Eu desminto. Contar é muito, muito dificultoso. Não pelos anos que já se passaram,mas pela astúcia que tem certas coisas passadas. Guimarães Rosa, Grande Sertão-Veredas
domingo, 13 de novembro de 2016
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
Janela para o futuro - Reflexões sobre uma foto
Ah... vamos voltar no ano de 1798, quando João José de Lima e Silva nasceu sabe lá Deus onde, Pouso alto ou em outra parte da Capitania, que ainda não era Gerais, nem Minas. Sim, o tataravô, ou melhor o avô de 5° grau de Gael Silveira Hummel. Cinco gerações ou 218 anos separam Gael, que nasceu na cidade do Panama, na América Central, de João José de Lima e Silva, que era um senhor de escravos. Depois vieram os tataravós, José Fernandes Ayres , o Trancador e Maria Ribeiro de Lima, deles nasceu a trisavó de Gael, Maria José Ayres de Lima, Mariquinha, a casada com Ramiro Rodrigues Freitas. Acredito que nenhum deles souberam o que era uma escola. Ah, os tempos mais modernos temos a bisa, Geralda Rodrigues, e nos tempos moderníssimos a vó Graça Pereira Silveira, a professora. Quanta gente de valor. Em cinco gerações o mundo deu muitas voltas. As combinações genéticas e as possibilidades de viver...
Gael nasceu em outro século. Surpreendentemente antes de se sentar, aos dois meses de idade, já tem contato com o que revolucionou nossas vidas: o computador. Acompanhado do pai, Rodrigo Silveira, Gael esta de frente para a janela, a janela do futuro. Muitas reflexões e desafios serão feitas para essa geração, que terá que lidar com os antigos, novos problemas do mundo, principalmente a destruição das matas, o envenenamento dos rios, do ar, da comida. A herança do plástico, que esta por todo o planeta, boiando quilómetros mar adentro... E se ha 200 anos atras a preocupação dos nossos ancestrais era organizar a próxima Tropa em direção ao Rio de Janeiro com levas de rapadura, queijo curado, toucinho. Os desafios da modernidade serão mais complicados. Mas como é próprio das novas gerações, confiaremos que a luta para que o mundo seja melhor não cesse.
Educação é tudo. Se algum filho de seu avo de 5° grau frequentou uma escola, não sabemos. Só temos uma assinatura de seu filho João José de Lima, tio avô de Gael de 4° grau, nascido entre Pouso Alto e o Chapeo. Com sua caligrafia tremelicante, assinou.
Foto:
Gael Silveira Hummel, filho de Tatiana Hummel e Rodrigo Silveira.
Arquivo privado da família
domingo, 6 de novembro de 2016
O Morro de Caxambu e sua história
"... pelo que se descobre daquele monte, que aparece um mundo novo, muito alegre: todo campo bem estendido, e todo regado de ribeirões e por ele se caminha com alegria, porque tem os olhos que se ver e contemplar na perspectiva do Monte de Caxambu, que se levanta às nuvens com admirável altura". (1) "... a altitude do seu pico, avaliado em 1.090 metros, não encontra igual pelos arredores, não obstante o acidente notável do terreno." (2)
O sertão das Gerais que ainda não era Minas
O Morro de Caxambu foi na história referencia para disputas de fronteiras entre as Capitanias de São Paulo e Minas Gerais, iniciadas por volta dos anos de 1700. Meu pai, José Ayres, quando criança, contava histórias das disputas de fronteiras entre Minas e São Paulo e apontava para o Morro de Caxambu referindo-se a um "marco" postado lá pelos paulistas. Eu me perguntava, será que era aquela cruz?
Mas antes vamos decifrar a palavra "Caxambu", associada ao morro que deu origem ao nome da cidade. Ha várias interpretações. Uns comparavam-no pelo formato, a um gigantesco tambor, usados pelos africanos cacha (tambor) e mumbú (música), que juntado os vocábulos chega-se a "Caxambu", outra de raízes tupi assim: caa - xa - umbú, para indicar o mato que vê o riacho. Prevaleceu a denominação de origem africana.
Em 1711, Antonio João Antonil publicou, em Lisboa, o "Cultura e Opulência do Brasil" descrevendo na 3° parte as "Minas do Ouro" e os caminhos do sertão. Conta sobre os bandeirantes que chegaram até o Rio Verde, depois à Boa Vista. "... com alegria, porque tem os olhos que ver e contemplar na perspectiva do Monte de Caxambu, que se levanta às nuvens como admirável altura".
O morro foi tomado pelos bandeirantes como referencia para o caminho entre Baependi, Rio Grande e Carrancas.
No final do século XVII os bandeirantes paulistas descobriram areias auríferas no sertão das Gerais, que não era ainda Minas e a boataria se espalhou rapidamente em Portugal. Houve uma "corrida ao ouro" e um grande afluxo de gente proveniente de todas as partes na busca eldorado. Do Brasil todo acudia gente em direção ao Vale do Rio Paraíba, até Vila Rica, hoje Ouro Preto, passando pelo Vale do Inghay, Aiuruoca, a nossa Baependi, da Comarca do Rio das Mortes, São João D`El Rey, Mariana, Sabará e Pitanguy. Imaginem o que acontece quando se trata de ouro e riquezas minha gente... Incidentes entre os bandeirantes e os novos que chegaram eram constantes e a região se tornou violenta e perigosa. E para melhor administrar os conflitos, inclusive para a cobrança de impostos, a Coroa portuguesa iniciou o desmembramento das Capitanias de São Paulo da Capitania do Rio de Janeiro, e em 1720 a criação da Capitania das Minas de Ouro.
"Pelo Alvará de 02 de dezembro de 1720, era criada a Capitania de Minas Gerais distinta de São Paulo tendo como limites onde se lê: “determino por limite do sertão, pela parte que confina com o Governo de Minas os mesmos confins que tem a Comarca da Ouvidoria de São Paulo, com a Comarca da Ouvidoria do Rio das Mortes”, isto é, o sertão ignorado e impreciso (Moraes Filho, 1920, p. 15) , (1).
"A instalação da Vila de São João Del Rey desmembrada de Vila Rica, em 1713, foi conservado os mesmos limites entre Vila Rica e a Vila de Guaratinguetá, que pertencia a Comarca de São Paulo e mais a criação da Comarca do Rio das Mortes e cuja a sede era São João Del Rey chamava a atenção das autoridades mineiras a “Serra da Mantiqueira” como baliza natural entre as “Minas” e "São Paulo", (2).
Mas antes vamos decifrar a palavra "Caxambu", associada ao morro que deu origem ao nome da cidade. Ha várias interpretações. Uns comparavam-no pelo formato, a um gigantesco tambor, usados pelos africanos cacha (tambor) e mumbú (música), que juntado os vocábulos chega-se a "Caxambu", outra de raízes tupi assim: caa - xa - umbú, para indicar o mato que vê o riacho. Prevaleceu a denominação de origem africana.
