quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Anna Ayres de Lima, Lica, a lavadeira do Palace Hotel

Digitalização / Documenta

E lá vamos nós enfiar a mão nos papéis velhos, escarafunchar certidões, fotos cheirando a mofo... E para tanto enviamos a nossa pesquisadora Graça Pereira Silveira que não estava sozinha.  Contamos com o apoio de quase toda sua família: o marido Vander Silveira de motorista, e que fica atento memorizando as "conversas paralelas", a filha Thaiz Pereira Silveira na cuidadosa restauração do material iconográfico da família através da empresa Documenta - Pesquisa, Conservação & Memória. Faz parte do trabalho não só tomar café com bolo de fubá, mas também fazer entrevistas, ouvir os "causos" contados pelos familiares do ramo dos Ayres de Lima de São José dos Campos... Assim sendo as histórias da Família Ayres/Rodrigues Freitas não acabam, ainda bem. Todo mundo quer contar um ponto que se transforma em um conto... A aventura iniciou com descoberta de Anna Ayres de Lima, através de seu filho Sylvio Ayres de Lima, e assim recomeçamos tudo de novo. Ele nos relatou como viveram e trabalharam seus pais, a dedicação ao trabalho na hidrópolis Caxambu.

Os pais, os avós...

Os  avós de Anna Ayres de Lima pelo lado materno são João José de Lima e Silva (1798-1875),  e Joana Thereza de Lima (1807-1860), registrados no Censu  de 1839 da cidade de Pouso Alto no endereço Quarteirão 2, fogo 17  e seus três filhos: Virgolina Balbina de Lima, José de Lima e Silva, Thereza de Ribeiro de Lima e mais quatro escravos: Adão, Vicente, Benedicto, Saturnina e José. Este é o mais antigo registro da Família Ayres/Rodrigues de Freitas cedido gentilmente pelo Arquivo Público Mineiro. A família morou durante um tempo na cidade  de Pouso Alto e depois se mudaram para o Chapeo, hoje bairro da cidade de Baependi e lá criaram os seus filhos. Maria Ribeiro de Souza Lima mãe de Anna não havia nascido até esta data, bem como outros filhos do casal, os  tios:Rufino de Lima (1853-?), Ignacia Ribeiro de Lima (?-?),João José de Lima (?-?), Francisco Theodoro de Lima (?-?) e Maria Antonia (1871-1903).



Anna Ayres de Lima, mais conhecida como Lica nasceu em 24 de outubro de 1883, a penúltima filha do casal  José Fernandes Ayres, o Trançador-pai e Maria Ribeiro de Souza Lima. Seus pais casaram-se por volta dos anos de 1860 (certidão ainda não encontrada). Ela dona de casa e ele tropeiro. Segundo conta na família  José Fernandes Ayres era possuidor de terras que extendiam desde o Bairro Trançador, que leva hoje o seu nome, até a divisa com as terras da comarca de Conceição do Rio Verde, terras estas perdidas em disputas jurídicas com a família Carneiro.

Aquí os 12 filhos: Emiliana de Lima, nascida em 1861 e falecida em 1910, aos 49 anos, solteira; Manoel José de Lima (1866-1908); Sebastiana de Lima (1869-1911); Josephina Ayres de Lima (1869-?); José Ayres de Lima, Trançador-filho (1873-1943); Maria da Conceição, Mariinha (1876-?); Cecílio José de Souza (1876-1914); Maria Ayres da Silva (1879-?); Maria José de Lima/Rodrigues de Freitas, Mariquinha (1881-1946); Roza Ayres (1882-1895); Anna Ayres de Lima, Lica (1883-?); Izabel Ayres de Lima (1885-?).

Certidão de nascimento de Anna Ayres de Lima

Ela foi batizada 25 de novembro  de 1883 por Gabriel Souza Maciel e sua esposa Maria Candida Alcantara, na Igreja Matriz Nossa Senhora de Mont Serrat, em Baependi,  realizado pelo Reverendo Marcos Pereira Gomes Nogueira, que abençoou outros casamentos e batizados dos nossos familiares.

E do outro lado da ponte...

Falando do padrinho Gabriel de Souza Maciel, ele foi nomeando fiscal  para a Freguesia de Caxambu, em 7 de julho de 1887,  e que naquela época ainda pertencia à cidade de Baependi. Em 10 de fevereiro de 1879 foi designado como responsável pela construção da ponte do Rio Bengo, no caminho que ligava a povoação de Caxambu à Conceição do Rio Verde, passando  Bairro Trançador. Com as chuvas torrenciais que caiam no meses  de janeiro e fevereiro eram constantes inundações, desabamentos de casas, destruição de pontes sobre os riachos e rios, arrastadas pela violência das águas. O jornal O Baependiano anunciou que a dita ponte ficou pronta em 2 meses, ainda bem. A ponte era importante ligação entre as povoações, usadas principalmente pelos tropeiros que ali passavam de Conceição em direção à Baependi, Aiuruoca...

Tempos difíceis

No livro de Fulgêncio de Castro, publicado em 1873, foi noticiado que na povoação de Caxambu não residia nenhum médico e no caso de necessidade o povo tinha que recorrer a... Baependi, isso a 5 quilômetros. Acredito que lá se chegava na época na condição de doente a cavalo, de carroça, ou na pior das hipóteses pela demora do atendimento, já morto.

A vida na província das Minas Gerais não era flores. Se para os negros escravos a vida ia de mal a pior, não vamos acreditar que para os brancos livres a vida era fácil. Sem escola e qualificação profissional os jovens filhos dos pobres cresciam sem qualquer possibilidade de ascensão social. 

A escola era artigo de luxo. Somente fazendeiros ricos ou gente que exercia profissão rentável podia colocar os seus filhos para estudar. A primeira escola em Caxambu foi uma escola para meninas, inaugurada, em 16 de agosto de 1870, e outra para meninos pobres, em 4 de novembro de 1872, ambas instituídas por Carlos Theodoro de Bustamente. As professoras ministravam até 6 disciplinas e eram pagas com a mensalidades dos alunos. Em 1873 totalizavam 50 matriculados na instituição. Com absoluta certeza os filhos de José Fernandes Ayres não estavam entre eles. Pai de 12 filhos era impossível enviá-los a uma escola regular, ou a um caro internato, ou semi-internato em Baependi (vide anúncio). Assim sendo os filhos seguiam a profissão dos pais, como  José Ayres de Lima, o Trançador-filho, que era artesão, agricultor e tropeiro e o irmão  Cecílio José de Lima que também exerceu a profissão tropeiro. Às filhas era aconselhado a se casarem cedo, construir suas famílias e seguir suas vidas como donas de casa. Anna foi uma delas.

O Casamento



Anna casou-se aos 19 anos na Igreja Matriz de Baependi com José Eugenio de Souza, no dia 18 de julho de 1903 (vide certidão), sendo testemunhas Antonio Dias Santana e Antonio José de Siqueira (?), abençoado pelo, novamente,  reverendo Marcos Pereira Gomes Nogueira. 


