de necessidade o povo tinha que recorrer a... Baependi, isso a 5 quilômetros. Acredito que lá se chegava na época na condição de doente a cavalo, de carroça, ou na pior das hipóteses pela demora do atendimento, já morto.

A vida na província das Minas Gerais não era flores. Se para os negros escravos a vida ia de mal a pior, não vamos acreditar que para os brancos livres a vida era fácil. Sem escola e qualificação profissional os jovens filhos dos pobres cresciam sem qualquer possibilidade de ascensão social. 

A escola era artigo de luxo. Somente fazendeiros ricos ou gente que exercia profissão rentável podia colocar os seus filhos para estudar. A primeira escola em Caxambu foi uma escola para meninas, inaugurada, em 16 de agosto de 1870, e outra para meninos pobres, em 4 de novembro de 1872, ambas instituídas por Carlos Theodoro de Bustamente. As professoras ministravam até 6 disciplinas e eram pagas com a mensalidades dos alunos. Em 1873 totalizavam 50 matriculados na instituição. Com absoluta certeza os filhos de José Fernandes Ayres não estavam entre eles. Pai de 12 filhos era impossível enviá-los a uma escola regular, ou a um caro internato, ou semi-internato em Baependi (vide anúncio). Assim sendo os filhos seguiam a profissão dos pais, como  José Ayres de Lima, o Trançador-filho, que era artesão, agricultor e tropeiro e o irmão  Cecílio José de Lima que também exerceu a profissão tropeiro. Às filhas era aconselhado a se casarem cedo, construir suas famílias e seguir suas vidas como donas de casa. Anna foi uma delas.

O Casamento



Anna casou-se aos 19 anos na Igreja Matriz de Baependi com José Eugenio de Souza, no dia 18 de julho de 1903 (vide certidão), sendo testemunhas Antonio Dias Santana e Antonio José de Siqueira (?), abençoado pelo, novamente,  reverendo Marcos Pereira Gomes Nogueira. 


A sua primeira filha Maria nasceu nove meses depois, outros 8 filhos seguiram, sendo que dois deles não chegaram a idade adulta: João, que faleceu aos 6 meses de idade de gastroenterite e  Benedita com apenas 3 meses de tétano no umbigo. Foram eles:

Maria de Souza, (1904-1989)
Anna Ayres de Lima (1906-)
José Eugenio Ayres de Souza (1908-?), conhecido por Zé Gaguinho
Geralda de Souza (1910-?)
Joaquim Ayres de Souza (1915-?) conhecido como Quincas
Sebastiao Eugenio de Souza (1915-?)
João   Ayres de Lima (1918-1918)
Silvio Ayres de Lima (1921-)
Benedita Eugenio de Souza (1923-1923)

A hidrópolis Caxambu e seus heróis invisíveis

Ao centro de branco, o filho de João  de Deus, funcionário da Empresa das Águas
Digialização  / Documenta
Em contrapartida à Baependi, que décadas antes da abolição da escravidão já sofria com a queda da produção de tabaco e perdia terreno para a economia cafeeira, a cidade vizinha Caxambu florescia em função de suas águas medicinais. Em 1912,  no governo Camilo Soares, foram iniciadas reformas na cidade e no jardim público. Tudo para atrair os "aquáticos", os turistas que deixavam seu dinheiro na cidade e que impulsionava a economia local, dando emprego a muitos pais de família.


Um pequeno exército de trabalhadores anônimos fazia a cidade mais prazeirosa para os inúmeros turistas que a visitavam. A começar pelos dois portugueses José Ramiro de Freitas, chefe da jardinagem do Parque das Águas e padrinho de batismo de sua filha, também chamada Anna Aires de Lima, e Chico Cascateiro, com seus jardins de argamassa. Outros menos espetaculares trabalhavam em todo tipo de serviço como lixeiros, varredores de rua, (foto)  arrumadeiras, cozinheiras, porteiros de hotéis, recepcionistas e... Lavadeiras. Como poderia a cidade ficar sem elas? Pois foi no Hotel Palace, no suntuoso Palace que Anna Ayres  achou o seu lugar de trabalho e onde também trabalhava seu marido José Eugenio, conhecido como Zezinho.

