domingo, 10 de junho de 2018

O engenho e a roda do engenho no Chapeo/ Muita água e história passou por esse moínho



E contudo, entre o passado, mesmo longínquo, e o presente nunca há ruptura total, descontinuidade absoluta ou, se se preferir, uma não contaminação. As experiências do passado prolongam-se incessantemente na vida presente, alargam-na (...). Enfim, esta dialética - passado, presente; presente, passado é, com certeza, pura e simplesmente, o coração, a razão de ser da própria história (Braudel, 1986:53). (1)

E se não fossem as surpresas dos registros... uma roda de engenho? Absolutamente uma relíquia dos tempos, que liga o presente ao nosso passado, uma prova concreta de que os nossos antepassados a construíram, com ela trabalharam, ganharam a vida e criaram os seus filhos. Graças a ela a família Lima pode comer, ir à escola.

"Onde quer que se localizassem, os moinhos cumpriam um importante papel nas suas paragens, fornecendo o fubá, para a confecção de bolos, broas, sopas e o angu - cujo papel sempre foi destacado na alimentação de escravos negros. Da moagem realizada nesse rústico maquinismo, provinha também a quirera (ou canjiquinha, como é chamada em Minas Grais), fundamental na criação de porcos, cavalos e aves domésticas." (1)

O doce-amargo sabor da escravidão

A origem do moinho hidráulico remonta à antiga Grécia. Ele foi um dos elementos marcantes nas paisagens rurais das Minas Gerais. Estava presente nas grandes e pequenas propriedades e foi parte importante da estrutura agrária do Sudeste brasileiro.

O primeiro engenho construído no Brasil que se tem notícia foi em Pernambuco no ano de 1516, destinado à fabricação de açúcar. A partir de 1530, os donatários das Capitanias iniciaram a implementação de engenhos para atender a grande demanda do produto, e assim iniciou o povoamento em torno deles. Para o trabalho, tentaram escravizar, sem sucesso, os indígenas. Então optaram por importar escravos da África. O subproduto da fabricação do açúcar, a cachaça, foi moeda de troca no comércio de escravos. O doce-amargo sabor da escravidão...

Os engenhos possuíam diferentes características. Havia unidades de moer cana, de descaroçar algodão, de triturar minério e limpar cerais - engenhos de pilões, de beneficiamento do milho - engenho de fubá ou moinho d`agua e os engenhos de serra. Os engenhos de água eram de construção mais complexa que os movidos por tração animal, e sua manutenção, dispendiosa. Tinham, porém, maior capacidade produtiva que os de tração animal. Para a sua construção era necessária, além da matéria prima, madeira de grande resistência à água, como a cabreúva, a cangerana, a canela-preta, angahi-rajado, com as quais eram confeccionadas a parte central dos moinhos. Era preciso, também, um bom carpinteiro. 

Já os moinhos de pedra eram compostos por pedras de grande resistência com sulcos para melhorar a moagem dos grãos, denominadas mós. O relevo acidentado da região e a água em abundância da região do Chapeo possibilitaram Pedro ter os dois sistemas: a unidade de moenda de cana, com a grande roda de madeira, e a moenda de pedra, na casa atrás. (fotos).

João José de Lima e Silva, a roda da vida

E aqui voltamos a João José de Lima e Silva (1798-1875) o mais antigo ancestral da Família Ayres/Lima/Loesch e suas ramificações, para explicar as coisas.

O nosso tataravô se mudou de Pouso Alto para o Chapeo por volta de 1854. Até o seu falecimento, em 1875, eles tiveram que conviver com a conturbada política da região. Os movimentos abolicionistas chacoalhavam a Província, e a insatisfação com a possível falta de braços para tocar as lavouras levava os produtores agrícolas a temer pelo seu futuro. Eles claro, eram parte da história. Com um plantel superior a 20 escravos, sua propriedade podia ser considerada de médio porte. Nela havia criação de animais, cultivo do milho, feijão, arroz, algodão, café e fumo. Este último que ajudou Baependi a tornar-se famosa, pela qualidade de seu tabaco.

Na história, a Comarca do Rio das Mortes, unidade administrativa no tempo do Brasil-Colonial na qual Baependi estava inserida, foi considerada de alto nível de desenvolvimento econômico. O indicador eram os plantéis de escravos. Numa tabela da presença de escravos e tamanho dos plantéis da primeira metade do século XVIII, baseados nos inventários das comarcas de Ouro Preto e Rio das Velhas, constava que os possuidores de até 20 escravos significavam 27,4% na estrutura econômica. João José  fazia parte dela. O moinho então significava para a Família Lima ferramenta de trabalho, e acredito que a roda desse moinho tenha servido a várias gerações, desde João José de Lima e Silva a Pedro e Lina.

Então vieram novos tempos. O Brasil não era mais colônia, a escravidão chegou ao fim e o Brasil foi, mesmo que lentamente, se transformando. Muitos engenhos foram desativados pela carência de braços cativos, e as grandes demandas de açúcar já não existiam. Mesmo com as mudanças econômicas, os moinhos, suas rodas e pedras tiveram ainda uma vida longa em Minas Gerais. Eles estariam vinculados à produção para o consumo próprio, e o pequeno excedente era comercializado na região até os anos de 1960.

Os engenhos de Minas e as Minas dos engenhos



Na propriedade de Pedro Francisco de Lima e Lina Amélia de Lima era praticada a agricultura familiar, uma comprovação da continuidade das atividades econômicas exercidas por seus antepassados. Pedro Francisco foi descendente de Francisco Ignacio de Lima, neto de José Ignacio de Lima e bisneto de João  José de Lima e Silva.

O moinho ainda era parte integrante dessas atividades. Com a cana moída no engenho era fabricada rapadura, bem como o fubá, moído no pequeno engenho de pedra. Eles tinham uma pequena criação de gado e aves, fabricavam queijo, principalmente para os hotéis de Caxambu, na alta temporada. Os produtos eram transportados como nos tempos do Brasil colonial, no lombo de cavalos, até que chegou a modernidade. Pedro foi o primeiro lá do Chapeo a adquirir um veículo motorizado, um Jeep, e assim as mercadorias chegavam rapidamente ao seu destino.

Nas ancas do burro

Assim lembra Antonio Claret Maciel Santos:

A Venda de meu pai, Joaquim dos Santos que existiu da década de 30 até 1960, na Rua Teixeira Leal, era ponto exclusivo e único na comercialização de fubá moído em moinho de pedra acionado por água, produzido no Chapéo pelo "Seu" Pedro que semanalmente trazia um saco cheio dentro de um jacá de bambu  nas ancas de um burro. O produto era vendido rapidamente. Como clientes fiéis me lembro de Rangel Viotti e José Bráulio Junqueira que pedia o produto do interior de seu "rabo de peixe", quando voltava de sua chácara, nos fundos do Parque da Exposição. Esse "seu" Pedro era presbiteriano.