Em 1711, Antonio João Antonil publicou, em Lisboa, o "Cultura e Opulência do Brasil" descrevendo na 3° parte as "Minas do Ouro" e os caminhos do sertão. Conta sobre os bandeirantes que chegaram até o Rio Verde, depois à Boa Vista. "... com alegria, porque tem os olhos que ver e contemplar na perspectiva do Monte de Caxambu, que se levanta às nuvens como admirável altura".
O morro foi tomado pelos bandeirantes como referencia para o caminho entre Baependi, Rio Grande e Carrancas.
No final do século XVII os bandeirantes paulistas descobriram areias auríferas no sertão das Gerais, que não era ainda Minas e a boataria se espalhou rapidamente em Portugal. Houve uma "corrida ao ouro" e um grande afluxo de gente proveniente de todas as partes na busca eldorado. Do Brasil todo acudia gente em direção ao Vale do Rio Paraíba, até Vila Rica, hoje Ouro Preto, passando pelo Vale do Inghay, Aiuruoca, a nossa Baependi, da Comarca do Rio das Mortes, São João D`El Rey, Mariana, Sabará e Pitanguy. Imaginem o que acontece quando se trata de ouro e riquezas minha gente... Incidentes entre os bandeirantes e os novos que chegaram eram constantes e a região se tornou violenta e perigosa. E para melhor administrar os conflitos, inclusive para a cobrança de impostos, a Coroa portuguesa iniciou o desmembramento das Capitanias de São Paulo da Capitania do Rio de Janeiro, e em 1720 a criação da Capitania das Minas de Ouro.
"Pelo Alvará de 02 de dezembro de 1720, era criada a Capitania de Minas Gerais distinta de São Paulo tendo como limites onde se lê: “determino por limite do sertão, pela parte que confina com o Governo de Minas os mesmos confins que tem a Comarca da Ouvidoria de São Paulo, com a Comarca da Ouvidoria do Rio das Mortes”, isto é, o sertão ignorado e impreciso (Moraes Filho, 1920, p. 15) , (1).
"A instalação da Vila de São João Del Rey desmembrada de Vila Rica, em 1713, foi conservado os mesmos limites entre Vila Rica e a Vila de Guaratinguetá, que pertencia a Comarca de São Paulo e mais a criação da Comarca do Rio das Mortes e cuja a sede era São João Del Rey chamava a atenção das autoridades mineiras a “Serra da Mantiqueira” como baliza natural entre as “Minas” e "São Paulo", (2).
E os ânimos se acirraram. Os marcos territoriais foram sendo levados de lá para cá, e de cá para lá. "As autoridades da Câmara de Guaratinguetá fincaram um “marco” no Morro do Caxambu, que era mais ou menos a metade do caminho entre Guaratinguetá (São Paulo) e São João Del Rey (Minas Gerais), lavraram um “Auto de Posse”, em 1714. A Câmara de São João Del Rey nesta data, mandou arrancar o marco de pedra e levá-lo para o alto da Serra da Mantiqueira, conforme havia sido decretado, em reunião de 06 de abril de 1714. Nesta data determinou-se que o limite sul da Comarca do Rio das Mortes fosse a Serra da Mantiqueira e a oeste o Sertão desconhecido" (3). Se houvesse mantido o marco, pretendido pelos paulistas, a Capitania das Minas Gerais, teria perdido os atuais municípios de Passa Quatro, Itanhandú, Pouso Alto, São Lourenço e Soledade de Minas.
Morro do Cachumbú
Em 1727, o governador de São Paulo enviou uma carta ao Rei de Portugal sobre a mudança do marco de divisão, estabelecendo "o morro de Caxambu ou Boa Vista" como divisão. Em 1748, a Província de São Paulo perde sua autonomia ficando sob a jurisdição do Rio de Janeiro, de Gomes Freire e ao ser restabelecida, em 1765, após 17 anos, o governo de Luiz Antonio de Souza reclama a divisão do Morro de Caxambu e dando a questão novamente como aberta. Oh, não!
A Cartografia do ano de 1766, mostra a verdadeira situação dos lugares por onde se fizeram as sete principais divisões que marcavam a fronteira das Capitanias, aqui escrito como Morro do "Cachumbú". (vide carta abaixo)
No Brasil Império, entre os anos de 1827 e 1879, tanto a Província de São Paulo como a Província de Minas Gerais, emitiram vários documentos, pareceres diversos e não se chegavam a um acordo. Desde então as demarcações foram reclamadas pelos diversos governos e, somente em 1935, quando foi publicado o Decreto Constitucional do Governador de São Paulo Armando de Salles Oliveira, que conseguiram a definitiva delimitação entre os dois Estados pondo fim a mais de 200 anos de disputas territoriais. Ufa!
Programa de saúde: Sobe o morro, desce o morro
A estrada no Morro de Caxambu foi inaugurada em 25 agosto de 1873, paga por um estancieiro do Sul do Brasil, chamado Conceição, era um "caminho em ziguezague, um M, com quatro pernas, pelas quais se ia ao alto do Morro de Caxambu". Na administração de Camilo soares, o caminho tomou a forma que tem hoje. Em 1886, o Morro é citado no jornal O Baependiano, na Seção Gazetilha, sob o título: "Efeitos prodigiosos das Águas de Caxambu sobre os Dispépticos".
"Depois de uns vinte dias de estação d`aguas, pouco mais ou menos, já não se conhece quasi aquelle homem que acabamos de ver ha dias todos desfeito e desanimado. Elle jé tem sangue, carne, cor, graça, força, e tanto assim é que já vae passear em Baependy e sobe até o alto morro de Caxambu! No fim dos quarenta ou cinquenta dias está o nosso homem bom como um pero!"
Morro do Cachumbú
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| Cartografia de 1738 |
A Cartografia do ano de 1766, mostra a verdadeira situação dos lugares por onde se fizeram as sete principais divisões que marcavam a fronteira das Capitanias, aqui escrito como Morro do "Cachumbú". (vide carta abaixo)
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| Cartografia de 1766 |
| Cartografia de 1873 |
"Depois de uns vinte dias de estação d`aguas, pouco mais ou menos, já não se conhece quasi aquelle homem que acabamos de ver ha dias todos desfeito e desanimado. Elle jé tem sangue, carne, cor, graça, força, e tanto assim é que já vae passear em Baependy e sobe até o alto morro de Caxambu! No fim dos quarenta ou cinquenta dias está o nosso homem bom como um pero!"
E lá estava o Bairro do Trançador nos seus primórdios...
Se falamos do Morro de Caxambu, não podemos deixar aqui de citar o Bairro Trançador, que já existia na Planta Cadastral de Caxambu de 1937. No seu sopé encontrava-se a residência de José Fernandes Ayres de Lima, o Trançador-pai (1835-1897) que emprestou ao bairro o seu apelido. Lá ele morava e tinha seu "ateliê", onde confeccionava artefatos de couro como relhos, celas para cavalos. Assim o lugar ficou conhecido como "Trançador". O local era caminho de passagem de Tropas e Tropeiros, transportando gado, mantimentos provenientes de Conceição do Rio Verde em direção à Baependi e outras cidades.