O Palace Hotel



O Palace Hotel de Caxambu inaugurado em 16 de janeiro de 1892, denominado Grande Hotel João Carlos e Cassino é um dos mais antigos do Brasil e era para a época um luxo só. O seu proprietário e idealizador João Carlos não poupou esforços para transforma-lo em um verdadeiro palácio, ou Palace. Sua arquitetura foi inspirada no estilo neoclássico. Era um suntuoso e imponente prédio bem no centro da cidade (foto). Na sua construção nada foi poupado e tudo foi importado da Europa, principalmente da França. O Hotel recebia todos aqueles "aquáticos" procedentes de diferentes partes do Brasil. Eram políticos, capitalistas, intelectuais, gente gran fina que queria não somente descanso e lazer no Parque das Águas, mas também procuravam a cura para seus males e achaques bebendo de suas "águas milagrosas". O hotel também era palco de inúmeros, bailes, saraus e também festas beneficentes em prol das crianças pobres e da Santa Casa. Ah, lembremos que foi lá no Hotel que se hospedou os personagens trágicos da história da cidade, no ano de 1920, relacionados com o "Crime se Suzana". A história foi já contada aqui no nosso Blog.

E quando a temporada de verão chegava...


Prontidão e barateza


A alta Temporada ia de Janeiro a março, mas tinha ano que os turistas chegavam logo após o Natal. O início das estação era festejado no jornal O Patriota, de 1943. Isto significava muito trabalho para todos, especialmente para as lavadeiras como tia-avó Lica. No livro de Fulgêncio de Castro de 1873 sobre Caxambu, em "Uma breve notícia sobre a povoação de Caxambu" ele cita os serviços e preços dos hotéis da cidade:

"Em todos estes hotéis a mesa é abundante e variada e todo o serviço é feito com regularidade, pagando os hospedes 3$000 diários e 1$000 por escravo ou fâmulo, não compreendendo nestes preços vinhos e outras bebidas alcoólicas, luzes pra os aposentos, e LAVAGEM DE ROUPA (grifos meus), de que a povoação há quem se encarregue com prontidão e barateza."
Ah, então a mão de obra naqueles tempos já era requisitada e pelo texto não era uma das mais bem pagas.

Roupas e galinhas 

Voltemos ao hotel... A lavanderia funcionava num terreno de frente ao hotel, onde existia uma pequena construção, que  tinha muitas utilidades: servia de cozinha, dormitório para os funcionários do hotel bem como era a "estação final" para os galináceos servidos como iguarias no hotel. O filho caçula de Anna, Sylvio, que participava intensamente da mundo do trabalho de seus pais, ajudava a extinguir a vida das aves, isto ao 11 anos de idade!

Bem, a tia-avo Anna era quem coordenava o trabalho das lavadeiras, contando com o apoio da irmã Maria José de Lima, a Marquinha. Lençóis, toalhas de mesa e banho, roupas e íntimas roupas eram lavadas em tanques e a mão,  postas para secar ao sol nos varais.  Sorte da vó Lica que na época já dispunha de ferro elétrico. A vó Gervásia, ainda na minha infância, passava roupa usando o ferro de brasa.

Quando a temporada de verão chegava ao fim, os funcionários tinham seus contratos encerrados com a promessa de voltavam a ser readmitidos no próximo ano. Assim os empregados ou ex-empregados tinham que se ocuparem de alguma forma para ganhar o seu pão. Lica continuava a lavar roupas para as casas de família e seu marido era o "faz tudo" na cidade. 