Para a nossa tristeza o moinho de madeira foi vendido. Ainda bem que Loide Lima/Losch o fotografou, provando que de fato ele existiu, e assim pudemos contar a sua história. O moinho de pedra, ah, esse fará parte de uma outra reportagem. 
Fotos:
Arquivo privado da Familia Lima/Loesch
Na foto, Carolina e Fernando, em 1980, filhos de Loide Lima Loesch.
Fonte:
(1) ANDRADE, Francisco de Carvalho Dias, in - A presença dos moinhos hidráulicos no Brasil - tese de Doutorado, 2015.
(2) GODOY, Marcelo Magalhães, in No país das minas de ouro a paisagem vertia engenhos de casa e casa de negócio - Um estudo das atividades agroaçucareiras tradicionais mineiras, entre o Setecentos e o Novecentos, e do complexo mercantil da província de Minas Gerais.
Agradecimentos:
Agradecimentos muitíssimos especiais ao meu contemporâneo Julio Jeha e a Antonio Claret Maciel Santos que com suas lembranças, complementa a nossa história, comentado no Facebook e transcrito no nosso texto.

sábado, 26 de maio de 2018

Às vezes a gente é notícia... na Alemanha


Revirando os papéis, colocando a casa em ordem, acabei de "me achar". A noticia é morna, até porque é do ano de 2002, quando fui entrevistada, juntamente com outros cidadãos de cinco países: Holanda, França, Iran, Áustria, Tunisia e solicitada para descrever a passagem do ano na minha terra Natal. Contei tudo, até que o povo veste cueca e calcinha branca no dia 31 de janeiro.  A repórter achou muito curioso. Ah, na semana em que foi publicada a reportagem, entrei no trem em Colônia e muitos me olhavam estranhamente, depois lembrei que fui a capa do jornal... 
PS: Ainda era "djovem".
Foto:
Da capa do Kölner Wochenspiegel.

domingo, 20 de maio de 2018

Roubo na Capela Nossa Senhora dos Remédios/ Caxambu/ A justiça dos homens




E foi publicado no jornal O Bohemio de 1883, que no dia 21 foi aberta a sessão, presidida pelo juiz de direito, o Dr. Torquato Fortes Junqueira, sendo o promotor Tenente Antonio Carlos Viriato Catão Junior e  escrivão Manoel A de Mello Mattos, 2° tabelião, e foram  proclamadas as seguintes sentenças:

"... Não havendo sessão por falta de número legal, no dia 22, foi submetido a julgamento o réo Theodoro Francisco, vulgo de Freitas, accusado de crime de homicídio na pessoa de Pedro Rodrigues. Defendido pelo Comendador José Pedro Américo de Mattos, foi absolvido por 9 votos. 

Mas a pena implacável foi para o réu Misael Fernandes Rosa, julgado no dia seguinte. Ele Roubou a capelinha de Caxambu e foi condenado a... quatro anos e meio de prisão, com trabalho, e multa de 20% do valor roubado. Justiça dos homens.
Fonte:
Jornal O Bohemio, 1883.

domingo, 13 de maio de 2018

Bibiano José Ferreira, o elo perdido/ 100 anos da fundação da Igreja Presbiteriana no Sul de Minas

Certidão de batismo e casamento de Bibiano José Ferreira

Em 1862, nasceu Bibiano José Ferreira, filho de Cândido José Ferreira (?-?) e Ignacia Ribeiro de Lima(?-?), batizado, em 23 de dezembro, na Capela de Santo Antonio do Piracicaba, hoje município de Baependi. Ele foi batizado pelo avô João José de Lima e Silva (1798-1875) (meu tataravô) e Anna Francelina de Castilho (1809-1889) (mãe de um tio de Bibiano por parte de casamento com sua tia Thereza Ribeiro de Lima/Jesus, José Florencio Bernardes).

Mas que estaria fazendo Bibiano em nosso blog? Claro, que além do parentesco Bibiano... neto de João José de Lima e Silva, o mais antigo ancestral do ramo da Família Ayres, cujo nome apareceu no sensu da População de Pouso Alto, no ano de 1839. Bibiano foi um dos fundadores da Igreja Presbiteriana na região. Isto quer dizer então que achamos mais elo perdido dos Lima no Chapeo!

Bibiano José Ferreira e seu tempo/ a complicada teia dos apadrinhamentos/ seus avós, bisavós, as relações de parentesco e batizados na sociedade escravista de Baependi do século passado

Para entender os apadrinhamentos, os pais procuravam gente de posses e nome para batizar seus filhos, como foi aqui o caso de Bibiano. Dona Anna Francelina de Castilho era mãe de José Florencio Bernardes (?-?) este detentor de um grande plantel de escravos, proprietário de terras e eleitor da província. Só podia ser eleitor quem tinha "cabedal" isto é, dinheiro e posses comprovados.

E, ei, atenção! Florencio Bernardes foi padrinho também de Camilo Ferreira Junior (1858-?), filho de minha tataravó, a escrava Justiniana Maria da Conceição (1843-1914). Ainda, o avô de Bibiano, João José de Lima e Silva, portanto o avo de 5° geração de Loide Lima Loesch  era, no ano de 1854, proprietário de minha tataravó, Justiniana Maria da Conceição. Não é sensacional? Ah, eu sei que é muita informação para entender, mas garantimos que as nossas famílias e seus ramos estão naquele passado interligadas umas nas outras. Vamos à frente.

Tanto os seus avós, como seus bisavós foram senhores de escravos na região do Chapeo e Piracicaba. Seu avô Candido José Ferreira tinha um considerável numero deles, atras de João José de Lima e Silva, seu bisavô (meu tataravô). Tanto que Bibiano foi padrinho, em 10 de outubro de 1880, de uma delas, Constância, filha de Romana, juntamente com Prisciliana Izidora do Espírito Santo; escravos estes pertencentes ao seu avô Cândido José Ferreira. Não esqueçamos que Prisciliana  era casada com José Florencio Bernardes, que era tio por afinidade, por  ter casado com sua tia, a Tereza Ribeiro de Lima, ele também proprietário de escravos. Então os parentes batizavam os escravos de Cândido José Ferreira.  O batismo funcionava assim como uma "certidão de posse", um certificado  emitido pela igreja, na sociedade escravista do Brasil Colonial. Rufino José de Lima, seu primo, e Fraujina Honorina de Jesus foram também padrinhos de mais uma filha da escrava Romana, em 13 de junho de 1883, a Marcolina. Nos meus arquivos de pesquisa, Cândido José Ferreira, avô o de Bibiano era quem mais possuía escravos depois de João José de Lima e Silva o seu bisavô , e José Florencio Bernardes, seu tio por afinidade.

Bibiano se casou, em 10 de abril de 1888, com Maria Eugenia de Jesus (?-?), na Capela de Nossa Senhora do Pinhal, sendo as testemunhas, Honório Ferreira  Gomes e João Esau dos Santos.
São os seguintes descendentes de primeira geração de Bibiano José ferreira  e Maria Eugenia de Jesus:
Brotero Ferreira (1890-?)
Analia Ferreira (1895-?)
Benvinda Ferrieira (1898-?)
Juventina Ferreira (1900-?)
José Ferreira /Vasconcelos (1903-?)
Prisciliana Ferreira (1906-?)
Pedro Francisco (?-?)
Esméria Ferreira (?-?)