A sua primeira filha Maria nasceu nove meses depois, outros 8 filhos seguiram, sendo que dois deles não chegaram a idade adulta: João, que faleceu aos 6 meses de idade de gastroenterite e  Benedita com apenas 3 meses de tétano no umbigo. Foram eles:

Maria de Souza, (1904-1989)
Anna Ayres de Lima (1906-)
José Eugenio Ayres de Souza (1908-?), conhecido por Zé Gaguinho
Geralda de Souza (1910-?)
Joaquim Ayres de Souza (1915-?) conhecido como Quincas
Sebastiao Eugenio de Souza (1915-?)
João   Ayres de Lima (1918-1918)
Silvio Ayres de Lima (1921-)
Benedita Eugenio de Souza (1923-1923)

A hidrópolis Caxambu e seus heróis invisíveis

Ao centro de branco, o filho de João  de Deus, funcionário da Empresa das Águas
Digialização  / Documenta
Em contrapartida à Baependi, que décadas antes da abolição da escravidão já sofria com a queda da produção de tabaco e perdia terreno para a economia cafeeira, a cidade vizinha Caxambu florescia em função de suas águas medicinais. Em 1912,  no governo Camilo Soares, foram iniciadas reformas na cidade e no jardim público. Tudo para atrair os "aquáticos", os turistas que deixavam seu dinheiro na cidade e que impulsionava a economia local, dando emprego a muitos pais de família.


Um pequeno exército de trabalhadores anônimos fazia a cidade mais prazeirosa para os inúmeros turistas que a visitavam. A começar pelos dois portugueses José Ramiro de Freitas, chefe da jardinagem do Parque das Águas e padrinho de batismo de sua filha, também chamada Anna Aires de Lima, e Chico Cascateiro, com seus jardins de argamassa. Outros menos espetaculares trabalhavam em todo tipo de serviço como lixeiros, varredores de rua, (foto)  arrumadeiras, cozinheiras, porteiros de hotéis, recepcionistas e... Lavadeiras. Como poderia a cidade ficar sem elas? Pois foi no Hotel Palace, no suntuoso Palace que Anna Ayres  achou o seu lugar de trabalho e onde também trabalhava seu marido José Eugenio, conhecido como Zezinho.

O Palace Hotel



O Palace Hotel de Caxambu inaugurado em 16 de janeiro de 1892, denominado Grande Hotel João Carlos e Cassino é um dos mais antigos do Brasil e era para a época um luxo só. O seu proprietário e idealizador João Carlos não poupou esforços para transforma-lo em um verdadeiro palácio, ou Palace. Sua arquitetura foi inspirada no estilo neoclássico. Era um suntuoso e imponente prédio bem no centro da cidade (foto). Na sua construção nada foi poupado e tudo foi importado da Europa, principalmente da França. O Hotel recebia todos aqueles "aquáticos" procedentes de diferentes partes do Brasil. Eram políticos, capitalistas, intelectuais, gente gran fina que queria não somente descanso e lazer no Parque das Águas, mas também procuravam a cura para seus males e achaques bebendo de suas "águas milagrosas". O hotel também era palco de inúmeros, bailes, saraus e também festas beneficentes em prol das crianças pobres e da Santa Casa. Ah, lembremos que foi lá no Hotel que se hospedou os personagens trágicos da história da cidade, no ano de 1920, relacionados com o "Crime se Suzana". A história foi já contada aqui no nosso Blog.

E quando a temporada de verão chegava...


Prontidão e barateza


A alta Temporada ia de Janeiro a março, mas tinha ano que os turistas chegavam logo após o Natal. O início das estação era festejado no jornal O Patriota, de 1943. Isto significava muito trabalho para todos, especialmente para as lavadeiras como tia-avó Lica. No livro de Fulgêncio de Castro de 1873 sobre Caxambu, em "Uma breve notícia sobre a povoação de Caxambu" ele cita os serviços e preços dos hotéis da cidade:

"Em todos estes hotéis a mesa é abundante e variada e todo o serviço é feito com regularidade, pagando os hospedes 3$000 diários e 1$000 por escravo ou fâmulo, não compreendendo nestes preços vinhos e outras bebidas alcoólicas, luzes pra os aposentos, e LAVAGEM DE ROUPA (grifos meus), de que a povoação há quem se encarregue com prontidão e barateza."
Ah, então a mão de obra naqueles tempos já era requisitada e pelo texto não era uma das mais bem pagas.

Roupas e galinhas 

Voltemos ao hotel... A lavanderia funcionava num terreno de frente ao hotel, onde existia uma pequena construção, que  tinha muitas utilidades: servia de cozinha, dormitório para os funcionários do hotel bem como era a "estação final" para os galináceos servidos como iguarias no hotel. O filho caçula de Anna, Sylvio, que participava intensamente da mundo do trabalho de seus pais, ajudava a extinguir a vida das aves, isto ao 11 anos de idade!

Bem, a tia-avo Anna era quem coordenava o trabalho das lavadeiras, contando com o apoio da irmã Maria José de Lima, a Marquinha. Lençóis, toalhas de mesa e banho, roupas e íntimas roupas eram lavadas em tanques e a mão,  postas para secar ao sol nos varais.  Sorte da vó Lica que na época já dispunha de ferro elétrico. A vó Gervásia, ainda na minha infância, passava roupa usando o ferro de brasa.

Quando a temporada de verão chegava ao fim, os funcionários tinham seus contratos encerrados com a promessa de voltavam a ser readmitidos no próximo ano. Assim os empregados ou ex-empregados tinham que se ocuparem de alguma forma para ganhar o seu pão. Lica continuava a lavar roupas para as casas de família e seu marido era o "faz tudo" na cidade. 


Na sequencia, Sylvio relata da vida de seus pais, a labuta diária no Palace Hotel e suas memórias sobre a Revolução de 1932. Sylvio em perfeita memória descreve dois lugares nos detalhes, cujas fotos vocês veem o Palace Hotel e o muro ao lado da casa comercial de Salim Sarkis, (visitem no google) na Rua Dr Viotti. Hoje o prédio não existe mais, mas vale a viagem no passado/futuro.







Anna Ayres de Lima trabalhou no hotel até se aposentar. Faleceu aos 62 anos de idade, em 11 de maio de 1946. Cinco anos mais tarde faleceu José Eugenio, em 23 de marco de 1951. Assim se apagou uma história de trabalhares do Hotel Palace e nós estamos aqui para relembrar.


Esta tudo ligado, esta tudo ligado...

Para compreendermos quem fora Anna Ayres de Lima, vamos fazer aqui uma lista de todos os seus tios, tias, primos e primas, do lado materno, isto é, do lado de  Maria Ribeiro de Lima/Jesus; alguns tem biografia própria, é só clicar nos links dos nomes em azul. Lembramos que a grande maioria dos batismos e celebrações de casamento foram feitos na Capela de Santo Antonio do Piracicaba, no bairro Piracicaba da cidade de Baependi. E pensem bem, quanta gente ainda esta espalhada por esse mundo e que carrega os genes de nossos antepassados João ao José de Lima e Silva e Joana Thereza de Lima vindos lá de Pouso Alto.

