Eu desminto. Contar é muito, muito dificultoso. Não pelos anos que já se passaram,mas pela astúcia que tem certas coisas passadas. Guimarães Rosa, Grande Sertão-Veredas
domingo, 30 de janeiro de 2022
Jorge Drexler - Tudo se transforma/ Nós e nossas histórias
domingo, 16 de janeiro de 2022
Pedro Fernandes Vianna da Silva/ uma biografia/ Condomínio da Família Ayres parte 3
| Comemoração do aniversário de Paulo de Frontin no Parque das Àguas de Caxambu, 1912, com sua família e diversos amigos |
| Exposição do Centenário da Independência, 1922, com Epitáfio Pessoa e arquitetos. Pedro, segundo da direita para a esquerda. |
| Foto ao alto, fundação do Instituto de Engenharia; abaixo à esquerda, Palmira com Enoch Lima; à direita, Palmira e Célia Ayres |
| Abertura do túmulo de Estácio de Sá em 15/1/1922 Pedro Fernandes Vianna, terceiro à esquerda, do ponto de vista da corrente |
| Pedro Fernandes Vianna, ao centro; à esquerda Heitor Costa, na construção do Cristo Redentor do Rio de Janeiro |
Diário de Notícias 1944, Christo Redemptor: Exposição comemorativa dos 75 anos do monumento ao Cristo Redentor 5 julho 2013
quarta-feira, 12 de janeiro de 2022
Condomínio da Familia Ayres/ Parte 2/ Dona Orminda, uma mulher nascida no outro século/ Dona Ritinha e a casa e nossas lembranças/Caxambu nos anos 60/ Juntando as pontas das linhas
| Trabalhos de crochê de dona Orminda |
Orminda Rosa Guimarães nasceu em 1° de outubro de 1882, em Baependi, filha de Luiz Fernandes da Costa Guimarães Júnior, batizada pelo seu avô Manoel Constantino Pereira Guimarães, que fez parte da comissão de recepção da princesa Izabel em Caxambu e Baependi no ano de 1864.
Orminda casou-se em 7 de julho de 1896, muito jovem, como era típico da época, aos 13 anos, três meses antes de completar 14, com Fernando Joaquim da Costa Guimarães (1874-?). Ele também era filho de proeminentes figuras políticas da cidade de Baependi, neto de Antonio Carlos Carneiro Viriato Catão (1803-1858), presidente da província do Espirito Santo, em 1857 e 1858. Ah, sim, todos importantes figuras públicas de Baependi. O casal não gerou descendentes.
Dois viúvos, duas baependienses/ Nada foi ao acaso
Nhá Chica
Alguns registros publicados no jornal O Patriota, em 1937, atestam a presença do casal na cidade. A partir de 1944, Orminda vinha sozinha, já na condição de viúva, quando visitou Baependi em 2 de marco de 1946 e 11 de maio de 1946, quando solicitou a ligação elétrica para um ferro de passar roupa em sua residência, na rua Dr. Cornélio Magalhães. Devota de Nhá Chica, colaborou mais de uma vez para a reconstrução da capela da beata.
Acreditamos que dona Orminda continuou residindo no Rio de Janeiro, na Rua Esteves Junior, n° 1, no bairro das Laranjeiras, onde faleceu seu marido Pedro Fernandes, em 26 de dezembro de 1942. Por coincidência, a rua tem esquina com a Conde de Baependi, sua cidade natal. No início da década de 1960, mudou-se definitivamente para Caxambu onde veio ocupar o imóvel da rua Quintino Bocaiúva, com sua irmã, dona Ritinha. Depois perdemos o fio da meada. Dona Orminda se mudou da Quintino Bocaiúva e não tivemos mais notícias dela.