Os presbiterianos no Sul de Minas

E o tempo passou, os escravos foram libertos, causando  grandes mudanças na política e na economia da região. O caro tabaco, vendido na Corte do Rio de Janeiro, já tinha perdido sua pujança e os fazendeiros reclamavam a falta de braços para tocarem suas lavouras. Embora o comércio de produtos através das tropas e tropeiros entre as fazendas do Sul de Minas, Rio e São Paulo ainda florescia, a economia não era mais a mesma, nem as crenças religiosas. Muitas mudanças estariam ainda por vir. Bibiano vivenciou a transição do século, a passagem da sociedade escravista para a de cidadãos livres. Então quais motivos Bibiano teria trocado sua crença religiosa?

A expansão da comunidade presbiteriana no Sul de Minas se deu ao longo da Estrada Real. Fulgêncio Batista descreve a rota daqueles que pretendiam chegar a Caxambu, em 1873. Conhecidos núcleos protestantes no arraial de Pouso Alto, passando pelo Sengó, e chegando a Caxambu. A partir de 1880, o acesso ao Sul de Minas foi facilitado pela ligação das povoações através dos trilhos. O trem chegou a vizinha Soledade de Minas, em 14 de junho de 1884. A viagem seguia partir daí nos cavalos e carroças faziam o percurso até Caxambu, que teve que esperar até 1891, quando o trem chegou à povoação, pelos trilhos da Viação Férrea Sapucai. Os trens então trouxeram os pastores presbiterianos para o Sul de Minas.

E foi no final do século XIX, no início de 1903, que foram iniciados os trabalhos da comunidade evangélica  no Chapeo, hoje bairro de Baependi. Sim, sim na pequena comunidade do Chapeo, situada num dos caminhos alternativos da Estrada Real viu outras crenças ocupar o espaço espiritual de seus habitantes. 

Em 1904, foi celebrada a primeira Santa Ceia, no Piracicaba. Em 1906, o diácono foi recebido, no Recreio, por 15 pessoas, entre as quais diversas residentes no Chapeo. Em 1907, o Reverendo Manoel Antonio de Menezes assumiu os trabalhos na região. Foi agosto de 1908 foi celebrado o culto na casa de Bibiano, pelo Rev. Alvares Reis com a presença da esposa e seus quatro filhos. 

Mas o marco histórico para o Chapeo tinha acontecido poucos meses, quando a comunidade recebeu a visita do Reverendo Erasmo Braga. Quem era Erasmo Braga?


Erasmo Braga (1877-1932) - foto de 1901, iniciou os estudos em teologia aos 16 anos tornando-se pastor e professor. Foi líder presbiteriano e com grande esforço ativou a cooperação entre as igrejas evangélicas do Brasil, na década de 1912, nas área de literatura, educação crista e teológica. Para ele os evangélicos deveriam se unir e vincular sua fé   às mudanças sociais do país. Erasmo se destacou como um dos maiores líderes evangélicos de seu tempo. E foram tempos difíceis, pois dos seus primórdios até o estabelecimento definitivo do trabalho dos eclesiais na região, as reuniões dos presbiterianos se davam em residências particulares para evitarem que fossem... apedrejados.

Já no início do trabalhos, em 1906,  eles contavam com  85 membros, num total de 6.500 membros em todo o Brasil.  Uma vitória para a comunidade presbiteriana do Chapeo, cercada pelos católicos da região da Capela de Santo Antonio do Piracicaba e da Igreja Matriz Nossa Senhora de Mont Serrat de Baependi. Podemos então dizer que uma das primeiras células presbiterianas na região surgiu então no Chapeo, posteriormente, foram se organizando em Piracicaba, Sengó, município de Pouso Alto.

A comunidade presbítera florescia. Em 1913, noticiava o jornal O Puritano que as obras estavam adiantadas:  "Ja foram levantados os alicerces e quase toda a madeira esta no lugar. Em breve será inaugurado o pequeno Templo". Bibiano foi quem fez doação do terreno de 35m de frente e fundos para a construção do salão de cultos e um cemitério.

Com o pequeno templo de pé, a Igreja Presbiteriana ganhava adeptos e também os seus primeiros diáconos. Foram eles Marciano Martins de Castro, Adolfo Martins  e o próprio  Bibiano José Ferreira.
A partir do núcleo presbiteriano do Chapeo, partiram eles para organizar a Igreja Presbiteriana de Caxambu. Ah, mas essa é outra história.
Foto
Arquivo privado da Igreja Presbiteriana.
Fonte:
DIAS, Carlos Alberto - A FÉ NO CAMINHO DAS ÁGUAS: UMA ABORDAGEM HISTÓRICA DO PRIMEIRO CENTENÁRIO DA IPS CAXAMBU - MG, Universidade presbiteriana Mackenzie - Escola Superior de Teologia, 2010.
School of Theology
Site da Igreja Presbiteriana de Caxambu
Igreja Presbiteriana de Pinheiros, SP
PARANHOS, Paulo, Ruim Mais vai / O desenvolvimento da estrada de ferro no sul de Minas Gerais e a chegada do trem a Caxambu.
MATOS, Alderi Sousa, BREVE HISTÓRIA DO PROTESTANTISMO NO BRASIL.
Wikipedia
Familia Search
Agradecimentos:
Ao meu antigo colega de escola, Carlos Alberto Dias da Igreja Presbiteriana de Caxambu, por fornecer à nossa pesquisadora, Graça Pereira Silveira, preciosas informações e rico material fotográfico, em visita à sua residência no mês de abril de 2018, em Caxambu.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

São muitas as lembranças / Café com prosa/ Laços e entrelaços das Famílias Ayres e Lima Loesch




Em dezembro de 2017, Loide Lima Loesch recebeu em sua casa, em Caxambu, para um café com prosa Graça Pereira Silveira, a Graça. Ela é a nossa pesquisadora "in loco" e  quem faz o trabalho de recuperação de nossas memórias junto aos nossos familiares, mas também de gente que fez e faz parte das histórias das famílias caxambuenses.


Desta vez recuperamos um dos muitos elos perdidos de nossos ancestrais no Chapeo, bairro de Baependi,  o Ramo dos Lima/Lorsch, e intrincada a rede de parentesco. Também fomos presenteados com muitas histórias, fotos, que deixam os nossos corações batendo forte. Ao alto, o casamento de Lídia e a grande família reunida, posando para eternidade.  Ao centro Pedro Francisco de Lima (1921-?) e Lina Amélia de Lima (1936-?), ele filho de Francisco Ignacio de Lima e Emilia Prudenciana de Jesus. Pedro era neto de José Ignacio de Lima e Fraujina Honória de Jesus, bisneto de Joao José de Lina e Silva (1798-1875), um senhor de escravos (leia aqui a história completa) e Joana Thereza Ribeiro, os  mais antigos ancestrais da Família Ayres/Lima/Loesch, registrados no censo de 1830, na cidade de Pouso Alto. Aos nossos antepassados nossas reverências.

