domingo, 1 de janeiro de 2017

O Grupo Escolar Padre Correia de Almeida de Caxambu e sua história


Muitos anos depois gerações ainda recordavam com saudade do ensino recebido no Grupo Escolar Padre Correia de Almeida. Sim, sim, educação era coisa que valia ouro, e hoje ainda é a chave para o sucesso de um país. E tudo começa lá, na escola primária, onde as crianças aprendem a decifrar as letras do alfabeto,  juntam as sílabas, formam palavras. Ler... Um mundo. Um universo. Este lugar, este pequeno grande lugar de aprendizagem, o Grupo Escolar Padre Correia da Almeida tem lugar  na memória dos seus ex-alunos espalhados pelo Brasil afora e continua prestando valoroso serviço à cidade: a educação básica.

Tudo começou nos anos de 1920, quando a cidade floria como Estancia Hidromineral, suas ruas eram calçadas, o Parque das Àguas embelezado pelas mãos do paisagista Chico Casteiro e seu jardineiro Ramiro Rodrigues Freitas, preparando a cidade para ser uma das mais charmosas e frequentadas estancias hidrominerais do Brasil.

A construção desta instituição de ensino iniciou, em setembro de 1926, exatamente no ano em que tomou posse o governador de Minas Gerais, Antonio Carlos Ribeiro de Andrade, sendo seu secretario de educação Francisco da Silva Campos. Nascido em Barbacena, e talvez por isso,  resolveu homenagear o seu compatriota,  José Joaquim Correia de Almeida, conhecido como Padre Correia de Almeida,  dando o seu nome à escola que teve sua construção concluída ainda no seu governo.

E agora vocês perguntariam quem foi José Joaquim Correia de Almeida? José Joaquim Correia de Almeida (1820-1905), foto ao alto, nasceu e viveu, em Barbacena e lá exerceu o sacerdócio, magistério e também suas críticas, como escritor satírico. Foi considerado o mais importante cultor da poesia satírica, em Minas Gerais e muito popular no Brasil do século XIX. No conceito literário, sátira é uma composição política jocosa ou indignada contras as instituições, os costumes, as idéias da época.

Em 1848, a conselho médico, estiveram em Caxambu, o padre Joaquim Camillo de Britto, vigário de Barbacena, que viria a ser "um preconizador  d`aquelas águas" e que tinha uma dispepsia antiga. Ele veio em companha do seu amigo padre Correia de Almeida. Na época o parque não era parque, era uma mata fechada, cujo pântano escondia as fontes que hoje conhecemos. Eles tiveram que fazer uma picada na mata e abrir caminho para seus passeios. A cura do seu amigo Camillo de Britto se espalhou e muitas outras figuras "de vulto", como barões e políticos passaram a frequentar o local. Foi um grande divulgador das propriedade das Águas de Caxambu. E da sua visita a sátira:

Por me faltar saúde
Vou ausentar-me daqui: 
Quero gozar a virtude
Das águas de Bapendy;
E hei de fazer um lundú
Às águas de Caxambu

Bem, bem, voltemos às obras. Elas foram concluídas, em abril de 1928, estando na vice presidência   do país Fernando Mello Viana e seu secretário do interior, o banqueiro, advogado e político Dr. Sandoval Soares Azevedo. Sua instalação, ou melhor sua inauguração oficial se deu, em 13 de outubro de 1929 (foto ao alto). Portando as obras tiveram uma duração de um ano e 7 meses. Um recorde  para a época, considerando sua arquitetura e seus painéis de azulejos em suas fachadas laterais.

À nossas mestras com carinho

Sua primeira diretora foi Maria de Lourdes Costa Guedes, neta do comerciante e benfeitor da cidade, José Maria Costa Guedes e suas primeiras professoras: Árgia Castilho Moreira, Georgina Meireles, Adelina Guedes Carvalho, Maria Antonieta Menezes, Guiomar Pannoia Accioly e Julia Magalhães Viotti, esposa de Francisco Viotti, médico da cidade, que depois se tornaria sua segunda diretora.

E aqui, como estamos contando a história da Família Ayres, que tiveram muitos de seus filhos como alunos do Grupo, teremos que meter a Célia Lima Ayres no meio (foto).  Célia formou-se Normalista na Escola Normal Santa Terezinha e trabalhou na instituição, por quase 9 anos. Ela que foi protagonista da disputa da Rainha da Primavera-1946 para arrecadar fundos para a Caixa Escolar e conta as suas memórias. Segundo ela a diretora era muito exigente com as professoras. No tempo que ela lecionou na instituição, trabalhou com a competentíssima Regina Andrade, designada de Belo Horizonte para o cargo de diretora. Célia também citou a convivência com outras grandes educadoras como Nadir Siqueira, Ruth Nogueira, Luiza Machado, bem como as irmãs Meneses, Antonieta e Maria. Um time de primeira com uma tarefa gigante: serem educadoras num país onde a educação era artigo de luxo. 


Descalço também se aprende  

O trabalho das dedicadas professoras consistia não somente ensinar, mas educar  no mais amplo sentido da palavra. Lá se formariam os futuros cidadãs e cidadãos para a vida. Caxambu tinha, em 1939 10.537 habitantes, sendo 4.237 abaixo de 15 anos. Então os poucos que estudavam já poderiam ser considerados privilegiados.

 O Grupo como toda a instituição de ensino da época, era respeitado como um templo, sendo exemplo de limpeza e organização. As professores gozavam de um grande respeito e autoridade, não somente dentro da escola como fora. As classes possuíam de 25 a 30 alunos de todas as cores, e níveis sociais. Muitas crianças chegavam à escola descalças, mas mesmo assim não eram destratadas por não usarem sapatos. Realidade. E Celia  repetia o ditado chinês: Descalço também se aprende, para motivar os pequenos.