Dona Ritinha, a irmã mais velha de dona Orminda/ uma de nós
Ritinha tinha as crianças alegres como Janice para lhe fazer companhia e brincar de boneca. Todas inocentes no mundo da imaginação infantil. Ritinha era pequenina, do tamanho das crianças, conta Janice. "Ela de vestidinho, parecia uma de nós brincando de roda com a gente." Depois de tão boas lembranças, conseguimos trazer dona Ritinha para a vida: Rita de Cassia Guimarães nasceu em 5 de novembro de 1881. Ritinha casou-se aos 19 anos com Julio Biajoni, viúvo de Ataliba Augusta da Silva Reis, acometida de uma tuberculose deixando três filhos menores que, com certeza Ritinha ajudou a criar. Foi uma cerimonia na própria casa do noivo, em 1904. Sabemos que ela perdeu um filho recém-nascido em 1909, mas aqui nos falta seguir as pesquisas para fazer sua completa biografia. Ela ficou nas lembranças das crianças Janice Drumond e Graça Pereira Silveira. Ritinha era uma delas, do alto dos seus oitenta e tantos anos na época.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2022
Caxambu, 05 de janeiro de 2001/ Em memória ao meu amigo e poeta Eustaquio Gorgonne
domingo, 19 de dezembro de 2021
O condomínio da Família Ayres/ A memória afetiva da ocupação dos terrenos da antiga rua Quintino Bocaiuva, 113
| Dona Dolores e seus filhos: Janice, Jackson e a babá Geralda na varanda |
Antes, muito antes de 1930
De fato. Antes de 1930 o terreno pertenceu ao meu avô José Ayres de Lima, o Trançador, filho, e sua esposa, minha avó Gervásia Ayres de Lima. Para chegar as informações foi preciso fazer muitas consultas com à nossa biblioteca familiar, Celia Ayres, (veja aqui a biografia completa de Célia Ayres) telefonemas e mais telefonemas entre Brasil e Alemanha para contar a história da ocupação do terreno, abaixo da antiga rua Quintino Bocaiúva, em Caxambu. A minha, nossa tia Célia, sempre ela, com uma memória afiadíssima conta detalhes, fatos e acontecimentos históricos que marcaram a vida naquele pedaço de terra. Vamos lá.
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| Da direita para esquerda: Edson Ayres 1a direita, Gervásia Diório; 2a, Marlene Diório 3a; ao centro vó Gervásia Ayres, à esquerda, desconhecida |
Tia Célia Ayres confirma que todo o terreno, que ia da rua Quintino Bocaiúva 113, abaixo, até o ribeirão Bengo, pertenceu à família. O pai foi comprando os terrenos e repartindo com os filhos, contou. O pedaço de terra era extenso. Na época era costume os filhos morarem perto de seus pais, e o objetivo foi parcialmente cumprido. José Ayres, o filho mais velho da avó Gervásia, meu pai, construiu uma casa no terreno à esquerda do n°113, e viveu lá com sua primeira família, até a sua primeira esposa falecer. Esta casa foi vendida para seu Virgilio, após o falecimento de sua esposa, Alzira Ayres.
Tio Silvio, que já possuía o seu terreno, doou um pedaço para meu pai, José Ayres, que tinha acabado de ficar viúvo, para construir uma casa, bem abaixo da casa que foi construída pela tia Maria Ayres/ Rodrigues e que ele, Silvio, a adquiriu posteriormente.
Tio Samuel Ayres de Lima também tinha o seu pedaço na rua debaixo, extensão do terreno, onde é a rua Policarpo Viotti, que foi parte desapropriado para a abertura da avenida Beira Bengo.
Meu pai finalizou a casa no início da década e 1960, e ficamos todos morando no terrenos adquiridos pelos nossos ancestrais. Assim foi formado o que meu primo Edson Rodrigues Ayres denominou de "condomínio da Família Ayres".