Fotos:
Graça Pereira Silveira
Arquivo privado da Família Lima Loesch
Agradecimentos:
CEDEPLAR, UFMG

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Aniversário da Salete


Salete Figueira completava seus dourados 15 anos, quando convidou os amigos e os colegas de classe para o seu aniversário. Na foto, Salete Figueira, Alvinho, eu, Quinzinho Baião e Reynaldo Guedes.
Na minha lembrança  sua mãe, dona Zilma Figueira, sempre alegre, recebia a gente com bolo em sua casa, quando íamos fazer aqueles trabalhos em grupo. Aliás, Salete era daquelas que realmente ca-pri-cha-va nos trabalhos escolares. A menina tinha talento, tanto é que foi trabalhar em museu com restauração e como educadora. Saudades eternas da galerinha. 
Foto:
Arquivo privado de Salete Figueira

terça-feira, 8 de maio de 2018

Culto em comemoração aos 100 anos da Igreja Presbiteriana do Chapeo/ Baependi


No dia 29 de abril de 2018, foi celebrado o Culto em comemoração aos 100 anos da Igreja Presbiteriana do bairro  Chapeo de Baependi, sendo um dos seus fundadores, Bibiano José Ferreira, bisneto João José de Lima Silva (1798-1875) e Joana Theresa Ribeiro de Lima (1807-1860) os mais antigos ancestrais dos ramos da Família Ayres e Lima/Loesch. Ah, lá atras estava já tudo ligado.
Foto:
Arquivo privado de Loide Lima Loesch

domingo, 6 de maio de 2018

Represa do Jacaré / Tinha jacaré na represa de Caxambu?



É tempo de férias, noticiavam os jornais da década de 1960, fazendo chamada para a conhecida estação de águas. As atrações? O Parque, naturalmente, as fontes e outros "passeios" indicados, como a Represa Nova, a Lagoa Santo Antônio, o Morro de Caxambu e "chácaras de uvas e pêssegos", referindo-se à Chácara das Uvas da tia Mercedes Soler,  e... a Represa do Jacaré. Mas Caxambu tinha jacaré nas suas redondezas? Não, não, o nome está relacionado ao... jogo do bicho! Vamos lá contar a história, ou estória.

O jacaré, sorte ou azar

Foi em 1896, que a história ou estória começa, com um bicheiro de nome Jimenes, que passou a Ximenes e se transformou em Don Ximenes, o que nos parece um tratamento... eclesial. Na verdade, Jimenes era o dono da banca de jogo do bicho de Caxambu. Como na época não havia ainda o telégrafo na cidade, ele, não podendo usar os números da loteria federal, escrevia em um pedaço de papel o nome de um dos vinte e cinco bichos e o guardava numa caixinha de madeira no alto da porta do seu estabelecimento. Mas um esperto, juntamente com um pedreiro, achou por bem, ou mal, fazer um orifício no forro do quarto no andar de cima e conseguiu ler qual seria o bicho do dia seguinte. O bicho era "jacaré". Bem, no dia seguinte, já corria à boca pequena o resultado e muitos apostaram, causando estranheza ao Jimenes pelo número de apostadores no réptil. A pergunta era: como haviam descoberto com antecedência o resultado? Ele ia ter prejuízo, muito prejuízo se tivesse que pagar a todos os ganhadores e, refletindo sobre os acontecimentos, olha para cima pensativo e vê o buraquinho feito no piso do andar superior...

Havia uma bandinha que tocava toda tarde, e o final do número musical coincidia com o ritual de Jimenes, baixando a caixinha com o resultado. Mas nesse dia o ritual da caixinha foi retardado e a bandinha tocava e tocava...  Pensavam os apostadores: Jimenes está ocupado contando o dinheiro para pagar nos pagar. Qual! O descer da caixa atrasou uma hora e os que esperavam o resultado, já quase sentiam o gosto da maldade. Silêncio . O bicho é anunciado: -Ja-ca-ré!  Foi uma explosão de júbilo de vários presentes gritando "eu ganhei"!

Aí discursou Jimenes:
" - Fui vítima de um espertalhão. Algum de "ustedes" furou o forro e minha casa para ler o bicho que escrevi. Não faz mal. Pagarei a todos e com grande prazer, mas de maneira diferente. A importância que lhes pertence, oitenta contos de réis, será entregue a uma comissão de médicos e engenheiros deste lugar, para os serviços de abastecimento água para as casas de todos nós." Depois de reações diversas, vieram os "muito bem", apoiado" e "bravos", conta o jornalista Celso Guimarães, que publicou o texto na revista  Carioca, de onde vieram as informações acima. Agora imaginem o constrangimento dos administradores da cidade, recebendo o dinheiro para uma benfeitoria pública de uma banca de jogo de bicho. Segundo Guimarães, o bicheiro até foi nome de rua. Sim, Dom Ximenes. De fato, a rua existe e fica perto da Rodoviária, em direção ao bairro Bosque que leva à... Represa do Jacaré.

Almoçando com o presidente Vargas na Represa do Jacaré

E a Represa do Jacaré não ficaria no anonimato. Getulio Vargas visitou Caxambu em de 1939 e  foi almoçar na... Represa do Jacaré. Foi um almoço denominado "campestre", com pratos da cozinha mineira e um churrasco, servido em quatro mesas, onde se sentavam as figuras proeminentes, como  Benedito Valadares, governador  do Estado e Joaquim Valadares, prefeito interventor, Getúlio e sua esposa, Darci Vargas.

Imaginem que as moçoilas da cidade convidadas para o evento, foram a cavalo, aboletadas em charretes e em um carro de boi, enfeitados para o evento. A caravana levava grupos de violeiros que tocaram durante o trajeto, até a represa. Os violeiros não estavam sós: também tocou uma banda de jazz. A festa terminou lá pelas quatro da tarde na Represa do Jacaré, aquela que foi construída com o dinheiro do jogo do bicho. Assim me contaram.

(Cliquem aqui e passem pela Rua Don Ximenes), que fica perto da antiga estação Ferroviária, hoje Rodoviária de Caxambu.
Fotos:
Carioca, 1944
Fonte:
(1) A Cigarra, 1967
Jornal do Brasil , 1966
Diário Carioca,
A Noite, 1939
Carioca, 1944
Google
Agradecimentos:
Agradecimentos muito especiais a Júlio Jeha

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Serra da Careta/ Um perfil com muitas histórias



Gervásia Maria da Conceição nasceu em 30 do mês de setembro de 1881, filha natural de Sabina Maria da Conceição, esta última escrava de João Ferreira Simões, "bem debaixo da Serra da Careta", literalmente, no bairro que hoje se chama Chapeu. Felizmente Gervásia foi considerada "livre", por ter nascido após a proclamação da Lei do Ventre Livre de 28 de setembro de 1871, que considerava que todo filho de escrava nascido após aquela data seria um livre cidadão.