Os tios e tias, os primos e primas de vó  Lica

A tia  de vó Lica : Virgolina Balbina de Lima era a mais velha. Ela foi madrinha de batismo, junto com o seu irmão José Ignacio de Lima  de Sabina Maria da Conceição, mãe da Gervásia Ayres de Lima; casou com Francisco Bernardino de Faria, em 13 de setembro de 1849, com apenas 13 anos. Da união  nasceram 13 filhos. São  eles:

Os primos e primas de vó Lica:

1)- Bernardino Lopes de Faria (1853.?) que se casou com Elvira Maria do Nascimento.
Lembremos que Elvira era filha de João Ferreira Simões  que era proprietário de escravos, inclusive de Justiniana Maria da Conceição e Sabina Maria da Conceição, avó e mãe respectivamente de Gervásia Maria da Conceição/ Ayres de Lima

2)  Lucianna de Faria (1856-?)
3)  Ludgero Lopes de Faria (1858-?)
4) Lucinda de Faria (1861-?)
5) Eleziel Lopes de Faria ( 1862-?)
6) José de Faria (1864-?)
7) Arminda de Faria (1867-?)
8) Sabina Bernardina de Faria (1869-?)
9) Bruno de Faria (1872-?)
10) Maria de Faria (1875-?)
11) De Faria (1875-1875)
12) Juvêncio de Faria (1877-?)
13)  Escolástica Lopes de Faria (?-1879)

O tio  de  vó Lica : José Ignacio de Lima e Silva (1835-?) que se casou com Fraujina Honorina de Jesus em 12 de agosto de 1860, no Chapeo, em Baependi. Da união  nasceram 4 filhos:

Os primos e primas de vó Lica :

1) Anna Frauzina de Jesus (1857-?), que se casou com, pasmem, Camilo Ferreira Junior, filho de Justiniana Maria da Conceicao, avó de Gervásia.
2) Candida de Lima (1860-?)
3)- Francisco Ignacio de Lima (1862-?)
4) Ana Ignacio de Lima (1865-?)

A tia de vó Lica: Thereza Ribeiro de Lima/Jesus (1837-?) que se casou com José Florencio Bernardes  (?-?) em 22 de julho de 1855. Da união nasceram 7 filhos:

Os primos e primas de vó Lica:

1) José Bernardes (1854-?)
2) José Bernardes (1860-?)
3)Prisciliana Izidora do Espírito Santo (1864-?)
4) Maria Florencia (1867-)
5) Bernardes (1875-1875)
6) maria Alexandrina ( ?-?)
7) José Florencio Bernardes Junior (?-?)

O tio de vó Lica: Rufino de Lima (1853-?) que se casou com Rita Carolina de Castro (?-?) em 26 de julho de 1875, na Capela de Santo Antonio do Piracicaba. Da união nasceram 7 filhos:

Os primos e primas de vó Lica:

1) José de Lima (1876-?)
2) Cesar de Lima e Silva (1878-?)
3) Maria de Lima e Silva (1880-?)
4) Antonio de Lima (1882-?)
5) Benjamim de Lima (1884-?)
6) Joao de Lima e Silva (1886-1897)
7) Eudoxia de Lima (1890-?)

A tia de vó Lica: Ignacia Ribeiro de Lima (?-?) que se casou em 1861 com Candido José Ferreira (?-?)

Os primos e primas de vó Lica:

1) Bibiano José Ferreira (1862-?)
2) - Ferreira (?-1873)
3) Maria Candida Ribeiro (1864-?)
4) Candida Ferreira (1869-?)
5) Cornélio José Ferreira (1880-?)

 O tio João José de Lima  Filho (?-?) casado com Theodora Constancia de Vasconcelos (?-?)

Os primos e primas de vó Lica:

1) Izabel Francisca de Jesus (?-?)
2) Ludgelo de Lima (?-1865)
3) Galdino Emydio de Lima (1869-?)
4) José Augusto Anselmo (1871-?)
5) Amélia Eugenia do Espirito Santo (1872-?)
6) Samuel Augusto de Lima (1874-?)
7) Rachel Silva (1876-?)
8) de Lima, (?- 1884)
9) Theodora Constancia de Vasconcelos (filha) (1878-?)


O tio João  de Lima (?-?)

O tio Francisco Theodoro de Lima, (?-?), que se casou em 23 de fevereiro de 1870 com Maria Gabriela Alves Ribeiro (1855-?)

Os primos e primas de vó Lica:

1) Antonia de Lima ( 1873-?)
2) Marcos de Lima (1875-?)
3) Francisco de Lima (1875-?)
4) filho de Lima (1876.1876)
5) Maria de Lima (1877-1884)
6) Antonia Petronila de Lima (1879-?)
7) Agueda de Lima (1882-1882)
8) Joana de Lima (?-1883)
9) Gabriel de Lima ( 1885-?)
9) Maria de Lima II (1887/1887)
10) José de Lima (1889-?)
11 Tercilia de Lima (1892-?)
12) Dorcina Natividade (1894-?)
13 Priciliana de Lima (1897-)
14 Ercilia de Lima (1899-?)
15 João  de Lima (?-1888-?)

A tia de vó Lica: Maria Antonia Ribeiro de Lima (1871-1903) (?)

Fonte:
Site do Palace Hotel
Castro, Fulgencio- Guia Para uma viagem às Aguas Medicinais de Caxambu, 1873.
Foto: 
Do alto, de 1945
Do arquivo pessoal de Sylvio Ayres de Lima.
De pé: Sebastiana, amiga de Anna Ayres, Sylvio Ayres de Lima, filho, Dulcinea, namorada de Sylvio, Terezinha, filha adotiva de Laurenciana.
Sentados: Tia/vó Anna Ayres de Lima, José Eugenio de Souza, marido, Laurenciana, parteira

Agradecimentos: O Blog da Família Ayres agradece a Documenta - Pesquisa, Conservação & Memória, especialmente na pessoa de Thais Pereira Silveria pela  conservação e restauração das fotos da Família  Ayres/ Rodrigues Freitas




terça-feira, 16 de agosto de 2016

Chico Cascateiro , um documentário


Com texto de Eustaquio Gorgonne e pesquisa de Manoel da Mata Machado, aqui um excelente documentário ilustrando a vida do português Francisco da Silva Reis, o Chico Cascateiro, que com absoluta certeza trabalhou com o também português Ramiro Rodrigues de Freitas, casado com Maria José de Lima/Ayres, a parteira Mariquinha. Ramiro foi chefe do serviço de Jardinagem do Parque das Águas de Caxambu, quando Chico Cascateiro lá trabalhou no início dos anos de 1920. Com casamento de Ramiro e Maria originou o Ramo dos Rodrigues de Freitas/Pereira. Para conhecer mais, cliquem nos links em azul.



quarta-feira, 10 de agosto de 2016

E por falar em pai, por Graça Pereira Silveira





E por falar em PAI, vai aqui alguns 'momentos' que tenho certeza nossos filhos Rodrigo Silveira, Thaís Silveira e Thiago Silveira vão adorar.
Ainda bem que tive 'dedo bom' para escolher o pai deles, pois o Vander sempre foi e é até hoje, um pai maravilhoso. Aproveito para dizer aos pais que quanto mais simplicidade nas coisas mais boas recordações elas deixarão. Aproveitem bastante com seus filhos porque num instante, eles já não caberão mais num parapeito de janela; não precisarão mais que você segure a bicicleta ; não caberão mais nos seus ombros; seus braços serão fracos para segurá-los; não acharão tão legal o churrasquinho no tijolo e enfim você com certeza também não caberá mais na piscininha deles.














quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Ruth de Lima Patricio, a enfermeira do Hospital Matarazzo


Ruth de Lima Patricio, em sua residência no Bairro do Trancador, em Caxambu
Fotografada por Graça Pereira da Silveira, 2016
Contar a história de Ruth Lima Patricio é contar a história de muitas vidas. Em maio de 2016 Ruth recebeu em sua casa, em Caxambu, Maria das Graças Pereira  Silveira, nossa enviada especial para realizar as entrevistas que tem nos dado muita alegria. Assim Ruth compartilhou conosco sua história pessoal, muito pessoal.

Os antepassados de Ruth, seus avós, bisavós, tataravós...