Tira cruz, põe cruz
Ah, agora as disputas territoriais ficaram somente na lembrança dos historiadores, mas o tira e põe cruz não cessou. Para mostrar que Caxambu também era Terra de Santa Cruz, o mesmo marco que os navegantes fincaram ao aportarem, na hoje Cabrália, quando do descobrimento do Brasil, foi postado no alto do Morro.
"A enorme cruz de ferro, cuja deformação evidencia intenso esforço dos ventos, acha-se cravada em bloco de concreto e pedra, de forma aproximadamente troncônica" (3).
A velha cruz não existe mais. Inaugurada, em 3 de maio de 1928, iluminou por muitas décadas o contorno do Morro de Caxambu, sendo substituída por uma estatua do Cristo Redentor, promessa de Dona Ivone que exercia a profissão de cabeleireira e moradora da cidade, nos anos de 1960. A Cruz original de ferro, foi uma reciclagem de trilhos de trem, sendo substituída pela de concreto.
Na ocasião, a Cruz foi abençoada pelo Padre Galvão, vigário de Niterói, que estava hospedado no Hotel de Caxambu. No seu sopé a inscrição de autoria do médico residente na cidade Mario Artur Milwald: "A sombra desta árvore viva e cresça Caxambu". A que árvore mesmo ele se referia? Wanda Milward, neta do médico nos dá a resposta: A árvore a que ele se refere é alusão a cruz de Cristo, de madeira.
Piquenique e carrapatosSe falamos do Morro de Caxambu, não podemos deixar aqui de citar o Bairro Trançador, que já existia na Planta Cadastral de Caxambu de 1937. No seu sopé encontrava-se a residência de José Fernandes Ayres de Lima, o Trançador-pai (1835-1897) que emprestou ao bairro o seu apelido. Lá ele morava e tinha seu "ateliê", onde confeccionava artefatos de couro como relhos, celas para cavalos. Assim o lugar ficou conhecido como "Trançador". O local era caminho de passagem de Tropas e Tropeiros, transportando gado, mantimentos provenientes de Conceição do Rio Verde em direção à Baependi e outras cidades.
Tira cruz, põe cruz
"A enorme cruz de ferro, cuja deformação evidencia intenso esforço dos ventos, acha-se cravada em bloco de concreto e pedra, de forma aproximadamente troncônica" (3).A velha cruz não existe mais. Inaugurada, em 3 de maio de 1928, iluminou por muitas décadas o contorno do Morro de Caxambu, sendo substituída por uma estatua do Cristo Redentor, promessa de Dona Ivone que exercia a profissão de cabeleireira e moradora da cidade, nos anos de 1960. A Cruz original de ferro, foi uma reciclagem de trilhos de trem, sendo substituída pela de concreto.
Na ocasião, a Cruz foi abençoada pelo Padre Galvão, vigário de Niterói, que estava hospedado no Hotel de Caxambu. No seu sopé a inscrição de autoria do médico residente na cidade Mario Artur Milwald: "A sombra desta árvore viva e cresça Caxambu". A que árvore mesmo ele se referia? Wanda Milward, neta do médico nos dá a resposta: A árvore a que ele se refere é alusão a cruz de Cristo, de madeira.
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Como chegar lá
Ha dos caminhos para empreender a subida. O primeiro e o preferido pela maioria, inicia na rua João Pinheiro, passando pelo belo prédio do Grupo Escolar Padre Correia de Almeida, à direita, e no fim da rua vê-se o Hospital Casa de Caridade São Vicente de Paula, a Santa Casa. Aconselho a fazer uma pequena parada e visitar a Igreja Santa Izabel da Hungria. Segue-se aí o caminho com uma pequena mata, continuidade da mata do Parque das Águas, onde à direita se encontra a "Cruz de Suzana", lugar onde ocorreu o Crime de Suzana, em 1922, contado neste blog.
O outro caminho é através do próprio Bairro Trançador. Toma-se a rua Joaquim dos Santos. No alto da subida, ha uma possibilidade de se transpor para a Avenida Barão do Rio Branco e seguir o camino descrito acima. Nela toma-se novamente à esquerda o caminho e... Estamos quase lá. Da estrada, chega-se ao caminho principal da Estrada do Morro. E... apreciem a paisagem.
Fonte:
(1) Antonil, Andre João - Cultura e Opulencia do Brasil, por suas drogas e minas, 1711.
Caxambu, Eng. Virgilio Correia Filho, Revista Brasileira de Geografia, Ano II Julho, 1940, n° 3 (2),
Carta Corográfica da Capitania, 1766, Cartografia da cidade de Santos.
(3): Ricardo Carrijo Vilhena, A curiosa mudança do local do Marco da Divisa entre São Paulo e Minas Gerais.
História Antiga de Minas Gerais, Diogo de Vasconcelos.
Conflitos Políticos e Articulações Sociais: A História dos Limites entre São Paulo e Minas Gerais, na formação do Território Nordeste Paulista -1720-1935, Dirceu Piccinato Junior, Ivone Salgado.
Correio da Manha, 1950
Agradecimentos
Nossos especiais agradecimentos ao ARQUIVO HISTÓRICO DO EXÉRCITO (AHEX), DIVISAO DE HISTÓRIA E ACESSO A INFORMAÇÃO (DHAI), na pessoa do Major Ferreira Junior, que prontamente dispôs vários mapas, inclusive este publicado no Blog.
Wanda Millard pelas informações que foram acrescidas ao texto.
Foto: Do livro Caxambu de Henrique Monat, 1868.
Arquivo privado de Graça Pereira Silveira
(1) Antonil, Andre João - Cultura e Opulencia do Brasil, por suas drogas e minas, 1711.
Caxambu, Eng. Virgilio Correia Filho, Revista Brasileira de Geografia, Ano II Julho, 1940, n° 3 (2),
Carta Corográfica da Capitania, 1766, Cartografia da cidade de Santos.
(3): Ricardo Carrijo Vilhena, A curiosa mudança do local do Marco da Divisa entre São Paulo e Minas Gerais.
História Antiga de Minas Gerais, Diogo de Vasconcelos.
Conflitos Políticos e Articulações Sociais: A História dos Limites entre São Paulo e Minas Gerais, na formação do Território Nordeste Paulista -1720-1935, Dirceu Piccinato Junior, Ivone Salgado.
Correio da Manha, 1950
Agradecimentos
Nossos especiais agradecimentos ao ARQUIVO HISTÓRICO DO EXÉRCITO (AHEX), DIVISAO DE HISTÓRIA E ACESSO A INFORMAÇÃO (DHAI), na pessoa do Major Ferreira Junior, que prontamente dispôs vários mapas, inclusive este publicado no Blog.
Wanda Millard pelas informações que foram acrescidas ao texto.