Para além das fronteiras, não conhecíamos o proprietário do imóvel ao lado da casa do tio Silvio, até que a tia Célia lembrou: o terreno foi doado pelos meus pais para à minha irmã Silvia Ayres/Diório e seu marido Marco Diório recém-casados. Eles construíram a casa, que na foto ainda suas características originais, como o piso azulejado (foto ao alto), o gradil, o teto alto e o extenso terreno até o Bengo.
Os residentes ao longo dos tempos
Década de 1930
A residência deve ter sido construída por volta de 1934/35 e a família Ayres/Diório morou por algum tempo lá até se mudarem para a casa que construíram, na hoje rua Policarpo Viotti, abaixo da casa da avó Gervásia, no terreno também pertencente ao "condomínio", onde moravam e moram descendentes do senhor Luiz Verruma. A rua Policarpo Viotti não existia, era apenas uma rua sem saída. Tia Célia nos lembra ainda que Marlene Diório, a terceira filha do casal, bem como Gervásia-neta, nasceram lá. Na foto ao lado, os personagens desta história: Edson, abaixo à direita, Gervásia-neta acima à direita, vó Gervásia ao centro e Marlene à esquerda. A foto foi feita na casa de vó Gervásia em data desconhecida.
Eu e minhas dúvidas... liguei novamente para a tia para confirmar.
-Tia, a senhora tem certeza que eles moraram lá?
E ela, de estalo: - Claro! No dia em que Marlene abriu os olhos para o mundo, a companhia elétrica tinha cortado a luz.
- Mas como assim?
- Eles não tinham pagado a conta de luz, e a companhia cortou. Marlene nasceu no escuro. O parto foi feito à luz de velas.
Depois dessa contundente afirmação, não tive dúvidas. Eles construíram aquela casa. Sim, e a Marlene nasceu praticamente à luz de velas pelas mãos da tia avó Maria Ayres de Lima, conhecida como Mariquinha, a parteira oficial da família (veja a biografia completa da tia-avó Mariquinha). Era um 17 de janeiro de 1936. Esta data é a referencia para montarmos, a digamos, linha do tempo de ocupação da residência no condomínio da Família Ayres.
Década de 1940, um sonho, vida e morte
A história da ocupação seguiu e quem adquiriu imóvel posteriormente foi meu tio Luiz Ayres. Na verdade a memória da ocupação da casa começou aqui, quando tia Célia me disse que, antes de dona Orminda, o tio Luiz Ayres de Lima tinha adquirido o imóvel. O único filho vivo confirmou o fato, Lais Ayres, bem como o nascimento de seus dois irmãos na casa, Iara e Fernando, já falecidos. Moraram na rua Quintino Bocaiúva por quase 10 anos, disse ele. Depois que o tio Luiz foi acometido por uma tuberculose e precisou realizar um tratamento de saúde, foram obrigados a se mudar para Belo Horizonte. Naquela época, Belo Horizonte era conhecida como cidade do ar puro, pasmem.
E acreditem, no meio da pesquisa, sonho com o falecido tio Luiz. Ele me recebeu no seu apartamento em Belo Horizonte e eu na pesquisa: -Tio, até quando o senhor morou naquela casa? - Ele, até 1950. Tive que vender e dividir... E eu, porque? Ah, tive muitos casamentos, 11 ao total. Mas onze, como chamou sua primeira esposa? Maria. Sim, a tia Maria, que era chamada por nós de Lili. Acordei.
Mas tia Célia não deixa por menos nos detalhes e lembra novamente um fato que ficou marcado em sua memória. Conhecida na família por Miquita, a sogra do tio Luiz mãe da tia Lili, em visita à família, faleceu de uma sincope cardíaca... naquela casa. Valha-me Deus!
Não sabemos quem adquiriu a casa após a saída de tio Luiz, mas sabemos a casa não ficou desocupada.