Sabina engravidou-se muito cedo de Gervásia, aos 17 anos do feitor da fazenda, assim como a própria Sabina. No desespero tentou interromper a gravidez indesejada chegando a tomar chá de casco de burro, ou pata de vaca, uma espécie de orquídea, que na medicina popular, usado em grande quantidade, pode causar aborto. Mas o tal chá não funcionou e teimosamente Gervásia veio ao mundo num dia em que o céu prometia grande tempestade. Sabina, nos últimos dias de gravidez saiu "como louca" pelos campos afora e desapareceu, como fazem os animais selvagens quando vão ter suas crias. Bem longe dos olhos dos brancos Sabina pariu Gervásia, sozinha, sem apoio nem assistência médica, destino de tantas outras mães escravas. Pouco tempo depois ela reaparece na fazenda um tando descabelada e suja com a pequena Gervásia "embrulhadinha nos panos", como relatou minha tia Célia, Celia Ayres de Lima /Araújo lembrando do que a sua mãe lhe contara.
Foto:
Arquivo privado de Esther Bittencourt
Agradecimentos:
A Esther que gentilmente permitiu que a sua bela foto fosse publicada no nosso Blog.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Da série: colo de mãe, colo de vó


Colo de mãe, colo de vó.

Ao alto: Vó Mariquinha, a Maria Ayres de Lima, vô Ramiro Rodrigues de Freitas, filhos e parentes; foto à direita, Graça Pereira Silveira, no colo da mãe Geralda Pereira, foto à esquerda:  Graça  Pereira e a neta Marina.
Fotos:
Arquivo privado da Família Ayres/ Rodrigues/Freitas/Pereira

terça-feira, 1 de maio de 2018

A primeira Missa Campal em Caxambu



No dia 3 de maio de 1903 foi celebrada um Missa Campal em Caxambu, mais exatamente no alto do Morro de Caxambu. Na data unia três comemorações significativas para o calendário Católico: uma, a exaltação da Santa Cruz; outra a descoberta do Brasil, quando foi celebrada num domingo a primeira missa na praia da Coroa Vermelha, em Santa Cruz de Cabrália, no sul da Bahia, por Frei Henrique de Coimbra, em 6 de maio de 1500; por fim, o trigésimo aniversário da primeira missa celebrada, em 1873, pelo vigário  José Silvério Nogueira da Luz na povoação de Caxambu, isto é, na Paroquia Nossa Senhora dos Remédios. Mas a primeira celebração do gênero aconteceu em 3 de maio de 1862, celebrada pelo Reverendo Cónego Joaquim Gomes Carmo, quando da instalação  do Cruzeiro no alto da elevação, onde é hoje a Igreja Santa Izabel.


Para comemorar o triplo evento, o padre teve a brilhante idéia de realizar uma missa campal, no alto do morro, onde também fora erguido o Cruzeiro, comemoração  da passagem século. Para realizar tal evento, fora da Igreja Matriz, o vigário teve que pedir licença especial ao Bispado de Campanha, ao qual a paroquia estava subordinada. O "singelo altar", assim descrito, foi erguido debaixo de um toldo e coberto por ramos de palmeiras. Diante do magnifico panorama que se descortinava, tenho certeza que todos se sentiam um pouquinho mais perto do criador, embalados pela Ave Maria de Carlos Gomes, orquestrada pelo maestro Joaquim Pinto. Ave!

E, para aqueles que talvez queiram ouvir, aqui a Ave Maria de Antonio Carlos Gomes

Foto:
Cartão postal
Victor Meireles, 1 janeiro de 1860, pintura. Primeira missa no Brasil no ano de 1500.
Fonte:
Gazeta de Notícias, 1903
Revisão:
Paulo Barcala

segunda-feira, 30 de abril de 2018

A bela Ayres do Ayres Bella`s



Sucesso tem cores e formas. Janaina Ayres e seu studio no Rio de Janeiro, onde cabelos e unhas são embelezados. Orgulho da Família Ayres.

Em linha direta Janaína Ayres é filha de Jorge Ayres; neta de Geralda Ayres, bisneta de José Ayres, trisneta de Gervásia Maria Ayres e José Ayres de Lima, o Trançador-filho; e continuando aqui na linha de vó Gervásia, neta e 4° Grau de Sabina Maria da Conceição, ex-escrava; neta de 5° Grau de Justinianna Maria da Conceição, a Nana, ex escrava de João José de Lima e Silva, que também esta ligado à família, vejam abaixo.

Na linha de José Ayres, meu pai , - que originou a Família Ayres, ela é neta de 4° grau de José Fernandes Ayres-Trançador-velho; quem deu no nome ao Bairro da cidade de Caxambu, MG e Maria de Souza Lima; neta de 5° Grau de João José de Souza Lima, um senhor de escravos e Joana Thereza Ribeiro de Lima, sendo os mais antigos ancestrais da família até agora conhecidos, moradores na cidade de Pouso Alto, no ano de 1834.
Fotos:
Arquivo privado de Janaina Ayres

domingo, 29 de abril de 2018

Nossas águas, nossa história /Caxambu de Henrique Monat/Foram os tempos




"Divulgando os brilhantes resultados clínicos obtidos com as aguas de Caxambú, imito o exemplo dos primeiros frequentadores daquellas fontes maravilhosas, cumpro um dever de gratidão.

Procurei ser fiel; ouvi os velhos moradores do município, consultei collegas, interroguei muitos doentes, velhos frequentadores das águas; aproveitei todos os trabalhos publicados sobre o assumpto e documentos inéditos; não esqueci do nosso provecto liguista, o Sr. Dr. Castro Lopes, para reconstruir o termo Caxambú; esforcei-me, emfim, por dizer a verdade.

Sou severo algumas vezes na crítica, mas serei perdoado facilmente, porque me anima o desejo de também contribuir para o engrandecimento de Caxambú."
Texto:
MONAT, Henrique,  em "Caxambu",1894.
Foto: Solange Ayres

quarta-feira, 18 de abril de 2018

As atletas de Caxambu/ Ruth Villara Viotti e seus sonhos/ Elisa Jamal Guedes e outras


Na histórica foto, as "mais mais" de Caxambu, as moçoilas de raquete em punho dos anos de 1940. Cada uma, um destino. Pelo menos podemos escrever sobre duas delas, Ruth Villara Viotti e Elisa Jamal Guedes. Elisa foi uma grande tenista mineira e brilhou em vários campeonatos e deu muito trabalho à futura campeã de Wimbledon, da década de 1960, Maria Esther Bueno, nas finais do Campeonato Brasileiro. Ficar sentada fazendo tricô, em idade avançada, não era o seu caso. Nas horas vagas ainda praticava o esporte nas quadras de saibro do Parque das Águas. 

Já para Ruth Villara Viotti, a vida teve outros planos. Ela queria ser tenista, mas seu sonho não pode ser realizado.

"A Elisa Jamal Guedes foi uma grande tenista mineira! Graças a ela comecei nesse esporte, porém, minha situação financeira não colaborou com meu progresso, que exigia boas raquetes e que na época eram muito caras. Assim mesmo, o casal Ruth e Herbert Mesquita, do Fluminense do Rio de Janeiro, cogitaram de me levar com eles, pois viram qualidades em mim! Lamentei muito que isso não tivesse ido pra frente!!!" (*)

Dona Elisa Guedes, infelizmente, já nos deixou, mas Ruth, com mais de 90 anos esta aqui na internet, imbatível.
Ah, alguém sabe o nome das outras tenistas? Acrescentaremos ao texto as histórias que vocês contarem!
Foto:
Arquivo privado de Izabela Jamal Guedes
A segunda da esquerda para a direita, Elisa Jamal Guedes; Ruth Villara Viotti, segunda da direita para a esquerda.
* postado no Facebook

sábado, 14 de abril de 2018

As competições tênis na cidade de Caxambu e suas estrelas

O time do CRAC - Primeiro atras da rede é Luiz Mello, em seguida, Sergio Rosseti, com Jenny Mello Rosseti na sua frente. A jogadora do meio é Alda Guedes Mello e a do lado é Ophelia Mello Vieira Marques. Atras, entre as duas, esta Evaristo Guedes. O último à direita atras da rede o Caxambu. O primeiro à esquerda do lado é Roberto de Mello.