Foto: Do livro Caxambu de Henrique Monat, 1868.
Arquivo privado de Graça Pereira Silveira
domingo, 30 de outubro de 2016
As Matricarcas da Família Ayres
Algumas matriarcas existiram na Família Ayres/Rodrigues Freitas/Pereira/Silveira. Mas o que seria mesmo uma matriarca? O termo "Matriarca" foi cunhado no século XIX no âmbito dos estudos antropológicos, isto é a ciência que estuda o homem e a humanidade, para indicar uma figura da mulher e mãe que assume uma posição dominante num determinado grupo social. Nas sociedades modernas, as matriarcas são geralmente mulheres e já avós que tem um papel predominante, e por vezes despótico, com relação a membros da família. Elas eram mulheres fortes e por vezes autoritárias. E como definiu muitíssimo bem Janice Drumont, nossa vizinha de frente, na antiga Rua Quintino Bocaiúva, em Caxambu :
"Quase em frente de casa vivia a vó Juruva. Velha, bem velha, de nome Gervásia, cujo "erre" eu ainda nem conseguia pronunciar, acabou batizada por mim com este nome, que quando eu dizia, todo mundo sabia de quem eu falava. Juruva pra mim significava ser velho, ter muitos rugas e ter o mesmo tanto de rugas que de poder. Era brava, não gostava que a criançada perturbasse, que atrapalhasse as tarefas domésticas, mas com ar sempre disciplinar, fazia muita vista grossa pra aprontando da meninada."
Podemos quase que estender a definição de Janice para as outras matriarcas da família. Severas, mas também generosas com os membros da família. Elas incorporavam os valores da época, as regras sociais rígidas, o papel da mulher que devia se casar cedo e cuidar da prole e os homens trazer o sustento para dentro de suas casas. Com o passar do tempo, elas assumiram o comando moral dentro das famílias. Da vó Gervásia não podemos duvidar. Ela pariu 19, digo 19 crianças! Nem todos os filhos sobreviveram. O fato já diz sobre o seu "status". Outra matriarca a tia-avó Maria José de Lima, a Mariquinha (foto, ao centro) que teve 12 filhos e a tia-avó Anna Ayres de Lima, a Lica, (primeira sentada à esquerda, foto abaixo),que teve nove filhos. Para lembrar, Maria José de Lima perdeu o "Ayres" e adotou o sobrenome do marido, dando origem ao Ramo dos "Rodrigues Freitas".
Todas elas tinham personalidades fortes e comandavam a casa cheia de filhos e netos. Essas mulheres assumiram também a responsabilidade financeira e trabalharam em casa ou junto aos seus maridos para criarem seus filhos. Gervásia era rígida na educação moral, principalmente das filhas. Em idade avançada era conselheira dos filhos homens, nas discussões mais acaloradas sobre guerras e revoluções, me contou um dia o tio Samuel Ayres de Lima. Mariquinha por sua vez, chegou a bater na face de seu filho Romeu Rodrigues Freitas, na rua e na presença de sua mulher Ieda, por ele ter o costume de jogar cartas. Elas não eram fáceis, não, não...
Mas existiu outra matriarca, a Anna Ayres de Lima, a Aninha (segunda ao alto, à esquerda, foto abaixo), filha de Anna Ayres, a Lica, que ao contrario das outras três matriarcas, não era uma fortaleza, pelo menos no que diz respeito à saúde, mas tinha a capacidade aglutinar os membros da família...
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sexta-feira, 21 de outubro de 2016
Torrefação de Café Meia Lua de Caxambu
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| Documenta - Pesquisa Conservação e Memória |
Podia ser a lua cheia, mas o dono deu o nome à torrefação de café da cidade de Caxambu de Meia Lua, talvez pelo charme daquela luinha, aquele fiapo no céu fazendo companhia às estrelas. E mais! Um dos seus funcionários foi Romeu Rodrigues Freitas, (leia sua biografia, Romeu Rodrigues de Freitas, o Romeu apaixonado, clicando no nome) filho de José Ramiro de Freitas e Maria José de Lima, a vó Mariquinha, no ano de 1937, no seu primeiro emprego. É ele mesmo aí atrás do balcão, atrás dos sacos de meio quilo de café torradinho, prontos para vender.
E senta que lá vem história!
Muitas das descobertas são fruto, literalmente, do acaso. O café foi uma delas. Segundo as informações transmitidas oralmente, um pastor no ano IX, na Etiópia, observou que suas cabras ficavam mais "espertas" comendo as frutas e folhas do cafeeiro. Ao provar, também se sentiu "mais animado" e assim nasceu a cultura do café. Tribos africanas conheciam o café e seus grãos moídos, utilizados como uma pasta servida como alimento para aumentar a força dos seus animais e guerreiros. Daí para se tornar aquele cafezinho consumido como é hoje levou ainda muito tempo. Vamos por partes.
Como o café veio parar no Brasil? O primeiro plantio da árvore ocorreu, em 1727, no Pará, Região Norte do país, e devido às boas condições climáticas, se espalhou rapidamente. O Rio de Janeiro foi o ponto de partida para as grandes plantações, ali na Mata da Tijuca, e eu vi com os próprios olhos. Depois se estendeu para Angra dos Reis, Parati e chegou a São Paulo. Em pouco tempo a região do Rio Paraíba se tornou uma grande região produtora da lavoura cafeeira no Brasil, que foi se espalhando até chegar à região fronteiriça de Minas Gerais.
O café foi uma das monoculturas brasileiras, junto com a cana de açúcar, que mais exigiu de mão de obra escrava. Após a abolição da escravatura, houve uma onda de imigração para o Brasil, principalmente de italianos, indo trabalhar como assalariados nas plantações de café. A economia cafeeira impulsionou a riqueza da região sul do país. A opulência dos plantadores permitiu a construção de grandes casarões, mansões nas cidades, elegeu políticos, financiou a industrialização no Sudeste até que a crise da Bolsa de Nova York atingiu o mundo financeiro. Os preços do café caíram bruscamente e as lavouras enfrentaram muitas dificuldades. E, para a nossa indignação, as sacas de café estocadas foram queimadas, isso mesmo, queimadas para manter os preços altos. O café deixou uma grande herança: o hábito nacional do cafezinho, principalmente em Minas, uai.
Isto é Brasil
De notícia em notícia,o café, em 1951, não ficou mais barato, pelo menos para o povo. O jornal O Patriota, noticiava:
O café foi uma das monoculturas brasileiras, junto com a cana de açúcar, que mais exigiu de mão de obra escrava. Após a abolição da escravatura, houve uma onda de imigração para o Brasil, principalmente de italianos, indo trabalhar como assalariados nas plantações de café. A economia cafeeira impulsionou a riqueza da região sul do país. A opulência dos plantadores permitiu a construção de grandes casarões, mansões nas cidades, elegeu políticos, financiou a industrialização no Sudeste até que a crise da Bolsa de Nova York atingiu o mundo financeiro. Os preços do café caíram bruscamente e as lavouras enfrentaram muitas dificuldades. E, para a nossa indignação, as sacas de café estocadas foram queimadas, isso mesmo, queimadas para manter os preços altos. O café deixou uma grande herança: o hábito nacional do cafezinho, principalmente em Minas, uai.