Os mais antigos ancestrais conhecidos até agora da Familia Ayres de Lima/Rodrigues de Freitas são seus tataravós,  João José de Lima e Silva  (1798-1875) e Joana Thereza Ribeiro (1807-1860), encontrados no Sensu da cidade de Pouco Alto, feito pela Província de Minas Gerais, no ano de 1838. Este documento nos foi enviado por cortesia pelo Arquivo Público Mineiro. Lá podemos ver os filhos do casal, Virgolina Balbina de Lima (1833-?), José Ignacio de Lima (1835-?), Thereza Ribeiro de Lima (1837-?) e quatro escravos: Adão, Vicente, Benedicto, Salustiana, José. No registro ainda não constavam, Rufino de Lima (1853-?) José de Lima (?-?), adotado e... Maria Ribeiro de Sousa Lima (1841-1903), sua bisavó que ainda não havia nascido até esta data. (foto)



Seus bisavós maternos de eram José Fernandes de Lima, (1835-1897) o Trançador-pai  e Maria Ribeiro de Souza Lima (1841-1903) e que foram pais de:

1- Emiliana de Lima (1861-1910), 
2- Manoel José de Lima (1866-1908), seu avo, Sebastiana de Lima (1869-1911),
3- Josephina Ayres de Lima (1869-?)
4- José Ayres de Lima, o Trançador-filho (1873-1843), que se casou com a vó Gervásia Maria da Conceição (1876-?),
5- Cecílio José de Lima (1876-1914),
6- Maria Ayres da Silva, a Mariinha (1879-?),
7- Maria José de Lima, a Mariquinha (1882-1946),
8- Roza Ayres de Lima (1882-1895),
9- Anna Ayres de Lima, a Lica (1883-?), 
10- Izabel Ayres de Lima (1885-?).

Seus avós pelo lado materno, Manoel José de Lima (1866-1908) casou-se com Elisa  Candida de Jesus (1861-1906) e tiveram 3 filhos: São eles:

1- Maria Elisa Lima (1897-1938),
2- João de Deus (1902-1991),
3-Sebastiana de Lima (1904-1957).

Portanto Ruth é bisneta de José Fernandes Ayres, o Trançador-pai, ou velho, como eles o chamavam na época, que deu nome ao Bairro Trançador, na cidade de Caxambu. O lado paterno de Ruth Lima Patricio não foi por nós ainda pesquisado.

A mãe de Ruth: 14, 41, 13, os números do seu destino

Maria Elisa Ayres Lima, (1897-1938)
Estes parecem o números coincidentes, mas eles governaram a vida de sua mãe  Maria Elisa de Lima  como se fossem os números do seu destino. Ela e casou muito jovem com José Pedro Patrício, aos 14 anos de idade e até 41 anos de idade, trouxe  ao mundo 13 filhos. 

A história de sua mãe  tem um grande paralelo com a vida dos avós Manoel, aqui biografado e Elisa que faleceram muito jovens deixando 3 filhos pequenos: a mãe Maria Elisa Lima, o tio João de Deus,  também biografado  e  a tia Sebastiana de Lima.

A família se mudou de Caxambu, quando a primeira filha, a Julieta ainda era pequena. O pai, exercia profissão de pedreiro e foi trabalhar em outras cidades levando os filhos junto.  Assim eles nasceram em diferentes lugares como Campanha, Itanhandu, Itajubá, Campos do Jordão. São  eles:

1-  Julieta  Lima Patricio (1913-1995),
2-  Rui de Lima Patrício (?-?),
3-  Rubens de Lima Patricio (?-?),
4- Rupércio Patricio (?-?),
5- Fernando Patricio (?-?),
6- Maria José de Lima (?-?),
7- Edith Lima Patrício (?-?)
8- Ruth de Lima Patrício (1935-).
Os outros 5 quatro irmãos não temos registros.

No dia de natal do ano de 1938, sua mãe deixa a terra prematuramente. Um fulminante ataque de coração. Fotografada para a eternidade não em vida, mas em morte como era costume da época, sua filha guardou registro como uma relíquia. É a lembrança da mãe querida. Nesse dia não teve presente, nem árvore de natal que consolasse a pequena Ruth, que tinha apenas 3 anos de idade, e nem os outros 12 irmãos.

Um dia ali, outro acolá

Por determinação do Juizado de Menores, as crianças foram levadas para serem  criadas em diferentes abrigos infantis. Ruth foi parar na cidade de Pindamonhangaba, e posteriormente,   enviada para o Abrigo da Divina Providencia, sob a direção de Dona Severina, na Rua da Mooca, 113, em São Paulo (façam uma visita virtual), juntamente com Rui. Disse ela que Dona Severina era severa, mas tinha bom coração. Ao completar 10 anos teve autorização para se mudarem para a casa de sua irmã  Julieta, que na época tinha 25 anos de idade. Julieta praticamente abrigou outros irmãos, além dos "de criação". Assim era. Feliz das duas irmãs Ruth e Julieta que conseguiram permanecer unidas e foram para São  Paulo e encontraram um lugar para trabalhar  no Hospital Matarazzo. E... Senta que lá vem história!

Hospital Matarazzo: Saúde dos ricos para os pobres

Cartaz chamando para a quermesse para
arrecadar fundos para  o Hospital

A história do Hospital Matarazzo tem início em 1878, quando da chegada das levas de imigrantes italianos ao Brasil. Os Matarazzos foram um dos que fizeram fortuna como as família dos Pignatari, Gamba, Falchi. Unidos criaram associações para dar apoio aos italianos e suas famílias que no Brasil labutaram com a esperança de uma vida nova. Os mais ricos se engajaram para melhorar as condições de saúde dos mais necessitados e assim fundaram a Società Italiana di Beneficente.

Eles tinham por filosofia construir um hospital de qualidade e voltado para o atendimento dos imigrantes italianos e seus descendentes com o lema: "Que o dinheiro dos ricos se reverta para a saúde dos pobres". O Conde Francisco Matarazzo foi um dos quem mais se engajou  no projeto, que no futuro iria se tornar um grande  complexo hospitalar da cidade de São Paulo e do país.  Não somente ele, mas também sua esposa, a Condessa Filomena se empenhou no projeto e pessoalmente na construção da maternidade que levou o seu nome.

Em 1881, a Society adquiriu um terreno para a construção do prédio, no Bairro Bexiga, onde residia a população menos favorecida da cidade, os imigrantes e os negros. Em 1904, foi inaugurada o prédio nomeado de Humberto I.  E não podemos negar que foi um grande acontecimento para a cidade de São  Paulo, devido ao números de Fords Bigode estacionados em frente ao prédio (foto).  A comunidade de italianos era muito unida e empreendedora e continuaram organizando festas beneficentes para arrecadar fundos, além de receberem contribuições em dinheiro. Sendo assim o hospital se transformou num complexo hospitalar ao longo do século XX com novas alas e serviços, tornando-se assim referencia no atendimento à saúde dos paulistanos.

Inauguração do Hospital Matarazzo em 1904



Ruth Lima Patrício, enfermeira auxiliar na festa de
 Natal dos funcionários do Hospital Matarazzo, São  Paul0


Melhor da America Latina!

Na década de 70, o hospital foi considerado um excelente espaço de formação de novos profissionais da saúde. A maternidade era vista como a melhor da América Latina! Destaca-se que entre os seus funcionários, uma parteira oficial dos Matarazzos, que, a partir de então passou a fazer ali os partos dos filhos, sobrinhos netos do Conde Francisco. O hospital tinha mais fama que o Hospital das Clínicas, sendo o primeiro a abrigar um banco de sangue do Estado.