Na sequencia, Sylvio relata da vida de seus pais, a labuta diária no Palace Hotel e suas memórias sobre a Revolução de 1932. Sylvio em perfeita memória descreve dois lugares nos detalhes, cujas fotos vocês veem o Palace Hotel e o muro ao lado da casa comercial de Salim Sarkis, (visitem no google) na Rua Dr Viotti. Hoje o prédio não existe mais, mas vale a viagem no passado/futuro.







Anna Ayres de Lima trabalhou no hotel até se aposentar. Faleceu aos 62 anos de idade, em 11 de maio de 1946. Cinco anos mais tarde faleceu José Eugenio, em 23 de marco de 1951. Assim se apagou uma história de trabalhares do Hotel Palace e nós estamos aqui para relembrar.


Esta tudo ligado, esta tudo ligado...

Para compreendermos quem fora Anna Ayres de Lima, vamos fazer aqui uma lista de todos os seus tios, tias, primos e primas, do lado materno, isto é, do lado de  Maria Ribeiro de Lima/Jesus; alguns tem biografia própria, é só clicar nos links dos nomes em azul. Lembramos que a grande maioria dos batismos e celebrações de casamento foram feitos na Capela de Santo Antonio do Piracicaba, no bairro Piracicaba da cidade de Baependi. E pensem bem, quanta gente ainda esta espalhada por esse mundo e que carrega os genes de nossos antepassados João ao José de Lima e Silva e Joana Thereza de Lima vindos lá de Pouso Alto.

Os tios e tias, os primos e primas de vó  Lica

A tia  de vó Lica : Virgolina Balbina de Lima era a mais velha. Ela foi madrinha de batismo, junto com o seu irmão José Ignacio de Lima  de Sabina Maria da Conceição, mãe da Gervásia Ayres de Lima; casou com Francisco Bernardino de Faria, em 13 de setembro de 1849, com apenas 13 anos. Da união  nasceram 13 filhos. São  eles:

Os primos e primas de vó Lica:

1)- Bernardino Lopes de Faria (1853.?) que se casou com Elvira Maria do Nascimento.
Lembremos que Elvira era filha de João Ferreira Simões  que era proprietário de escravos, inclusive de Justiniana Maria da Conceição e Sabina Maria da Conceição, avó e mãe respectivamente de Gervásia Maria da Conceição/ Ayres de Lima

2)  Lucianna de Faria (1856-?)
3)  Ludgero Lopes de Faria (1858-?)
4) Lucinda de Faria (1861-?)
5) Eleziel Lopes de Faria ( 1862-?)
6) José de Faria (1864-?)
7) Arminda de Faria (1867-?)
8) Sabina Bernardina de Faria (1869-?)
9) Bruno de Faria (1872-?)
10) Maria de Faria (1875-?)
11) De Faria (1875-1875)
12) Juvêncio de Faria (1877-?)
13)  Escolástica Lopes de Faria (?-1879)

O tio  de  vó Lica : José Ignacio de Lima e Silva (1835-?) que se casou com Fraujina Honorina de Jesus em 12 de agosto de 1860, no Chapeo, em Baependi. Da união  nasceram 4 filhos:

Os primos e primas de vó Lica :

1) Anna Frauzina de Jesus (1857-?), que se casou com, pasmem, Camilo Ferreira Junior, filho de Justiniana Maria da Conceicao, avó de Gervásia.
2) Candida de Lima (1860-?)
3)- Francisco Ignacio de Lima (1862-?)
4) Ana Ignacio de Lima (1865-?)

A tia de vó Lica: Thereza Ribeiro de Lima/Jesus (1837-?) que se casou com José Florencio Bernardes  (?-?) em 22 de julho de 1855. Da união nasceram 7 filhos:

Os primos e primas de vó Lica:

1) José Bernardes (1854-?)
2) José Bernardes (1860-?)
3)Prisciliana Izidora do Espírito Santo (1864-?)
4) Maria Florencia (1867-)
5) Bernardes (1875-1875)
6) maria Alexandrina ( ?-?)
7) José Florencio Bernardes Junior (?-?)