Isto é Brasil
De notícia em notícia,o café, em 1951, não ficou mais barato, pelo menos para o povo. O jornal O Patriota, noticiava:
A arte de torrar café
Mas quem toma seu cafezinho, ou o seu café com leite de manhã, não sabe que o processo de torrar café é quase uma arte. Eles chamam de "processo pirolítico", isto é, induzido pelo calor, que aumenta a complexidade química do café. Imaginem que o café verde, aquele grãozinho no pé, contém 250 variedades de aromas e, quando torrados aumentam para mais de 800! Sem o processo de torragem, não teríamos o seu "desdobramento" em tantos sabores.
Na casa de torrefação o café é submetido a um aquecimento gradual em um cilindro rotatório quente. Ao ser aquecido, o grão libera as suas essências, sendo elas transportadas para sua superfície em forma de óleos aromáticos. Se os grãos não forem torrados, as substâncias aromáticas que estão no seu interior não se "desdobrariam", dando aquele gosto característico do café. Ha vários graus de torrefação, a leve, a média, a escura e a muito escura, referindo-se à quantidade de umidade do café. Ah, uma verdadeira ciência. A ciência explica: No processo de torração do café, há liberação de gases, e que gases! A ciência não precisa explicar, nós sentíamos. Nas imediações da torrefação do Café Meia Lua o ar se enchia do cheiro delicioso de café torrado...
Acidente de trabalho
Romeu, ainda adolescente, talvez inexperiente ou desatento, sofreu um acidente de trabalho, perdendo o dedo indicador da mão direita na máquina da torrefação. Ele costumava brincar com o fato, colocando o dedo no nariz provocando a curiosidade dos sobrinhos pelo desaparecido membro.
Os grãos de café não o abandonaram. Eles continuaram a fazer parte de sua profissão. Como caminhoneiro, transportou muitas mil sacas de café pelo interior das Minas Gerais. Não sabemos se Romeu tinha consciência das propriedades do café mas, como bom mineiro, sabia apreciar o produto final de seu trabalho.
Ah, descobri depois que finalizei e publiquei este texto, os proprietários da Torrefação na cidade, publicados no Jornal de Minas, de 1936. Um deles era o proprietário. Quem, ainda não sabemos.
Ah, descobri depois que finalizei e publiquei este texto, os proprietários da Torrefação na cidade, publicados no Jornal de Minas, de 1936. Um deles era o proprietário. Quem, ainda não sabemos.
E por ser o nosso blog interativo, recebemos preciosas informações de Julio Caminha, em outubro de 2021, que nos ajudou a identificar fotografados. E a revelação: seu avô, Germino Caminha e seu tio José Caminha estão na foto, e claro tio Romeu. E mais! A torrefação Meia Lua, em 1937, na época que Romeu trabalhava lá era na verdade de propriedade deles e se chamava "Torrefação Brochado".
Agradecimentos:
Os nossos especiais agradecimentos a Graça Pereira Silveira, a nossa pesquisadora de plantão dos fatos e fotos da Família, bem como o trabalho da Thaís Silveira no cuidado do material iconográfico.
Agradecimentos também a Julio Caminha, por fornecer as preciosas informações fornecidas em outubro de 2021, que completam a história da Torrefação Meia Lua.
Fonte:
Edwin Ariel Segura Gonzalez em Monografias. comFonte:
Wikipédia
Foto:
Arquivo pessoal de Maria de Lourdes Freitas, a BeluRevisão :
Paulo Barcala
domingo, 16 de outubro de 2016
Anna Aires Lima, filha de Anna Ayres de Lima
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E no dia Internacional das mulheres...
Anna nasceu, em 8 de março, na data que hoje é comemorado o dia Internacional da mulher. No seu tempo ainda não se comemorava oficialmente o dia, como conhecemos hoje, pois a data só foi instituída, em 26 de agosto de 1910, durante a Conferencia Internacional das Mulheres Socialistas, em Copenhagen, pela líder socialista alemã Clara Zetkin.
Mas o dia internacional da Mulher ia ter outra data. No dia 8 de marco de 1911, 146 trabalhadoras de uma fábrica de tecelagem nos Estados Unidos morreram num incêndio, a maioria costureiras. O incêndio foi considerado o pior da história de Nova York. No momento do trágico acontecimento elas estavam tingindo tecidos da cor lilás, e a cor ficou como símbolo do movimento feminista dos anos 60 até os dias de hoje. Este episódio ficou então associado a origem do Dia Internacional da Mulher.
Mas afora todas a comemorações, quem iria se atentar para o direito das mulheres nos anos de 1910, 20, quando Anna nasceu? E pensarmos que as mulheres no Brasil tiveram o direito de votar somente em 1932 e que foi exercido pela primeira vez, em 1935... Ainda, até 1988 o voto era um direito negado aos analfabetos. Tempos difíceis, muito difíceis para as mulheres...
Os paisBem, Anna Aires de Lima, nasceu em 8 de março de 1906, filha de Anna Ayres de Lima, conhecida como Lica, (2a sentada da esquerda para a direita) e José Eugenio de Souza (1884-1951) conhecido como Zezinho, (sentado ao centro). Pontualmente, e eles não perderam tempo, após nove meses do enlace, veio a primeira filha ao mundo: Maria de Souza Lima (1904-1989). Depois seguiram Anna Ayres de Lima (1906-?) a segunda, José Eugenio de Souza, conhecido por Zé Gaguinho, (1908-?), Geralda de Souza (1910-?), Joaquim Souza Lima, o Quincas (1915-?), que foi irmão gêmeo de Sybastião Ayres de Lima (1915-?), João Ayres de Lima (1918-1918) e Sylvio Ayres de Lima (1921-)
A família morava no Bairro Trançador, apelido de seu avô José Fernandes Ayres que deu nome ao bairro de Caxambu. Do terreno onde os seus avós moraram não sabemos como foi adquirido. O que sempre foi contado na família que ele era possuidor de terras que iam até a divisa da Comarca de Conceição do Rio Verde, terras estas que foram perdidas em disputas jurídicas com a família Carneiro.
Sua mãe era lavadeira de profissão e coordenava os trabalhos da lavanderia do Palace Hotel. Seu pai também trabalhou lá. Ele era o "faz tudo" no hotel. Nas baixas temporadas, quando os hotéis fechavam e os "aquáticos" voltavam para o Rio e São Paulo, os seus pais se viravam como podiam para dar conta de alimentar a família. A mãe Lica continuava lavando roupa e o marido era o "faz tudo", agora na cidade.