Guedes e os Viottis

E aqui não podemos deixar de falar nos benfeitores desta cidade, os Guedes e os Viottis. Por onde li e pesquisei, registrei várias iniciativas dessas duas famílias em prol da cidade, na paróquia, na escola, ou divulgando a cidade como estância  hidromineral.Em 1937 é constituída Caixa Escolar "Dr Policarpio Viotti", que angariava fundos para as atividades escolares, como merenda, material escolar para os alunos mais necessitados. Com o dinheiro arrecadado foi possível  ter o dentista José Felisale Filho, (vide anuncio) "atender a criançada pobre, socorrida pela Caixa escolar".  E como a Caixa sozinha não dava conta de cobrir todas as necessidades da escola, havia as tais quermesses, para arrecadação de dinheiro. Os turistas mais aquinhoados que frequentavam a cidade também contribuíam para a tal Caixa Escolar.  Celia repetia, faltava muita coisa na escola, o que não faltava eram professoras dedicadas. Sim, sim acreditamos em suas palavras.

À mestra sem carinho*
Regina Andrade 

O título não é por acaso, da canção do filme "Ao Mestre com Carinho", de 1966, em homenagem ao professor, estrelado pelo ator negro Sidney Poitier. No caso, Regina Andrade, a diretora,  que não era casada e não tinha familiares na cidade, adoeceu e foi substituída, vindo a falecer. O que contou-se na cidade foi o pequeno número de presentes no seu enterro, inclusive de seus ex-alunos, lembra Celia Lima Ayres com tristeza. Naqueles tempos "enterro concorrido" significava que a pessoa era bem quista. Mas que fazer? E para enterrar definitivamente o nome da dedicada professora, e apagar da memória da cidade e a escola que levava o seu nome e inaugurada pessoalmente pelo ator e cantor Ivon Curi, filho da cidade, tem hoje outro nome e outra finalidade.  E lá se vão nossas memórias...

Pau que nasce torto...


Com todos os esforços de passar valores morais e uma boa educação às crianças, as educadoras nem sempre tiveram sucesso. O jovem J.B. dos S., sabe lá que passado teve, resolveu arrombar a Caixa Escolar do Grupo, logo a caixa que ajudava os alunos mais necessitados. E o Jornal O Patriota, de 1945, fez o julgamento e  assim titulou: Pau que nasce torto.

Mas este não seria o último acontecimento deste género que passaria o Grupo. Na década de 60, quando Almerinda era diretora da escola, um ato de vandalismo aconteceu. A cantina, que funcionada no porão, foi depredada, deixando a pequena  aluna Janice Dumont impressionada. Ela que tinha a mãe Dona Dolores como professora, era orgulhosa de ser aluna do Grupo, não pode conter a indignação de ver a cena. Até hoje.

A fachada e as musas gregas
Quem sabe o nome da quarta?



Os alunos de ontem e hoje são escoltados por 4 musas gregas, filhas de Zeus com Mnamosine, queimados em ladrilhos portugueses, fazendo de suas fachadas laterais uma verdadeira obra de arte. O prédio impõe. Euterpe, Erato, Clio. Elas estão postadas uma em cada das quatro laterais do prédio. Euterte a musa da música. Erato, a musa da poesia romântica e Clio, musa da história e da criatividade. Falta uma! Pois exatamente esta, nos falta o nome. A nossa corresponde Graça Pereira da Silveira, enviou as fotos, mas pela pouca luminosidade do local, não consegui decifrar o nome da última. Se alguém aí em Caxambu souber, pode nos mandar, ou uma foto com o nome legível, que vai entrar para o posto do Blog!

* lundú: Dança de origem africana
Fotos: 
CDM- Centro de Documentacao e Memória da Camara de Caxambu.
Caxambu, fotos antigas, facebook
Solange Ayres, arquivo privado
Graça  Pereira Silveira
Fonte:
Maria Marta Araujo - Com quantos tolos se faz uma republica?
Padre Correia de Almeida e sua sátira ao Brasil oitocentista.
Ferreira, Antonio Mauricio, Revista Fontes da Vida, n° 1. Caxambu. 1957, Pag.02.
Monat, Henrique, Caxambu, 1894
Especiais agradecimentos:
À Janice Drumond, colabora deste blog.
CDM-Centro de Documentação e Memória da Camara de Caxambu, na pessoa de Lilian Auguto, por ter disponibilizado a foto e informações para o nosso Blog.


domingo, 25 de dezembro de 2016

Bella`s Ayres



Desde  2 de agosto de 2013, o nome do Ayres estampa na placa do  Salão de Beleza, do bairro Santo Elias Mesquita, Rio de Janeiro.  A descendente de 5° geração de  José Fernandes Ayres com Maria Ribeiro Souza Lima, Janaina Ayres, abriu o seu próprio negócio e leva o sobrenome para  além das Minas Gerais. Mas o embrião estava lá na cidade de Pouso Alto...

A moça tem pedigree


Os avós de 5° grau
O blog da Família Ayres vem aqui resgatar o sobrenome dos Ayres na sua história. Bem, comecemos com os seus...  Bem os avós de 5° grau de Janaina, João José de Lima e Silva e Joana Thereza Ribeiro de Lima. Eles foram registrados no Sensu da cidade de Pouso Alto, no ano de 1839. Este é o mais antigo registro da Família Ayres, cedido gentilmente pelo Arquivo Publico Mineiro. Eles ja tinham 3 filhos, Virgolina Balbina de Lima, José de Lima e Joana Tereza Ribeiro. A sua avo de 4° grau, Maria Ribeiro de Lima, que se casaria com José Fernandes Ayres, o Trançador -pai, originando aí o ramo da Família  Ayres,  ainda não havia nascido até esta data.
Joao José de Lima e Silva, seu tatataravô foi um senhor de escravos. Por volta dos anos de 1850  se mudou para a região do Chapeu, hoje bairro da cidade de Baependi e la criou sua família.

Seus avós de 4° grau
José Fernandes Ayres e Maria Ribeiro de Lima.
Seu avo de 4° grau escreveu outra história. Ele foi tropeiro e possuidor de terras na cidade de Caxambu, que segundo contava-se na família ia deste onde é o bairro Trancador, que leva o seu nome até as divisas com a cidade vizinha Conceição do Rio Verde, terras porém perdidas em disputas jurídicas com a família Carneiro.