E neste hospital cheio de histórias encontramos as duas irmãs: Ruth e Julieta. Julieta começou a trabalhar, em 1951, como copeira e Ruth, em 1957, nos serviços gerais,  pois não havia como hoje, divisão de trabalho. Elas começaram do nada, conta. Na ausência de algum funcionário ela ajudava onde era necessário.  Sendo  assim as Irmãs que administravam o hospital, iam selecionando as candidatas de acordo com o seu "talento" para os diversos serviços. Ruth foi trabalhar como enfermeira-auxiliar, na maternidade trocando fraudas dos recém-nascidos, dando mamadeiras... Ela conta que também trabalhou poucos dias como enfermeira substituta, na casa de Maria Pia Matarazzo, (foto abaixo) a filha do Conde...


O clima de trabalho era bom e elas tinham boas colegas. Elas moraram em diversos lugares, na 9 de Julho, na Rua Santo Antonio, no Bairro Bela Vista, em quartos alugados, pois assim como hoje os aluguéis na capital paulista eram muito caros. Para aqueles que quiserem fazer uma curta viagem à Sao Paulo, a Rua Santo Antonio, no Bairro Bela Vista, 20 minutos a pé do serviço de Ruth, não precisa comprar passagem é só clicar aqui: Rua Santo Antonio. Uma única casa lembra ainda a década de 50, quando essas elas passaram a caminho do hospital.

São   Paulo acorda

Mas mesmo depois de tanta história é quase impossível acreditar que, em 1993, as atividades hospitalares tenham sido encerradas. A administração dependia de doações e também das contingências político-econômicas e foi impossível sobreviver as crises. Abandonado serviu de... estacionamento. De vez enquanto do local ouvia-se suspiros de vida e eventos eram realizados como por exemplo a Casa Cor.

Mais surpreendente ainda é que os descendes dos Matarazzos não conseguiram dar continuidade a grande obra de seus antepassados. O mais proeminente deles, várias vezes eleito pelo Partido dos Trabalhadores  como vereador, deputado estadual, federal, senador pelo Estado de São o Paulo, Eduardo Matarazzo Suplicy, bisneto do Conde de Matarazzo não conseguiu evitar que o hospital entrasse  em falência financeira, e pior ainda, a sua quase total demolição.

Mas  um dia os  cidadãos paulistanos acordaram de um pesadelo e ocuparam o prédio do hospital  para salvá-lo das garras dos empresários, que queriam transformar o complexo histórico em shopping center. Felizmente e infelizmente. Agora tombado pelo Patrimônio Histórico, e assim com um novo ser, parido em sua maternidade, será transformado em espaço cultural, felizmente. Infelizmente, porque se fechou um hospital. A  foto do patriarca, que ainda continuou pendurada na parede do hospital, foi testemunha do descaso com o seu legado. O que diria hoje o velho Matarazzo sobre tudo isso?

Memoria? Ou a falta dela?

São Paulo a terra do trabalho, mas quem celebra são os patrões.  Eles são sempre homenageados, sempre. A Francisco Matarazzo foi dado nome a avenida, no bairro Água Branca e na Praça Sousa Aranha ha uma estatua de bronze dele. E para os que ajudaram a construir seu império? Nenhuma lembrança. Outros nomes de homens públicos, políticos estão espalhados pelas ruas das cidades em monumentos ou bustos. Ah sim! Lembraram dos trabalhadores. A via Leste, denominada "Rodovia dos Trabalhadores" foi inaugurada, em 1982, e...  rebatizada como Ayrton Sena, após o seu falecimento, em 1994. Houve promessas de construir um Museu do Trabalhador, mas até hoje não saiu do papel. Então com licença senhores estamos aqui recuperando as histórias pessoais dos quem bravamente contribuíram para o crescimento de São  Paulo e do Brasil.

De volta às origens, de volta ao Bairro Trançador

Rupercio de Lima Patrício com
 filhos José Paulo e Izaura
Julieta contava sempre que tinha família em Caxambu. Ruth não tinha a mínima idéia onde era.  Um dia, trabalhado como diarista, um senhor indicou-a "um lugarzinho para descansar". Era a cidade de Caxambu. Em 1974, resolveram empreender uma visita à cidade e procurar um tio que supunham ainda estar vivo. Elas se hospedaram na antiga pensão Nha Chica e saíram a sua procura.  E encontraram! O tio João de Deus, aqui já biografado, funcionário do Parque das Águas, lembra? Que felicidade. Separados  ha quase meio século pelo destino, agora se reencontraram no Bairro Trançador, local onde dos seus antepassados fundaram suas famílias e viveram.

E felizes pelo reencontro, voltaram para São  Paulo, quando tiveram notícia que vizinho ao tio havia uma casa à venda. Logo as economias foram mobilizadas para a compra do imóvel.

O destino as colocou de volta à cidade dos seus, pais, avós e bisavós. No ano 1987, já aposentadas, Julieta com 27 anos, Ruth com 30 anos de trabalho, vieram definitivamente de mudança para Caxambu. Ruth quando adolescente foi morar com Julieta, agora Julieta veio morar com ela. Rupércio, falecido, ainda temos um registro. Ele visitou a irmã  e deixou uma foto de recordação justamente como seus filhos José Paulo e Izaura.

No ano 1980, morou na casa também o Rubens junto com as irmãs, voltando posteriormente para São Paulo. Ruth e Julieta, que casou-se em idade avançada,  permaneceram sem descendentes. Julieta faleceu, em 1995, aos 81 anos, de problemas cardíacos. Ruth ficou para nos contar a sua, a nossa história.

Julieta Ayres de Lima, Hospital Matarazzo,
primeira à esquerda e suas colegas de trabalho.
Agradecimentos:

Agradecimentos especiais pelo emrenho de Maria das Graças Pereira Silveira e seu marido Vander  Silveira, pelo trabalho de resgate de memória de nossa família atravéz da história oral, bem como Maria de Lurdes de Deus, Neusa Santos, que nos ajudaram a trazer novos fatos à luz da história. Para os nossos antepassados, para os nossos filhos, netos, bisnetos...

Fonte:
Rodrigues, Jaime. O museu inexistente, 2011
Fotos:
Do arquivo pessoal de Ruth Lupércio de Lima.

domingo, 31 de julho de 2016

Ramiro Rodrigues Freitas, o jardineiro do Parque das Águas


O parque tem qualquer coisa de paradisíaco. É obra da mão do homem. Mas parece antes obra de Jehovah portentoso, assim escrevia o Jornal "O Patriota", em 1916 sobre o Parque da cidade de Caxambu.

Medicina entre flores

O centro da cidade de Caxambu é hoje coberto de cimento e asfalto. A poesia dos  casarões foi substituída por horrendos arranha-céus. Mas, com sorte e um olhar atento, esse passado ainda pode ser visto em algumas poucas casas, hotéis, sobreviventes da sanha da especulação imobiliária. 

Porém, não foi sempre assim. Caxambu era muito diferente e chegou a ser chamada de "medicina entre flores", se referindo às suas águas que curavam, fontes circundadas por um jardim paradisíaco. Este paraíso abrigava dois jardins : o jardim real, de muitas flores, alamedas bucólicas, árvores centenárias, o outro o jardim  modelado em argamassa.

O velho  Francisco da Silva Reis, o Chico Cascateiro

Francisco José da Silva Reis, em Passa Quatro (1)
Dois portugueses e um destino singular:   Francisco da Silva Reis, conhecido como Chico Cascateiro e  Ramiro Rodrigues de Freitas. Ambos chegaram ao Brasil clandestinamente vindos de Portugal e tiveram participação ativa no paisagismo do Parque das Águas. Um como estucador e o outro como jardineiro. Eles não ganharam fortunas, nem escreveram seus nomes em livros de paisagistas importantes, mas estão intimamente ligados à história da cidade de Caxambu.