Os seus bisavós, seus avós
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| Sensu populacional de Pouso Alto, 1839 |
Sua avó Maria Ribeiro de Lima (1841-?), que se casaria com José Fernandes Ayres (1835-1897), o Trançador-pai, ou velho como era chamado, dando origem à Família Ayres, ainda não havia nascido até esta data.
Surpresa! Surpresa!
Esta tudo ligado...
A família dos seus bisavós se mudou em algum tempo de Pouso Alto para o Chapeo, hoje município de Baependi, provavelmente nos anos de 1850. Ele pode ser considerado um "senhor de escravos" e segundo as minhas pesquisas, possuiu um plantel de aproximadamente 20 escravos, 15 a mais que fora registrado em Pouso Alto. Para a época era considerado um plantel "médio", como na maioria dos proprietários da Comarca do Rio das Mortes, denominação territorial do Brasil Colonial, onde situava Baependi. O número de escravos pode ser ainda maior e será alterado alterado, a medida que nossa pesquisa avance.
E dentre os escravos, uma surpresa. Para comprovar que a histórias de nossas famílias estavam num passado longínquo intimamente ligadas, aqui uma certidão de 1858, em que consta que João José de Lima e Silva, o bisavô de Anna Ayres de Lima, a Aninha, foi proprietário de... Minha bisavó Justinianna Maria da Conceição. Este fato se comprova ao ler a certidão de Camilo Ferreira Junior, (acima) filho de Justinianna aqui erroneamente escrito como "Justina", batizado por José Florencio Bernardes (?-?), também biografado nosso Blog como "O homem dos Raios" e casado com a tia-avó de Anna, Thereza Ribeiro de Lima/ Bernardes (1837-?) que na época tinha 2 anos de idade (no quadro do Sensu acima).
Nessa data minha bisavó pertencia a João José de Lima e Silva e que depois de algum tempo foi vendida para João Ferreira Simões. Na certidão de casamento de Justinianna com Pedro, de 20 de outubro de 1888, cinco meses após a Princesa Isabel ter assinado a Lei Áurea estava lá de fato o termo "libertos", o que é uma felicidade para nós, mas o nome do seu ex-dono ainda ainda constava na certidão: "Justinianna, que foi escrava de João Ferreira Simões". (vejam na árvore genealógica abaixo)
Tudo em família
Anna foi batizada, em 14 de abril de 1906, pelo seu tio por afinidade, Ramiro Rodrigues de Freitas casado com tia Maria José de Lima, a Mariquinha e Ignacia Augusta de Souza, sua avó por parte de pai, abençoada pelo Monsenhor Marcos Pereira Gomes Nogueira, que celebrou muitos cerimonias de batismo, casamento dos nossos antepassados (foto). Pela constelação de padrinhos parece que naquela época tudo ficava em família.E como todas as outras mulheres de seu tempo Anna se casou, quando tinha acabado de completar seus 18 anos, em 16 de junho de 1924, com Ricardo Francisco de Souza, na Igreja Nossa Senhora dos Remédios, em Caxambu. As testemunhas do enlace Pedro Moisés e Sebastião Ferreira. Da união nasceram cinco filhos, todos homens, e ... Pela conta a metade de um time de futebol!
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| A família com Luis Francisco de Souza |
José Francisco de Souza (1923-1991)
Antonio Francisco de Souza/Toninho (1926-2013)
Luiz Franciso de Souza (1929-2016) (foto à direita)
Francisco de Souza/Francisquinho (1930-)
Olimpio Sebastião de Souza (1941-)
João Francisco de Souza (1944-)
E numa casa com tanto filho homem Anna teve o desejo de ter uma filha, assim "adotou" a neta Luciana, filha do filho caçula dela, João Francisco. Na época "pegava-se para criar", um arranjo que só poderia dar certo dentro da família. Assim foi com João de Deus que foi criado pela tia Mariquinha, quando ficou órfão de pai e mãe. A neta Luciana criada pela avó a chamava de mãe sem complicações.
O homem enorme com chapéu gigante
Em toda a família aqueles tempos havia os que gostavam de contar "causos", principalmente de assombração. A vó Anna era uma delas. Ao entardecer havia o ritual dos netos irem para a casa dela. A família se reunia na cozinha para escutar as estórias, contou Nilta Almeida, a neta. A fantasia dos adultos ia longe. "Estórias de Saci, um foguinho que andava no ar, aquela lingüiça de fogo que não queimava..." Coincidentemente estes "causos" já ouvi por boca de outros antepassados, que contaram quase as mesmas estórias. E para aterrorizar mais as crianças era repetida a estória do homem gigante com um chapéu enorme na cabeça, que andava lá no alto do Bairro Trançador, perto da casa de eletricidade... Os adultos aterrados de medo contavam de olhos fixos, esbugalhados, pondo ainda mais medo nos pequenos. Um dia vó Anna ao entardecer foi recolher as roupas no varal e voltou assustadíssima repetindo: "Toninho, o homem enorme de chapéu..." E depois, quem tinha coragem de voltar para a casa na escuridão?
Festa religiosa, campanha política
E os registros fotográficos são testemunhas do seu tempo. Nada melhor que no dia das comemorações de fé, fazer propaganda eleitoral (foto). Carvalho Pinto, que se candidatou a governador de São Paulo para o pleito, de 1959-1963 e venceu!, pendurou uma faixa bem na frente da Igreja Matriz. Ah, mas indiferente ao fato, as comemorações religiosas levaram a família viajar em caravana rumo à cidade Aparecida, organizada na maioria pela Paroquia Nossa Senhora dos Remédios, de Caxambu,.
O Aniversário de aparição de Nossa Senhora da Conceição, popularmente chamada de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida do Norte, é anualmente comemorado, no dia 12 de outubro. A imagem foi encontrada na rede de pescadores, no ano de 1717 e desde então os fiéis fazem peregrinações ao local. Na família a "viagem" era feita em grande estilo, assim digamos. Nesse dia sapatos eram polidos, gravatas, jalecos, ternos, em cujos bolsos ainda guardavam naftalina, saíam dos guarda-roupas e iam compor a elegante indumentária masculina. Claro que não poderia ficar sem o registro fotográfico, feito pelos Lambe-lambes, em frente a Antiga Igreja Matriz. Naquela época não sonhávamos maquinas fotográficas, com telefones celulares e nem... "Selfies". Então...
Foto à esquerda: José Francisco de Souza, foto ao alto da esquerda para direita: Nelsinho, Zezinho, Francisco de Souza, Francisquinho, Antonio Francisco, Alvarinha e José Francisco de Souza, João Francisco e Olimpio Sebastião.
O Aniversário de aparição de Nossa Senhora da Conceição, popularmente chamada de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida do Norte, é anualmente comemorado, no dia 12 de outubro. A imagem foi encontrada na rede de pescadores, no ano de 1717 e desde então os fiéis fazem peregrinações ao local. Na família a "viagem" era feita em grande estilo, assim digamos. Nesse dia sapatos eram polidos, gravatas, jalecos, ternos, em cujos bolsos ainda guardavam naftalina, saíam dos guarda-roupas e iam compor a elegante indumentária masculina. Claro que não poderia ficar sem o registro fotográfico, feito pelos Lambe-lambes, em frente a Antiga Igreja Matriz. Naquela época não sonhávamos maquinas fotográficas, com telefones celulares e nem... "Selfies". Então...