Seus avós de 3° grau
José Ayres de Lima o Trancador-filho foi agricultor e tropeiro, casado com Gervásia Maria da Conceição. Aqui um Ayres encontrou a ramificação dos "Da Conceição", isto é, ele casou-se com Gervásia Maria da Conceição, que fora filha Sabina Maria da Conceição e  que foi filha de Justiniana Maria de Conceição,  ambas escravas. A partir desse ramo que tem grande representação  na cidade e estado do Rio de Janeiro,  e que leva o nome para as novas gerações. 
Os filhos e filhas:
José Ayres, Silvio Ayres, Josino Ayres, Luiz Ayres,Mercedes Ayres/Soller, Maria Ayres/Rodrigues, Silvia Ayres/Diório, Palmira Ayres, Celia Ayres/Lima Araujo

Seus bisavós 
Seus bisavós moraram em Caxambu. José Ayres (foto)  casou-se de primeira núpcias com Alzira dos Santos Ayres. Ele exerceu a profissão de eletricista, na cidade de Caxambu até se aposentar. Casou-se de segundas núpcias com Arminda Maria Ayres.

José Ayres e Alzira dos Santos Ayres
Seus filhos e filhas:
Geralda dos Santos Ayres, Jane dos Santos Ayres, Eni dos Santos Ayres, Lindenberg dos Santos Ayres.



Seus avós 
Geralda dos Santos Ayres
Seus filhos e filhas
Jorge Ayres 

Seus Pais
Jorge Ayres e Terezinha Goncalves Ayres
Seus filhos e filhas: Jorge dos Santos Ayres, Janaina Ayres, Alexandre Ayres, Adriana Gonçalves Ayres, Anderson dos Santos Ayres Junior.




Mas muitas pequenas, grandes lutas foram sendo travadas antes de Janaína poder abrir o seu próprio salão. Ela trabalhava em eventos e cerimoniais,  quando aconteceu o divorcio, ha 6 anos atras.  Se vendo sozinha para criar os seus 3 filhos, Mariana Ayres Lima, Matheus Ayres Lima e Fernando Ayres Lima, resolveu ampliar suas rendas organizando um salão  de beleza.

O pai como força e inspiração 


Ela começou a administrando um salão de uma amiga e decidiu fazer um curso de cabeleireiro. O conhecimento acumulado serviu de base e experiência para o próximo passo. Assim confessa: "Impulsionada pela coragem e garra que recebi de meu pai, Jorge Ayres, criei o Ayres Bella`s. Criei este nome porque acredito na força  dele. Somos um Salão de bairro. Os serviços prestados são de corte, escovas, mechas, tratamento, alisamento, serviço de estética, manicure e pedicure, além de design de sobrancelha". Ah,  serviço completo de beleza. Bem visto aí na foto. Entra lá no salão  Gata Borralheira, sai Princesa!

Com o impulso de sempre estar se aperfeiçoando e poder dar aos seus clientes um serviço cada vez melhor, cursa atualmente no Instituto L`Oreal profissional, na cidade do Rio de Janeiro. O lema é: "Para melhor se colocar no mercado de trabalho e oferecer bons serviços". No futuro presente ampliar os serviços para outros pontos da cidade. O tempo não pára. Força Janaína!
Passem lá virtualmente! Rua Veronica, 45 Santo Elias, Mesquita, Rio de Janeiro 

Foto:
Mariana Ayres

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

veraneio caxambu 1952


Assim era uma das mais charmosas Estancias Hidrominerais, Caxambu, no ano de 1952.
Lutem para preservar o que restou.


sábado, 17 de dezembro de 2016

A nossa árvore de Natal, a árvore da vida



Esta é a nossa árvore de Natal, confeccionada por Anna Carolina Pereira Pinto, filha de Rosana Pinto Pereira. Para localizar vocês, a Anna Carolina pertence ao ramo dos Rodrigues Freitas, que não tem Ayres, pois a tia vó Maria José Ayres de Lima adotou o sobrenome do marido, Ramiro Rodrigues Freitas. Os descentendes hoje tem outros sobrenomes, mas são TODOS descendentes de José Fernandes Ayres, o Trançador-pai, casado com Maria Ribeiro de Souza Lima, que originou a Família Ayres.


Inspirada em nosso trabalho de recuperação da memória e historia de nossos antepassados, Anna Carolina fez uma colagem na parede de sua casa. Assim a história da família vai sendo passada para frente. Que muitas outras árvores venham crescer e florir. Ah, para lembrar ela traz o colar da trisavô Mariquinha, aquele colar que ela deixou de herança para as meninas. Depois falaremos desta preciosa herança. Aguardem! 
A todos familiares um feliz Natal, que a paz esteja no coração de todos e todas.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Izabel, a primeira escrava liberta na povoação de Caxambu


Sensacional! A primeira "alforria", ocorrida em Caxambu é datada do ano de 1871.  Estamos aqui mais uma vez contando  um pouco a história da cidade. A certidão foi descoberta pelo Blog da Família Ayres, que agora publicamos com exclusividade e a transcrevemos no texto abaixo.

O ato aconteceu na "Fazenda Caxambu", uma das duas que existiam na povoação; a outra era a Fazenda do Palmital. Bom lembrar que Caxambu não existia como Caxambu e sim como Freguesia Nossa Senhora dos Remédios. A Fazenda levou o nome da característica geográfica que marcou o lugar desde as primeiras visitas dos Bandeirantes, que procuravam ouro na região: o Morro de Caxambu. O morro foi marco de disputas territoriais acirradas por mais de 200 anos, entre Minas e São Paulo.

Para esse histórico evento haveria de ter sido realizado  dentro de um templo, mas Izabel  teria  que esperar, pois na época a Capela de Nossa Senhora do Remédios ainda estava sendo construída. Os batismos e casamentos eram registrados na paroquia da vizinha, Baependi. E na falta de um lugar para realizar as cerimonias, oratórios eram eregidos nas casas e fazendas,  como provavelmente aconteceu aqui. Os registros escritos eram feitos pelos párocos, assentados em livros e guardados nas Igrejas, e só vieram a ser feitos em cartórios, após a instalação da República, ou seja, em 1889. O Reverendo Marcos  Pereira Gomes Nogueira fez o batismo e o registro, consumando o ato da libertação da pequena Izabel, com duas testemunhas: Joaquim Roque de Souza e Pedro Simphronio Rodrigues de Castro,  moradores da povoação. Então...