O tio de vó Lica: Rufino de Lima (1853-?) que se casou com Rita Carolina de Castro (?-?) em 26 de julho de 1875, na Capela de Santo Antonio do Piracicaba. Da união nasceram 7 filhos:

Os primos e primas de vó Lica:

1) José de Lima (1876-?)
2) Cesar de Lima e Silva (1878-?)
3) Maria de Lima e Silva (1880-?)
4) Antonio de Lima (1882-?)
5) Benjamim de Lima (1884-?)
6) Joao de Lima e Silva (1886-1897)
7) Eudoxia de Lima (1890-?)

A tia de vó Lica: Ignacia Ribeiro de Lima (?-?) que se casou em 1861 com Candido José Ferreira (?-?)

Os primos e primas de vó Lica:

1) Bibiano José Ferreira (1862-?)
2) - Ferreira (?-1873)
3) Maria Candida Ribeiro (1864-?)
4) Candida Ferreira (1869-?)
5) Cornélio José Ferreira (1880-?)

 O tio João José de Lima  Filho (?-?) casado com Theodora Constancia de Vasconcelos (?-?)

Os primos e primas de vó Lica:

1) Izabel Francisca de Jesus (?-?)
2) Ludgelo de Lima (?-1865)
3) Galdino Emydio de Lima (1869-?)
4) José Augusto Anselmo (1871-?)
5) Amélia Eugenia do Espirito Santo (1872-?)
6) Samuel Augusto de Lima (1874-?)
7) Rachel Silva (1876-?)
8) de Lima, (?- 1884)
9) Theodora Constancia de Vasconcelos (filha) (1878-?)


O tio João  de Lima (?-?)

O tio Francisco Theodoro de Lima, (?-?), que se casou em 23 de fevereiro de 1870 com Maria Gabriela Alves Ribeiro (1855-?)

Os primos e primas de vó Lica:

1) Antonia de Lima ( 1873-?)
2) Marcos de Lima (1875-?)
3) Francisco de Lima (1875-?)
4) filho de Lima (1876.1876)
5) Maria de Lima (1877-1884)
6) Antonia Petronila de Lima (1879-?)
7) Agueda de Lima (1882-1882)
8) Joana de Lima (?-1883)
9) Gabriel de Lima ( 1885-?)
9) Maria de Lima II (1887/1887)
10) José de Lima (1889-?)
11 Tercilia de Lima (1892-?)
12) Dorcina Natividade (1894-?)
13 Priciliana de Lima (1897-)
14 Ercilia de Lima (1899-?)
15 João  de Lima (?-1888-?)

A tia de vó Lica: Maria Antonia Ribeiro de Lima (1871-1903) (?)

Fonte:
Site do Palace Hotel
Castro, Fulgencio- Guia Para uma viagem às Aguas Medicinais de Caxambu, 1873.
Foto: 
Do alto, de 1945
Do arquivo pessoal de Sylvio Ayres de Lima.
De pé: Sebastiana, amiga de Anna Ayres, Sylvio Ayres de Lima, filho, Dulcinea, namorada de Sylvio, Terezinha, filha adotiva de Laurenciana.
Sentados: Tia/vó Anna Ayres de Lima, José Eugenio de Souza, marido, Laurenciana, parteira

Agradecimentos: O Blog da Família Ayres agradece a Documenta - Pesquisa, Conservação & Memória, especialmente na pessoa de Thais Pereira Silveria pela  conservação e restauração das fotos da Família  Ayres/ Rodrigues Freitas




terça-feira, 16 de agosto de 2016

Chico Cascateiro , um documentário


Com texto de Eustaquio Gorgonne e pesquisa de Manoel da Mata Machado, aqui um excelente documentário ilustrando a vida do português Francisco da Silva Reis, o Chico Cascateiro, que com absoluta certeza trabalhou com o também português Ramiro Rodrigues de Freitas, casado com Maria José de Lima/Ayres, a parteira Mariquinha. Ramiro foi chefe do serviço de Jardinagem do Parque das Águas de Caxambu, quando Chico Cascateiro lá trabalhou no início dos anos de 1920. Com casamento de Ramiro e Maria originou o Ramo dos Rodrigues de Freitas/Pereira. Para conhecer mais, cliquem nos links em azul.