Vamos por partes. Francisco da Silva Reis, português, era artesão de profissão. Ao chegar no Sul de Minas já havia executado obras na cidade do Rio de Janeiro, como coretos e grutas. De estatura mediana, magro, claro, trajava calça de algodão, paletó e chapéu de feltro com abas caídas. Quando realizou suas obras na cidade de Cristina, era já um homem de relativa idade, e, segundo quem o conheceu, um... "rosto cadavérico". Ele tinha um hábito incomum, de ir passear na mata, certamente buscando inspiração para os modelos de sua criação. Numa feliz constatação observando bem os únicos registros  fotográficos, ambos feitos quando realizavam o seu trabalho  muito se assemelham: Chico Cascateiro na cidade de Passa Quatro. ambos de chapéu de abas largas na cabeça. Um com o balde de cimento e o outro com um regador nas mãos. (fotos)

O jovem  Ramiro Rodrigues de Freitas

Em contrapartida, o seu compatriota Ramiro Rodrigues de Freitas era ainda um adolescente quando aportou em terras mineiras. Segundo contam na família Ayres, ele veio clandestino num navio, com apenas 13 anos e foi criado  por uma família de turcos, história contada pelos membros da Família Freitas. A história tem grande possibilidade de ser verdadeira, pois Ramiro era um conhecedor da culinária oriental. O quibe era uma especialidade que ele fazia muito bem, uma tradição que foi passada para os filhos e netos.

Ramiro Rodrigues, em sua horta privada, na Rua Quintino Bocaiúva
Os jardins esquecidos

"Que linda está ficando a nossa praça 16 de setembro?
Já passaram por ali à noite?
Vale a pena. É um encanto."



Em 1912, no governo de Camilo Soares, foram iniciadas as reformas do jardim público na Praça 16 de setembro, no centro da Cidade.  O desenho original adaptado para o pequeno jardim era de Francisco da Silva Reis. As obras foram concluídas em 1918 (foto) e consumiram 7 anos de trabalho.  Só as testemunhas dos cartões postais da "Casa Levy" nos levam a este passado... Silva Reis, era considerado um simples "pedreiro" e nunca foi tratado como paisagista,  ou mesmo um artista talentoso, não tendo sido sequer mencionado na inauguração das obras, por aqueles que o empregaram para a realizar o trabalho. Houve, porém, uma inesperada citação do artista, escrita por Guilherme Nogueira de Andrade, secretário do então prefeito Camilo Soares, no Jornal de Caxambu de setembro de 1918.

E o que, óra, vaé pelo Parque, onde o primoroso artista se acha em via de concluir a série de maravilhas que, lá erige?
Alli, o espasso é mais amplo e nelle, a pujança de seu genio imitador desenvolveu expansivamente e em maior escala! 
Os grupos de assentos toscos, emitação de madeira, em diversos pontos, a graciosa choupana como abrigo da bomba de excuamento de águas pluviaes, e para maior realce a elegante e soberba cascata e respectivo lago, fazendo-se em ponto culminante para o enlevo, agreste, de veranistas que, em mages todos grupos, posem para as classicas e provebiaes photografia, dos que aqui passam as temporadas em pela villegiatura.
Em todos esses maravilhosos trabalhos de pura imitação da natureza e fina arte, ficará perpetuado o nome de Francisco da Silva Reis, o inimitável e prodigioso Cascateiro.

O jardim de flores

Falemos então agora de flores. Os olhares de quem visitava Caxambu em 1919 não deixavam de expressar o seu deslumbramento com o Parque e com a cidade: "graciosas casas, vivendas pintadas de delicadas cores, lindíssimo jardim, artisticamente delineando a bella cascata, lindos caramanchões e outros embelezamentos de graça encantadora". Assim descrevia o Jornal da Cidade de Caxambu, comentando os encantos da "hidrópolis".

Ainda, "O parque das Águas, com seus jardins maravilhosamente floridos, os pavilhões das fontes construídos sob o apuro da arte e o estabelecimento hydroterapico". Ou "O poético jardim do Parque, cortado graciosamente pelo ribeirão  Bengo (este revestido à cimento armado, com gradis e pontes ligando suas margens) se ostenta tudo como que orgulhoso de suas luxuriantes belezas!"

Muitos elogios, mas nenhuma palavra sobre os que dedicaram seu trabalho e suas vidas para embelezar e manter o que todos elogiavam.

O jardim de argamassa

Por muito tempo a obra de Cascateiro ficou incógnita, até que os fotógrafos descobriam-na como motivo para suas fotos. Ao procurar assento nos bancos de argamassa, os médicos, militares e madames não viam  os cipós contorcidos que emolduravam suas colunas e borboletas da noite ainda dormiam o seu sono entre as frestas de bambu em argamassa do caramanchão.

Informava o jornal  O Patriota de 1916: "Os seus jardins, os seus núcleos de arvoredos projetando sombras, os seus bancos, gothicos, aqui  ali esparsos... a original e bella cascata, tudo alli, denota esforço e prodigalidade superior parte de Empreza".

Ah, esforços e prodigalidade superior da "Empresa" escreveu o jornal, e não dos que neles trabalharam.

Em 1928 a revista mensal Caxambu, que tinha o objetivo de "fazer a propaganda das riquezas naturais da bella cidade que lhe emprestou o nome, reproduziu em suas páginas fotos de veranistas e grupos de veranistas, tendo como fundo bancos feitos pelo paisagista"*,


Não temos dúvidas de que Ramiro conheceu e  trabalhou  com Chico Cascateiro. No período em que Cascateiro  erigiu sua obra no Parque e na cidade, Ramiro era jardineiro lá empregado na "Empresa", chegando a ser o chefe da jardinagem. Aposentado, continuou dedicado ao que sempre fazia bem, trabalhar com a terra. Ele era requisitado para cuidar de outros jardins na cidade. Dentre eles, o jardim dos antigos proprietários do Hotel Glória. No quintal de sua residência, na antiga Rua Quintino Bacaiúva, tinham uma horta muito bem sortida, cuidada com a mesma dedicação que recebeu os jardins e as flores do Parque das Águas.

Os jardineiros lembrados

Das inúmeras publicações catalogadas e citadas no texto "Jardins esquecidos" pelo autor Eustaquio Gorgonne entre os anos de 1924 e 1977,  para  o Projeto "Chico Cascateiro" realizado em conjunto com Manoel da Mata Machado, nenhuma delas cita as obras de Chico Cascateiro, escrevem; publicações estas de autores ou que residiam em Caxambu, ou que nela fizeram inúmeras estações de água. E esta afirmação é por mim confirmada, pois em todos os locais onde procurei material iconográfico para ilustrar este texto achei somente uma dama, que  posou sentada no alto da Cascatinha (foto) no centro do Jardim de Caxambu em 1906.

E imaginem se as obras de cimento e argamassa, que hoje ainda podem ser vistas no Parque das Águas de Caxambu e em muitas outras cidades brasileiras foram esquecidas, o que dizer das efêmeras flores que cresciam no parque, cultivadas pelas mãos de vô Ramiro?

O Chico Cascateiro conseguiu deixar sua assinatura gravada em cimento, no banco da Cascatinha. Mas, como iria Ramiro de Freitas assinar o nome em uma flor ou gravar o nome em árvores? 