Foto à esquerda: José Francisco de Souza, foto ao alto da esquerda para direita: Nelsinho, Zezinho, Francisco de Souza, Francisquinho, Antonio Francisco, Alvarinha e José Francisco de Souza, João Francisco e Olimpio Sebastião.
Não, não, Anna não falava mal de ninguém, nem ninguém falava mal dela. É que ela era fã de carne de porco. Os médicos desaconselhavam a ingerir a iguaria, mas ninguém a impedia come-la... Às escondidas... Irresistível... E... As orelhas queimavam. A rara alergia à carne de porco se manifestava nas orelhas, que ficavam vermelhas. Assim ela era logo-logo traída pelas sequelas do pecado cometido.
Na lata!
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| Anna, cercada dos seus ente queridos |
A família foi crescendo e a vida continuava. Anna estava sempre cercada de seus ente queridos, seu filhos netos. Depois do falecimento do marido, ainda viveu ainda por sete anos com a neta Luciana que cuidou de Anna até os seus últimos dias. Ao contrário das outras três matriarcas aqui biografadas, ela não era uma fortaleza, pelo menos no que diz respeito a estatura e à saúde. Era "miudinha" contou Nilta de Almeida. Pois eu já ia acreditando que Anna Aires de Lima era aquela figura frágil, até que ela no final da conversa me disse ao indagar quantos anos ela viveu, respondeu Nilta: - Noventa e cinco. Disse tudo.
Fotos:
Arquivo privado de Isa de Souza
Primeira a esquerda a Mariinha, filha da Geralda, Maria filha do quincas, Irma da Rita não é parente. Irma da Nilta Vitor antonio, Tiaozinho, filho do Silvio, Antonio Francisco, Pai com a irmã Neusa, João filho da vó, tio da Nita, Sebastiao Olimpio, filho de Anna, terno escuro no meio, filho do Quincas, Joaquim, de terno preto, de terno branco (?), esposa do Silvio, a Conceceicao com a Francisca no colo, SilvioSenhora de gola branca vo aninha,, do lado, a sua mãe, esposa do Quincas, Marieta, Geralda é irma da vó aninha, do lado "modelo", avó por parte de mãe, Ana Vieira de Carvalho. Marido da vó Aninha Francisco Ricardo de Souza, chapéu do lado o Quincas, Rita esposa do Tiao, e o Tiao filho do Maneco.
domingo, 2 de outubro de 2016
O Matadouro de Caxambu e sua história
"Lá no final da cidade, ou no começo dela, dependendo de onde se vinha, ficava o Matadouro. Perto de casa, caminhada curta para os adultos, para as crianças era uma aventura. Interessante pelo que era, tinha a coisa agourenta que tem todo lugar onde a morte ronda, mas para a criançada era oportunidade de uma boa caminhada e ativação da imaginação."
Mas antes de deixar a Janice Drumont, a nossa vizinha de frente, na Rua Quintino Bocaiúva, contar suas impressões sobre o lugar, vamos voltar lá nos idos de 1881, quando numa seção presidida pelo presidente da câmara dos vereadores de Baependi, o Coronel Justo Maciel, recebeu a petição de Vicente Peixoto para a construção de um matadouro em Caxambu, onde mais tarde o nosso bisavô, José Fernandes Ayres, Trançador-velho e meu avô José Ayres de Lima, o Trançador-filho adquiriam couro, matéria prima para o seu trabalho.
Em ata do 2° dia da Seção Ordinária do dia 22 de janeiro de 1881, foi lida a tal petição de Vicente Peixoto e deliberado que o vereador José Ribeiro "se entendesse com o proprietário sobre a indenização do terreno preciso para tal fim", noticiava o jornal O Baependiano. Lembrando que naquela época Caxambu pertencia a Comarca de Baependi e vindo se separar dela somente, em 1901, sendo assim as decisões politico-administrativas estavam sob sua jurisdição.
Somente quatro anos mais tarde as obras foram iniciadas, demonstrando a morosidade do poder público. No dia 21 de outubro de 1885, o Matadouro em construção recebeu a visita do Tenente José Francisco Maciel, presidente da Camara Municipal de Baependi, a qual a obra foi dada pela sua administração e cujo vice-presidente, João Frauzino Alves Pereira foi encarregado de sua execução.
Somente quatro anos mais tarde as obras foram iniciadas, demonstrando a morosidade do poder público. No dia 21 de outubro de 1885, o Matadouro em construção recebeu a visita do Tenente José Francisco Maciel, presidente da Camara Municipal de Baependi, a qual a obra foi dada pela sua administração e cujo vice-presidente, João Frauzino Alves Pereira foi encarregado de sua execução.
"O Matadouro esta sendo construído em logar apropriado, à margem do Bengo, abaixo da povoação, em terreno comprado do Sr. Manuel de Seixas Baptista, por 150$00.
E um quadrado de 20 braças de lado , e dentro do qual constroe-se um telheiro de 20 braças em quadro, pouco mais ou menos para a matança."
Ah, Manuel de Seixas Baptista, para lembrar, foi o padrinho de batismo de Manoel Ayres de Lima, (1866-1908) o filho do José Fernandes Ayres (1834-1897), o Trançador-pai.
Mas três anos depois de construído, "em lugar apropriado, à margem do Bengo", como foi relatado acima, e exatamente por essas razões, começaram os problemas. "Achando-se ele em logar muito baixo e muito perto do córrego Bengo, é inundado sempre pelas enchentes do córrego, ficando o pavimento coberto de lama e areia de maneira a não poder se servir. Acresce que, sendo pavimento de pedras roliças e mal ajustadas, e tende-se parte destas despregado, contem elle fendas por onde penetra o sangue, que coagulando-se e decompondo-se, produz exalações prejudiciais à saúde pública."
As exalações odoríficas eram um problema, pois estando próximo a estrada eram sentidas pelos transeuntes e os cavalos, que ao passarem pelo local "refugavam, pondo assim seus donos em perigo". A proposta do jornal era que o Matadouro fosse removido para outro lugar, mas contraditoriamente escreve adiante: "O telheiro deve ser construído com a altura necessária para comportar o sarilho."
Assim era. A falta de planejamento e com outros parâmetros de higiene as obras eram feitas sem a fiscalização de profissionais competentes. E o resultado ao passar dos anos, o matadouro não atendia mais às necessidades de higiene no abate dos animais.
"Na visita que ha dias fizemos ao matadouro deste lugar verificamos a necessidade de remover o actual telheiro para melhor logar, que o ha dentro do terreno desapropriado, reconstruído-em melhores condições, com o melhor pavimento, e com a altura suficiente para comportar o sarilho do Sr. Julio Nobrega. (sarilho, equipamento que serve para elevar ou rebocar cargas).