quarta-feira, 10 de agosto de 2016

E por falar em pai, por Graça Pereira Silveira





E por falar em PAI, vai aqui alguns 'momentos' que tenho certeza nossos filhos Rodrigo Silveira, Thaís Silveira e Thiago Silveira vão adorar.
Ainda bem que tive 'dedo bom' para escolher o pai deles, pois o Vander sempre foi e é até hoje, um pai maravilhoso. Aproveito para dizer aos pais que quanto mais simplicidade nas coisas mais boas recordações elas deixarão. Aproveitem bastante com seus filhos porque num instante, eles já não caberão mais num parapeito de janela; não precisarão mais que você segure a bicicleta ; não caberão mais nos seus ombros; seus braços serão fracos para segurá-los; não acharão tão legal o churrasquinho no tijolo e enfim você com certeza também não caberá mais na piscininha deles.














quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Ruth de Lima Patricio, a enfermeira do Hospital Matarazzo


Ruth de Lima Patricio, em sua residência no Bairro do Trancador, em Caxambu
Fotografada por Graça Pereira da Silveira, 2016
Contar a história de Ruth Lima Patricio é contar a história de muitas vidas. Em maio de 2016 Ruth recebeu em sua casa, em Caxambu, Maria das Graças Pereira  Silveira, nossa enviada especial para realizar as entrevistas que tem nos dado muita alegria. Assim Ruth compartilhou conosco sua história pessoal, muito pessoal.

Os antepassados de Ruth, seus avós, bisavós, tataravós...

Os mais antigos ancestrais conhecidos até agora da Familia Ayres de Lima/Rodrigues de Freitas são seus tataravós,  João José de Lima e Silva  (1798-1875) e Joana Thereza Ribeiro (1807-1860), encontrados no Sensu da cidade de Pouco Alto, feito pela Província de Minas Gerais, no ano de 1838. Este documento nos foi enviado por cortesia pelo Arquivo Público Mineiro. Lá podemos ver os filhos do casal, Virgolina Balbina de Lima (1833-?), José Ignacio de Lima (1835-?), Thereza Ribeiro de Lima (1837-?) e quatro escravos: Adão, Vicente, Benedicto, Salustiana, José. No registro ainda não constavam, Rufino de Lima (1853-?) José de Lima (?-?), adotado e... Maria Ribeiro de Sousa Lima (1841-1903), sua bisavó que ainda não havia nascido até esta data. (foto)



Seus bisavós maternos de eram José Fernandes de Lima, (1835-1897) o Trançador-pai  e Maria Ribeiro de Souza Lima (1841-1903) e que foram pais de:

1- Emiliana de Lima (1861-1910), 
2- Manoel José de Lima (1866-1908), seu avo, Sebastiana de Lima (1869-1911),
3- Josephina Ayres de Lima (1869-?)
4- José Ayres de Lima, o Trançador-filho (1873-1843), que se casou com a vó Gervásia Maria da Conceição (1876-?),
5- Cecílio José de Lima (1876-1914),
6- Maria Ayres da Silva, a Mariinha (1879-?),
7- Maria José de Lima, a Mariquinha (1882-1946),
8- Roza Ayres de Lima (1882-1895),
9- Anna Ayres de Lima, a Lica (1883-?), 
10- Izabel Ayres de Lima (1885-?).

Seus avós pelo lado materno, Manoel José de Lima (1866-1908) casou-se com Elisa  Candida de Jesus (1861-1906) e tiveram 3 filhos: São eles:

1- Maria Elisa Lima (1897-1938),
2- João de Deus (1902-1991),
3-Sebastiana de Lima (1904-1957).