Aos quatro dias do mês de julho de mil oitocentos e setenta e um anos nesta Fazenda do Caxambu, batizei e puz os santos olhos a Isabel, inocente, filha natural de Maria  escrava de Dona Maria Candida de Castro, nascida ha um mês mais ou menos: foram padrinhos: Pedro Simphronio Rodrigues de Castro, e a mesma Sra. Dona Maria Candida de Castro. E logo no mesmo acto compareceu perante mim a mesma Sra Dona Maria Candida de Castro, solteira, moradora e parochiana desta Freguesia, que ser ser a própria e por ella na presença dos testemunhas Joaquim Roque de Souza, e Pedro Simphronio Rodrigues, moradores e paroquianos desta mesma Freguesia, me foi dito, que sendo senhora e possuidora da supramencionada Izabel, muito de sua livre vontade e sem constrangimento de pessoa alguma a libertava na parte que tinha, para que hoje em diante gozasse de usa liberdade, como se nascida houvesse de ventre livre: do que tudo para constar faço este assento, que depois de lido e conferido perante a referia Sra Dona Maria Candida de Castro, e das testemunhas comigo e assinarão: 

Reverendo Marcos Pereira Gomes Nogueira
Malvina Candida de Castro
Pedro Simphronio Rodrigues de Castro
Joaquim Roque de Souza

Liberdade Liberdade

José Maria da Silva Paranhos,
Visconde do Rio Branco
Concedeu Maria Candida de Castro  alforria a Izabel por convicção?  Acreditamos que não, pois senão ela teria "libertado" também sua mãe, que era escrava. Alforria que no árabe significa "liberdade", era o ato pelo qual um proprietário libertava os seus próprios  escravos. Possivelmente ela seguiu os debates acalorados entre o Partido Conservador e o Parlamento, que em suas discussões tentavam tomar medidas para extinguir o trabalho escravo. A lei do Ventre Livre, também conhecida como Lei do Rio Branco, foi junto com a Lei dos Sexagenários, de 1887,  feita para atender uma "lenta e gradual" passagem da mão de obra escrava, para a mão de obra livre, atendendo as pressões dos agricultores. O projeto foi aprovado na Camara dos Deputados com 65 votos a favor e 45 contrários. Quem foi contra? Claro, os cafeicultores de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O passo foi ainda muito tímido para colocar o fim na escravidão.

Maria Candida assinou o ato de libertação de Izabel, em 4 de julho, dois meses antes da aprovação final da Lei do Ventre Livre, em 28 de setembro de 1871, no Artigo 1: "Os filhos de mulher escrava que nascessem no Império desde a data desta lei serão considerados na condição de livres".

Izabel teve sorte, assim como vó Gervásia Maria da Conceição, que nasceu em 1881, dez anos após a proclamação da lei.  A minha bisavó Sabina Maria da Conceição (1865-?) porém teve que esperar pela Lei Áurea, assinada pela Princesa Izabel, em 13 de maio de 1888, que poz definitivamente o fim na escravidão.


Justinianna Maria de Jesus (1843-1913), minha trisavó, a Nana também precisou esperar pela lei Áurea. Ela se casou com Pedro Maria, em 20 de outubro de 1888, na condição de... "Libertos", escrito na certidão de seu casamento, uma jóia! Vejam abaixo.


Mas Izabel, você  ainda não é livre, ainda ... 

Mas... Segundo a lei do Ventre Livre, Izabel ainda seria mantida até 8 anos sob os "cuidados" dos seus ex-donos e até 18 anos para pagar "a educação que recebeu". Esta foi a forma encontrada para satisfazer os críticos da escravidão, sem prejudicar as lavouras e os interesses dos cativos. Izabel, homônima da princesa, teria que esperar.... Assim escrito:

LEI Nº 2040 de 28.09.1871 - LEI DO VENTRE LIVRE

Art. 1.º - Os filhos de mulher escrava que nascerem no Império desde a data desta lei serão considerados de condição livre.

§ 1.º - Os ditos filhos menores ficarão em poder o sob a autoridade dos senhores de suas mães, os quais terão a obrigação de criá-los e tratá-los até a idade de oito anos completos. Chegando o filho da escrava a esta idade, o senhor da mãe terá opção, ou de receber do Estado a indenização de 600$000, ou de utilizar-se dos serviços do menor até a idade de 21 anos completos. No primeiro caso, o Govêrno receberá o menor e lhe dará destino, em conformidade da presente lei.

Ah, as leis...

Fonte:
Arquivo Familia Search, Assentamentos paroquiais de Baependi.
Foto: Wikipédia: Alberto Henschel (1827-1882) - Ermakoff, George. Rio de Janeiro - 1840-1900 - Uma crônica fotográfica. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2006

domingo, 4 de dezembro de 2016

Celia Ayres de Lima, a candidata a Rainha da Primavera de Caxambu de 1945



Celia Ayres de Lima, nascia no ano que acontecia a Semana de Arte Moderna. O Brasil vivia turbulências políticas, sociais, econômicas e culturais. Na política, o país   era controlado pelas oligarquias cafeeiras e do outro lado da corda o capitalismo puxava o Brasil em direção à industrialização. Mesmo que os abalos sísmicos ainda não chegassem tão fortes à conservadora Caxambu, a cidade vivia as efervescencias da modernidade. No governo de Camilo Soares, em 1912, foram iniciadas reformas paisagísticas no centro da cidade, transformando a Hidrópolis em uma verdadeira jóia.  O Parque das Águas, com as obras do artista Chico Cascateiro  e os trabalhos de jardinagem de Ramiro Rodrigues Freitas tornavam a cidade ainda mais aprazível para seus habitantes e visitantes. De fato Caxambu esbanjava charme e elegância, uma Estancia Hidromineral em  plena ascensão, impulsionada em parte pela onda de turistas que frequentava a cidade, nas estações de veraneio.