Década de 1950
| Dona Dolores com Jackson, 1950, à esquerda e Janice, 1954 , à direita |
Década de 1960
| Arminda, Dasa, Francisca e Lucimar Festa de formatura do Colégio Normal, 1973 |
Aí foi a vez da Família Rodrigues Pereira, o ramo dos Ayres entrar em cena. A Dasa (foto acima), neta de vó Mariquinha, e que morava duas casas abaixo, ocupou a residência entre 1959 e 1960, com sua família quando nasceu a... Francisca (foto acima), a Francisquinha para nós. Na época o marido, Danilo era jogador em Belo Horizonte e a família alugou a casa por um curto período. Francisca nasceu em dezembro de 1959 e eu, em janeiro de 1960. Como minha mãe teve problemas para me amamentar, a solidária Dasa se fez minha "mãe de leite". Éramos vizinhas de cerca. Minha mãe sempre me dizia: Ah, a Francisquinha é sua irmã de leite". Demorei a entender.
Ainda na década de 1960
No intervalo em que a família de Janice Drumont se mudou e foi morar no centro da cidade, ocupou a casa Dona Orminda. De fato, eu me lembro dela na varanda da cozinha, nos afazeres domésticos. Cheguei uma entrar na sala e me impressionei com o relógio carrilhão que, quando badalava, era ouvido até lá em casa. Mas quem tem as melhores memórias da moradora é a Janice. A família voltou a morar na rua Quintino Bocaiúva, no meio da década de 1960, na casa recém-construída (foto), em frente à da minha vó Gervásia, que sedia hoje o Centro Espírita.
"Eu lembro até das cores da casa. Porque a gente brincava muito com a Ana Maria, uma das meninas da casa Verde Alta de frente, onde tinha televisão. Da varanda a gente via a casa de dona Orminda."... A (casa) de Caxambu pode ter sido só de veraneio, onde ela foi viver pós viuvez. A época é a mesma da troca da capital do Rio para Brasília, que calha com a redução da ida de políticos a Caxambu, perda do glamour de época..."
Década de 1970
Não sabemos quando a última moradora de nossas lembranças, dona Orminda, se mudou de lá. Fato é que a casa foi passada para o seu sobrinho, já falecido, e a vida da casa dá seguimento, sendo ocupada pelos seus descendentes.
Então estávamos todos ali, na Quintino Bocaiúva que um dia mudou de nome e passou se chamar Magalhães Pinto.Arquivo privado de Janice Drumont
domingo, 8 de agosto de 2021
O desabafo/Carta da princesa Izabel ao Conselheiro Francisco de Paula Mayrink/ Assunto: Igreja Santa Isabel da Hungria de Caxambu
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| Princesa Isabel e o Príncipe Pedro |
A construção da Igreja de Santa Isabel da Hungria/desvio de dinheiro e uma princesa indignada
No dia 22 do mesmo mês, em solenidade na Câmara Municipal de Baependi, foi lavrada a ata do lançamento da pedra fundamental para a edificação da igreja. A pedra foi benzida pelo reverendo monsenhor Luiz Pereira Gonçalves de Araujo, para posteriormente ser colocada pela princesa no local da construção do alicerce da igreja. Na ocasião S. A. Real ouviu pedidos para que removesse o cruzeiro do lugar onde se achava, plantado por Francisco Viotti, em 3 de maio de 1862, o que foi deixado a cargo do engenheiro Christiano Luz.
A princesa fez um depósito "considerável" de 50:000$000. O gasto, ou o "abono" quantia para construir a igreja, seria superior à da igreja de Petrópolis, onde residia a Família Real. Sim, superior, pois a igreja de Petrópolis era simples em comparação com o plano da igreja em estilo neogótico em moda. Na ocasião de sua estada, abriu subscrição para os voluntários fazerem seus donativos que somaram 4.000$000, assim noticiado em O Baependiano.