Portanto Ruth é bisneta de José Fernandes Ayres, o Trançador-pai, ou velho, como eles o chamavam na época, que deu nome ao Bairro Trançador, na cidade de Caxambu. O lado paterno de Ruth Lima Patricio não foi por nós ainda pesquisado.

A mãe de Ruth: 14, 41, 13, os números do seu destino

Maria Elisa Ayres Lima, (1897-1938)
Estes parecem o números coincidentes, mas eles governaram a vida de sua mãe  Maria Elisa de Lima  como se fossem os números do seu destino. Ela e casou muito jovem com José Pedro Patrício, aos 14 anos de idade e até 41 anos de idade, trouxe  ao mundo 13 filhos. 

A história de sua mãe  tem um grande paralelo com a vida dos avós Manoel, aqui biografado e Elisa que faleceram muito jovens deixando 3 filhos pequenos: a mãe Maria Elisa Lima, o tio João de Deus,  também biografado  e  a tia Sebastiana de Lima.

A família se mudou de Caxambu, quando a primeira filha, a Julieta ainda era pequena. O pai, exercia profissão de pedreiro e foi trabalhar em outras cidades levando os filhos junto.  Assim eles nasceram em diferentes lugares como Campanha, Itanhandu, Itajubá, Campos do Jordão. São  eles:

1-  Julieta  Lima Patricio (1913-1995),
2-  Rui de Lima Patrício (?-?),
3-  Rubens de Lima Patricio (?-?),
4- Rupércio Patricio (?-?),
5- Fernando Patricio (?-?),
6- Maria José de Lima (?-?),
7- Edith Lima Patrício (?-?)
8- Ruth de Lima Patrício (1935-).
Os outros 5 quatro irmãos não temos registros.

No dia de natal do ano de 1938, sua mãe deixa a terra prematuramente. Um fulminante ataque de coração. Fotografada para a eternidade não em vida, mas em morte como era costume da época, sua filha guardou registro como uma relíquia. É a lembrança da mãe querida. Nesse dia não teve presente, nem árvore de natal que consolasse a pequena Ruth, que tinha apenas 3 anos de idade, e nem os outros 12 irmãos.

Um dia ali, outro acolá

Por determinação do Juizado de Menores, as crianças foram levadas para serem  criadas em diferentes abrigos infantis. Ruth foi parar na cidade de Pindamonhangaba, e posteriormente,   enviada para o Abrigo da Divina Providencia, sob a direção de Dona Severina, na Rua da Mooca, 113, em São Paulo (façam uma visita virtual), juntamente com Rui. Disse ela que Dona Severina era severa, mas tinha bom coração. Ao completar 10 anos teve autorização para se mudarem para a casa de sua irmã  Julieta, que na época tinha 25 anos de idade. Julieta praticamente abrigou outros irmãos, além dos "de criação". Assim era. Feliz das duas irmãs Ruth e Julieta que conseguiram permanecer unidas e foram para São  Paulo e encontraram um lugar para trabalhar  no Hospital Matarazzo. E... Senta que lá vem história!

Hospital Matarazzo: Saúde dos ricos para os pobres

Cartaz chamando para a quermesse para
arrecadar fundos para  o Hospital

A história do Hospital Matarazzo tem início em 1878, quando da chegada das levas de imigrantes italianos ao Brasil. Os Matarazzos foram um dos que fizeram fortuna como as família dos Pignatari, Gamba, Falchi. Unidos criaram associações para dar apoio aos italianos e suas famílias que no Brasil labutaram com a esperança de uma vida nova. Os mais ricos se engajaram para melhorar as condições de saúde dos mais necessitados e assim fundaram a Società Italiana di Beneficente.

Eles tinham por filosofia construir um hospital de qualidade e voltado para o atendimento dos imigrantes italianos e seus descendentes com o lema: "Que o dinheiro dos ricos se reverta para a saúde dos pobres". O Conde Francisco Matarazzo foi um dos quem mais se engajou  no projeto, que no futuro iria se tornar um grande  complexo hospitalar da cidade de São Paulo e do país.  Não somente ele, mas também sua esposa, a Condessa Filomena se empenhou no projeto e pessoalmente na construção da maternidade que levou o seu nome.