Célia viveu parte de sua juventude na Caxambu dos anos 40, quando a sociedade ainda era extremamente conservadora e cheia de tabus. A rigorosa educação dada pelos pais não facilitava a vida dos filhos e filhas, nem da jovem Célia.

Célia Ayres de Lima, filha de José Ayres de Lima e Trançador -filho e Gervásia Maria da Conceição e  neta de José Fernandes Ayres, o Trançador-pai, aquele que emprestou o seu apelido ao Bairro Trançador da  cidade. Ela foi batizada, na Igreja Matriz Nossa Senhora dos Remédios, pelos padrinhos Argentino Ferreira Murta e  Maria da Conceição Machado, abençoada pelo Monsenhor José João de Deus. Ah,  o padrinho Argentino, ironias do destino, era neto de José Ferreira Simões, antigo proprietário de sua avó Sabina e de sua bisavó Justinianna, a Nana.

Seus avós e bisavós


Célia foi neta pelo lado paterno de Maria Ribeiro de Souza Lima (1841-1903) e  José Fernandes Ayres, o Trançador-Pai (1835-1897). Continuando na linha paterna, (isto é, os pais de Maria Ribeiro), seus bisavós João José de Lima e Silva (1798-1875), um senhor de escravo e Joana Thereza Ribeiro de Lima (1807-1860) que  foram cadastrados no Sensu da cidade de Pouso alto (foto), em 1839. Este é o mais antigo registro da Família Ayres e João José de Lima e Silva, o nosso mais antigo ancestral até agora encontradoque foi disponibizado gentilmente para o nosso Blog, pelo Arquivo Público Mineiro. Ele na época do registro contava com 41 anos, a esposa com 32 e seus 3 filhos (os tios avós de Célia): Virgolina Balbina de Lima, com 6 anos de idade, José Ignacio de Lima e Silva (1835-?), e Thereza Ribeiro de Lima (1837-?), que casaria com José Florencio Bernardes, "o homem dos raios". Sua avó, Maria Ribeiro de Souza Lima (1841-?), que se casaria com o José Fernandes Ayres, o Traçador-pai, ainda não havia nascido até esta data. A família se mudou para o Chapeo entre o anos de 1840 e 1850, hoje bairro de Baependi e la continuou a criar os seus filhos e netos.

Pelo lado materno, a coisa fica interessante. Ela foi neta de Sabina Maria da Conceição, escrava de Joao Ferreira Simões, e bisneta de Justiniana Maria da Conceição, também escrava. O curioso é que Justinianna, em algum tempo, entre os anos de 1860, foi propriedade de... João José de Lima e Silva, o bisavô de Célia pelo lado paterno. Isto comprova que as famílias eram vizinhas la no Chapeo e se encontravam, principalmente na Capela de Santo Antonio do Piracicaba, onde muitos de nossos antepassados celebraram seus casamentos, batizados e no cemitério ao lado enterraram pelos seus ente queridos. O João José de Lima e Silva, o bisavô de Celia foi enterrado lá, no ano de 1875.

Da periferia para o centro das atenções

Imaginemos a jovem Célia de pasta na mão indo para a Escola Normal Santa Terezinha,   passando em frente a bucólica pracinha arborizada, (foto). Sendo ela a caçula de 10 filhos de vó Gervásia, era cuidada pela irmã mais velha, a Mercedes que tinha o "comando" da casa,  e por sua decisão colocou-a no colégio. "Batia, a fantasiava para o carnaval e no natal, colocava os presentes para ela no fogão a lenha, pois o Papel Noel descia pela   chaminé", contou.

Escola naquela época ainda era para poucos. Foi uma das únicas filhas de vó Gervásia que chegou a frequentar uma escola, fato inédito para a Família  Ayres. Um verdadeiro privilégio! Assim a bela Célia se formou em Normalista e chegou a lecionar por 9 anos, no Grupo Escolar Padre Correia de Almeida. Mas... O que sobressaia nela era sua  beleza.  Para o bem e para o mal, refutou. A sociedade caxambuense não suportava que ela fosse bonita e "além de tudo" inteligente. Mas havia outro porém. Naquela época as "mais-mais" da cidade moravam "no centro" e ela na periferia.

Tanto ontem como hoje é levado a associar o lugar de moradia, ao status social das pessoas. Pois Célia rompeu todas as barreiras, mesmo "sendo da periferia". Namorava os rapazes mais bonitos, não os da cidade, e sim "os de fora", era uma moça culta, eleita a Madrinha do Tiro de Guerra e ainda subia nos palanques, para discursar nas festas comemorativas da cidade,  7 e 16 de setembro. Ufa! A moça era o diabo! Mas repetindo, pagou o preço pela sua fama e aparência. "Todos os dons que Deus lhe havia dado eram estavam mal empregados", no julgamento da sociedade caxambuense, simplesmente por ser de família pobre, dizia ela. As moças da família Mello estavam no lugar certo, ela  porém morava no lugar errado.

Mas como?

No ano de 1945, Celia se candidatou a  Rainha da primavera da cidade, promovido pelo Grupo Escolar padre Correia de Almeida para  arrecadar fundos para a cantina da escola. Quem vendesse mais bilhetes seria a vencedora. Os soldados, os quais a chamavam de "madrinha", entraram na campanha, vendendo bilhetinhos, arrecadando dinheiro para a festa. Chegou o grande dia. O baile para escolher a representante da cidade foi realizado, no salão do Grupo Escolar Padre Correia de Almeida. Uma das concorrentes era Nadir Mello, (foto) nada mais nada amenos que filha de Domingos Gonçalves Mello e  Henriqueta Mello, proprietários do Hotel Gloria e namorada de Jorge Curi, locutor da Radio Caxambu. Uma candidata "de peso", se comparada a gata borralheira Célia. Claro que ela perdeu para a Nadir, ficando em 2° lugar,  mas o que deu a falar no tal baile foi o vestido de organza azul que Célia trajava e a indignação de muitos, que ainda não tinham compreendido que o concurso não era de beleza e sim de quem mais vendeu votos. Mas como? A Célia é muito mais bonita! Bem, quase 70 anos após os acontecimentos, caros leitores, façam vocês mesmo o julgamento da boniteza das moças. Eu diria difícil, muito difícil...