Nos dias 29 e 30 de março de 1944, aconteceram primeiras provas do III Campeonato Aberto de Tênis do Interior do Estado de Minas Gerais, realizado pela Federação Mineira de Tênis e... na cidade de Caxambu, mais precisamente, nas quadras do Parque das Águas. Na época encontrava-se à frente da prefeitura Renato Mauricio e Silva. Claro que um acontecimento assim para a cidade teve transmissão ao vivo pela Radio Caxambu, a ZYC2 em parceria com a Radio Poços de Caldas, a PRH5.
As equipes da cidade jogavam pelo Clube Recreativo Atletico Caxambuense, o CRAC, que tinha  como seu presidente o desportista Rangel de Magalhães Viotti. Os esportivas da cidade não eram os profissionais de hoje, ganhando somas milionárias, eram aqueles e aquelas que nas suas horas livres faziam os treinos nas quadras de saibro do Parque das Águas.

Na estréia do campeonato, houve duas provas  incluídas: a simples masculina e a simples feminina. Entre os atletas da região competiram também alguns tenistas famosos de São Paulo como Alcides Procópio, campeão nacional, Renato Catizani, campeão de São Paulo, Silvia Nesser e Ofélia Franchini, também campeãs estaduais. As equipes inscritas vieram das cidades de Três Corações, São Lourenço, Uberlândia e Caxambu. As provas de cada competição eram em numero de três - simples feminina, masculina e dupla mista. Nos sorteios as tabelas ficaram assim: Três Corações jogou contra Uberlândia, com o placar de 2 x 1 para Três Corações. Caxambu caiu na chave de São Lourenço e venceu por 3 x 0, indo para a final com Três Corações. 

Na disputa feminina simples levou o primeiro lugar, 2 X 1, assim como na dupla mista; no masculino simples venceram os tricordianos. No total, Caxambu conquistou 2 taças, 12 medalhas, Poços de Caldas 1 taça  e 3 medalhas, Três Corações 1 medalha. O sabor da vitória ficou ainda maior, pois os caxambuenses venceram os tenistas da cidade Três Corações, cujo Clube de Tênis era um dos mais antigos do Sul de Minas. Os tenistas estrelas da época, que participaram do evento, eram Oswaldo Andrade, Jorge Avelar e Nem Junqueira Avelar. No feminino, Maria de Jesus Belas e Elvira Grossi.

E o ano de 1944, foi de fato o ano esportivo para os tenistas e para Caxambu.  A cidade consquistou o título de campeão do Torneio Permanente de Tênis do Sul de Minas. Como toda festividade na Caxambu dos anos 40, o evento esportivo terminou em baile no Hotel Glória. Ah que tempos!

Enquanto isso em Cambuquira...

E a vizinha Cambuquira percebeu que tênis atraia público, e a febre do esporte bateu por la. Eles iniciaram a construção de quadras e começaram a organizar torneios, que eram a atração em tempos de baixa temporada, garantindo a boa frequência do hotéis. Ótima estratégia! Assim a cidade permanecia cheia de hospedes e esportistas.


Mas não foi a primeira vez que a cidade de Caxambu sediou um evento esportivo de Tênis. Em 1924, as quadras do Parque das Águas foram palco para disputas em que participavam basicamente turistas que estavam em veraneio na hidrópolis. A moda do registro acima diz tudo e o comprimento das saias brancas estavam muito abaixo dos joelhos de Dona Elisa Jamal  a estrela do tênis caxambuense, na década de 1940...

E as saias encurtaram...
Elisa Jamal Guedes X Maria Ester Bueno 


Elisa Jamal Guedes brilhou no VI Campeonato Regional de Tênis, realizado  na cidade de Juiz de Fora, no qual saiu vencedora no individual feminino. Outras tenistas também representaram a cidade como Nadir Mello, que já tinha se sagrado campeã de Caxambu, e no Interior do Estado, em 1944; e nas duplas, novamente Elisa Jamal Guedes e Alda Guedes Mello. Fora a dupla mista, composta por Carlos Berto e Alda Guedes Mello, classificada para disputar a final em Belo Horizonte. 
A temporada de 1945 começava, e os resultados preliminares eram promissores.  Os vencedoras a dupla feminina: Nele e Mariazinha Magalhães que bateram a dupla de Cambuquira. Já na dupla masculina, aparece o nosso querido Doutor Abelardo Guedes, pai de Izabela Jamal Guedes, que nas horas vagas também praticava o esporte, fazendo dupla com Domingos Mello. Os dois disputaram uma parada dura contra a dupla de Varginha, Homero e João Fata: 4x6, 6x1 e 6x3. Ficando a pontuação o seguinte: 1° lugar para Caxambu, com 6 pontos, seguido de Três Corações 4, Varginha 2, e Cambuquira, na lanterninha, 0.

Em 28 agosto de 1948, foi o dia da estrela que se sagrou campeã de tênis do Interior do Estado no VI Campeonato de Tênis acontecido, em Juiz de Fora.  Novamente ela: Elisa Jamal Guedes. Mas um feito bem maior colocava Elisa entre as melhores. Chegou às finais do Campeonato Brasileiro, aos 35 anos e jogando na final contra uma jogadora 16 anos mais jovem, iniciante na carreira esportiva, Maria Esther Bueno, que se tornaria a maior tenista de todos os tempos! A partida terminou com a derrota de Elisa Jamal. Mesmo assim deu muito trabalho à futura campeã, que venceu os torneios,  em Wimbledon nos anos de 1959, 63, 64 e 66, e em duplas 1960, 1962 e 1968. Perder para uma fera dessas era até uma honra.

Em idade avançada Elisa ainda praticava esporte. Aos domingos eu a via sair ali de sua casa em direção ao parque, vestindo sua sainha branca ainda acima dos joelhos, e de raquete em punho. Fines Mädchen!*
Fotos:
Fotos Antigas de Caxambu
Wikipedia: Gelderen, Hugo van/Anefo, 1967.
Arquivo privado de Izabela Guedes
Fonte:
Esporte Ilustrado, 1944
O Patriota
* Fina moça

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Salvamento no último minuto / Do Parque das Águas para o Mundo / Para a Alemanha/ Natürliches Kohlensäurehaltiges Mineralwasser


Lá vem o Dil Sacramento tirando as coisas do baú. E que coisas! Os rótulos eram os usados nas garrafas que iam para exportação, depois de engarrafadas nos próprios fontanários. Rótulos e mais rótulos da melhor água do mundo. Imaginem que o rótulo ao alto esta em alemão! Assim escrito: "Natürliches Kohlensäurehaltiges Mineralwasser", isto é: Água mineral com gás natural. Isto significa que as nossas águas eram exportadas para a Alemanha! Mas que previlégio os alemães tiveram e beber estas preciosidades.  O detalhe: produção anual de seis milhões de garrafas! Em cada fonte engarrafada, levava seu rótulo personalizado, com especificações devidas de suas propriedades: Fonte Dom Pedro, Mayrink 1, 2 e 3, Fonte da Beleza, chamada de Intermitente, Fonte Duque de Saxe, sulfurosa, Fonte Dona Izabel, férrea-gasosa e Fonte Dona Leopoldina e Fonte Viotti.