Em 1881, a Society adquiriu um terreno para a construção do prédio, no Bairro Bexiga, onde residia a população menos favorecida da cidade, os imigrantes e os negros. Em 1904, foi inaugurada o prédio nomeado de Humberto I.  E não podemos negar que foi um grande acontecimento para a cidade de São  Paulo, devido ao números de Fords Bigode estacionados em frente ao prédio (foto).  A comunidade de italianos era muito unida e empreendedora e continuaram organizando festas beneficentes para arrecadar fundos, além de receberem contribuições em dinheiro. Sendo assim o hospital se transformou num complexo hospitalar ao longo do século XX com novas alas e serviços, tornando-se assim referencia no atendimento à saúde dos paulistanos.

Inauguração do Hospital Matarazzo em 1904



Ruth Lima Patrício, enfermeira auxiliar na festa de
 Natal dos funcionários do Hospital Matarazzo, São  Paul0


Melhor da America Latina!

Na década de 70, o hospital foi considerado um excelente espaço de formação de novos profissionais da saúde. A maternidade era vista como a melhor da América Latina! Destaca-se que entre os seus funcionários, uma parteira oficial dos Matarazzos, que, a partir de então passou a fazer ali os partos dos filhos, sobrinhos netos do Conde Francisco. O hospital tinha mais fama que o Hospital das Clínicas, sendo o primeiro a abrigar um banco de sangue do Estado.

E neste hospital cheio de histórias encontramos as duas irmãs: Ruth e Julieta. Julieta começou a trabalhar, em 1951, como copeira e Ruth, em 1957, nos serviços gerais,  pois não havia como hoje, divisão de trabalho. Elas começaram do nada, conta. Na ausência de algum funcionário ela ajudava onde era necessário.  Sendo  assim as Irmãs que administravam o hospital, iam selecionando as candidatas de acordo com o seu "talento" para os diversos serviços. Ruth foi trabalhar como enfermeira-auxiliar, na maternidade trocando fraudas dos recém-nascidos, dando mamadeiras... Ela conta que também trabalhou poucos dias como enfermeira substituta, na casa de Maria Pia Matarazzo, (foto abaixo) a filha do Conde...


O clima de trabalho era bom e elas tinham boas colegas. Elas moraram em diversos lugares, na 9 de Julho, na Rua Santo Antonio, no Bairro Bela Vista, em quartos alugados, pois assim como hoje os aluguéis na capital paulista eram muito caros. Para aqueles que quiserem fazer uma curta viagem à Sao Paulo, a Rua Santo Antonio, no Bairro Bela Vista, 20 minutos a pé do serviço de Ruth, não precisa comprar passagem é só clicar aqui: Rua Santo Antonio. Uma única casa lembra ainda a década de 50, quando essas elas passaram a caminho do hospital.

São   Paulo acorda

Mas mesmo depois de tanta história é quase impossível acreditar que, em 1993, as atividades hospitalares tenham sido encerradas. A administração dependia de doações e também das contingências político-econômicas e foi impossível sobreviver as crises. Abandonado serviu de... estacionamento. De vez enquanto do local ouvia-se suspiros de vida e eventos eram realizados como por exemplo a Casa Cor.

Mais surpreendente ainda é que os descendes dos Matarazzos não conseguiram dar continuidade a grande obra de seus antepassados. O mais proeminente deles, várias vezes eleito pelo Partido dos Trabalhadores  como vereador, deputado estadual, federal, senador pelo Estado de São o Paulo, Eduardo Matarazzo Suplicy, bisneto do Conde de Matarazzo não conseguiu evitar que o hospital entrasse  em falência financeira, e pior ainda, a sua quase total demolição.