Nadir Mello, 1958
Correção depois do texto publicado:

Aqui uma correção, o concurso não era de beleza e sim de quem vendia o maior número de bilhetinhos. Nadir conseguiu vender mais que Celia, por isso ganhou o concurso. A indignação foi de alguns que acharam que era concurso de beleza.

Agradecimentos:
Não podia ficar mais agradecida por recuperar esta história da Família Ayres a Julio Jeha que nos enviou a foto de sua também bela tia, Nadir Melo/Curi. Viu Julio, esta tudo ligado.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Anna Julia, a que recebeu o colar de vó Mariquinha




Anna Julia, filha de Anna Paula Pinto Pereira e Alexandre Datola,  nascida em 20 de novembro do ano de 2016, na cidade de Recife, no Estado de Pernambuco e... O primeiro Selfie que o Blog da Família Ayres/ Rodrigues/ Freitas/ Pereira publica, minha gente! Pois a criança acabou de sair do... "forno", digo, da barriga da mãe e já esta aqui fazendo sucesso. De Anna Julia ainda não temos história pessoal para contar, até porque tem somente algumas horas de vida, mas ela tem passado, digo, antepassados que tiveram um passado para contar. Assim as histórias de la e de cá vão sendo contadas. 


Avós de 6° Grau João  e Joana 

Vamos começar pela... Pelo seu... Bem, vamos lá para Pouso Alto, quando o seus... Tataravós, digo, os seus avós de 6° geração, João José de Lima e Silva (1798-1875), foram cadastrados no Sensu da província de Minas Gerais, de 1829, juntamente com a sua avó de 6° geração, Joana Thereza Ribeiro de Lima. Eles já tinham 3 filhos, Virgolina, de 6 anos, que assinava Balbina de Lima, José, de 4, que  assinava Lima e Silva e Tereza, 2 anos, que assinava Ribeiro de Lima.  Faltou aqui Maria Ribeiro de Souza Lima, sua tataravó de 6° grau, que até esta data ainda não havia nascido. Na época a família também possuía 3 escravos: Vicente, de 28 anos, Benedicto, de 26 anos, Saturnina, de 38 anos e o pequeno José, de 10 anos. Por volta do ano de 1850 a família se  mudou para o Bairro do Chapeo, pertencente à Baependi. O seu avo de 7° geração, é o mais antigo ancestral da Família até hoje pesquisado. O documento acima foi cedido gentilmente pelo Arquivo Público Mineiro. É verdadeiro! Pois é, o avo de 8° geração de Anna Julia foi também um senhor de escravos. Quando se mudou para o Chapeo ele adquiriu mais escravos.

Aqui os filhos de João José de Lima e Silva com Joana Thereza Ribeiro de Lima, tios avós de 6° geração de Anna Julia:

Virgolina Balbina de Lima (1833-?)
José  Ignacio de Lima (1835-?)
Tereza Ribeiro de Lima ( 1837-?)
Maria Ribeiro de Lima (1841-1903), casada com José Fernandes Ayres-Trançador-pai
Rufino de Lima (1853-?)
Ignacio Ribeiro de Lima (?-?)
Joao José de Lima e Silva (?-?)
José de Lima (?-?) Exposto
Francisco Theodor de Lima (?-?)
Maria Antonia de Lima (1871-1903)

Os avós de 5° grau Maria e José Trançador-pai

Ha grande probabilidade que sua tataravó de 5° geração Maria Ribeiro de Souza Lima  tenha nascido no Chapeu. Ela por volta do ano de 1865 com José Fernandes Ayres, o Trançador-pai (1835-1897), que emprestou o seu apelido ao Bairro de Caxambu: Trançador. Atraídos pela nova povoação, "Caxambu" que naquela época se chamava Águas Virtuosas",  José adquiriu terras e foi trabalhar como artesão e ao mesmo tempo exercendo a profissão de Tropeiro, levando e trazendo mercadorias por Minas Gerais afora. O certo é que eles possuíam terras que iam até a divisa com a Comarca de Conceição  do Rio Verde, terras estas perdidas em disputas judiciais com a família dos Carneiros, segundo foi contado na família. La no alto do morro, que hoje leva o nome de Trançador, eles criaram os seus filhos, seus netos. Alguns deles ainda moram lá.

Foram os seguintes os filhos de Maria Ribeiro de Souza Lima com José Fernandes Ayres, tios avós de 5°grau de Anna Julia

Emiliana de Lima (1861-1910)
Manoel Fernandes de Lima (1866-1908)
Sebastiana de Lima (1869-1911)
Josephina Ayres de Lima (1869-?)
José Ayres de Lima- Trançador Filho (1873-1941)
Maria da Conceição Ayres (1876-?)
Cecílio José de Souza (1876-1914)
Maria Ayres da Silva (1879-?)
Maria José Ayres de Lima, Mariquinha (1881-1946), casada com Ramiro Rodrigues Freitas
Roza Ayres (1882-1895)
Anna Ayres de Lima, Lica (1883-1846)
Izabel Ayres de Lima (1885-?)

Os Tataravós  Mariquinha e Ramiro 


E lá morou sua tataravó,  de 4°geração a matriarca Maria José Ayres de Lima , que se casou com o português Ramiro Rodrigues de Freitas. Eles foram morar na Rua Quintino Bocaiúva, onde o Ramiro tinha comprado um pedaço de terreno onde construiu sua casa. Na época era comum as mulheres adotarem os sobrenomes dos seus respectivos maridos, então Maria José perdeu o "Ayres" e adquiriu o "Rodrigues de Freitas", originando aqui o Ramo dos Rodrigues Freitas. Maria José era conhecida como Mariquinha e era parteira da cidade de Caxambu. Seu marido, Ramiro ajudou a embelezar a cidade de Caxambu, nos anos de 1920, como jardineiro do Parque das Águas.

Aqui os filhos de Maria José Ayres de Lima, a Mariquinha, com Ramiro Rodrigues Freitas, os tios avós de 4° geração de Anna Julia.