De Francisco da Silva Reis, o Chico Cascateiro não temos notícias de sua vida privada, nem  de quando ele deixou o Brasil, mas podemos falar de  Ramiro  Rodrigues de Freitas que deixou muitos  descendentes. Ele foi casado com Maria José de Lima Ayres, a tia-avó Mariquinha, filha de José Fernandes Ayres, o Trançador-pai  e foi pai de 12 filhos ainda criando e mais 2 crianças na casa solidária de vó Mariquinha, na rua Quintino Bocaiúva, onde o lema era: onde come 12, come 13, 14... 

Perguntas de um  trabalhador que lê 

Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão os nomes de reis:
Arrastaram eles os blocos de pedra?
E a Babilonia várias vezes destruída
Quem a reconstruiu tantas vezes?
Em que casas da Lima dourada moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros, na noite em que a Muralha da China ficou pronta?
A grande Roma esta cheia de arcos do triunfo:
Quem os ergueu?
Sobre quem triunfaram os Césares?
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho?
César bateu os gauleses.
Não   levava sequer um cozinheiro?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu além dele?
Cada página uma vitória.
Quem cozinhava o banquete?
Tantas histórias.
Tantas questões.*

E depois de tanto "trabalho", entrevistas, visitas, bolos e cafés, o casal descansa na obra de Chico Cascateiro, no Parque das Águas de Caxambu.

Maria das Graças Pereira e Vander Pereira sentados no Jardim do Éden
de Chico Cascateiro. A eles os nossos agradecimentos.

Fonte: 
Jardins Esquecidos (A arte em argamassa na obra de Francisco da Silva Reis), 2004. Eustaquio Gorgonne de Oliveira.
(1) Foto do mesmo texto
Poema: Berthold Brecht*
Jornal:
O Patriota, Revisa de Caxambu,
Almanak Lemmert,
Revista Brasileira de Geografia, 1940,
Correção ortográfica: Angela Rabelo.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

A triste sina de Josephine Ayres de Lima


Araticum, Annona crassiflora, fruta nativa do cerrado mineiro
Para reconstruir esta pequena biografia de Josephina  contamos com fragmentos de lembranças de nossa "biblioteca familiar viva": Celia Ayres de Lima, filha de José Ayres de Lima, o Trançador-filho, com Gervásia Ayres de Lima, e o recém descoberto  Sylvio Aires de Lima, pertencente ao "tronco dos Ayres",  filho de Anna Ayres de Lima conhecida como Lica, e neto de José Fernandes Ayres, o Trancador-pai. Sem falar em todo o trabalho de pesquisa de campo que foi realizado por outro membro da Familia Ayres/Freitas/ Pereria, Maria das Graças Pereira da Silveira, que hoje mora em Sao José dos Campos, e que, por destino e uma felicíssima coincidência, mora  próximo ao Sylvio e seus descendentes. Foram horas de café com bolo de fubá e prosa, muita prosa... De fato uma força-tarefa que não foi realizada sozinha, tendo como seu escudeiro Vanderlei Silveira, o Vander, marido, motorista, "arquivo em áudio vivo" ... Assim estamos podendo contar e recontar as histórias. A eles os nossos sinceros agradecimentos.

Pois bem, vamos então a... Josephina.



Josephina Ayres de Lima nasceu em 31 de marco de 1869 e foi batizada no dia 18 de abril, na cidade de Baependi, pelo Reverendo João  José Rodrigues. O curioso é que o batizado não foi realizado na igreja, mas na casa  de seus padrinhos, que eram  ao mesmo tempo os anfitriões, o Comendador José Pedro Américo de Mattos e Dona Maria Adriana de Mello e Mattos.  O lugar tinha força  simbólica. A casa denominada "Palacete"  foi onde a Princesa Isabel e sua comitiva ficaram hospedados na sua estada em Baependi em 1868. Imaginem o que significava para o povo daquela época!

Josephina foi a terceira filha do casal José Fernandes Ayres de Lima-Trançador pai e Maria Ribeiro de Souza Lima. Antes dela nasceu Emiliana de Lima (1861-1910), Manoel José de Souza Lima (1866-1908), Sebastiana Lima (1869-1911). Depois dela vieram José Ayres de Lima o Zé Trancador-filho, (1873-1943),  Maria de Lima, a Mariinha (1876-?), Cecílio Jose de Souza (1876-?), Maria Ayres de Lima, (1876-?), Maria José de Lima, a Mariquinha (1881-1946), Roza Ayres  de Lima (1882-1895), Anna Ayres de Lima  a Lica (1885-?) e Izabel Ayres de Lima (1885-?).

Os seus avós pelo lado materno eram João José de Lima e Silva e Joanna Thereza, que foram encontrados no Sensu da cidade de Pouso Alto, no ano de 1839, como consta abaixo. A mãe de Josephina, Maria Ribeiro de Souza Lima nesta época ainda não era nascida.


Fico aqui pensando e analisando, que relações teria o seu pai, José Fernandes Ayres -Trancador pai, com toda essa gente? Muitos de seus filhos foram batizados por... "gente importante", como por exemplo o filho Manoel, que foi batizado pelo  Manoel de Seixas Batista, aquele que compôs a comissão de recepção da Princesa Izabel. Ele constava nas listas de votação da época, isto é, era cidadão  eleitor. E, naquela época, para ser eleitor o cidadão tinha que ter dinheiro e posição social. Já a outra filha  Maria da Conceição, a Mariinha, teve como testemunha de casamento um "Alferes", o Antonio José de Castilho.

Dançando com a Princesa

O padrinho  de Josephina, José Pedro Américo de Mattos era uma pessoa pública e deputado da Província.  Ele assinou, junto com outras tantas personalidades, o documento que lançou a pedra fundamental para a construção da Igreja Santa Isabel da Ungria, na presença da Princesa Izabel, em sua visita à Caxambu, no ano de 1868.

José Pedro era muito rico e benquisto na cidade, mas, por ser mulato, não gostava de frequentar as festas sociais, em razão da discriminação. Especialmente em bailes, notava ele a resistência de algumas damas da sociedade ao convidá-las para dançar. Estávamos então em pleno tempo da escravidão, e o que se podia esperar dessa sociedade  senão o desdém a alguém "de cor"?  

Mas, a história conta que, como anfitrião do casal imperial, ele não pode se recusar em participar do baile em homenagem à princesa, no palácio imperial da cidade de Baependi. Assim permaneceu ele alheio  e distraído, quando a orquestra iniciou a primeira valsa... O Conde d`Eu tomou a princesa pela mão e levou-a ostensivamente, pelo salão, até em frente ao seu anfitrião, e ofereceu-a como par. Pelo sorriso que ela lançou em direção a ele ficou impossível recusar o convite, e então rodaram  sozinhos no salão ao som da valsa.  Depois da atitude do casal imperial, o comendador recebeu todas as atenções das outras damas, que queriam então te-lo como par. E ele respondeu: "Não, minha senhora, muito obrigado. Queira desculpar-me, mas quem dançou com a Princesa não pode dançar com outra mulher". Bem feito!

Ah, então voltemos à gata borralheira Josephina... Aos 26 anos foi mãe solteira  de José de Souza Lima,  nascido em 25 de julho de 1896 e batizado em 3 de agosto, na Capela Nossa Senhora dos Remédios, em Caxambu,  como "filho natural", que significava que ele não tinha pai conhecido, ou sua mãe não era oficialmente casada. Assim o estigma de "mãe solteira" devia ficar o máximo possível dentro da família e talvez por essa a razão da escolha dos padrinhos da criança. Eles  eram  dois irmãos de Josephina: Cecílio Jose de Souza e Maria José de Lima, a vó Mariquinha. Se hoje a questão de ser "mãe solteira" é absorvida sem grandes problemas pela sociedade, naquela época devia sido um choque para a família.