Para realização da grande empreitada, foi escolhida uma comissão local composta pelo coronel Justo Maciel, o vigário Marcos Nogueira, o comentador Mattos, dr. Viotti e o capitão João Carlos. Já havia uma comissão da qual faziam parte o coronel Francisco Werneck, o conselheiro Ribeiro da Luz e o Visconde de Mesquita.
Matriz insignificante X Igreja no estilo gótico
Mas qual! Relembrando, do lançamento da pedra fundamental até o início de sua construção arrastaram-se anos. No início do mês de dezembro de 1884, a comissão das obras da igreja deveria se reunir, afim de fazer a marcação exata no "Morro do Cruzeiro", para qual veio o deputado provincial Christiano Luz, um dos membros da comissão. Mas devido ao baixo comparecimento, a reunião foi transferida para o início de janeiro de 1885. No planejamento estava a abertura da rua que ligaria a praça da igreja até o alto do morro.
Assim noticiava o Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, em 1885 : "A matriz é insignificante; mas começa a abrir os alicerces para uma linda igreja gótica, Santa Isabel de Hungria, cuja planta vimos, e que depois de concluída ficara um primor de architectura, sendo que era situada em posição muito pitoresca. Era orçada em 130:000$, havendo já levantados 90:000$ aos esforços da Princesa Imperial, que tem pedido esmolas para essa construção. Estamos convencidos de que Caxambu melhorará muito com a edificação dessa igreja; tem visos de paradoxo esta affirmacao nesta época, mas precisa notar que estamos em Minas, província essencialmente católica."
Água X água benta
Em maio de 1885 eram concluídos o nivelamento do local onde seria edificada a igreja. A construção estava todo vapor e carroças de pedras já estavam sendo conduzidas ao alto da colina, noticiava O Baependiano e as obras "estavam em grande adiantamento" e que a igreja teria um jardim de "grandes dimensões" ao redor. E como toda obra é obra, os trabalhos foram paralisados e no ano de 1886, foram retomados, "a custo de perder o que ja tinha sido feito", segundo noticiava o mesmo jornal.
Como não havia separação do Estado e Igreja, as instituições religiosas recebiam dinheiro, muito dinheiro em comparação as outras tantas necessidades das pobres comunidades. Em 1887, foi encaminhado o pedido, e aceito, à Assembleia Provincial, através do deputado Américo de Matos, de consignar uma cota de 6.000$000 para a igreja Santa Izabel. Mattos apelava para o "fervoroso espírito religioso" dos parlamentes, muitos deles religiosos. No mesmo orçamento, a presidência autorizou despender 10$000 para conservação da estrada do Picu, hoje Itamonti, apresentado por Domingos Viotti. Não era muito se compararmos ao orçamento para uma capela sozinha, mas a lista das igrejas que recebiam dinheiro era muito mais longa que as de criação de escolas, manutenção das estradas, abastecimento de água, que ficavam para o segundo plano. A voz de alguns deputados soava baixa, quando citavam que não se esquecessem de dar algumas cotas, principalmente para o abastecimento de água potável. Água potável versus água benta, uma difícil disputa em tempos de Brasil Imperial.
Igreja Nossa Senhora dos Remédios X Igreja Santa Izabel da Hungria, a concorrência
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| Registro do livro Caxambu de Henrique Monat, 1894. |
Entre as cerimonias de lançamento da pedra fundamental e desejo de construir a igreja passaram-se mais de vinte anos, e sua inauguração, se deu apenas quando a Família Imperial estava no exílio. Depois de as obras se arrastarem por mais de 26 anos foi na administração do conselheiro Mayrink, um banqueiro rico e benemérito da povoação e que teve a concessão de explorar as águas minerais, que o projeto foi retomado. O concessionário das fontes foi quem levou a diante o projeto, numa segunda promessa, quando quebrou uma perna fraturada ao cair de um cavalo. Se voltasse a cavalgar, prometeu concluir o templo. De acordo com vesões não confirmadas, a lei 398 em 2 setembro de 1904, isentou o bispado de Pouso Alegre do imposto de transmissão da propriedade que deveria pagar, ao legalizar a "doação feita por Francisco de Paula Mayrink de uma Igreja em Caxambu". (1) Nenhuma confirmação foi encontrada em sua biografia.