Mas  um dia os  cidadãos paulistanos acordaram de um pesadelo e ocuparam o prédio do hospital  para salvá-lo das garras dos empresários, que queriam transformar o complexo histórico em shopping center. Felizmente e infelizmente. Agora tombado pelo Patrimônio Histórico, e assim com um novo ser, parido em sua maternidade, será transformado em espaço cultural, felizmente. Infelizmente, porque se fechou um hospital. A  foto do patriarca, que ainda continuou pendurada na parede do hospital, foi testemunha do descaso com o seu legado. O que diria hoje o velho Matarazzo sobre tudo isso?

Memoria? Ou a falta dela?

São Paulo a terra do trabalho, mas quem celebra são os patrões.  Eles são sempre homenageados, sempre. A Francisco Matarazzo foi dado nome a avenida, no bairro Água Branca e na Praça Sousa Aranha ha uma estatua de bronze dele. E para os que ajudaram a construir seu império? Nenhuma lembrança. Outros nomes de homens públicos, políticos estão espalhados pelas ruas das cidades em monumentos ou bustos. Ah sim! Lembraram dos trabalhadores. A via Leste, denominada "Rodovia dos Trabalhadores" foi inaugurada, em 1982, e...  rebatizada como Ayrton Sena, após o seu falecimento, em 1994. Houve promessas de construir um Museu do Trabalhador, mas até hoje não saiu do papel. Então com licença senhores estamos aqui recuperando as histórias pessoais dos quem bravamente contribuíram para o crescimento de São  Paulo e do Brasil.

De volta às origens, de volta ao Bairro Trançador

Rupercio de Lima Patrício com
 filhos José Paulo e Izaura
Julieta contava sempre que tinha família em Caxambu. Ruth não tinha a mínima idéia onde era.  Um dia, trabalhado como diarista, um senhor indicou-a "um lugarzinho para descansar". Era a cidade de Caxambu. Em 1974, resolveram empreender uma visita à cidade e procurar um tio que supunham ainda estar vivo. Elas se hospedaram na antiga pensão Nha Chica e saíram a sua procura.  E encontraram! O tio João de Deus, aqui já biografado, funcionário do Parque das Águas, lembra? Que felicidade. Separados  ha quase meio século pelo destino, agora se reencontraram no Bairro Trançador, local onde dos seus antepassados fundaram suas famílias e viveram.

E felizes pelo reencontro, voltaram para São  Paulo, quando tiveram notícia que vizinho ao tio havia uma casa à venda. Logo as economias foram mobilizadas para a compra do imóvel.

O destino as colocou de volta à cidade dos seus, pais, avós e bisavós. No ano 1987, já aposentadas, Julieta com 27 anos, Ruth com 30 anos de trabalho, vieram definitivamente de mudança para Caxambu. Ruth quando adolescente foi morar com Julieta, agora Julieta veio morar com ela. Rupércio, falecido, ainda temos um registro. Ele visitou a irmã  e deixou uma foto de recordação justamente como seus filhos José Paulo e Izaura.

No ano 1980, morou na casa também o Rubens junto com as irmãs, voltando posteriormente para São Paulo. Ruth e Julieta, que casou-se em idade avançada,  permaneceram sem descendentes. Julieta faleceu, em 1995, aos 81 anos, de problemas cardíacos. Ruth ficou para nos contar a sua, a nossa história.

Julieta Ayres de Lima, Hospital Matarazzo,
primeira à esquerda e suas colegas de trabalho.
Agradecimentos:

Agradecimentos especiais pelo emrenho de Maria das Graças Pereira Silveira e seu marido Vander  Silveira, pelo trabalho de resgate de memória de nossa família atravéz da história oral, bem como Maria de Lurdes de Deus, Neusa Santos, que nos ajudaram a trazer novos fatos à luz da história. Para os nossos antepassados, para os nossos filhos, netos, bisnetos...

Fonte:
Rodrigues, Jaime. O museu inexistente, 2011
Fotos:
Do arquivo pessoal de Ruth Lupércio de Lima.