Maria Luiza Rodrigues Freitas (?-?)
Etelvina Rodrigues Freitas (1898-?)
Izabel Rodrigues Freitas (1901-1903)
Maria Izabel Rodrigues Freitas (1908-?)
Geralda RodriguesFreitas (1908-?), casada com José Eugenio de Freitas
Joaquim Rodrigues Freitas (1911-1913)
Laura Rodrigues Freitas (1913-1915)
José Rodrigues Freitas ( 1916-1921)
Romeu Rodrigues Freitas (1918-?)
Edwirges Rodrigues Freitas (1918-?)
Angelo Rodrigues Freitas (1920-?)
Haroldo Rodrigues de Freitas (1922-1923)

Os Trisavós Geralda e José Eugenio

Bem, já estamos nos tempos "quase modernos" e assim nasceu a bela Geralda Rodrigues de Freitas que se casou com José Eugenio Pereira, originando aqui uma ramificação: Os Rodrigues Pereira. Eles foram os avós de 3° geração de Anna Julia.

Foram os seguinte os filhos e tios de 3° geração de Anna:

Anita Rodrigues Pereira (?-)
Sebastião Rodrigues Pereira (1936-)
Eugenio Pereira (1940-)
Graça Pereira Silveira (1948-)
Tereza Rodrigues Pereira (?)
Ruth Rodrigues Pereira (?)
Adirce Rodrigues Pereira (?)
Geralda Rodrigues Pereira, Dasa (?)
Dalva Rodrigues Pereira (?)



Os bisas Anita  e Augusto (Lulu)


Sua bisavó, avó de 2° geração, Anita Rodrigues Pereira (foto-1) se casou com Augusto Pereira Pinto e... Nasceu a avó Rosana Pinto Pereira.

A avó

Sua avó de primeira geração, Rosana Pinto Pereira (foto-2)teve quatro descendentes:

Francis Pereira Pinto (?)
Anna Paula  Pereira Pinto
Anna Carolina Pereira Pinto
Felipe Pereira Pinto

A mãe

Ana Paula Pereira Pinto/ Datola e o pai Alexandre Datola.

A filha

Anna Julia Pereira Datola que recebeu  O Colar de Vó Mariquinha.

Pois ninguém sabia que vó Mariquinha tinha deixado uma herança, heim? Pois leiam no próximo texto do nosso Blog sobre a rica herança, um colar que vó Mariquinha deixou para as meninas, mas só para elas. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Às Margens do Bengo


Quem ja ouviu o hino à cidade? 
Às margens do Bengo, cantado por Murilo de Alencar e Musica de Mauricio Ferreira
Um primor!




quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Com quem você se parece? Os resultados das combinações genéticas

Acreditem ou não TODOS deste painel são parentes entre si, primos de primeiro, segundo e terceiro graus. Todos SEM EXCEÇÃO  tem dois ancestrais em comum: 
José Fernandes Ayres, o Trançador-velho e
 Maria Ribeiro de Souza Lima.

E aquela orelha de abano foi herdada de quem mesmo? Às vezes nasce lá um loiro na família que ninguém esperava, e ainda de olhos azuis? Ou cabelo enrolou quando você era adolescente e é alisado a ferro e fogo? Aquele sorriso lembra a tia... O pé torto tinha o avô...  Ah, aquela linda menina parece mesmo com... A plástica resolve, corta aqui e estica acolá, mas no fundo no fundo não podemos cortar os genes que estão em cada célula do nosso corpo,  combinados e recombinados  por muitas gerações. Uns branquearam, outros escureceram e tudo virou essa família que continua crescendo. Confira a mistura que virou o nosso povo. Muitas cores, tudo muito.





1- O NETO Samuel Ayres de Lima, filho de José Ayres de Lima, o Traçador-filho e Gervasia Maria Conceição

2- O NETO José Joao de Deus, filho de de  Manoel Ayres de Lima (foto 5)

3- O NETO Romeu Rodrigues de Freitas, filho de Maria Ayres de Lima/Rodrigo de Freitas a Mariquinha e Ramiro Rodrigues de Freitas

4-  A BISNETA Maria de Lourdes de Deus Ayres, filha de Joao de Deus (foto 2) e Zilda Morais

5- O FILHO Manoel José Fernandes Ayres

6- A NETA Maria Ayres de Lima/Rodrigues, filha de José Ayres de Lima, o Trançador-filho e Gervásia Maria da Conceição.

7- O BISNETO Lindenberg dos Santos Ayres, filho de José Ayres e Alzira de Carvalho.

8- O BISNETO Rupércio Patricio, filho de Pedro Patricio e Maria Elisa Lima/Ayres (filha de Manoel Fernandes Ayres, foto 5)

domingo, 20 de novembro de 2016

Sylvio Ayres de Lima, o barbeiro


Sylvio Ayres de Lima, nascido em 6 de novembro e batizado em 8 de dezembro de 1908, filho de Gervásia Ayres de Lima e José Ayres de Lima, o Trançador-filho. Seus padrinhos de batismo foram o tio Josino Lopes (de Faria), meio irmão de Gervásia e Francisca Brochado. Aos 14 anos já trabalhava no Palace Hotel fazendo café. Ele era o... "cafeteiro" do hotel. 

A partir deste tempo, ninguém em casa de vó Gervásia fazia um café tão gostoso, lembra a irmã Célia, que era"mimada" pelo irmão, quando se hospedava na casa da mãe. Recebia café na cama. "Melhor do que esse, só no céu", afirmava.




Seus avós e bisavós


Sylvio foi neto pelo lado paterno de Maria Ribeiro de Souza Lima (1841-1903) e  José Fernandes Ayres, o Trançador-Pai (1835-1897), que emprestou ao Bairro de Caxambu o seu apelido. Continuando na linha paterna, (isto é, os pais de Maria Ribeiro), seus bisavós João José de Lima e Silva (1798-1875) e Joana Thereza Ribeiro de Lima (1807-1860) que  foram cadastrados no Sensu da cidade de Pouso alto (foto), em 1839. Este é o mais antigo registro da Família Ayres e João José de Lima e Silva, o nosso mais antigo ancestral até agora encontrado. Ele na época do registro contava com 41 anos, a esposa com 32 e seus 3 filhos (os tios avós de Sylvio): Virgolina Balbina de Lima, com 6 anos de idade, José Ignacio de Lima e Silva (1835-?), e Thereza Ribeiro de Lima (1837-?), que casaria com José Florencio Bernardes, "o homem dos raios". Sua avó, Maria Ribeiro de Souza Lima (1841-?), que se casaria com o José Fernandes Ayres, o Traçador-pai, ainda não havia nascido até esta data. A família se mudou para o Chapeo entre o anos de 1840 e 1850, hoje bairro de Baependi e la continuou a criar os seus filhos e netos.