Mas o mais estarrecedor aqui foi o resgate dos rótulos no último minuto da história. Dil Sacramento trabalhou,  na década de 1980, no Parque, como almoxarife, quando da implantação da Superágua, pela empresa Supergasbras. Os rótulos e a história já iam para o fogo, isso mesmo, para incineração, como "sobras desnecessárias" que estavam no almoxarifado, assim relata Dil, quando no último minuto, ele salvou esta maravilhosa coleção que vem retratar a diversidade real existente em nosso Parque. Oque foi queimado não podemos ter idéia, arquivos irremediavelmente perdidos. Isso mostra como a memória e história de nossas águas foram e são tratadas pelas empresas que as exploraram: "sobras desnecessárias", "penduricalhos" e outros adjetivos. Graças a Dil, um pedaço da história foi resgatado. 
Foto:
Arquivo privado de Antonio Sacramento, publicado no livro de Maria de Lourdes Lemos in Fonte Floriano Lemos, Volume 1 - O Parque das Águas de Caxambu, Rio de Janeiro, 2001.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

100 Anos da Igreja Presbiteriana do Chapeo/ Baependi


De tantas histórias contadas e vividas, a Igreja Presbiteriana do Chapeo ocupou e ocupa um lugar especial na vida espiritual dos antepassados da Família Ayres/Lima, até nossos dias. No 29 de abril de 2018, às 13:30, ela vai soprar as velinhas de seus orgulhosos 100 anos. Estão todos convidados a participarem do Culto.

Fonte:
Loide Lima

domingo, 8 de abril de 2018

As preciosidades recebidas de Maria de Lourdes Lemos



Hoje a minha pequena biblioteca recebeu de Maria de Lourdes Lemos grandes preciosidades, escritas em diferentes tempos e ainda off-line. Livros e mais livros, seis deles, que nos serão de grande ajuda, fonte de informação para enriquecer ainda mais o nosso Blog. Maria de Lourdes Lemos   é filha do ilustre cidadão Floriano Lemos, cujo Gêiser existente no Parque Dr. Lysandro Carneiro Guimarães, em Caxambu, traz o seu nome. 

À Maria de Lourdes Lemos o meu Dankeschön! 
Saudações d`Este País, Alemanha.

Os Livros:
- Fonte Floriano de Lemos Volume I / O Parque das Águas de Caxambu, Rio de Janeiro, 2001.
- Estudos Arqueológicos do Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, 2002.
- Cadernos da Academia Caxambuense de Letras - Crônicas publicadas, Rio de Janeiro, 2006.
- Cadernos da Academia Caxambuense de Letras  - A cidade de São   Thomé das Letras, MG, Rio de Janeiro, 2006
- Caxambu: de Água Santa a Patrimonio Estadual - Série Fonte Floriano Lemos - Volume II, Rio de Janeiro, 2007.
- Crônicas Caxambuenses- Série Fonte Floriano Lemos - Volume II, 2013.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

As cores das Lembranças / Uma casa no Chapeo


Lembranças tem cores. O relevo montanhoso da região ao fundo, hoje pertence ao Parque Nacional da Serra do Papagaio e ainda hoje conserva sua beleza, atraindo turistas e amantes da natureza. Para a Família Ayres/Lima estas serras tem um significado especial. Não somente porque são belas, mas também porque nos contam muitas histórias do nosso passado.

A casa pertenceu a Pedro Francisco de Lima e  Lina Amelia de Lima. Ele filho de Francisco Ignacio de Lima (1862-?) e Emilia Prudenciana de Jesus (?-?), neto de José Ignacio de Lima (1835-?) e Fraujina Hororina de Jesus (?-?) e bisneto de João José de Lima e Silva (1798-1875) e Joana Thereza Ribeiro de Lima (1807-1860). Mas quem era essa gente toda? Ah, vamos contar...

Este pode ser o único e os mais antigo registro de uma residência da Família Lima/Ayres na Região. A casa foi construída no Bairro do Chapeo, hoje zona rural de Baependi, onde os seus bisavós João José de Lima e Silva (1798-1875) e Joana Ribeiro de Lima (1807-?) se mudaram com seus filhos e escravos, por volta do ano de 1853. João José de Lima e Silva é, até agora, o mais antigo ancestral da Família Ayres/Lima e suas ramificações. Eles constaram no sensu de Pouso Alto, no ano de 1839, antes de se mudarem para o Chapeo. E tinham endereço! Eles moravam no Quarteirão 2, Fogo 17 e a família tinha três crianças: Virgolina Balbina de Lima, José de Lima e Silva, avô de Pedro, Teresa Ribeiro de Lima e mais cinco escravos: Adão, Vicente, Benedito, Celestina, e o pequeno José de dez anos.

Maria Ribeiro de Lima/Ayres, que se casaria com José Fernandes Ayres, meu bisavô, apelidado de Trançador (que deu origem ao nome do Bairro Trançador), originado o ramo da Família Ayres, ainda não havia nascido.


Quais os motivos da família ter se mudado para o Chapéu não sabemos, mas a história nos dá algumas pistas. A região tornou-se grande produtora de tabaco e produtos que abastecia tanto o comércio regional, como a Corte do Rio de Janeiro, nos tempos do Brasil Colonia. Nos nossos arquivos, o bisavô de  Francisco, João José Lima e Silva, era possuidor de um plantel relativamente grande de escravos, vinte, quinze a mais de que quando foram registrados em Pouso Alto. Poderíamos dizer que eles não eram tão pobres assim, pois adquirir escravos era necessário ter "cabedal", isto é, dinheiro e os escravos eram caros no mercado. Então estaria tudo ligado.

A história

A cidade de Baependi desenvolveu-se às margens da primeira grande via de comunicação regular do Brasil, a Estrada real, que ligava Minas ao mar, citando o poeta Milton Nascimento, ao porto da cidade de Paraty, onde o ouro e os produtos agrícolas eram exportados ou contrabandeados, como queiram, para Portugal.

Mas este tempo foi o tempo do ouro. Na região de Baependi, as lavras eram superficiais, e ouro mesmo quase ninguém viu. As esperanças de encontrar o metal precioso em grande quantidade se esvaíram e, do sonho de se enriquecer, ficou somente a dura realidade: sobreviver. Nossos antepassados dedicaram-se a produção de tabaco, milho, feijão, criação de gado como todos os produtores da região.

Henrique Monat descreve em seu Livro Caxambu, publicado no ano e 1894, sobre o fim da opulência da região. Quando ele chegou à Baependi, a cidade já sofria a decadência ha duas décadas. O golpe final para ele foi a libertação dos escravos, ainda bem.