Certidão de nascimento de José Ayres de Lima, filho de Josephina, 1896.
E aos 31 anos ela foi mãe novamente de Maria, batizada Maria Josephina de Lima na Capela Nossa Senhora dos Remédios, em Caxambu, sendo os padrinhos: Venceslau Apolinário de Miranda e a cunhada Salviana Maria da Conceição (que era irmã  de Sabina Maria da Conceição) e esposa de seu irmão Cecílio Ayres de Lima, ele que ja tinha sido padrinho anteriormente de seu filho João .

Certidão de nascimento de Maria Ayres de Lima, filha de Josephina, 1901.
Ela morava no bairro Trançador, em terras doadas pela sua madrinha com seus dois filhos, João  e Maria. Mas um dia o destino veio bater por duas vezes à sua porta. Em 17 de novembro de 1918 faleceu de gripe sua filha Maria, aos 16 anos.

Certidão de óbito da filha de Josephina, Maria  Josephina de Lima

Josephina continuou morando na casa no alto do bairro com seu filho até que...

Os perigosos caminhos do Sertão

A história resgatada através de Sylvio Aires de Lima conta que o filho de Josephina também iniciou sua carreira profissional como "tropeiro" acompanhando o seu tio e padrinho Cecílio pelos caminhos de Minas, uma profissão não sem riscos e perigos.

Era conhecido que os chefes de tropeiros, para aumentar os seus lucros, evitavam os caminhos oficiais, onde eram cobrados impostos, pedágios, taxas de suas mercadorias. Os caminhos paralelos não indicavam que a honestidade reinava entre eles. Os tropeiros não só levavam mercadorias, mas também contrabandeavam ouro em pó, nos cabos de relhos, nas selas ou escondidos entre suas "tralhas". Não era de se esperar que as tropas passassem por esses caminhos incólumes.


"Nos idos de 1.700, o temor entre os comerciantes que transitavam pela Estrada Real era tão grande - diante das notícias de perigo e incertezas do roteiro - que muitos já deixavam prontos os seus testamentos antes de cada viagem. Cruzar a rota do ouro e dos diamantes era uma verdadeira aventura no século XVIII. Homicídios, roubos e contrabandos eram frequentes. Embora as ações dos salteadores e bandoleiros, na maioria das vezes reprimidas, nem sempre as autoridades tiveram sucesso.

O palco da violência não se limitou às estradas, alcançando também os sertões e as serras. E em menor escala as vilas. Uma forma usada pelos senhores para se protegerem era a companhia de negros, sempre armados e cachorros. A maior parte dos ataques acontecia à noite. Ninguém era poupado, fosse mulher, criança ou idoso." (1)

As quadrinhas de Minas na época do ouro eram bem organizadas. Nos caminhos da serra da Mantiqueira atuou uma delas 3 anos, chefiada pelo chamado "Montanha". O grupo tinha a estratégia de matar os policiais para roubar as fardas que eram usados como disfarces de verdadeiros soldados para roubar os tropeiros. Foi desmantelada em 1786 pelo militar Tiradentes.

Outra quadrinha denominada "Mão de Luva", atuava entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Recebeu este nome pois o chefe usava luva. Eram contrabandistas, considerados perigosos pelas autoridades. Comercializavam  ouro, e estavam prontos para matar quem os atacassem. O grupo foi desarticulado pelas tropas do governo de Minas.

A quadrinha dos "Vira-Saia" tinha como fama seus integrantes serem extremamente perversos. As tropas do governo tiveram dificuldade de desarticular o bando que "teriam um pacto com o diabo". O bando se desfez no início do século 19 e acredita-se que tenham migrado para Bahia.

O grupo do "Sete Orelhas" era chefiado por Januário Garcia Leal, que foi assim apelidado, por portar um colar  com sete orelhas humanas, arrancadas dos homens que mataram seu irmão. A quadrinha aterrorizou Minas Gerais, no final do século 18 e não era tão organizada como as demais, mas usava as mesmas formas perversas de matar. Os seus integrantes se dispersaram pelo sertão afora sem que pudessem mais serem avistados.

Perigo de ser assaltado nas estradas era real e quase dois séculos depois não era menor. E foi o que aconteceu. Numa dessas jornadas ao acompanhar  uma boiada para a cidade de Cruzeiro, a tropa foi assaltada e João  o filho de Josephina foi morto. Conta Sylvio que ele foi morto juntamente com o seu tio e padrinho, Cecílio que o introduziu na vida de tropeiro. Infelizmente não temos  ainda data nem certidões para comprovar o fato, mas estamos ainda nas pesquisas.

Josephina  acometida de uma severa depressão, após a perda do filho, se refugiou em  sua casa e lá faleceu sozinha (em data desconhecida até agora), pois se recusava ter uma companhia.

E Sylvio Aires de Lima conta a sua versão da história... 



E continuando...



E o araticum ficou na lembrança

A nossa biblioteca familiar Celia Ayres de Lima, a filha caçula de Gervásia e José Trançador, lembra com carinho da tia que sempre que a visitava. Ela sentava na escada da varanda de  sua casa,  na Rua Quintino Bocaiúva, e abria um embornal cheias de frutas de araticum que presenteava à sobrinha. Assim foi.

Fonte:  

Jornal "O Patriota".
Gravura:Uniforme dos soldados da Cavalaria, 1730, Aquarela, Walter Rodrigues.
Ouro e Minas, 300 anos de história.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Bairro Trançador é notícia em 1937!



A cada dia uma novidade. O bairro do Trançador já existia em 1937! Achamos os registro oficiais. Matamos a cobra e mostramos o pau e a cobra!

O Bairro Trançador foi por duas vezes citado  no jornal O Patriota que era publicado na cidade de Baependi, mas noticiava sobre toda a regiao Sul Mineira de propriedade de  José Vieira Manso e  tendo como  seu redator  Mario Lara. 

Este documento confirma portanto que José Fernandes Ayres, o Trançador-pai deixou seu nome gravado bem antes do ano de 1937, pois José Ayres de Lima, o Trançador-filho já tinha se mudado de lá, e morava na Rua Quintino Bocaiúva 113. 

Com esta publicação do Jornal O Patriota, ano XX, n° 939, de 7 de março de 1937, portando ha quase 79 anos, se torna histórico para a Familia Ayres/Freitas/Pereira, pois foi  pela primeira vez que o nome "Bairro do Trançador" aparece oficialmente impresso. E mais! Deram notícias sobre ele.

"Acha-se em progresso esta linda estancia hidro-mineral. Seu operoso profeito - dr. Fábio Vieira Marques tem feitos grandes esforços junto ao Governo de Minas para conseguir o desenvolvimento da hidrópolis, promovendo e executando necessários serviços, dentre os quis, quase a terminar, o calçamento e arborização da avenidas Camilo Soares, a construção do Mercado Municipal, (foto abaixo) prédio para isolamento, etc..."
Trabalhadores posando na construção do Mercado de Caxambu
E continua...

"Os caxambuenses se congratulam como esforçado jovem prefeito, pelos relevantes serviços prestados à sua terra. Que s.s. não se esqueça, também, de continuar com o encanamento do precioso líquido, que é a água potável, ate os bairros Vila Pacheco, Bairro do Trançador e Vila Enout, pois o povo espera e confia mui operoso dr. prefeito que, em breve resolvera esse grave problema para os humildes e modestos trabalhadores desses bairros".

Ah, então as reclamações por melhorias no Bairro não são novas...

Fonte:
 Jornal O Patriota, 7 de agosto de 1937.