Na correspondência, esclareceu a princesa que já no ano de 1873, de volta ao Rio de Janeiro depois de suas viagens pela província, teve conhecimento que o dinheiro depositado para a construção do templo tinha desaparecido e indignada disse que não despenderia nenhum centavo a mais para as obras.
Igreja Nossa Senhora da Conceição para Igreja Santa Isabel da Hungria.
Por ter Mayrink adquirido o terreno e o entorno se dispondo a terminar a obra, a igreja teve por alguns anos outro nome: Igreja Nossa Senhora da Conceição. Sim, era um projeto dele em sua propriedade, daí a mudança de nome que não agradou a população.
Isabel, que não queria ter seu nome associado a um projeto que não pode acabar, passou a responsabilidade a Mayrink, pela decepção de ver o dinheiro doado sumir. Assim templo foi renomeado para Igreja Nossa Senhora da Conceição durante as obras finais. Na época escreveram à princesa enviando um abaixo assinado de cerca de 600 pessoas para que ela consentisse que o nome fosse retornado, Santa Isabel da Hungria. A igreja teve portanto, por um curto período, entre 1885 a 1887 o nome de Igreja Nossa Senhora da Conceição. Mayrink, o benfeitor de fato da igreja, manteve-se discreto e a princesa agora ressurgia como a grande benemérita da obra, embora sua finalização se deu por causa do amigo.
As obras terminaram em abril de 1897. A igreja foi benta, segundo a mãe de Mayrink Lessa, neto do conselheiro Mayrink, em missa celebrada pelo cónego Amador em 12 de junho de 1897. A igreja, segundo ela estava "cheia e linda". E não duvidamos. Presentes estavam quase toda a família Mayrink, marquesa de Itamaraty e outras pessoas de vulto da comunidade religiosa, política e financeira. Segundo ela, os hotéis ficaram lotados. A controvérsia da missa realizada ter sido num templo "particular", e que se chamava Nossa Senhora da Conceição e que estava na propriedade de Mayrink, e por isso não constar nos arquivos diocesanos e sim que o templo foi "benzido" em 19 de novembro, assim oficializado sua existência como templo.
Inaugurada a igreja, protestaram dois parlamentares republicanos. Um telegrama recebido da povoação de Caxambu, constava que o conselheiro Mayrink, banqueiro, empresário e político, eleito deputado da província em1889, teria construído a igreja. Na verdade eles alegam que Mayrink se ofereceu para concluir e não que a obra tenha sido toda dele, acusando-o de "apavonar", isto é, se transformar em um pavão e dizer que a igreja teria sido feito seu. Podemos concluir que foi injusta acusação dos parlamentares em dizer que Mayrink queria projeção política ao terminar o templo por sua própria conta. Que a justiça seja feita. Mayrink salvou a igreja da ruína.
Patrimônio histórico / Onde estão os santos?
Enquanto Conselheiro Mayrink esteve em Caxambu, a igreja era, segundo o neto Mayrink Lessa, bem cuidada. Em 1913 o vigário da paroquia fez uma inspeção na capela e constatou que ali faltavam vários ornamentos religiosos da alvenaria, utensílios e muitos santos, assim como seus nichos laterais e púlpitos. Em visita em 1970, Mayrink Lessa confirmou o desolado estado da capela. Do relatório do vigário, só restavam a imagem de madeira de Santa Isabel. Segundo as freiras Irma Delfina e Marcelina, dos santos primitivos, procedentes da Europa, foram pouco a pouco transferidos sem nenhum controle para igrejas de outras cidades mineiras, consideradas "mais evoluídas". Assim foi contada a história.