Pelo lado materno, a coisa fica interessante. Ele foi neto de Sabina Maria da Conceição, escrava de Joao Ferreira Simões, e bisneto de Justiniana Maria da Conceição, também escrava. O curioso é que Justinianna, em algum tempo, entre os anos de 1860, foi propriedade de... Joao José de Lima e Silva, o bisavô de Sylvio pelo lado paterno. Isto comprova que as famílias eram vizinhas la no Chapeo e se encontravam, principalmente na Capela de Santo Antonio do Piracicaba, onde muitos de nossos antepassados celebraram seus casamentos, batizados e no cemitério ao lado enterraram pelos seus ente queridos. O João José de Lima e Silva, o bisavô de Sylvio foi enterrado lá, no ano de 1875.

Barba, cabelo, bigode e... injeção 

Silvio aprendeu a profissão de barbeiro também cedo. Cortou cabelo a vida inteira atendendo 3 gerações, nas barbearias da cidade de Caxambu, mesmo depois que se aposentou. Tinha um grande coração e espírito caritativo, contou a sua irmã Célia Ayres de Lima. Tirava até bêbado da rua.  Era daqueles que sabia aplicar injeções, além de cortar cabelo. Não tinha hora, nem lugar, nem  mesmo nas altas horas da madrugada. Um dia de intensa tempestade, ouviu bater em sua porta, ali na rua Quintino Bocaiúva. Era Terezinha, filha do pipoqueiro da cidade, o Seu Dodô. Ela veio pedir em "pelo amor de Deus" para que Silvio aplicasse uma infeção no seu pai, que sofria de um câncer.

O seu robby era caçar passarinho e ele gostava do avinhado, ou curió. Até hoje posso vê-lo  passeando  pelas ruas com a gaiola, como  hoje se passeia com cachorro na coleira. Ia até o bar do Serabion, um estabelecimento do lado da Casa Armenia, onde pendurada a gaiola na parede (tinha os pregos ja preparados para ele) e sentava para ouvir o "duelo" dos passarinhos, trazidos pelos outros vizinhos, seu Chiquinho e Pintinho.

O tio Sylvio era completamente da paz e ja  salvou sobrinho de enrascada. Um dia, Edson Rodrigues filho de Maria, alterado pelo teor do álcool no sangue, arrumou encrenca com um rapaz na cidade de Caxambu. No bate boca, todos foram parar na delegacia, inclusive o tio. O delegado alterado disse. "Moço, se acalme. Só não lhe prendo por consideração ao Seu Sylvio".

Ele era digamos, "eclético" no que diz respeito a suas crenças religiosas. Um dia recebi de suas mãos um livrinho com os Orixás, deuses africanos, da religião Umbanda. Mas na vida frequentava o Centro Espírita de Caxambu. Tinha uma amizade colorida com Pinduca, diziam que ela era "mulher da vida". Silvio zelou por ela na sua velhice, assim como cuidou de sua mãe, a vó Gervásia até os seus últimos dias de vida.

Excêntricas teorias sobre "as coisas que bóiam" e o caso da dentadura

Silvio Ayres em frente a casa, na Rua Quintino Bocaiúva
Silvio tinha umas "excêntricas teorias". Se o resultado  do que você deixou lá no toalete "boiasse", você estava saudável. Caso contrário, se a coisa "afundasse",  você teria algum problema de saúde. Bem... Depois de ouvir essa, quando criança não deixava de olhar para o fundo do vaso para conferir a "minha saúde".

Num dia de verão, o Silvio Diório, sobrinho, conhecido por Silvinho,  resolveu fazer um churrasco para comemorar o aniversário do primos Edson e Solon Soller num 25 de outubro. Bem, lá foi a parentada. No carro do Edson embarcou a família toda, Edilma Cunha, as crianças, Gervásia Williamson, Andrea Rodrigues e Valéria Rodrigues.  E claro, o tio Silvio, na frente. Todos rumo à Soledade de Minas. Chegando próximo à fazenda, numa curva e lombada ao mesmo tempo, veio um carro em direção contrária (as estradas eram estreitas) e... Bum! Colisão de frente. O carro oposto? O do primo Solon. Como a cerveja encomendada estava atrasada, ele resolveu ir busca-la pessoalmente. Os dois veículos não trafegavam em alta velocidade, até porque as condições da estrada não deixavam, e o estrago não foi lá tão grande, apenas o susto da batida. Subiu sim um poeirão  e ninguém via mais nada. Na confusão de sair dos veículos, ninguém enxergando ninguém, procuram pelo tio Silvio. Onde? O tio estava debaixo do banco do carro. Suspense... Tio o senhor esta bem? E obtiveram  a resposta: -Claro que estou bem, só estou procurando a minha dentadura.

Um sonho

Silvio faleceu em 14 de maio de 1990, de pneumonia, na Santa Casa de Caxambu, solteiro e sem descendência, mas um dia, em um sonho, Célia reencontrou seu irmão, relata. Ela se viu sentada na escada da varanda da casa de sua mãe, quando ele apareceu encostado no portal. Trajava chapéu, camisa de meia manga e tinha uma palidez cadavérica. Ela o chamou para junto  de si e ele respondeu: "Não posso, onde estou estou bem". Tossia uma tosse seca, parecia constrangido e triste e mandou um recado para que o sobrinho Ozeas Brochado parasse de fumar.  Depois se despediu no sonho: "Cristo esta entre nós".

Agradecimentos: 

A Célia Lima Ayres/Araujo pelos seus relatos sobre seuu irmão, Sylvio.