O esquartejamento por meio do sarilho é um processo achado, com o que melhor se esgotam as rezes e se evita que matérias estranhas se misturem à carne.
O cavalheiro a quem nos referimos propõe-se a fazer as obras necessárias no matadouro, medeante a quantia de 500$, sendo 300$ para receber na ocasiono de entregar a obra e o resto para se descontar nos impostos que elle tem de pagar.
Esperamos que nossa câmara municipal prestará attenção ao assunto: uma povoação, como esta, precisa de ter um matadouro, ao menos aceado.
Ella examinará a proposta do Sr. Julio Nobrega, cujas condições nos parecem acceitaves, si não excelentes, para resolver como julgar mais acertado, mandando examinar as obras". O Baependiano, 1888.
E pela importância que tinha o comércio da carne para a região e para a Província de Minas, em 25 de março de 1888 é dado o reconhecimento da necessidade de reformas no prédio. Exatamente como descrito no Jornal O Baependiano, o piso foi elevado e no centro do prédio, o palco central onde os animais eram sacrificados (foto).
Oportunamente o senhor Julio Cunha da Nóbrega tinha acabado de se mudar de Barra Mansa para Caxambu com a família, em 1886 e abriu na cidade uma "casa de negócios" e açougue. Ele pareceu estar disposto a ajudar na reforma do prédio pela sua experiência no ramo de carnes. A metade dos custos seriam pagos pela prefeitura ao concluir a obra e a outra seria descontada dos impostos. Ve-se aqui que o poder público tinha pouca ação e deixou a cargo de um privado a execução das obras necessárias, com todos os riscos...
Mas o problema do Matadouro continuava sendo sua localização. O fiscal de Caxambu, José Teixeira Leal, comunicara a câmara o mal estado das estradas. Perto do Bengo e das enchentes, as ruas que davam acesso ao Matadouro ficavam intransponíveis com as chuvas, impedindo a passagem dos animais e carroças. Mais uma desculpa, ou argumento, para os donos das vacas mudarem o local de abate fazendo-os nos pastos... Um cidadão chegou a escrever para o jornal reclamando do lastimável estado da estrada a ponto das carroças que serviam ao transporte de carnes atolarem no lamaçal. No caso da estrada, o reclamante sanou o problema do próprio bolso "mandando fazer no valo uma estiva à sua custa", isto é, colocou madeira formando uma esteira onde passavam as carroças.
As reformas foram feitas e o prédio (foto) ficou nos conformes. Mas... Resolvido os problemas com a reforma do prédio, outro problema não menos importante veio à tona: A falta de um profissional para o controle sanitário dos animais. Em visita ao matadouro, o Jornal noticia: "A propósito lembramos à necessidade de um médico para o matadouro, e esperamos que nossa Camara Municipal se ocupara de nomear um." Reformaram o prédio e esqueceram da saúde dos animais e da saúde dos consumidores. Eita!
E tudo se tranforma...
E de notícia em notícia Julio Nobrega, apresentou uma vaca abatida, cujas "entranhas do animal que se achavam eivadas de tubérculos". Muito nobre por parte do dono do açougue por a público a saúde de sua mercadoria, mas como nada era desperdiçado ele resolveu transforma-la em sabão. E pensar que, em 1882, Robert Koch descobriu o agente infeccioso da tuberculose e sendo que os primeiros dispositivos legais instituindo a aplicação obrigatória do teste que diagnosticava a doença nas vacas, em 1897, no Rio de Janeiro e 1898, em São Paulo. Que dizer nos rincões das Minas Gerais, no Matadouro de Caxambu que nem veterinário tinha? Eles não sabiam que o manuseio da carne contaminada, também poderia transmitir a doença para os humanos...
Taxa mendigo
E para resolver as graves desigualdades sociais da velha Caxambu dos anos 40, houve uma soluçao no mínimo criativa. O prefeito Dr. Lysandro Guimarães, institui em 30 de abril de 1948 a "Taxa de transporte para o gado abatido no Matadouro Municipal". No parágrafo 2° consta que as taxas estariam sujeitas a cobrança de 10% para "socorro ao Mendigo". Gostaria de saber como era administrada esta taxa na prática...
Entrou década e saiu década. Da petição expedida no ano de 1881 até hoje se passaram 135 anos. Nós crianças nos anos 60 íamos assistir o espetáculo da morte à marretadas. Acredito que os métodos de abate não mudaram até esta data. O Matadouro teve no início dos anos 70 seus dias contados. E de estação final para as pobres vacas o prédio histórico, no Bairro Santa Rita, até tinha lá seu charme e poderia ter tido outro destino que servir à carceragem da cidade. Façam uma visita virtual.
Mas o problema do Matadouro continuava sendo sua localização. O fiscal de Caxambu, José Teixeira Leal, comunicara a câmara o mal estado das estradas. Perto do Bengo e das enchentes, as ruas que davam acesso ao Matadouro ficavam intransponíveis com as chuvas, impedindo a passagem dos animais e carroças. Mais uma desculpa, ou argumento, para os donos das vacas mudarem o local de abate fazendo-os nos pastos... Um cidadão chegou a escrever para o jornal reclamando do lastimável estado da estrada a ponto das carroças que serviam ao transporte de carnes atolarem no lamaçal. No caso da estrada, o reclamante sanou o problema do próprio bolso "mandando fazer no valo uma estiva à sua custa", isto é, colocou madeira formando uma esteira onde passavam as carroças.
E tudo se tranforma...
E de notícia em notícia Julio Nobrega, apresentou uma vaca abatida, cujas "entranhas do animal que se achavam eivadas de tubérculos". Muito nobre por parte do dono do açougue por a público a saúde de sua mercadoria, mas como nada era desperdiçado ele resolveu transforma-la em sabão. E pensar que, em 1882, Robert Koch descobriu o agente infeccioso da tuberculose e sendo que os primeiros dispositivos legais instituindo a aplicação obrigatória do teste que diagnosticava a doença nas vacas, em 1897, no Rio de Janeiro e 1898, em São Paulo. Que dizer nos rincões das Minas Gerais, no Matadouro de Caxambu que nem veterinário tinha? Eles não sabiam que o manuseio da carne contaminada, também poderia transmitir a doença para os humanos...
Taxa mendigo
Entrou década e saiu década. Da petição expedida no ano de 1881 até hoje se passaram 135 anos. Nós crianças nos anos 60 íamos assistir o espetáculo da morte à marretadas. Acredito que os métodos de abate não mudaram até esta data. O Matadouro teve no início dos anos 70 seus dias contados. E de estação final para as pobres vacas o prédio histórico, no Bairro Santa Rita, até tinha lá seu charme e poderia ter tido outro destino que servir à carceragem da cidade. Façam uma visita virtual.
O Baependiano,1877-1889
O Patriota, 1917-1951
Fotos:
Autoria desconhecida
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