"Baependi, hoje em decadência, floresceu até uns vinte anos passados; o tabaco fez-lhe a reputação de município opulento, e na história do império os grandes princípios democráticos ali encontraram defensores heróicos. Foi berço de homens ilustres nas ciências e na política. Hoje, não tem tabaco para dous cigarros, e vive de recordações, a ver crescer a fama de Caxambu, como uma mae velha e exausta ve, cheia de orgulho e espererancas, elevar-se o filho que amamentou.
As charutarias do Rio se expõem rolos de cigarros que de Baependi só temos dizeres do rótulo; e infeliz cidade nem energia tem mais para protestar o papel gratuito de testa de ferro."
A lei de 13 de maio foi o golpe de misericórdia dado a sua lavoura, ja decadente".

Hoje restam as nossas lembranças, e a casa do avô pintada, colocada na parede como parte das memórias da Família Lima/Loesch, de Caxambu. Estava tudo ligado, tudinho.
Foto:
Arquivo privado da Família Lima/Loesch

domingo, 1 de abril de 2018

Uma Caxambu de outro século pelo olhar de Dil Sacramento



Quem passeia por Caxambu talvez nem perceba o quanto a cidade ainda conta história. Alguns casarões ainda estão lá... impávidos, superando a dor do tempo, o gradil das janelas, os detalhes das fachadas... 

A casa da Família Branco situada na Rua Major Penha é uma delas, e a outra situada na Rua Conselheiro Mayrink (1839-1906), nome de uma figura ilustre para a cidade. Mayrink foi deputado eleito para a primeira Assembléia Constituinte da República e, posteriormente, deputado por Minas Gerais. Era banqueiro, e tomou parte em inúmeros empreendimentos, como iluminação e gaz, imprensa, transporte, lavoura,  industria têxtil, usinas e fábricas. A ele a cidade deve melhoramentos como a captação das fontes e a exploração das águas minerais. Em homenagem ao seu benfeitor,  ganhou nome de fonte e rua na cidade de Caxambu.

A cor amarela esta bem combinando com o tempo. Preciosidades como essa que todo caxambuense deveria  admirar e ajudar a preservar, pois são uma das últimas testemunhas do século passado.
Se não fosse os olhos de Dil Sacramento...

Fotos: 
Dil Sacramento para o nosso Blog 

terça-feira, 20 de março de 2018

E lá vai a preta Joaquina, maior de quarenta anos, ser leiloada para pagar a dívida de seu proprietário



Baependi, data estelar 1879...

Se estivéssemos no ano de 1879, poderíamos ler, na fria manhã da quarta feira de 2 de julho, uma das quatro páginas do Jornal “O Baependyano” o edital mandado publicar pelo Juiz Municipal de Baependi, Dr. João Coelho Gomes Ribeiro, republicado em 13 de julho, um domingo, dando conta a todos os seus jurisdicionados que, em virtude de dívida contraída por José Rodrigues Guedes para com José Franklin Diniz Junqueira, avalizada por João Constantino da Costa Guimarães e não resgatada a tempo, foi penhorada a escrava Joaquina de propriedade do devedor. Isto mesmo, caro leitor. E tem mais: O edital alude à escrava como “preta, de idade maior de quarenta anos[...]avaliada e 550$000”.

José Franklin Diniz Junqueira , o "prejudicado" na causa foi vereador em Baependi em 1868 e quem doou 100$000 de réis à Comissão de Festejos da recepção da Princesa Izabel  em Baependi. Ele constou no Almanak Sul Mineiro para o decênio de1874-1884 como rancheiro e proprietário de um Engenho de Serra, isto é, uma serraria, cujas máquinas eram movidas à água, na cidade de Cruzília, que na época sob jurisdição de Baependi, juntamente com outros de sua família como Antonio Gabriel Junqueira, Domingos Theodoro Junqueira, Francisco de Andrade Junqueira, todos eles com descendentes hoje na região do Sul de Minas. Ele foi proprietário da Fazenda Traituba, situada entre Cruzília e Carrancas, ainda hoje existente, provavelmente a mesma propriedade citada no Almanak.

Vista e examinada


O edital não poderia ser mais cruel.  Determina o Juiz que “para a arrematação da mesma escrava, este Juízo recebe propostas em cartas “feixadas”(sic) durante o prazo de ,trinta dias[...] podendo a mesma escrava ser vista e examinada em poder do depositário Francisco Antonio da Silva.

Vamos pedir emprestado as impressões de Carl Schlichthorst, militar, engenheiro e escritor alemão, quando chegou ao Brasil, em 1825,  e escreveu o que viu sobre o comércio dos escravos na cidade do Rio de Janeiro e como eram... "avaliadas as mercadorias".

"Ao chegar ao porto, dá-se a cada escravo do sexo masculino ou feminino, um pano azul e um barrete vermelho, pois viajaram em trajes do Paraíso. Com essas tangas e barretes, veem-se longas filas de negros levados como rebanhos de ovelhas para os armazéns dos traficantes, onde as transações continuamente se realizam, feitas com a mesma cautela com que na Alemanha se compra um cavalo.

E continua:

"Verificam-se, para começar, mãos e pés. Mandam-se fazer vários movimentos, para ver que não têm defeitos. Examinam-se os dentes e oo tórax. Afinal, levam-no repentinamente do escuro para a claridade, a fim de provar a sua vista. Não será preciso dizer que esse exame não é feito com muita delicadeza nas escravas. (...)."

Além disso, os compradores examinavam... as partes íntimas dos escravos a fim de constatar alguma doença. Se assim era para a compra de um escravo, o mesmo estaria valendo para, a ser leiloada Joaquina, e talvez ela também teve que passar por alguns desses procedimentos. O compradores, no caso o arrematador, teria a certeza que sua mercadoria estaria em "em ordem", "sem avarias" e fazendo jus ao seu preço: 550$000 mil réis. Ah, preta Joaquina de 40 anos...

A penhora de escravos era permitida pelo Decreto-Lei 482 de 1846, confirmado pela Lei 1.237 de 24 de setembro de 1864, pois os considerava acessórios dos imóveis dos proprietários. E assim, Joaquina, escrava com mais de quarenta anos, penhorada, teve que aguardar o leilão sob a custódia de um depositário, para ter definida sua vida.

Resolvida a contenta jurídica, em 1880, Joaquim Diniz vendeu suas propriedades e foi de partida  com a família para a cidade Rio de Janeiro. A preta Joaquina? Já deveria estar em mãos de outro senhor.


Autores:

A duas mãos. Antonio Claret Maciel dos Santos, caxambuense, advogado, escritor, residente em Sao Paulo. Gosta de escarafunchar papéis antigos, e foi quem reescreveu a biografia beata  Nha Chica, em 2015.

Solange Ayres, caxambuense, historiadora pela UFMG, residente na Alemanha, e tenta compensar as saudades da terrinha escrevendo o blog.
Fonte:
O Baependiano
CARVALHO, Leandro, in O mercado de escravos
SCHLICHTHORST, C. O Rio de Janeiro como É (1924-1926
Gravura: Debret
Revisão: 
Paulo Barcala